sexta-feira, 12 de junho de 2026

DESCANSE EM PAZ, BRITO!

 


Hércules Brito Ruas nasceu no Rio de Janeiro em 09 de agosto de 1939. Zagueiro de pura raça, boa colocação, seriedade e liderança. Marcador duro, grande vigor físico e excelente impulsão. Sempre teve o respeito dos adversários, que evitavam firulas na sua frente. Foi considerado o jogador mais bem condicionado do mundial de 70.


Atuou no Vasco – 405 jogos e 11gols (campeão do Rio-São Paulo em 1966), Internacional (RS) - emprestado pelo Vasco no ano de 1958, Flamengo – 11 jogos, Cruzeiro, Botafogo, Corinthians – 29 jogos, Atlético Paranaense, Le Castor/Canadá, Galícia/Venezuela, Democrata de Governador Valadares (MG) e River (PI).


Participou da Copa do Mundo de 1970, sendo campeão da mesma. Defendeu o Brasil em 60 jogos, sendo 47 oficiais, entre os anos de 1964 e 1972. Em 1966, também fez parte do grupo na Copa da Inglaterra.


Em 1971, no clássico entre Botafogo e Vasco, Brito jogando pelo Botafogo, deu um soco no árbitro José Aldo Pereira, revoltado após a marcação de um pênalti. Pela agressão, levou um ano de suspensão.  


Brito faleceu em 11 de junho de 2026, aos 86 anos, na capital carioca. Desde o dia 13 de maio estava internado tratando de uma pneumonia. Até pouco tempo atrás era muito participativo nas redes sociais.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

FIORI GIGLIOTTI: ASSIM TUDO COMEÇOU...

 


Transcrevo a seguir alguns tópicos da entrevista concedida por Fiori Giglioti ao João Areosa, da revista Placar, em 1977.

 

O gol de Parafuso, num remoto e acirrado jogo do interior, foi o começo de tudo. Depois, a voz anasalada passou a varar as ondas radiofônicas, conquistando audiência e uma comovente amizade entre locutor e ouvinte.

 

E como foi o seu começo? Como você sentiu que dava para o rádio?

- Bom, eu tive que me virar muito cedo, pois tinha 12 anos quando perdi meu pai, a quem era muito ligado; eu tinha loucura por ele. Passei a engraxar sapatos, a vender jornal, a trabalhar em casa de tecidos. Fui parar no jornal Correio de Lins, limpando a sala, fazendo cobrança, ajudando o pessoal de lá na luta pela sobrevivência do jornal. De repente, me vi fazendo notinhas sociais e entrando aos poucos nos assuntos esportivos.


E como nasceu o locutor?

- Faço questão de apontar o apoio que recebi do Ramiro Vieira. Esse acreditou de imediato, me deu apoio: “Vai em frente que tudo dará certo”. E no dia 26 de maio de 1947, com 19 anos, eu estreei como locutor, na vitória do Linense sobre o São Paulo de Araçatuba por 1 a 0, gol de um crioulão comprido chamado Parafuso.

 

Você imitava algum outro locutor famoso, sofreu influência na sua forma de narrar?

- Ah, sofri sim. Do Rebelo Junior e do Pedro Luís. Então, o meu gol sempre foi ao estilo do Rebelo, um gol comprido. E a forma de irradiar também. Ao passo que o Pedro Luís corria demais atrás da bola, sua preocupação era muito mais a bola do que qualquer outro detalhe. Além do mais, o Rebelo era o locutor da época, pois a onda da Tupi penetrava muito mais do que a da Gazeta. E veja você que depois, por ironia do destino, eu vim trabalhar com o Pedro na Bandeirantes, indo para a Pan-Americana ocupar um lugar que era dele, retornando à Bandeirantes para uma vaga que também pertenceu ao Pedro Luís.

 

E a vinda para São Paulo, como aconteceu?

- Em fevereiro de 1952 fui chamado, através do Edson Leite, para um teste. Jogavam Santos e Seleção Paulista, na Vila Belmiro, um jogo treino. Graças a Deus, tive sorte e fiz contrato, mas para começar a trabalhar só em julho, pois não podia abandonar de repente meus compromissos particulares e a rádio de Lins. Mas, antes disso, fiquei nove meses na Rádio Cultura de Araçatuba e trabalhei dois anos na fase de montagem da Rádio Clube de Birigui, sempre apresentando também programas sertanejos.

 

E como surgiu o seu próprio estilo de narração, ou seja, como você foi se libertando das imitações e das influências dos locutores mais famosos?

- À medida que fui ganhando alguma projeção, senti que tinha de jogar uma cartada, pois se continuasse a imitar o Pedro Luís e o Rebelo Junior, eu seria apenas um locutor entre tantos outros que faziam o mesmo. Então, mudei completamente a terminologia do rádio esportivo. Por exemplo, todo mundo falava: “Amigos ouvintes ou senhoras ou senhores”. Então, passei a falar “torcida brasileira”. Você pode reparar que, quando o goleiro pegava na bola, todo mundo dizia: “Abraça, pega firme”. Mudei para “seguuura com firmeza”. Quando há um levantamento de bola, o locutor normalmente fala: “Prepara o centro, vai centrar, olha o chuveirinho, atenção...” Mudei para “balão subindo, balão descendo”. Digo “amortece no peito e põe na grama”. A maioria diz: “Mata no peito e baixa na terra”, como era o caso do falecido Geraldo José de Almeida. E tem aquele tratamento carinhoso que dou prestigiando as cidades do interior, prestigiando os amigos, prestigiando principalmente os estudantes, pois cheguei à conclusão de que a narração esportiva não pode ser exclusivamente a preocupação do locutor em correr atrás da bola. Honestamente, acho que isso maltrata o ouvinte. É preciso suavizar o impacto que o futebol provoca em quem estiver ouvindo uma transmissão.

 

Antes de cada partida você faz questão de criar as mais diversas imagens, chegando inclusive a detalhes, notadamente os meteorológicos.

- É verdade (e Fiori demonstra como abriria um jogo numa tarde de sol). Torcida brasileira, carinhosamente boa tarde. Esta é uma tarde azul, uma tarde de festa, sol brilhando, algumas nuvens brancas desfilando na passarela do céu, enfeitando o cenário, dando-nos exatamente a imagem mais bela para um acontecimento maravilhoso, misturado com as emoções do futebol. Agora, quando o tempo não está bom, quando o céu está meio trancado, todo mundo diz “tarde feia”. Aí eu mudei: “Céu carrancuuuuudo, torcida brasileira”.

 

Já que é hora de demonstração, como você abriria um jogo decisivo entre Corinthians e Palmeiras?

- Torcida brasileira, carinhosamente boa tarde. Hoje é dia de festa. Hoje é dia de emoção, hoje é dia do coração bater mais forte. Palmeiras e Corinthians, dois gigantes do futebol paulista, dois gigantes do futebol brasileiro, outra vez se encontrando no campo de luta. O Corinthians perto da realidade, o Palmeiras simplesmente transformando em verdade mais um dos sonhos de sua torcida que tantas alegrias têm experimentado ao longo destes últimos anos. Mas o corintiano que espera, o corintiano que sofre, o corintiano que vai somando a cada jogo que passa, o corintiano mais fiel, o corintiano que procura esquecer um passado tão triste e que tanto o tem maltratado; o corintiano vem para campo com a certeza de desabafar, com a certeza de viver hoje, finalmente, o seu dia de colher, neste palco maravilhoso, neste jardim de tantas emoções, as flores que efetivamente hão de perfumar , hão de adornar o seu largo sofrimento. Vive o Morumbi uma das suas mais belas, mais lindas, temos plena certeza, mais inesquecíveis jornadas , porque assim quis o destino.  

 

E como você encerraria essa entrevista?

- Já está escurecendo? (Fiori olha pela janela e pega um microfone que andava jogado na mesa do estúdio). Então, vamos lá: “Boa noite torcida brasileira. A tarde vai morrendo e a noite vem chegando para abraçar carinhosamente a cidade grande”.

 

 

quinta-feira, 4 de junho de 2026

LEIVINHA: UM DOS SÍMBOLOS DA ACADEMIA PALMEIRENSE

 


João Leiva Campos Filho nasceu em Novo Horizonte-SP, em 11 de setembro de 1949. Meia/atacante muito hábil, inteligente nas deslocações e lançamentos, ótimo cabeceador. Subia com estilo e cabeceava forte e certeiro. LEIVINHA foi criado na cidade de Lins, também no interior paulista, e iniciou sua trajetória no futebol pela Linense, em 1965. E não demorou para aparecer oportunidade na equipe principal.


A capital paulista logo foi seu destino e a Portuguesa de Desportos sua nova casa. No entanto, a afirmação definitiva veio no Palmeiras. O jovem não sentiu o peso de atuar ao lado de craques como Luís Peereira, Dudu, Ademir da Guia e acabou como um dos destaques do Verdão no início da década de 70. Vestiu a camisa do Palmeiras em 263 jogos e marcou 105 gols (campeão paulista em 1972 e 1974, e bicampeão brasileiro em 1972/73). Leivinha também foi personagem em uma das decisões mais lamentadas pelos palmeirenses. No Campeonato Paulista de 1971, o árbitro Armando Marques anulou um gol do meia que tiraria o título do São Paulo.


Em 1975, ao lado do zagueiro Luís Pereira, Leivinha foi jogar pelo Atlético de Madrid. E a Europa continuou sendo um palco do vistoso futebol do meia. Ajudou o seu time a acabar com uma sequência de duas conquistas seguidas do rival Real Madrid, sendo campeão espanhol em 1977. Ficou conhecido na Espanha como “Príncipe”. Retornou ao Brasil em 1979 para jogar no São Paulo, onde fez apenas 11 jogos e marcou 2 gols. Encerrou a carreira precocemente, aos 30 anos, devido aos sérios problemas no joelho.  


Vestiu a camisa do Brasil em 26 jogos, sendo 21 oficiais e 7 gols marcados. Participou da Copa do Mundo de 1974.


Leivinha faleceu em 04 de junho de 2026, aos 76 anos, na capital paulista. O ex-jogador enfrentava sérios problemas em consequência de um Alzheimer.

domingo, 17 de maio de 2026

RILDO: LATERAL DE BOTAFOGO E SANTOS DOS TEMPOS ÁUREOS

 


RILDO da Costa Menezes, pernambucano de Recife, onde nasceu em 23 de fevereiro de 1942, foi um lateral-esquerdo muito técnico, forte na marcação, bom no apoio e com grande poder de recuperação. Deixou o seu nome marcado na história do Botafogo e do Santos.


Rildo começou sua carreira no Íbis e passou pelo Sport, antes de jogar no Botafogo por cinco anos – 298 jogos e 3 gols (bicampeão carioca em 1961/62, e campeão do Rio-São Paulo em 1962 e 1964). Saiu do Glorioso para brilhar no Santos – 325 jogos e 10 gols (tricampeão paulista em 1967/68/69, e campeão do Roberto G. Pedrosa em 1968). Em seguida, o ex-lateral vestiu a camisa do ABC e Ceub (DF), antes de se transferir para o futebol dos Estados Unidos, onde defendeu o Cosmos (campeão nacional em 1977), California Lazers, Cleveland Force, California Sun e Cleveland Cobras.


Participou da Copa do Mundo de 1966. Pela Seleção disputou 49 jogos, sendo 39 oficiais e um gol marcado.


Residiu em solo americano até o final de sua vida. Faleceu em Los Angeles, em 17 de maio de 2021, aos 79 anos.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

FUTEBOL DE BOLA MURCHA

 


Definitivamente não é uma distração acompanhar os jogos no futebol brasileiro. Todos os envolvidos, sem exceção, têm a sua parcela de culpa.

 

Os árbitros são ruins e as regras (mal) interpretadas, cada um à sua “maneira ou interesse”; o VAR é uma VARgonha! Os narradores (salvo raras exceções) estão mais para animadores de auditório; alguns comentaristas – principalmente os ex-jogadores – incorporaram palavras difíceis (ataque posicional, amplitude, entrelinhas, verticalidade, entre outras) para corroborar suas análises táticas; e os comentaristas de arbitragem corporativistas.

 

Os técnicos querem chamar toda a atenção do espetáculo para si e estão mais preocupados com a arbitragem do que orientar seus comandados. Chegam ao absurdo de reclamações estapafúrdias sobre cobrança de lateral. Não está muito longe e vão reclamar até da cor da cueca do quarteto de árbitros. Os componentes do banco de reservas apitam o jogo durante os 90 minutos e quase adentram em campo; dentro das quatro linhas, os “artistas do espetáculo” (parece mesmo um circo), tentam de toda forma ludibriar a arbitragem em lances bisonhos, mesmo sabendo que o VARgonha está de “olho”. Ficam mais tempo cercando o árbitro do que marcando seu adversário. Levam uma trombada na barriga e caem no chão rolando com as mãos no rosto. Fazer cera, ao que parece, deve ser parte integrante do “treinamento tático e secreto”. São cenas ridículas de um futebol que se diz profissional. Os atletas não colaboram dentro de campo para o bom andamento do jogo.

 

Os “boleiros” se acham o suprassumo da inteligência e, alguns, da beleza. Uma parte deles está mais preocupada com suas tatuagens e com seus diferentes tipos de mechas de cabelo. O “estrelismo e a soberba” quando vestem a camisa da Seleção é o reflexo do pífio resultado dentro de campo. Faz tempo que não somos os melhores e eles, jogadores, ainda não caíram na triste realidade da bagunça generalizada do nosso futebol – dos dirigentes aos atletas. Uma grande parte de todas essas observações ocorre somente no futebol brasileiro.

 

Acrescento que os dirigentes também deveriam participar da entrevista pós-jogo quando seu time for beneficiado com o erro, não apenas quando é prejudicado. É uma hipocrisia descarada.

 

Reconheço que nem tudo era perfeito, cometiam-se erros, mas era muito mais gostoso de curtir e torcer pelo seu time com o radinho colado no ouvido. A emoção da transmissão nos levava pelas ondas do “dial” para dentro do estádio, imaginando lance por lance, detalhe por detalhe. Os locutores nos traziam uma narrativa muito acima da realidade: um lateral próximo à sua área de defesa era um terror, tudo era dramático ao extremo, desligava e ligava o radinho a cada ataque contra meu time, esperava o grito de gol vindo do rádio em alto volume do vizinho que torcia pelo adversário. Era um alívio ao ouvir aquele adorado "silêncio”... hoje, o excesso de jogos transmitidos pelas TVs mostra uma realidade morta. Além dos locutores, tínhamos ótimos trepidantes e comentaristas que tentavam traduzir em 3 ou 4 minutos de intervalo, o que teria acontecido. Até hoje eles tentam, na verdade.

 

O futebol era tão mais bonito e saudável que reverenciávamos até o ídolo adversário, não importando a camisa que vestia. A rivalidade é sadia e importante para qualquer esporte, pois sem ela tudo seria sem graça, mas falo da rivalidade dentro de campo. Fora de campo falta unidade entre os clubes e a classe desportiva em geral.