segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

ANOS 70: DÉCADA DE ESPERANÇA PARA O TORCEDOR DO AMÉRICA


Quando escrevi recentemente um texto sobre a punição do Clube dos Treze ao América, o amigo e leitor Eugênio Lima fez referência ao excelente time americano que venceu a Taça GB de 1974. Vamos relembrar um pouco desse timaço.

Para a torcida do América, a década de 70 foi marcada pela formação de ótimos times e por vitórias marcantes dentro de campo. O torcedor tinha ótimos motivos para ficar esperançoso e também comemorar. Contando com craques do quilate de Edu, o "Pequeno Príncipe", Flecha, Orlando, Alex, Bráulio e Luisinho, que foi o artilheiro do então Carioca com 20 gols, o time foi a grande surpresa daquele campeonato e acabou entrando para a lista dos favoritos para conquistar o título de campeão de 1974.

No comando do time estava o ex-jogador Danilo Alvim e, no início da competição, a boa safra de jogadores do América acabou fazendo a diferença.  O grupo é considerado até hoje um dos mais técnicos de toda a trajetória americana. E a fama se confirmou quando conquistou a Taça Guanabara.  Na decisão, um resultado que a torcida já havia visto antes: o América venceu o Fluminense por 1 a 0, como nas finais de 1928 e 1960.

Naquele ano, o campeonato era disputado em três turnos e o time que somasse mais pontos no triangular final se sagraria campeão. O América venceu o primeiro e o Vasco, o segundo. O terceiro foi do Flamengo, que acabou ficando com o título.  

O time base do América era o seguinte: Rogério, Orlando, Alex, Geraldo e Álvaro; Ivo, Bráulio e Edu; Flecha, Luisinho Lemos e Gilson Nunes.

sábado, 28 de janeiro de 2017

O NOME DELE É WALDEMAR. NÃO É PELÉ?


A honra de descobrir Pelé cabe a Waldemar de Brito, considerado um atacante de bons recursos e com passagens pelo São Paulo, Botafogo, San Lorenzo/Argentina, Flamengo, Palmeiras, Portuguesa de Desportos, Fluminense, entre outros. Nascido na capital paulista em 13 de maio de 1913, após encerrar a carreira de jogador, Waldemar não imaginava que alguns anos depois seria o responsável pelo surgimento do Rei do Futebol.

Pelé sentado no chão e Waldemar, o primeiro em pé, à direita
Waldemar chegou à cidade de Bauru em 1953, para organizar o time infanto-juvenil do Bauru Atlético Clube, o Baquinho.  Na primeira peneira, o novo técnico já ficou deslumbrado com aquele negrinho magrela que entortava os demais garotos e marcava gols aos montes.  Em 1956, quando Waldemar deixou a cidade, prometeu voltar para buscar o menino. “Cuida bem desse garoto, que ele é uma dádiva de Deus”, recomendou a dona Celeste que, até então, era contra a entrada do filho no futebol. Meses depois, com medo de outro pinçar o garoto antes dele, Waldemar voltou e levou Pelé para o Santos.  

Pelé chegou ao Santos no dia 08 de agosto de 1956, com apenas 15 anos. Waldemar de Brito entregou o garoto ao treinador Lula e ao craque Jair da Rosa Pinto, que encerrava sua carreira no time da Vila Belmiro. Os demais jogadores se espantaram com a pretensão daquele garoto em treinar no clube.

O debochado Zito até combinou de fazer o menino de bobinho no primeiro coletivo. Mas, à noite, quando entrou no quarto de Pelé, Zito viu um álbum de figurinhas sobre a cama. Nele estava escrito com letras de menino: “Deus é tão bom para mim que vai me fazer jogar tanto quanto o Zito, chutar tanto quanto o Pepe, driblar tanto quanto o Pagão”. Zito acabou desistindo da brincadeira.

No dia seguinte, Pelé treinou e já fez gol. Era realmente um fenômeno e Waldemar acertou em cheio quando disse que o garoto “era uma dádiva de Deus”. 

Waldemar morreu aos 65 anos, na capital paulista, em 21 de fevereiro de 1979. 

domingo, 22 de janeiro de 2017

JAIR MARINHO: UM PADUANO CAMPEÃO DO MUNDO


Jair Marinho de Oliveira, nascido em Santo Antônio de Pádua-RJ, em 17 de julho de 1936, participou do grupo bicampeão mundial na Copa de 1962, no Chile. Fez poucos jogos pela Seleção, apenas cinco, mas foi o reserva imediato do Djalma Santos. 
Jair Marinho, Castilho e Pinheiro
Profissionalizou-se no Fluminense e seu primeiro título vestindo a camisa tricolor foi conquistado na campanha memorável do Torneio Rio-São Paulo de 1957. A partir de 1958, foi efetivado como titular pelas mãos do técnico Zezé Moreira. Numa época em que os laterais apoiavam pouco, Jair Marinho se destacou como ótimo marcador. Não era propriamente violento, mas tinha fama de chegar junto, às vezes até demais. Conquistou mais um título do Rio-São Paulo, em 1960, e o carioca de 1959. A sua trajetória no Tricolor foi vitoriosa. Em 284 jogos, marcou 3 gols.   

Foi para o futebol paulista e jogou na Portuguesa de Desportos na temporada de 64, e logo em seguida foi contratado pelo Corinthians, aonde chegou com prestígio, mas não conseguiu reeditar o futebol dos seus tempos de Fluminense. Foram apenas 96 jogos e 1 gol. 

Retornou ao futebol do Rio e teve uma rápida passagem pelo Vasco. Em 1968, aventurou-se pelo futebol peruano e jogou no Alianza Lima. Quanto voltou ao Brasil, em 1970, vestiu a camisa do Campo Grande, seu último clube na carreira, encerrada no mesmo ano.

Jair Marinho fixou residência em Niterói e trabalhou por muitos anos comandando uma escolinha de futebol. Ajudou a revelar jogadores e o principal deles foi o ex-lateral Leonardo, que posteriormente foi para o Flamengo, nos anos 80, após uma passagem nas categorias de base do Vasco.

Após sofrer um AVC e ficar internado deste então, Jair Marinho nos deixou em 07 de março de 2020, aos 83 anos, em Niterói. 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

DONA RICARDA MARIA E A SAUDADE QUE DEIXOU ENTRE NÓS...


Saudades do jeito carinhoso de nos tratar e das palavras sábias que se transformavam em conselhos oportunos.  Deixará saudades e um grande vazio, pois a sua perda é irreparável.

A cidade de Miracema perdeu uma personalidade ímpar e guardaremos na memória a sua imagem de serenidade e profunda sabedoria. Infelizmente, nem tudo está em nossas mãos. Um momento como este traz muito sofrimento, mas precisamos lembrar que não podemos controlar tudo na vida, há coisas que estão acima de nós, e só nos cabe procurar e encontrar algum conforto naquilo que não podemos mudar.  

Cada um de nós tem uma missão, e a senhora a cumpriu com perfeição. A missão de trazer paz, amizade, generosidade e muitos aprendizados para os seus amigos e familiares. O tempo se encarrega de amenizar a ausência física, mas a saudade ficará para sempre. Assim como as memórias de quem se foi e para sempre também será lembrado.


domingo, 8 de janeiro de 2017

FÉRIAS PARA O BLOG

A FAMÍLIA MERECE UM DESCANSO E UM PASSEIO...

MARCOS DE MENDONÇA: DE CATAGUASES PARA BRILHAR NO FLUMINENSE E NA SELEÇÃO


Marcos Claudio Philippe Carneiro de Mendonça, mineiro de Cataguases, cidade próxima a Miracema, onde nasceu em 25 de dezembro de 1894, foi o primeiro goleiro da Seleção Brasileira e é um dos maiores da história do Fluminense. 

Todos os amigos e irmãos corriam atrás da bola, menos ele. Proibição médica, pois Marcos tivera febre amarela, infecção nos pulmões e pequenos transtornos cardíacos. Nasceu assim o maior guarda metas dos primórdios do futebol brasileiro.  Com excelente sentido de colocação, reflexos apurados, ótima visão das jogadas e uma mistura precisa de arrojo e segurança, Marcos de Mendonça mudou a concepção de que jogar no gol era apenas reservado aos menos hábeis com a bola nos pés. Com suas exibições primorosas, Marcos de Mendonça acumulou fama e prestígio.  
  
Também iniciou a tradição de goleiros-galãs. Elegante, arrebatava corações femininos, principalmente quando entrava em campo com uma fitinha roxa amarrando o calção. Marcos vestiu as camisas do Haddock Lobo (time extinto do Rio de Janeiro) e América – campeão carioca em 1913 –, mas foi no Fluminense que atingiu a consagração com o tricampeonato carioca de 1917/18/19. Foram 125 jogos defendendo as cores do Tricolor. Naquela época jogava-se pouco e os seus números são bastante expressivos. Em 1914 deixou o América junto com seus irmãos após uma divergência entre jogadores e sócios contra a diretoria.


Ele tinha 19 anos quando disputou o primeiro jogo da Seleção, contra o Exeter City, da Inglaterra, em 21 de julho de 1914. Conquistou os títulos da Copa Roca de 1914 e do Campeonato Sul-Americano de 1919 e 1922. Disputou 14 jogos e sofreu 13 gols, sendo 9 oficiais com 9 gols sofridos. 

Foi presidente do Fluminense entre maio de 1941 e agosto de 1943. Casado com a poetisa Anna Amélia Carneiro de Mendonça, com quem teve três filhos, dentre eles a crítica teatral Bárbara Heliodora, uma das maiores especialistas em Shakespeare do país, falecida em abril de 2015. 

Homem de múltiplos talentos, além de atleta, engenheiro, historiador, escritor e conferencista. Dedicou-se intensamente à pesquisa histórica, realizando importantes estudos sobre o século XVIII no Brasil. Especializou-se no período do Marquês de Pombal e escreveu obras consagradas, dentre elas: "O Marquês de Pombal e o Brasil" (1960), "A Amazônia não era pombalina" (1963) e "Século XVIII e Século Pombalino no Brasil" (1988). Foi membro de relevantes instituições culturais e científicas, como a Sociedade Capistrano de Abreu, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), o Centro de Estudos de Textos da História do Brasil do Ministério das Relações Exteriores e o Centro de Estudos da Marinha, de Portugal. 

Marcos de Mendonça morreu em 19 de outubro de 1988, aos 93 anos, no Rio de Janeiro, depois de não resistir a uma operação na perna. 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

PUNIÇÃO DO CLUBE DOS TREZE, UM GOLPE FATAL PARA O AMÉRICA


No Campeonato Brasileiro de 1986, o América realizou uma de suas melhores campanhas na Série A, ficando na terceira colocação. Porém, em 1987 a história acabou sendo bem diferente.  O sucesso do ano anterior não foi suficiente para livrar o clube do golpe responsável pelo declínio.

Era o início de um período negro, que levou o América à situação atual e mudou de forma radical a sua história.  Naquele ano, o Clube dos 13, que era formado somente pelos 13 clubes mais bem colocados segundo as classificações de 1971 a 1986, resolveu organizar e criar as suas próprias regras de disputa do Campeonato Brasileiro, chamado na ocasião de Copa União. Segundo os critérios adotados pelo Clube dos 13, o América não estava incluído na disputa.  

O fato levou o clube, que, ocupava a 15ª posição no ranking nacional, a ser convidado a disputar o Módulo Amarelo, que seria equivalente à 2ª Divisão.  A revolta dos dirigentes foi total e o clube decidiu assumir uma posição radical, que teve consequências desastrosas mais tarde.

Diante da resistência, o Clube dos 13 puniu o América com dois anos de suspensão  de qualquer tipo de competição nacional. O resultado foi catastrófico: a partir daquele momento, nunca mais o clube conseguiu voltar a fazer parte da elite do futebol brasileiro.