sábado, 31 de dezembro de 2016

LEANDRO PEIXE FRITO: UM CRAQUE ACIMA DE QUALQUER SUSPEITA


José Leandro Souza Ferreira nasceu em Cabo Frio-RJ, em 17 de março de 1959. Lateral-direito de muitos recursos técnicos, visão de jogo, habilidade, eficiência tanto defendendo quanto atacando. Passou a atuar depois como zagueiro, demonstrando a mesma categoria e classe. Com toda certeza ele faz parte do seleto grupo dos grandes jogadores em sua posição na história do futebol brasileiro e mundial.

Sua carreira no futebol foi totalmente dedicada ao Flamengo. Em qualquer “time dos sonhos” do torcedor rubro-negro, Leandro “Peixe Frito” se faz presente. Foram 415 jogos e 14 gols marcados. Foi campeão carioca em 1978/79/79-especial/1981/1986, do brasileiro em 1980/1982/83/1987, e da Taça Libertadores e do Mundial Interclubes em 1981.

Em 1986, abandonou a seleção no momento de embarcar para o Mundial do México, solidário ao amigo Renato Gaúcho, que fora cortado pelo técnico Telê Santana. Participou da Copa do Mundo de 1982, na Espanha. Pela Seleção foram 27 jogos e 2 gols marcados, sendo todos oficiais.  

Parou cedo, aos 31 anos, porque sofria do “mal de caubói” – pernas arqueadas. Leandro foi diagnosticado com uma artrose no joelho, em 1985. Mesmo assim, jogou por mais cinco anos. Cada partida era um suplício para ele no final da carreira. Leandro ainda jogou na zaga central, mas concluiu que era melhor parar deixando uma boa impressão. Quem vivenciou essa época sabe o quanto ele lutou e sofreu com infiltrações para entrar em campo – quando seu problema já era crônico –, e o impedia de fazer o que mais gostava: jogar futebol e defender as cores do seu time do coração.  

Atualmente reside em sua cidade natal, Cabo Frio, administrando sua pousada e curtindo merecida aposentadoria. 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

GRANDES DUPLAS DO FUTEBOL


Sabe aqueles caras que você pensa no nome de um e logo lembra do outro. A história do futebol está cheia de duplas como essas.  

PELÉ & COUTINHO – Eles nunca se deram muito bem fora de campo. Mas, dentro dele, Pelé e Coutinho formaram aquela que muitos consideram a maior dupla da história da bola.  Suas tabelinhas infernizaram as torcidas adversárias nos anos 60.   
Período em que jogaram juntos: de 1960 a 1967
Números: Pelé – 1116 jogos e 1091 gols; Coutinho – 457 jogos e 370 gols
Títulos: campeões paulistas em 1960/61/62/65/65/67; pentacampeões da Taça Brasil, de 1961 a 1965; bicampeões da Taça Libertadores e do Mundial Interclubes, em 1962 e 1963.

DUDU & ADEMIR DA GUIA - Quando veio do Bangu, em 1961,  o armador Ademir da Guia fazia dupla no meio de campo do Palmeiras com o volante pernambucano Zequinha. Só quatro anos depois é que Dudu chegou, vindo da Ferroviária de Araraquara (SP). Em 1976, quando o Verdão foi campeão paulista, Dudu era o técnico. E Ademir, aos 34 anos, ainda estava em campo, vestindo a camisa 10.  
Período em que jogaram juntos: de 1965 a 1975
Números: Dudu – 609 jogos e 25 gols; Ademir da Guia – 901 jogos e 153 gols
Títulos: campeões paulistas de 1966, 1972 e 1974; da Taça Brasil de 1967; do Torneio Rio-São Paulo de 1965; do Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1967 e 1969; bicampeões brasileiros em 1972/73.

WASHINGTON & ASSIS – Washington era um centroavante desacreditado. Assis, um meia apenas comum. Não deram certo no Internacional. No Atlético-PR formaram o “Casal 20” – nome de uma série de TV da época. Explodiram de vez no Fluminense.
Período em que jogaram juntos: de 1982 a 1987
Números: Washington – 303 jogos e 120 gols; Assis – 180 jogos e 57 gols (Fluminense)
Títulos: campeões paranaenses em 1982 pelo Atlético; tricampeões cariocas em 1983/84/85; campeões brasileiros em 1984.  

VAN BASTEN & GULLIT – Gullit veio do PSV Eindhoven. Van Basten, do Ajax.  Os dois holandeses jogaram no ataque do Milan. Em sete temporadas, marcaram 172 gols com a camisa do time italiano – 51 de Gullit, 121 de Van Basten.
Período em que jogaram juntos: de 1987 a 1993
Títulos: campeões italianos em 1988/92/93; campeões da Copa da Europa (hoje Copa dos Campeões) em 1989 e 1990; bicampeões do Mundial Interclubes em 1989 e 1990. 

Tivemos outras duplas que podem fazer parte da relação, mas de preferência com títulos expressivos conquistados. No entanto, deixo na imaginação do leitor a citação de outros nomes. Cito mais uma dupla – Tostão e Dirceu Lopes, do Cruzeiro –, que também escreveram seus nomes na história do futebol.  


quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

ZEZÉ: O BAIXINHO DE RECREIO QUE BRILHOU NO FLUMINENSE E HOJE É SAUDADE...

Fluminense de 1981 - Em pé: Adilço, Edevaldo, Paulo Vítor, Deley, Edinho e
Rubens Galaxe; Agachados: Robertinho, Gilberto, Gilcimar, Mário e ZEZÉ
Antonio José da Silva Gouveia nasceu em Recreio-MG, cidade próxima a Miracema, em 30 de maio de 1957. Um ponta-esquerda de excelente domínio de bola, bons recursos técnicos e facilidade para chegar ao fundo do campo e fazer precisos lançamentos. Gostava de fechar em diagonal e pegava bem na bola, por isso de vez em quando fazia seus gols.  

Quis o destino que Zezé nos deixasse muito novo, aos 51 anos, em sua cidade natal, em 30 de dezembro de 2008, vitimado por uma parada cardíaca. No entanto, já vinha sofrendo de complicações renais. Quando defendeu o Guarani, de Campinas, em 1982, foi diagnosticado com problemas cardíacos e orientado a encerrar a carreira profissional. Não acatou a decisão médica e disse que não sabia fazer outra coisa a não ser jogar bola, e, assim, teve a sua transferência facilitada para o Flamengo. Ele já havia perdido um irmão que sofreu uma parada cardíaca participando de uma pelada.

Zezé começou nas categorias de base do Nacional, de Muriaé, e chegou ao Bangu para jogar na mesma categoria. Chamou a atenção do Fluminense que o levou para sua divisão de base. No Tricolor carioca viveu o melhor momento de sua carreira, entre os anos de 1975 e 1981, com 261 jogos e 83 gols marcados. Teve o privilégio de jogar com as feras da Máquina Tricolor. Como titular foi campeão carioca em 1980.

A partir de 1982 rodou por diversos times, tais como: Guarani, Flamengo – apenas 11 jogos e um gol no 2º semestre de 1982 –, Ceará, América-MG, XV de Piracicaba, Santo André, Blumenau-SC, Ribeiro Junqueira, de Leopoldina, Barra Mansa e Paduano, onde encerrou a carreira em 1992.  Chegou a trabalhar nas divisões de base do Nacional, de Muriaé, e sonhava com a carreira de técnico de futebol.  Pela Seleção foram 3 jogos em 1979, sendo 2 oficiais. 

Em maio de 2014 ele foi eternizado em sua terra natal – Recreio – com um busto no Largo Santo Antônio. Após a solenidade aconteceu um jogo festivo com a presença do Master do Fluminense, que veio representado por diversos de seus amigos que participaram da campanha do título carioca de 1980,  como Paulo Goulart, Tadeu, Rubens Galaxe, Deley, Pintinho, Mário, Robertinho, entre outros.   


segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

ADEMIR MARQUES DE MENEZES: UM ARTILHEIRO IMPLACÁVEL



Pernambucano de Recife, onde nasceu em 08 de novembro de 1922, iniciou a sua carreira no Sport-PE, como juvenil, em 1937, e com apenas 19 anos começou a ganhar fama ao conquistar o título do Campeonato Pernambucano de 1941. De quebra, foi artilheiro com 11 gols. Recife começava a ficar pequena para o seu futebol.

Ademir chegou a São Januário em 1942. As arrancadas irresistíveis e a incrível capacidade de conclusão logo o transformaram em um ídolo da torcida. Foi campeão carioca em 1945 e trocou o Vasco pelo Fluminense no início da temporada de 46. Gentil Cardoso, treinador, dissera aos dirigentes do tricolor: "Dêem-me Ademir que lhes darei o campeonato". Não deu outra. Ademir ajudou o Fluminense a conquistar o Campeonato Carioca de 1946. Mas a sua estadia nas Laranjeiras durou pouco, pois só ficou até o final de 47. Marcou 65 gols em 78 jogos pelo Tricolor. 

De volta a São Januário, ele foi campeão do Rio de Janeiro em 1949, 1950 e 1952. Também ganhou o Campeonato Sul-Americano de Clubes, disputado em Santiago, no Chile, em 1948. Com 283 gols em 404 partidas, Ademir tornou-se o maior ídolo e artilheiro da história do Vasco da Gama, até ser ultrapassado em números de gols por Roberto Dinamite. Pelo Vasco, integrou um dos maiores times da história do futebol mundial, o “Expresso da Vitória". 

Pela Seleção Brasileira, Ademir Menezes disputou 41 partidas e marcou 35 gols, sendo 39 oficiais com 31 gols. Seu principal título foi o Sul-Americano de 1949. Artilheiro notável que fez nove gols em seis jogos e é um dos dois únicos brasileiros - o outro é Leônidas - a fazer quatro gols em apenas um jogo de Mundial ­na goleada contra a Suíça. Depois da Copa, sofreu lesões no pé e nos meniscos que o afastaram durante meses dos gramados. Já em 1956, com 35 anos, pendurou as chuteiras no Vasco e retornou ao Sport para fazer um jogo de despedida.

Os problemas de saúde de Ademir começaram em 1993 e pioraram em julho de 1994, quando ele teve diagnosticado câncer de medula. Chegou a ficar 62 dias internado e, desde setembro de 94, prosseguiu o tratamento em casa. Faleceu no Rio de Janeiro, em 11 de maio de 1996, aos 74 anos, vítima de leucemia. 

Ademir era muito amigo do miracemense e vascaíno Jofre Salim, que por algumas vezes trouxe o Queixada a Miracema para participar de jogos festivos. A última visita foi em janeiro de 1993, quando na cia de Aymoré e Zezé Moreira, veio prestigiar a homenagem aos "Irmãos Moreira", no descerramento da placa do estádio da Associação Atlética Miracema, que passou a levar o nome dos desportistas. 



sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

COMO ACABAR COM A SUBSERVIÊNCIA DO LEGISLATIVO MUNICIPAL AO EXECUTIVO


O poder legislativo não pode ser subserviente ao executivo. Ele deve se impor em todos os níveis e esta imposição tem que ser regra. Infelizmente isso não ocorre!

O vereador não deve votar a favor de um projeto para agradar ao prefeito, neste caso, se o mesmo não for benéfico para a cidade. Esse pressuposto, também, serve para um vereador que faz parte da oposição e vota sempre contra as propostas do prefeito. Sabemos da divisão do quadro político entre os partidos que são da base do governo e os da oposição. Como já dizia Nelson Rodrigues, “toda unanimidade é burra”, e uma voz contrária, mas devidamente consciente dos seus deveres, é benéfica em qualquer discussão de alto nível.

No entanto, apesar das disputas políticas, os parlamentares devem ter seus interesses pautados em prol da coletividade. Cada vereador é eleito de forma direta, pelo voto, sendo um representante da população, e não do executivo. A subserviência total ao governo é prejudicial em todos os sentidos. O ideal é que todos, Legislativo e Executivo, possam trabalhar juntos para atingir um único objetivo: cada um em sua função buscar o bem comum em prol da sociedade. Será que isso é possível?

Outro agravante: raramente os vereadores são cobrados em suas bases. Aí a culpa é do eleitor, que não procura saber dos projetos do seu vereador, muito menos faz alguma reivindicação a este. Limita-se apenas a sugá-lo, como se cobrasse o seu voto. É uma ciranda de interesses que parece não ter fim.

É claro que há exceções, mas convenhamos, são poucas em um universo tão grande de “eleitos” e “eleitores”. É nosso dever e obrigação cobrar do Poder Legislativo municipal o que o vereador tem como função primordial: REPRESENTAR OS INTERESSES DA POPULAÇÃO PERANTE O PODER PÚBLICO. Pelo menos deveria ser o objetivo principal de uma pessoa escolhida como representante do povo. VAMOS FICAR ATENTOS!


JORGE CURI: A VOZ QUE MARCOU ÉPOCA NO RÁDIO ESPORTIVO


Jorge José Curi se destacava dos demais locutores devido à sua grande capacidade vocal. Nascido na cidade mineira de Caxambu, em 25 de fevereiro de 1920, faz parte de uma família ligada ao rádio. Entre os seus oito irmãos, Alberto Curi foi um grande locutor de jornalismo e Ivon Curi,  cantor e ator.  

Jorge Curi e Waldir Amaral
É considerado um dos maiores locutores esportivos de todos os tempos do rádio brasileiro.  Seu estilo de narração inconfundível faz parte da história, e ele fazia realmente com que a gente, mesmo de longe, estivesse “vendo” o jogo. Nos anos de ouro do nosso futebol não tínhamos a televisão a mostrar todos os jogos como ocorre atualmente, e nos sentíamos dentro dos estádios através das ondas do rádio. Além de locutor, também era apresentador de programa de auditório. Depois de fazer um teste e passar na Rádio Nacional, em 1943, ficou por lá até 1972, quando se transferiu para a Rádio Globo, a convite de Waldir Amaral, e passou a fazer uma dobradinha narrando as partidas em conjunto. Cada um narrava um tempo do jogo. 

Ficou na Globo até 1984, quando foi demitido injustamente e de maneira nada elegante, sendo substituído pelo garotinho José Carlos Araújo e Washington Rodrigues, que vieram da Rádio Nacional. Cobriu as Copas do Mundo de 1950 a 1978. 

Era um torcedor fanático do Flamengo. Com tudo isso, pois o seu amor pelo rubro-negro nunca foi escondido, tinha o respeito e a admiração de todas as demais torcidas. Uma de suas marcas registradas foi o compromisso com aquele que estava com o rádio colado nos ouvidos, levando a verdade dos fatos.  Em duas oportunidades encontrei com ele em Campos, no início dos anos 80, e numa delas tive o prazer de apertar sua mão e expressar a minha alegria em conhecer de perto um ídolo do rádio esportivo. Foi solícito e a minha admiração só aumentou. 

Quando já estava trabalhando na Rádio Tupi, em 1985, teve sua vida interrompida em um acidente automobilístico que ocorreu próximo a Caxambu, no interior de Minas Gerais, em 23 de dezembro de 1985, quando retornava à cidade natal para os festejos de final de ano.

O rádio esportivo ficou órfão de um de seus filhos mais ilustres. Calou a voz que ecoava pela arquibancada do velho Maracanã a cada gol marcado. 

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

FIGUEIREDO: O TRÁGICO FIM DE UMA PROMESSA DO FLAMENGO

Acervo particular
Vítima de acidente de avião, no qual ele era um dos quatro passageiros, o ex-zagueiro do Flamengo Cláudio Figueiredo Diz faleceu em 20 de dezembro de 1984. O monomotor chocou-se frontalmente com a montanha, no Pico do Caledônia, região de Nova Friburgo-RJ, sem deixar sobreviventes. Acompanhado de Niltinho – irmão do ex-atacante Bebeto – de uma modelo e o piloto, viajavam com destino a Salvador, na Bahia. Somente no dia seguinte ao ocorrido conseguiram chegar ao local do acidente e resgatar os corpos.


Nascido na capital paulista em 23 de dezembro de 1960 foi descoberto na disputa da Taça São Paulo de Juniores, em 1976, defendendo o Nacional da capital paulista.  Ele se destacou com seu estilo vigoroso e, ao mesmo tempo técnico, logo chamou a atenção dos olheiros do Flamengo. Poucos dias após a competição já estava no Rio incorporado ao elenco das categorias de base. O seu primeiro jogo pelo profissional ocorreu em 18/04/79, pelo 2º turno do carioca, na vitória de 4 a 0 sobre o Fluminense. Retornou ao time de juniores e subiu em definitivo no início da temporada de 1981. 
Marinho, Figueiredo e Guto. Acervo particular 

Figueiredo não teve tempo de mostrar que realmente poderia ser um dos grandes zagueiros do futebol brasileiro.  A fatalidade interrompeu o sonho do jovem que estava prestes a completar 24 anos. Mas, apesar de não ser uma das estrelas rubro-negra naquele começo dos anos 80, já se destacava e prometia brilhar ainda mais. 

Figueiredo morreu precocemente, mas teve tempo de comemorar muito títulos importantes com a camisa do Flamengo, mesmo não sendo um titular efetivo, entre eles: bicampeão brasileiro em 1982/83, carioca em 1981, e da Taça Libertadores e do Mundial Interclubes de 1981. Foram 152 jogos sem marcar nenhum gol. 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

PARA MIRACEMA, COM SAUDADES E AMOR! POR BEBETO ALVIM

Jardim
Para Miracema, com saudades!

O exílio de Gonçalves Dias exalta sua plaga com rara beleza; entretanto, expressa, "in-fine", um certo sofrimento pela dor da saudade e pela apreensão da dúvida da volta.

São sentimentos vividos por mim nesta significativa data... Um misto de alegria por ser miracemense e de tristeza por estar ausente.

As lágrimas dos sentimentos adversos se misturam em meu rosto... Ao enxugá-las o faço com o orgulho de ser filho dessa Terra de tantos valores no passado e no presente.
Para Miracema, com Amor!
Canção do Exílio (Gonçalves Dias)
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.





HOSPITAL DE MIRACEMA: ASSIM TUDO COMEÇOU

Década de 50 
Fonte: Hospital de Miracema

No ano de 1933, em face da desastrosa crise do café, um grupo de lavadores resolveu fundar a Associação Agrícola de Miracema, na esperança de nela agrupar o maior número possível de pessoas em defesa dos interesses vitais da classe. Infelizmente apenas trinta e poucos proprietários agrícolas a ela se filiaram. Várias medidas foram pleiteadas e algumas atendidas, além de sugestões levadas ao Governo e autoridades.

No fim do ano de 1933, um colono, Sr Francisco Domiciano Gurgel, muito bem quisto por todos, adoeceu com “hidropisia”, indicativo de várias doenças, desde problemas no sistema digestivo até nos rins, e “ascite”, acúmulo de líquido dentro da cavidade abdominal, sendo necessárias punções abdominais repetidas. Para conforto do médico e do doente, foi removido para a cidade e, em um quarto de residência particular foi realizada a punção para a retirada do líquido. Este paciente veio a falecer em 17 de novembro do mesmo ano.

Este fato fez com que vários miracemenses se reunissem com a finalidade de fundar um hospital exatamente para atender os pacientes da zona rural. A esta reunião compareceram 16 pessoas, pouco menos da metade dos inscritos.  Aberta uma lista para angariar fundos, foram apurados apenas dez contos de réis, um valor insignificante. Mesmo assim a ideia foi levada adiante e poucos dias após, o Drº Otávio Tostes, um dos sócios, soube em Muqui que o Departamento Nacional de Café concedeu à Prefeitura local 5.000 sacas de café para calçamento d cidade. Resolveu-se, então, fazer um ofício ao presidente do Departamento solicitando também as mesmas 5.000 sacas de café para a construção do hospital.  Após muito esforço, conseguiram 1.500 sacas que foram vendidas e arrecadaram cento e nove contos de réis.

Foi comprada a chácara pertencente ao Banco Ribeiro Junqueira por noventa contos de réis, obrigando-se o Banco a construir duas alas que seriam as primeiras enfermarias do hospital.

Aproveitando-se da vinda do Almirante Protógenes Guimarães, governador do estado que veio instalar o recém criado município – em 1936 – os sócios levaram-no ao hospital que lhe causou boa impressão pela limpeza e excelente localização. Alguns dias após, o governador concedeu uma verba de 10 contos de réis em dinheiro e toda a aparelhagem para a sala de operações – cerca de oitenta contos de réis.

Para ser mais exato, o hospital foi inaugurado no mês de setembro de 1935, e  funcionava em condições aquém do desejado até receber novas instalações e aparelhagens.      

Fundadores do Hospital de Miracema:
Antônio Carlos Moreira (1º provedor)
Drº Octávio Armond Tostes da Fonseca (1º vice-provedor)
Joaquim Bernardino de Barros (1º tesoureiro)
Arthur Ribeiro Monteiro da Silva (1º secretário)
Drº Armando Vidal, José Naegle, Dom Octaviano – Bispo da diocese – Drº Carlos Tinoco, Frederico Barroso, Oscar Barroso e Hipólito Souto.




O recibo acima é das despesas do hospital com o meu nascimento, de nº 293, datado de 2 de janeiro de 1967. 

O ROUBO DA TAÇA JULES RIMET


Na noite de 19 de dezembro de 1983, dois homens renderam o vigia do edifício da CBF, subiram até o 9º andar e roubaram a Taça Jules Rimet. Desprotegida, o troféu que o Brasil conquistou definitivamente na Copa do México desapareceu sem deixar rastros. 1,8 kg de ouro 18 quilates empregado pela FIFA na escultura da Jules Rimet foi, definitivamente, totalmente derretido. 

Além da Jules Rimet, os ladrões também conseguiram levar a Taça Independência, conquistada em 1972, por ocasião do sesquicentenário da Independência do Brasil, os troféus Jarrito de Ouro, lembrança da conquista do torneio de futebol do Pan-Americano de 1976 e a Taça Equitativa, do vice-campeonato na Copa do Mundo de 1950.

Em 31 de março de 1988, os criminosos foram julgados e condenados. Sérgio Peralta, Chico Barbudo e Luiz Bigode foram condenados a 9 anos de prisão. Juan Carlos Hernandez foi condenado a três anos de prisão. Mas, depois de condenados, os criminosos fugiram. Chico Barbudo, que ficou foragido, mais tarde ganhou apelação da pena. Enquanto aguardava o julgamento em liberdade, Chico Barbudo foi assassinado a tiros por cinco homens no dia 28 de setembro de 1989, num bar, em Santo Cristo.

Antes disso, Antônio Setta, o Broa, morreu no dia 03 de dezembro de 1985, em um acidente de carro perto da Lagoa Rodrigo de Freitas, quando ele iria depor numa audiência. Suspeita-se de queima de arquivo em ambas as mortes.     

domingo, 18 de dezembro de 2016

FUTEBOL CARIOCA TERÁ QUATRO DIVISÕES E COPA RIO COM MATA-MATA EM 2017


Além das mudanças na Série A do Campeonato Carioca, as divisões inferiores do futebol do Rio de Janeiro também sofrerão alterações drásticas para a temporada de 2017, que incluem, desde datas, formatos e até uma nova divisão criada, dividindo a Série B. As definições foram realizadas na Assembleia Geral da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FFERJ), realizada na última sexta-feira (16), na sede da entidade. 

Série B é dividida em duas, de maio a setembro
A segunda divisão do futebol carioca foi particionada em duas divisões distintas, Séries B1 e B2, com acesso e descenso entre elas, com as duas competições acontecendo de forma paralela, entre maio e setembro. O módulo B1 será ocupado pelos clubes que disputaram a Série B de 2016, excluindo os rebaixados para a divisão inferior e incluindo os que desceram da Série A.
Já o módulo B2 será composto pelas equipes que, em tese, estariam na Série C do Campeonato Carioca – as com situação regular e aptas a jogo no que tange os requerimentos da Federação e as que foram rebaixadas na Série B de 2016. Duas equipes subirão e descerão em cada uma destas divisões, criando acesso e descenso.

Copa Rio tem seu formato de competição alterado
Nos últimos anos, a Copa Rio tem tido seu formato alterado constantemente. Para 2017, não será diferente. Em formato similar ao da Copa do Brasil, a competição será puramente em confrontos de mata-mata, entre a realização das Séries B1 e B2, com as partidas sendo marcadas para os meios de semana.
A composição das equipes será da seguinte forma: oito equipes da Série A, cinco da Série B (que estarão no Módulo B1 em 2017) e três da Série C (Módulo B2 na próxima temporada), fechando em 16 clubes, disputando a partir de oitavas de final. Por mais um ano, o campeão tem direito de escolha entre uma vaga na Série D do Campeonato Brasileiro ou Copa do Brasil, com o vice-campeão ocupando a vaga restante.

Série C ajudará clubes em situação irregular e os colocará em torneio oficial
Mais uma vez, em 2016, a FERJ realizou o Torneio Amistoso, a fim de reunir equipes que não estavam aptas a disputar a Série C do Campeonato Carioca, na forma de um torneio não oficial. Para a próxima temporada, a Série C terá a mesma finalidade, porém, com ares de campeonato oficial, com acesso à Série B2.
A disputa será realizada entre julho e novembro. Os clubes que estiverem com pendências terão, por parte da Federação, ajuda para se regularizarem e poderem atuar pela, agora, quarta divisão do futebol carioca. 
A Série C vão ser os clubes que não estavam em situação regular. Iremos ajudá-los e colocá-los em um campeonato oficial. Os clubes terão refinanciamento, conseguirão se regularizar e ocuparão a Série C, podendo alimentar a Série B2. 

Objetivo será padronizar torneios e ajudar mais os clubes
Os regulamentos ainda não estão definidos, de forma oficial, para estas competições. Porém, a tendência é de que os mesmos sejam parecidos, funcionando de forma similar, padronizando com disputas de dois turnos, com a decisão sendo realizada entre os melhores destes turnos e facilitar o entendimento por parte dos clubes e dos torcedores.
Outra medida anunciada pela Federação será a ajuda financeira aos clubes, utilizando de subsídios advindos principalmente da cota de televisão recebida pela FERJ da Série A do Campeonato Carioca. As medidas vão desde o refinanciamento de dívidas dos clubes de divisões inferiores, até o pagamento de parte dos borderôs das partidas dos Módulos B1 e B2 do Estadual.

Fonte: FutRio

BLOG ALMANAQUE (1966): BANGU E O INESQUECÍVEL TÍTULO CARIOCA


No dia 18 de dezembro de 1966, o Bangu conquistava o seu último título carioca na vitória de 3 a 0 sobre o Flamengo. Em 1964 e 1965, deixara escapar a taça no final, ficando com o vice-campeonato. A base da equipe comandada pelo técnico argentino Alfredo Gonzalez era a mesma montada pelo treinador anterior, o lendário Tim.  A força ofensiva era a principal arma banguense para sair da fila e vencer o bom time rubro-negro.

O feito histórico, diante de um Maracanã lotado por 143.978 pessoas, também foi marcado por uma grande confusão iniciada pelo atacante do Flamengo Almir Pernambuinho. No segundo tempo, alguns jogadores do time da Gávea – principalmente o Almir – ficaram com os ânimos exaltados e as jogadas mais violentas foi a tônica da partida.

Após uma discussão entre o atacante Ladeira e o lateral rubro-negro Paulo Henrique, enquanto alguns jogadores foram separar a briga, Almir fez o oposto e botou fogo na confusão, distribuindo socos e chutes em qualquer jogador do Bangu que encontrasse pela frente. Por causa do conflito generalizado entre os jogadores, a partida foi encerrada aos 25 minutos do segundo tempo. O resultado foi confirmado e deu ao Bangu o título carioca daquele ano.  

Os gols do Bangu foram de Ocimar, Aladim e Paulo Borges, o garoto de Itaocara, nascido no distrito de Laranjais. Essa linha de ataque do Bangu era fortíssima e tinha na velocidade o ponto forte.

Formação dos times:
Bangu: Ubirajara, Fidélis, Mário Tito, Luiz Alberto e Ari Clemente; Jaime e Ocimar; Paulo Borges, Cabralzinho, Ladeira e Aladim.

Flamengo: Valdomiro, Murilo, Jaime, Itamar e Paulo Henrique; Nelsinho e Carlinhos; Carlos Alberto, Almir, Silva e Osvaldo.  

sábado, 17 de dezembro de 2016

DENER: UM ARTISTA DA BOLA


Um acidente automobilístico no Rio de Janeiro, em 19 de abril de 1994, tirou a vida de um dos jogadores mais talentosos que o futebol brasileiro produziu no começo dos anos 90, aos 23 anos – que jogava por empréstimo no Vasco – mas, cujo passe pertencia à Portuguesa de Desportos. Dener estava no banco de passageiro de seu carro, um Mitsubish, quando o veículo conduzido pelo amigo Oto Gomes Miranda, de 35 anos, bateu em um pinheiro no canteiro da Avenida Borges de Medeiros, entre o Clube Naval e o Tívoli Parque. Dener teve morte instantânea, e o seu amigo se salvou, apesar de várias fraturas. Os dois estavam vindo de São Paulo, onde o craque tinha ido para resolver problemas particulares. 

Nascido em 02 de abril de 1971, Dener Augusto de Souza, aos 11 anos, pisou pela primeira vez no Canindé. Quatro anos mais tarde, teve de abandonar o sonho de fazer carreira no futebol para ajudar a mãe com as despesas de casa. Mas a paixão pela bola o fez retornar aos gramados do time paulista para seguir adiante com o sonho de criança.

O seu futebol explodiu no cenário brasileiro em 1991, quando a Portuguesa conquistou o título da Taça São Paulo de Juniores. Ele era a estrela principal do time que derrotou o Grêmio, do goleiro Danrlei, na final da competição. Dener chegou a ser comparado a Pelé depois de marcar dois gols de placa, contra a Internacional de Limeira, em 1992, e Santos, em 1993. A habilidade incomum era ofuscada em muitos momentos pela indisciplina nas quatro linhas e fora delas. De origem humilde, Dener se deslumbrou com a fama e com o dinheiro, e se envolveu em alguns episódios de indisciplina ao longo da curta carreira. Em 1993, após uma transferência frustrada para o Corinthians, Dener foi emprestado ao Grêmio, sagrando-se campeão gaúcho.

Em 1994, teve seu passe emprestado ao Vasco e imediatamente conquistou o carinho da torcida, que passou a saudá-lo com o nada modesto grito de "Ê, cafuné, ê cafuné, o Dener é a mistura do Garrincha com Pelé!". Na Argentina, Dener ofuscou ninguém menos do que Diego Maradona durante um amistoso do Vasco contra o Newell's Old Boys – então clube que "Dieguito" defendia.  Semanas depois, conquistou a Taça Guanabara com uma goleada por 4 a 1 sobre o Fluminense. Foi o último título que comemorou. O Vasco acabou tricampeão carioca naquele ano. Dener jogou pouco no Vasco - 17 jogos e 5 gols - mas foram suficientes para deixar seu nome na galeria dos grandes jogadores da história do clube. 

Dener fez apenas dois jogos oficiais vestindo a camisa do Brasil, em 1991, e não marcou nenhum gol no empate de 3 a 3 contra a Argentina e na vitória de 3 a 0 sobre a Bulgária.

Dener era o homem das arrancadas irresistíveis, suas pernas pareciam ter um motor que o ajudava a deixar os marcadores para trás. O drible era sua maior arte. Resumindo: o futebol perdeu um ARTISTA DA BOLA. 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

TÉCNICO BRASILEIRO REJEITOU PROPOSTA PARA TREINAR O BARCELONA, DA ESPANHA


Vejamos o título da matéria da Revista do Esporte de 1967: "AYMORÉ NÃO DÁ BOLA AO BARCELONA".


Ele tinha acabado de recusar uma proposta "milionária" do time espanhol, que já era um time forte, isso em 1967, e preferiu ficar no Palmeiras, onde era treinador. O outro detalhe da foto é a simplicidade do técnico, coisa rara entre os "professores" atuais, enchendo a bola para iniciar o treinamento.

Imagine uma proposta do tipo nos dias de hoje? É um fato quase que impossível um técnico brasileiro rejeitar um convite para trabalhar, não só no Barcelona, mas em qualquer time de ponta do futebol europeu. Reconheço que os tempos são outros e não são compatíveis certas comparações. No entanto, o fato é digno de registro e isso só confirma o quanto Aymoré Moreira foi um treinador de renome internacional. Nos anos 70 chegou a trabalhar no futebol de Portugal e da Grécia.   


Aírton, Zezé e Aymoré Moreira 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

A PEC VIROU UM FLA X FLU – POR GABRIEL ROSTEY


Vendo mais essa depredação autoritária a injustificável de "manifestações de movimentos de esquerda", fico pensando como é possível que tanta gente ainda metida a "compreensiva e fora do Fla x Flu" é capaz de se perguntar "como é que chegamos a esse nível de polarização política?".

Oras, e tem como não "ser empurrado para o polo" em qualquer divergência com petistas/esquerdistas atualmente? Tomemos como exemplo a PEC do Teto: sem nem considerarmos a questão técnica, o fato é que, no mínimo, muuuuita gente boa é favorável a ela (praticamente unânime entre melhores cabeças do país, na minha opinião). Mas vamos dar o benefício e considerar que "a sociedade estava dividida" quanto a ela.

Qual o comportamento da esquerda? Como sempre, berra contra, compara ao AI-5, chama de "PEC do Fim do Mundo", MENTE dizendo que "vai tirar recursos da saúde e da educação" (quando, na verdade, eleva o piso) e sai quebrando tudo por aí em "atos" de pura barbárie para tentar simular convulsão social.

Fui obrigado a ler um esquerdista cobrando ironicamente "onde estão as panelas da Turma da CBF agora com essa aprovação de hoje???", como se fosse uma incoerência/omissão de quem era favorável ao impeachment, e não um APOIO à aprovação da PEC do Teto. Ou seja, simplesmente vetam o direito de que alguém APOIE a PEC do Teto, por exemplo.

Em suma, como sempre, não conseguem ter uma opinião contrária e respeitar a posição divergente. Não, precisam sempre associar o que não querem ao catastrofismo, impõem julgamentos morais a quem é contrário e tratam como uma opinião simplesmente inaceitável, incapaz de ter qualquer mérito ou bônus, somente ônus.
Diante de tudo isso, ainda dá para ser inocente e achar possível não vivermos em uma sociedade polarizada?

Gabriel Rostey é sócio fundador do Site No Ângulo e possui Mestrado em Planejamento Urbano e Regional, MBA em Gestão Estratégica e estudou Turismo com Especialização em Planejamento e Gestão Turística.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

MANGA: DE INIMIGO DO FLAMENGO A ÍDOLO DE MUITOS


Aílton Corrêa Arruda  nasceu em Recife-PE, em 26 de abril de 1937, e depois de um início de carreira avassalador no Sport Recife, esse goleiro multicampeão conquistou o coração de diversas outras torcidas.

Manga tinha uma provocação capaz de deixar qualquer torcedor do Flamengo furioso: “Flamengo é bicho certo. Eu gasto o dinheiro na véspera”.  Manga era assim mesmo: antes de tudo, um provocador. Tecnicamente, foi um dos grandes goleiros do Brasil. Embora não tenha sido campeão mundial – disputou apenas uma Copa, a de 1966, quando o Brasil fracassou –, acumulou vários títulos nos oito times que defendeu.  O mais importante foi o Mundial Interclubes de 1971, pelo Nacional de Montevidéu.  Manga tinha um físico privilegiado: mãos grandes – sofreu diversas fraturas nos dedos durante a carreira – elasticidade, boa colocação e foi um grande pegador de pênaltis.

Ele sempre foi um vencedor. Estreou no Sport Recife em 1955. Quando deixou a equipe pernambucana, no final de 1958, havia conquistado três estaduais – 1955/56, e 1958. Ganhou fama e foi contratado pelo Botafogo, onde fez parte do esquadrão que dominou o futebol carioca  na década de 60, ao lado de craques como Gérson, Quarentinha, Didi, Garrincha e outros.  Jogou 445 partidas e sofreu 258 gols defendendo o Glorioso. Foi campeão carioca em quatro oportunidades: 1961/62, e 1967/68. Antes de deixar o Botafogo foi campeão da Taça Brasil de 1968.

Manga ajudou a fazer do Flamengo um “freguês de caderno” do Botafogo nos anos 60, mas deixou General Severiano em 1968, após um desentendimento com o jornalista e técnico João Saldanha. Manga se mudou para o Nacional, do Uruguai, clube que defendeu de 1969 a 1974, com enorme brilho e muitas conquistas.  É considerado um dos grandes goleiros da história do time uruguaio.  Foi tetracampeão nacional em 1969/70/71/72. Para coroar sua passagem vitoriosa pelo Nacional, ganhou a Taça Libertadores da América e o Mundial Interclubes de 1971.

De volta ao Brasil, seguiu colecionando títulos pelo Internacional, que ele defendeu entre 1974 e 1976 e de cuja torcida se tornou ídolo. Aquela foi uma época de ouro do time gaúcho, e Manga deixou sua marca na conquista do tricampeonato gaúcho de 1974/75/76, e no bicampeonato brasileiro de 1975/76.  

Passou rapidamente pelo Operário (MS), time que ajudou a levar às semifinais do Brasileiro de 1977, sendo eliminado pelo São Paulo, que foi o campeão naquela temporada. Jogou ainda no Coritiba, sagrando-se campeão paranaense de 1978, e retornou ao futebol gaúcho para defender o Grêmio – grande rival do Internacional – e conquistar o título gaúcho de 1979.  Em 1981 se mandou de vez para o Equador, onde defendeu o Barcelona de Guayaquil até 1982. Ganhou o título nacional de 1981 e depois de encerrar a carreira, especializou-se em treinador de goleiros.

Poucos jogadores no futebol brasileiro têm uma carreira tão vitoriosa em clubes como foi a trajetória do ex-goleiro, que jogou até os 45 anos de idade. No dia 26 de abril de 1983 foi criado o "Dia do Goleiro". A data escolhida serviu para homenagear o ex-goleiro Manga, nascido nesse dia.

Manga morreu aos 87 anos, no Rio de Janeiro, em 08 de abril de 2025, após lutar contra um câncer de próstata. Manga vivia no Retiro dos Artistas desde 2020, na capital carioca, quando foi trazido do Equador com problemas de saúde. 

Nota: texto publicado originalmente em dezembro/2016 e editado em abril/2025.