Definitivamente não é uma distração acompanhar os
jogos no futebol brasileiro. Todos os envolvidos, sem exceção, têm a sua
parcela de culpa.
Os árbitros são ruins e as regras (mal) interpretadas,
cada um à sua “maneira ou interesse”; o VAR é uma VARgonha! Os narradores (salvo
raras exceções) estão mais para animadores de auditório; alguns comentaristas –
principalmente os ex-jogadores – incorporaram palavras difíceis (ataque
posicional, amplitude, entrelinhas, verticalidade, entre outras) para
corroborar suas análises táticas; e os comentaristas de arbitragem
corporativistas.
Os técnicos querem chamar toda a atenção do espetáculo
para si e estão mais preocupados com a arbitragem do que orientar seus
comandados. Chegam ao absurdo de reclamações estapafúrdias sobre cobrança de
lateral. Não está muito longe e vão reclamar até da cor da cueca do quarteto de
árbitros. Os componentes do banco de reservas apitam o jogo durante os 90
minutos e quase adentram em campo; dentro das quatro linhas, os “artistas do
espetáculo” (parece mesmo um circo), tentam de toda forma ludibriar a
arbitragem em lances bisonhos, mesmo sabendo que o VARgonha está de “olho”.
Ficam mais tempo cercando o árbitro do que marcando seu adversário. Levam uma trombada
na barriga e caem no chão rolando com as mãos no rosto. Fazer cera, ao que
parece, deve ser parte integrante do “treinamento tático e secreto”. São cenas
ridículas de um futebol que se diz profissional. Os atletas não colaboram
dentro de campo para o bom andamento do jogo.
Os “boleiros” se acham o suprassumo da inteligência e,
alguns, da beleza. Uma parte deles está mais preocupada com suas tatuagens e
com seus diferentes tipos de mechas de cabelo. O “estrelismo e a soberba”
quando vestem a camisa da Seleção é o reflexo do pífio resultado dentro de
campo. Faz tempo que não somos os melhores e eles, jogadores, ainda não caíram
na triste realidade da bagunça generalizada do nosso futebol – dos dirigentes
aos atletas. Uma
grande parte de todas essas observações ocorre somente no futebol brasileiro.
Acrescento que os
dirigentes também deveriam participar da entrevista pós-jogo quando seu time
for beneficiado com o erro, não apenas quando é prejudicado. É uma hipocrisia
descarada.
Reconheço que nem tudo era perfeito, cometiam-se
erros, mas era muito mais gostoso de curtir e torcer pelo seu time com o
radinho colado no ouvido. A emoção da transmissão nos levava pelas ondas do
“dial” para dentro do estádio, imaginando lance por lance, detalhe por detalhe.
Os locutores nos traziam uma narrativa muito acima da realidade: um lateral
próximo à sua área de defesa era um terror, tudo era dramático ao extremo,
desligava e ligava o radinho a cada ataque contra meu time, esperava o grito de
gol vindo do rádio em alto volume do vizinho que torcia pelo adversário. Era um
alívio ao ouvir aquele adorado "silêncio”... hoje, o excesso de jogos
transmitidos pelas TVs mostra uma realidade morta. Além dos locutores, tínhamos
ótimos trepidantes e comentaristas que tentavam traduzir em 3 ou 4 minutos de
intervalo, o que teria acontecido. Até hoje eles tentam, na verdade.
O futebol era
tão mais bonito e saudável que reverenciávamos até o ídolo adversário, não
importando a camisa que vestia. A rivalidade é sadia e importante para qualquer
esporte, pois sem ela tudo seria sem graça, mas falo da rivalidade dentro de
campo. Fora de campo falta unidade entre os clubes e a classe desportiva em
geral.
