sábado, 29 de julho de 2017

OSWALDO BRANDÃO: O MESTRE BRANDÃO

Fausto Silva é o repórter com o microfone da Rádio Jovem Pan, em 1977
Gaúcho de Taquara, onde nasceu em 18 de setembro de 1916, Oswaldo Brandão teve uma infância humilde. Ainda muito jovem chegou a trabalhar em estradas de ferro para ajudar no sustento da família. Não demorou muito para que mudasse o seu destino em direção ao futebol, que o abraçou como jogador. Foi um regular zagueiro que atuou primeiro no Internacional de Porto Alegre, e depois no Palestra Itália paulista. Por conta de uma contusão, teve uma carreira curta, e acabou se tornando técnico da equipe paulistana, já como Palmeiras, em outubro de 1945.

Poucos poderiam saber que aquele rapaz de pouco estudo se tornaria um dos maiores técnicos da história do futebol brasileiro. Autoritário e centralizador, Brandão adotava o estilo paizão, impondo rígidas normas de conduta a todos os seus comandados. Certa vez vetou a ida de um jogador a uma excursão pela Europa com o argumento de que o atleta estava com frieira.

Trabalhou em todas as grandes equipes paulistas. No Palmeiras, conquistou quatro títulos estaduais, em 1947, 1959, 1972 e 1974, uma Taça Brasil em 1960 e dois Campeonatos Brasileiros, nos anos de 1972 e 1973, com uma das melhores equipes da história do alviverde e que passou a ser chamada de “Segunda Academia”, a primeira teria sido o time dos anos 60. No São Paulo, o paulista de 1971. No Corinthians, foram três torneios Rio-São Paulo, em 1953, 1954 e 1966, e dois paulistas, pra lá de especiais, o de 1954, na edição do IV Centenário da cidade de São Paulo, e em 1977, título que deu fim a 23 anos sem campeonatos da equipe alvinegra, o maior jejum de conquistas da história do clube.

Também trabalhou na Portuguesa e no Santos e teve uma marcante passagem no exterior, quando foi campeão argentino com o Independiente em 1967, com a melhor campanha da história do futebol local, com mais de 86% de aproveitamento. Brandão também viveu importantes momentos no comando da seleção brasileira. Era ele o técnico do escrete canarinho nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1958. Acabou sendo substituído por Vicente Feola, que tinha a preferência de Paulo Machado de Carvalho, chefe da delegação brasileira que foi à Suécia. Assumiu a Seleção em 1955 e foi vice sul-americano em 1956 e 1957. 

Retornou em 1975, dirigindo o combinado mineiro que representou o Brasil em caráter oficial na Copa América daquele ano. Foi o responsável pelos lançamentos de Falcão, Roberto Dinamite e Zico, entre outros, na Seleção. Deixou o cargo em 1977 após um empate sem gols contra a Colômbia pelas eliminatórias. Posteriormente afirmaria que “não ter ido a uma Copa do Mundo foi minha maior frustração”. Faleceu aos 72 anos, em 29 de julho de 1989, três anos após encerrar a carreira vitoriosa de técnico, vítima de um câncer linfático. 

Alguns números como técnico de Oswaldo Brandão:
Palmeiras – 580 jogos (335 vitórias, 151 empates, 94 derrotas)
Corinthians – 438 jogos (249 vitórias, 96 empates, 93 derrotas)
São Paulo – 143 jogos (85 vitórias, 29 empates e 29 derrotas)
Seleção Brasileira - 40 jogos (27 vitórias, 7 empates e 6 derrotas), sendo 32 oficiais (22 vitórias, 6 empates e 4 derrotas)

sexta-feira, 28 de julho de 2017

OSMAR SANTOS: O PAI DA MATÉRIA


Feliz do torcedor que pôde ouvir as transmissões mágicas de Osmar Santos. Mágicas porque, através do rádio, ele conseguia dar um novo colorido para o futebol, com sua criatividade, a sua emoção e o seu talento.

Osmar nasceu em Oswaldo Cruz-SP, em 28 de julho de 1949. Começou a trabalhar em rádio na pequena Rádio Clube de sua cidade natal. Quem lhe ensinou os primeiros passos foi Belmiro Borini. Osmar sempre fez questão de dizer: "Eu era muito moleque e muito aprendi com o velho guerreiro. Foi o meu grande professor". Antes de chegar à Rádio Globo de São Paulo, Osmar trabalhou em quatro outras emissoras: Rádio Clube de Marília, Rádio Dirceu e Rádio Verinha, também de Marília. Sua chegada à Jovem Pan ocorreu em 1972. Atuou com êxito durante cinco anos. Foi quando começou a criar as famosas expressões que o marcaram ao longo de sua trajetória no rádio esportivo: “Eu quero ouvir o meu povo vibrando!  As bandeiras tremulando, tremulando"; "A gorduchinha já está no caroço do abacate, vai ser iniciada a partida... bola rolando!"; "Ripa na chulipa e pimba na gorduchinha"; "Animalllll". 

Em 1977 transferiu-se para a Rádio Globo, estreando no primeiro dos três jogos da histórica final paulista que o Corinthians quebrou o tabu de 22 anos sem título. Com o passar dos anos conquistou a massa numa época que o rádio tomava conta das transmissões de futebol, e foi com esse carisma que levou o “Pai da Matéria”, como era conhecido, a ser o locutor das “Diretas Já”, em 1984, e que o consagrou nacionalmente.

Dez anos depois, mais precisamente na noite de 22 de dezembro de 1994, depois de jantar na casa de seus pais, em Marília, pega a estrada, com muita chuva, e um caminhão, dirigido por um motorista embriagado, pega a direção errada e ao tentar fazer a manobra para consertar, tem o seu veículo atingido violentamente na traseira. A Mercedes de Osmar choca-se na traseira do caminhão. Estava encerrada a carreira de um dos maiores ícones do rádio esportivo brasileiro. 


Mesmo com problemas na fala e dificuldades para movimentar o braço e a mão direita, continua transmitindo emoções e lições de vida, com sua dedicação, sua determinação e seu sorriso.

“E QUE GOOOOOOL!”

segunda-feira, 24 de julho de 2017

BLOG ALMANAQUE (1980) – O DEBATE DA DÉCADA PROMOVIDO PELA REVISTA PLACAR

Zagalo, Aymoré, José Maria de Aquino e Brandão
Zagalo, Oswaldo Brandão, Claudio Coutinho e Aymoré Moreira – todos ex-técnicos da Seleção – e Telê Santana, o atual, sentam numa mesa e falam abertamente sobre os problemas do nosso futebol. E sobre as soluções que poderão devolver ao Brasil a condição de melhor do mundo. Assim foi o debate promovido por Placar, em março de 1980, no Rio Palace Hotel, na cidade maravilhosa, para comemorar os dez anos da revista.  
Juca Kfouri, Coutinho, Marcelo Rezende e Telê. 
O objetivo do encontro foi discutir a evolução do futebol brasileiro, o que tem de ser feito agora – imprensa, técnicos, profissionais do futebol – para levar o Brasil a ganhar novos títulos, voltar a ser a primeira força do futebol mundial. O miracemense José Maria de Aquino, Juca Kfouri e Marcelo Rezende, representaram a revista, com a participação de outros jornalistas, entre os quais: Oldemário Touguinhó, Airton Baffa, Achiles Chirol, Luís Mendes, Paulo Stein, Sérgio Noronha e Geraldo Pedrosa. Um verdadeiro encontro de feras!  

Alguns dos problemas levantados há anos continuam até os dias atuais.  Não transcrevo a matéria na íntegra, mas alguns comentários feitos pelos técnicos, que foram destacados na reportagem:

Brandão: “O grande erro dos dirigentes é achar que as divisões inferiores são um investimento muito caro.”

Coutinho: “Proponho a mudança da expressão divisões inferiores para divisões básicas. Teria importância psicológica.”

Zagalo: “Se no meu tempo não houvesse a categoria de aspirantes, eu não sei se teria sido bicampeão mundial.”

Aymoré: “Muitos times de juvenis estão entregues a homens incapazes, sem condições morais, verdadeiros  marginais.”

Telê: “O jogador brasileiro não gosta de marcar e nem de ser marcado. Isso acabou. Até o ataque tem que marcar.”

Coutinho: “Na Europa, os técnicos fazem vários cursos. Aqui, o jogador para hoje e começa a dirigir o time amanhã.”

Telê: “A Taça de Ouro não pode ter mais de 24 clubes. A de Prata, para mim, poderia ter 100, até 200.”

Coutinho: “Vejo Júnior um novo Nílton Santos. Ele é do mesmo nível. É um supercraque. Vai marcar época.”

Aymoré: “Concordo com a necessidade de instruir os futuros jogadores. Mas, antes, deveríamos escolher os técnicos que vão dirigi-los. Porque muitos dos que os dirigem não têm condições de ensinar nada.” 

Zagalo: “Na Copa de 82, na Espanha, a marcação será implacável – ninguém vai lá para deixar o adversário jogar. Tem que saber jogar com a bola limpa, o que todo mundo sabe fazer, e saber jogar com marcação em cima.”

Aymore: “O primeiro passo é a moralização da classe dos técnicos.”

WALDIR PERES: UM ÍDOLO INCONTESTÁVEL DO TRICOLOR PAULISTA


Waldir Peres Arruda nasceu em Garça-SP, em 02 de fevereiro de 1951. Começou sua carreira no Garça FC, de sua cidade natal, e foi campeão da Terceira Divisão de 1969. Suas atuações chamaram a atenção da Ponte Preta (1970/73), e ganhou fama e prestígio no São Paulo (1973/84), onde foi três vezes campeão paulista (1975, 1980/81) e uma vez do brasileirão (1977). Jogou também pelo América (RJ), Guarani, Corinthians (75 jogos), Portuguesa de Desportos, Santa Cruz e novamente a Ponte Preta, onde encerrou a carreira em 1989.  
Defendendo o América em 1984

Foi um dos grandes nomes no futebol brasileiro nos anos 70 e início dos 80, tanto que participou de três Copas do Mundo (1974/78/82), sendo a última como titular. Sempre foi muito contestado na Seleção, principalmente pela mídia carioca, que fazia muito lobby a favor do goleiro Raul, que defendia as cores do Flamengo. Waldir ao longo de sua carreira teve alguns lances de infelicidade, fato esse que ocorre com quase todos os goleiros, e alguns acabam ficando mais marcados. Telê Santana sofreu muita pressão quando efetivou Waldir Peres no gol da Seleção para a disputa da Copa de 1982, na Espanha. Ele foi infeliz apenas no jogo contra a Rússia, quando sofreu um frango. Foram 30 jogos pela Seleção, sendo 28 oficiais. Um detalhe que poucos sabem: sua única derrota vestindo a amarelinha foi no trágico jogo contra a Itália, em 1982, que também foi sua última partida pela Seleção.

A sua identificação com o São Paulo é muito forte e foi o maior recordista de jogos com a camisa do Tricolor até 2005, quando Rogério Ceni ultrapassou sua marca. Defendeu o gol do São Paulo em 611 jogos, deixando o seu nome marcado na história do clube. Ao longo de sua carreira defendeu muitos pênaltis. Jogando pelo Guarani contra o Flamengo, no Campeonato Brasileiro de 1985, conseguiu a façanha de pegar três pênaltis no mesmo jogo. Em um amistoso contra a Alemanha, em 1981, defendeu dois pênaltis cobrados pelo meia Breitner. Após encerrar a carreira continuou no esporte e dirigiu diversos times, sendo a maioria do interior paulista.

No domingo 23 de julho, sem apresentar nenhum problema de saúde, após um almoço com familiares em Mogi Mirim, interior paulista, passou mal e sofreu um infarto fulminante aos 66 anos.  


quinta-feira, 20 de julho de 2017

SER BOTAFOGO! POR PAULINHO CRICIÚMA


Nota: agradeço ao ex-jogador Paulinho Criciúma, que foi muito solícito no contato, com a permissão para publicar no blog essa crônica sobre o Botafogo.  

Gente vou me expor um pouco!

O Botafogo deveria fazer um contrato com o Jair Ventura por mais 3 anos e 7 meses...
Depois disso nem ele e nem clube vai querer mais um ao outro!
O Botafogo hoje tem um elenco limitado, sequência a isso um time idem!
Está melhorando, gradual, mas está!
Dentro das possibilidades, está!
Camilo nunca foi CaMITO!
O Botafogo foi construído e ainda vive forte e respeitável de um modelo de jogar que Jair Ventura “impregnou"!
As limitações hoje são flagrantes, mas existe um líder e jovem que sabe comandar e sabe onde está!
Carlí é um zagueiro pesado e lento, mas está jogando mais do que pode e sabe... e o meio!
Emerson Silva está jogando mais do que joga... lento, produz mais que o físico o proíbe...Os laterais são normais, mas estão produzindo e invejando muitos!
Bruno Silva se tornou quase craque porque é indispensável ao time!
Pimpão virou imprescindível!
Se ele não joga ou é substituído eu desanimo
Por que Pimpão virou meu desequilíbrio?
Pimpão é minha salvação de improviso, velocidade e loucura da loucura que imagino poder surgir de um jogador comum, mas minha salvação momentânea!
De um João Paulo ou Victor Luis,
Do excelente Marcelo ou do muito bom garoto Emerson, da grande promessa Matheus Fernandes de 19 anos que joga como se tivesse 29...
ROGER é a alegria do extracampo, que dentro dele me satisfaz!
É a mistura da rejeição escondida no coração, olhos e visão.
Mas absolvido pelos poucos gols, mas mais que os mínimos!
ROGER é  um ser iluminado pela vida que nem sempre o futebol o absolve, mas que este mesmo futebol encantador nos mostrou e nos encanta hoje!
Aí o Botafogo tem jovens...
Um GUILHERME que resolve, um Sassá que Sassáfoi para limpar um Botafogo já limpo!
O Botafogo é a verdade de sua Alma...
Da luta em desvantagem
Que derruba gigante porque Gigante é!
Com Gigantes não se brinca, nem se menospreza...
Gigante nunca está morto!
Ele respira e se impõe quando parece nas trevas!
O Botafogo hoje é exemplo...
Da insistência do contrário e do contraditório, e os pseudos maiores odeiam isso!
Todos falam em manchetes que o Botafogo derrubou gigantes, como:
Colo-Colo, Olímpia, Estudiantes e Nacional 
Mas não destacam que é UM GIGANTE eliminando Gigantes! Aqui também tem um! Vivo!
Gigantes se "odeiam"
Ser derrotado por um pequeno é obra de um acaso que não se repetirá
Monstro mata monstro,
Sem piedade porque existe o respeito do "normal"!
Suor, aplicação, querer, sonhar, buscar e acreditar em teus limites conhecidos e conquistar com sorrisos e lágrimas a certeza do merecimento...
São sonhos curtos que vão se somando para uma realidade possível que só quem acredita são os que sonham viver a glória!
E viver este momento só os vencedores como vocês!
Creiam!
É possível...
Se possível é Agarrem!
Conquistar com esta Estrela, preta no Branco
E fazer do Branco e preto um mundo de cores eternas...
Vocês saberão e já sabem
O que significa jogar no Botafogo, o time dos maiores ídolos do mundo, talvez!
Não percam a oportunidade!
Ela é única porque é imortal.
Sucesso ao elenco!
A vida me deu a inesquecível experiência de vivê-la!
Sejam felizes!
Conquistem e esqueçam
Os pormenores passados
Que serão insignificantes!
Vestir esta camisa... que HONRA QUE A VIDA TE DEU!
Valorize porque nenhuma é igual!
Não! Não é!
Tenha a certeza que não é !
Afirmo porque tive o gosto e o prazer de vesti-la!
E quando derramei por esta Estrela lágrimas de homem e não de menino
Eu me senti uma pessoa espiritualmente em Paz!
Botafogo é sim diferente!
Sem letras, sem palavras!
Uma Estrela que pulsa ao contrário do universo
Porque pulsamos ao inverso do normal
Porque anormais somos!
Porque sempre ou quase
Contrariamos a lógica e amamos sermos diferentes!

Paulinho Criciúma, 19 de julho de 2017. 

ALCYR FERNANDES DE OLIVEIRA, “MANINHO”: UM DOS MAIORES DESPORTISTAS DE MIRACEMA


Vinte e quatro anos após a chegada da primeira bola ao Brasil, trazida da Inglaterra pelo estudante Charles Miller, nascia no interior do estado do Rio, em 25 de junho de 1918, no distrito de Miracema, à época pertencente ao município de Santo Antônio de Pádua, Alcyr Fernandes de Oliveira. Maninho, como era carinhosamente tratado, apesar de todas as dificuldades da vida interiorana, cresceu ouvindo as histórias que chegavam da capital sobre o novo esporte que já começava a ser destaque nos noticiários, mesmo que timidamente, e que já era disputado um Campeonato Metropolitano desde 1906. O futebol, então, começou a fazer parte de sua infância e o desejo de se tornar jogador foi amadurecendo com o passar dos anos.

A juventude chegou e com ela Maninho partiu para realizar o sonho de criança. Miracema ficou pequena e a cidade mineira de Leopoldina, na Zona Mata, recebeu de braços abertos o jovem jogador que, aos 21 anos, começou a sua trajetória defendendo as cores do E. C. Ribeiro Junqueira, um time quase imbatível naquela época em toda a região. Até hoje tem o seu nome reverenciado na história do clube, junto aos demais companheiros que formaram, senão o melhor, um dos maiores esquadrões do Ribeiro Junqueira. 

Em 2011, nas comemorações do centenário, Maninho foi homenageado pelo clube mineiro. Representado pelo seu filho – Celso – foi entregue uma placa comemorativa pela sua atuação no “ESCRETE DE OURO”, na década de 40. São poucos os clubes profissionais do Brasil que reverenciam e prestam homenagens aos seus ídolos.  

Com relação a esse time do Ribeiro Junqueira, o Brasil ficou conhecendo sua fama através dos depoimentos de Telê Santana. Na preparação para a Copa do Mundo de 82, na Espanha, nas páginas da revista Placar, o ex-técnico lembrou aquele time que tanto marcou a vida do menino Telê – com técnica e talento ao lado de tática e preparo físico. Doze anos depois, em 28 de agosto de 1994, em uma entrevista concedida ao Jornal do Brasil, Telê voltou a citar que foi inspirado nesse time que brilhou no interior de Minas, na década de 40, que ele montou a Seleção de 82 e o São Paulo campeão Mundial Interclubes de 92: Manganga, MANINHO e Baptista; Itim, Domício e Quadrado; Vicente, Geraldinho, Daher, Caturé e Elair.   Assim ele descreveu: “Eu digo que, aos 11 anos de idade, vi um time jogar lá na minha terra, em Itabirito, e nunca mais esqueci a sua escalação. Fiquei abismado ao ver um time jogar tão bem, eles jogavam por música. O time era o Ribeiro Junqueira, de Leopoldina, no interior de Minas Gerais, e tinha a camisa parecida com a do Flamengo. Esse time jogou em todo o interior de Minas e ganhou de todo mundo”. Essa história ficou tão marcante em sua vida que, na sua biografia “Fio de Esperança”, tem um tópico dedicado ao Ribeiro Junqueira.   

Voltando aos anos 40 e na sequência de sua carreira, Maninho assinou contrato com o Bonsucesso, do Rio, em 20 de fevereiro de 1940. No Bonsuça jogou ao lado do argentino Armando Renganeschi, que mais tarde se tornou técnico. Em julho de 1943, em ofício enviado à Federação Metropolitana de Football, solicita a sua transferência do Bonsucesso para o Americano F. C., de Campos, filiado à Federação Fluminense de Desportos. Aos 29 anos, ele foi submetido a uma delicada cirurgia na válvula mitral – em 1947 –, uma das primeiras do gênero a ser feita no Brasil. Estava encerrada a sua carreira. 


Tupan 
Depois de residir no Rio de Janeiro, retornou a Miracema em meados dos anos 60 e a paixão pelo futebol continuava correndo em suas veias. A cidade contava com um seleto grupo de craques e o apoio incondicional dos apaixonados por esse esporte. O futebol praticado era disputadíssimo e com uma rivalidade à flor da pele. Nesse período Maninho foi técnico do Tupan e da Associação. A ideia de assumir a Liga foi amadurecendo e ele mergulhou de corpo e alma nessa nova empreitada.

Maninho presidiu a Liga Desportiva de Miracema por muitos anos, sempre com dedicação, organização e contando com o apoio incondicional da Federação Carioca de Futebol. Otávio Pinto Guimarães e Eduardo Viana, ex-presidentes, eram amigos e mantinham uma relação bastante estreita, de grande confiança, com Maninho. Otávio, inclusive, foi padrinho de casamento de um de seus filhos – Celso. Maninho foi o responsável por muitos anos pela sobrevivência do futebol miracemense. Ocupou também, com a mesma determinação e eficiência, o cargo de delegado regional no Noroeste Fluminense, representando todas as Ligas junto à Federação. 

Depois de lutar com problemas cardíacos por muitos anos, Maninho nos deixou em 05 de junho de 1994, após sofrer um infarto dois dias antes.  Por essas coincidências do destino, morreu em um domingo, dia em que o futebol, que ele tanto amou e dedicou grande parte de sua vida, é reverenciado nos quatro cantos do mundo. Ele viveu 18 anos com três pontes de safena e teve dez filhos: Diléa, Dilene, Silvio, Célio, Ione, Célia, Celso, Almir, Ceny e Alcyr Filho, o Cici. O corpo foi velado na Câmara Municipal, com a presença de grande número de pessoas consternadas pela perda irreparável de um cidadão que muito fez pelo esporte, não somente de Miracema, mas de toda a região.

Dentre muitas coisas boas que fez, deixando um legado de muito orgulho para seus filhos e demais familiares, como também para o esporte de Miracema, Maninho indicou e levou Célio para fazer testes no Americano. O resto da história você já conhece. Em uma matéria que fiz com Célio Silva para o blog, em maio de 2016, ele fez questão de mencionar o Maninho na reportagem.

Nota: tenho contado um pouco da história de muitas personalidades  aqui no blog, e sempre tive vontade de escrever sobre o Maninho, um grande desportista de Miracema. Foi um ser humano de fala mansa e muito dócil no contato com todos que se aproximavam dele. Era torcedor do Botafogo. Missão cumprida! 


terça-feira, 18 de julho de 2017

OCTÁVIO TOSTES: UM MIRACEMENSE DE CORAÇÃO QUE TAMBÉM É DESTAQUE NO JORNALISMO


Nota do blog: com muito orgulho pra todos nós, transcrevo o depoimento concedido por ele ao Projeto Memória do Grupo Globo. Octavio é filho da professora Gilda Hermany Tostes (de quem tive o prazer de ser aluno) e de Marcelo Botelho Tostes (in memoriam).  

Octávio Hermany Tostes nasceu em sete de julho de 1958, no Rio de Janeiro. Desde a adolescência, já trabalhava na imprensa escrita do interior do Estado do Rio, atuando como correspondente da Folha do Norte Fluminense, e depois, do Caderno Estudantil do jornal O Fluminense.

Formado em jornalismo pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1980, ainda no primeiro período da faculdade começou a trabalhar no jornal da Arquidiocese do Rio de Janeiro, o Bip Jornal, junto com Dom Eugênio Sales. Em seguida, trabalhou na Hora do Povo, e depois na Cooperativa dos Profissionais de Imprensa do Rio de Janeiro, a COOPIM, com Maurício Azêdo e David Fischel.

Depois de formado, em 1981, tornou-se repórter da TV Bandeirantes do Rio de Janeiro, mas logo depois ingressou no jornal O Globo, como iniciante e um dos redatores da editoria de Esportes. Na época, foram seus chefes José Antonio Gerheim e Cláudio Mello e Souza. Permaneceu no jornal O Globo de 1981 a 1986, passando também pela editoria Grande Rio, onde trabalhou com Pinheiro Júnior, e pelo Jornal de Bairro.

Em seguida, transferiu-se para a revista Isto É, onde ficou de dezembro de 1986 até maio de 1987, quando foi convidado por Herval Braz para trabalhar na Globo. Foi uma indicação do Eucimar Oliveira. Permaneceu na emissora de 1987 a 1994.

Inicialmente, assumiu a chefia de reportagem da editoria Rio, dirigida por Merval Pereira, que ainda contava com Letícia Muhana como chefe de redação. Nesse período, auxiliava ainda Carlos Henrique Schroder, então editor-chefe interino do Hoje, e à noite contribuía também para a edição de texto do RJTV– 3ª Edição, cujo editor-chefe era então Luiz Cláudio Latgé. Em seguida, acumulou a chefia de reportagem com a chefia da pauta da editoria Rio.

Em 1988, finalmente, foi efetivado como editor de texto, exercendo essa função, primeiro, no Jornal da Globo, e depois no Jornal Nacional e no Globo Repórter. Nessa época, Ronald de Carvalho era o editor de Política da Central Globo de Jornalismo e, portanto, a quem Octavio Tostes se reportava como editor de Política do Jornal da Globo. Em 1989, passou a ser editor de Política do Jornal Nacional, ainda reportando-se a Ronald de Carvalho como editor de área. Nessa época, participou da cobertura das eleições presidenciais de 1989, vencidas por Fernando Collor de Mello.

Em 1991, atuou como editor do Globo Repórter, envolvendo-se na cobertura da Guerra do Golfo, em função da qual foi montada uma editoria especial que contava também com Ernesto Rodrigues e Ernesto Paglia.No ano seguinte, foi destacado junto com Fabbio Perez para formar uma editoria especial para a cobertura da Eco-92. Essa editoria produziu um Dicionário de Meio Ambiente para orientar os repórteres.

No Globo Repórter, permaneceu até 1994, mas nesse período começou a colaborar também, ao lado de Paulo Henrique Amorim, na época no escritório da Globo de Nova York, com a CNN, na produção de um programa internacional, o "CNN World Report", feito com colaborações de jornalistas de todo o mundo, e com a participação da própria Globo. Viajou para Atlanta, EUA, para a realização de treinamentos junto à CNN em 1992 e 1993. Nesse período, participou ainda como editor responsável pelo roteiro de transmissão do carnaval e do programa Retrospectiva ao lado de Fabbio Perez.  

Depois de desligar-se da Globo, trabalhou na Copa do Mundo de 1994 como freelancer, e nas TVs SENAC e Cultura. De 1997 a 1999, passou a trabalhar na CBS Telenotícias do Brasil, um canal de notícias em português montado pela CBS e com contrato de prestação de serviço com o SBT.

Em 1999, retornou ao Brasil com sua esposa (separou em 2008), a também jornalista Viviane De Marco. Enquanto Octavio Tostes assumia a coordenação do Jornal Nacional em São Paulo, Viviane passou a responder pelo jornalismo do programa Mais Você, de Ana Maria Braga.

Em maio de 2000, transferiu-se para a Globo.com, onde permaneceu até junho de 2001 como gerente de conteúdo. Depois, teve uma rápida passagem pela TV Gazeta. Ainda em 2001, passou a trabalhar para a AOL Brasil. Em maio de 2002, desligou-se da AOL e passou a ser consultor da Rede Amazônica, uma afiliada da Rede Globo que transmite para os estados do Amapá, Acre, Rondônia, Roraima, e Amazonas.

Entre 2007 e 2009, tornou-se consultor da editora Conteúdo Editorial, de São Paulo, especializada em Tecnologia da Informação. Desde 2011, trabalha como coordenador e editor de telejornais da Rede Record, em São Paulo.

Nota: Octávio Tostes morreu no dia 31 de outubro de 2020, após sofrer uma parada cardíaca, no Rio de Janeiro, aos 62 anos. 







CANHOTEIRO: O GARRINCHA DE SÃO PAULO


José Ribamar de Oliveira nasceu em Coroatá, MA, em 24 de setembro de 1932.  Esse atacante veloz, de dribles desconcertantes, faz parte da galeria de grandes craques da história do São Paulo. Possuía uma capacidade incomum de driblar em espaços reduzidos, de surpreender o adversário com um toque inventado na hora. Pelo absoluto domínio de bola, raramente perdia a bola quando partia em velocidade rumo ao gol adversário. Seus cruzamentos eram tão precisos que mais pareciam um passe ou lançamento. Dono de uma habilidade fantástica, Canhoteiro era certeiro nas cabeçadas e nos chutes rasteiros. Jornalistas paulistas que o viram em ação não hesitam: é sua, de direito, a camisa 11 de uma hipotética seleção brasileira de todos os tempos. 

Jogou no São Paulo, Nacional e Toluca (ambos do México), Nacional (SP) e Saad (SP), onde encerrou a carreira. Entre os anos de 1954 e 1963, defendeu o São Paulo em 402 jogos, marcando 104 gols. Conquistou o Campeonato Paulista de 1957, na companhia do craque Zizinho.       

Considerado por muitos o mais habilidoso ponta-esquerda de sua geração, numa partida contra o Corinthians, pelo Campeonato Paulista de 1960, foi atingido involuntariamente pelo zagueiro Homero.  O joelho teve de ser operado duas vezes. Depois disso, ele nunca mais foi o mesmo jogador. 

Na Seleção, não foi o mesmo. O medo de avião atrapalhou. Outro detalhe: Canhoteiro adorava a noite e não gostava de concentrações, o que teria motivado sua ausência em Copas do Mundo. Num dos quatro amistosos da Seleção, já no Brasil e às vésperas do embarque para a Suécia, em 1958, Canhoteiro e Jadir, esse do Flamengo, foram cortados pelo técnico Vicente Feola por farrear além da hora de voltar ao Hotel, onde se hospedava o grupo. Perderam a chance de ser campeões do mundo. Defendeu a Seleção em 16 jogos e marcou 1 gol, sendo 15 oficiais.    

A vida noturna e a bebida podem ter contribuído para que sofresse, aos 42 anos, já longe da bola, e trabalhando como porteiro do Banespa, o acidente vascular cerebral que o matou em 16 de agosto de 1974.



domingo, 16 de julho de 2017

ARMANDO MARQUES: UM ERRO DE MATEMÁTICA MARCOU SUA POLÊMICA CARREIRA DE ÁRBITRO


Armando Castanheira da Rosa Marques nasceu no Rio de Janeiro, em 6 de fevereiro de 1930. Iniciou a carreira como árbitro em 1952, passando a integrar o quadro oficial da Fifa em 1961. Com ampla experiência internacional, apitou partidas nas Copas do Mundo de 1966 e 1974, além da Olimpíada de 1972. Considerado um dos grandes árbitros do futebol brasileiro, era amado e odiado pelos jogadores e torcedores, e também ficou conhecido por alguns erros históricos que cometeu.  

Em 1975, encerrou a carreira de árbitro e passou a trabalhar como corretor de imóveis, no Rio de Janeiro. Retornou ao meio esportivo em 1997, quando assumiu a presidência da Comissão Nacional de Arbitragens, ficando até 1999, quando foi afastado do cargo por ter criticado o árbitro paulista Paulo César Oliveira, dizendo que ele sofria de “diarreia mental”. Voltou logo depois, em 2000, ficando até 2005, e continuando a causar polêmica. Por falar em polêmica, ela acompanhou sua trajetória dentro e fora de campo. 

Um dos fatos mais pitorescos foi a final do Campeonato Paulista de 1973, entre Santos e Portuguesa de Desportos. Como a partida terminou empatada em 0 x 0, a decisão foi para os pênaltis. Armandinho se embananou na matemática e acabou dando a vitória para o Peixe.  Só que a Lusa ainda tinha chances.  Avisado da lambança, o juiz desceu ao vestiário da Portuguesa para pedir aos jogadores que voltassem a campo para a cobrança dos penais que faltavam. Mas foi em vão, pois os dirigentes da Lusa, que ainda tinha duas cobranças por fazer e chances de chegar pelo menos ao empate, sabedores do erro grotesco na contagem dos pênaltis, mandaram que seus jogadores saíssem o mais rápido possível do estádio e não havia mais ninguém. A melhor solução encontrada foi dividir o título paulista daquele ano entre as duas equipes. 

Armando Marques morreu em 16 de julho de 2014, no Rio de Janeiro, aos 84 anos, tendo como causa uma insuficiência renal. 

quinta-feira, 13 de julho de 2017

BADEN POWELL: DE VARRE-SAI PARA O MUNDO


Compositor e instrumentista, Baden Powell é considerado um dos maiores gênios que o violão mundial conheceu. Criador de um estilo próprio e inconfundível deixou admiradores por todo o planeta, sem que ninguém conseguisse reproduzir sua maneira de tocar.

Baden Powell de Aquino nasceu em 06 de agosto de 1937, na cidade de Varre-Sai, Região Noroeste do estado do Rio de Janeiro, filho de Lilo de Aquino e de Adelina Gonçalves. Seu pai era fabricante de calçados e músico amador: tocava violino nos bailes e tuba na banda da cidade, fundada por seu pai. O avô de Baden, Vicente Thomaz de Aquino, foi um fazendeiro negro que fundou talvez uma das primeiras e únicas bandas de escravos que tocavam e cantavam suas raízes. Ainda sobre seu pai, era chefe dos escoteiros de Varre-Sai e admirador do fundador do escotismo, o britânico Robert Stephenson Smyth Baden Powell, daí a homenagem ao batizar o terceiro filho.

Baden e Vinícius de Moraes 
Baden Powell carregava consigo diversas influências musicais sem, no entanto, ficar marcado especialmente por nenhuma delas ao longo de sua carreira. Trilhou um caminho de sucesso, respeitado e reverenciado por sua musicalidade e genialidade como instrumentista. Seu talento foi reconhecido internacionalmente. O violonista gravou parte de seus discos no exterior, em países como França – onde morou por quase 20 anos –, Alemanha e Japão. Aqui no Brasil fez parcerias com grandes músicos de sua época, entre os quais, Vinícius de Moraes e Billy Blanco.

Após ficar internado por um mês, vítima de uma pneumonia bacteriana grave,  Baden Powell faleceu em 26 de setembro de 2000, aos 63 anos, no Rio de Janeiro, devido a uma infecção generalizada. 

Em sua cidade natal, foi criado em 2001 o grupo Baden Baden, através do Projeto Trilhas Culturais, da Secretaria de Educação de Varre-Sai. A proposta era divulgar as músicas do violonista Baden Powell aos moradores do município onde ele nasceu. Em suas apresentações estão no repertório músicas como Formosa Mulher, Berimbau e Lapinha, entre muitas outras.  

Deixou um legado de obras-primas e seus acordes gravados no coração de vários fãs pelo mundo, recebendo diversos prêmios pelo conjunto de sua obra. Seus dois filhos, Marcel e Philippe Baden Powell, nascidos na França, seguiram a trajetória musical paterna e são violonista e pianista, respectivamente. Dentro dos laços sanguíneos, João de Aquino Monteiro, primo de Baden, falecido em 28 de setembro de 2022, aos 77 anos, conseguiu fazer o próprio nome e fica eternizado como um dos grandes violonistas da música brasileira. João de Aquino foi um grande parceiro de Paulo César Pinheiro, além de outras qualidades como compositor, arranjador e produtor musical. Radicado em Miracema, Artur Quadros, filho de Elizabeth de Oliveira Pinto, que vem a ser prima de primeiro grau do Baden Powell, é um excelente violonista, guitarrista e baixista.

Ainda sobre a Elizabeth, irmã de Marília Magalhães, residentes em Miracema e primas do violonista. A mãe delas era irmã do pai de Baden Powell. Conversando com Álvaro Quadros, também filho de Elizabeth, assim ele se referiu ao primo: “Convivi um pouco com ele entre 1995 e 2000, ano de sua morte. Uma pessoa simples, sempre muito polido e cheio de histórias para contar. Sem falar da agilidade com as cordas”.  

quarta-feira, 12 de julho de 2017

PEDRO LUIZ E O RÁDIO ESPORTIVO BRASILEIRO



PEDRO LUIZ PAOLIELLO, mineiro de São Tomáz de Aquino, onde nasceu em 14 de junho de 1919, faleceu na capital paulista, em 13 de julho de 1998.

Suas narrações precisas e sempre em cima do lance revolucionaram o rádio brasileiro. Ainda hoje, Pedro Luiz é considerado um dos maiores narradores da crônica esportiva de todos os tempos.



Sua estreia no rádio foi em 1938, na emissora retransmissora de Franca, a antiga Rádio Hertz. Passou ainda pela Rádio Atlântica, de Santos, e a primeira em São Paulo foi a Rádio Gazeta. Em 1950 chega à Rádio Panamericana, transferindo-se em 1958 para a equipe da Rádio Bandeirantes, que é considerada uma das melhores já formadas na história do rádio nacional.

Pedro Luiz, Hebe Camargo e Tavares de Miranda, nos estúdios da Rádio Tupi

Teve passagens marcantes na Rádio Tupi, Nacional e Globo, quando deixou de narrar e passou a comentar as partidas. Com seus comentários sóbrios, ganhou destaque na TV Globo. Em rádios, fez seus comentários inteligentes na Rádio Record. A Rádio Gazeta também voltou a fazer parte da sua vida. Passou pela TV Bandeirantes e pela TV Record, formando mais uma vez uma equipe marcante, que contava além de Pedro, com Silvio Luiz e Flávio Prado. Cobriu onze Copas do Mundo e duas edições dos Jogos Olímpicos.

terça-feira, 11 de julho de 2017

BLOG ALMANAQUE (1978) – QUIROGA: O GOLEIRO “ARGENTINO” E CAMARADA


Até hoje essa história está mal explicada. Tinha onze anos e foi a primeira Copa que acompanhei com atenção. Lembro-me do acontecido com muita nitidez. Além do mais, o que já li e acompanhei de reportagens sobre esse fato, nos leva a crer que “coisas estranhas e nefastas” rondaram os bastidores daquele mundial, em um país que vivia a plena vigência da ditadura militar. Com o passar dos anos várias investigações foram feitas, mas nenhuma conseguiu provar nada.

Brasil, Argentina, Peru e Polônia formaram um grupo em que o vencedor do mesmo disputaria a grande final.  O Brasil estreou diante dos peruanos, fazendo 3 a 0. Nesta partida, Zico marcou seu primeiro gol em uma Copa do Mundo, de pênalti. Os outros dois foram marcados por Dirceu. Na segunda rodada, um empate por 0 a 0 com os donos da casa. Eis a questão: o Brasil foi melhor em campo, e poderia ter saído vencedor, tivesse aproveitado as boas chances de gol que teve durante a partida.  Uma vitória praticamente asseguraria a Seleção na grande final, independentemente da quantidade de gols que os argentinos fizessem nos peruanos “camaradas”. Esse é um detalhe que não deve ser esquecido. 

Foi na terceira rodada dessa fase que “fatos estranhos” aconteceram. Os horários dos jogos entre Brasil x Polônia e Argentina x Peru eram diferentes. O Brasil que jogou mais cedo goleou a Polônia por 3 a 1, gols de Nelinho e dois de Roberto Dinamite. Assim, ficou “complicada” – aparentemente – a situação dos argentinos, que tinham que fazer diferença de gols maior que quatro contra os peruanos para chegar à final do Mundial.

A Argentina conseguiu com sobras e venceu o Peru, que na 1ª fase havia feito ótima campanha, por 6 a 0. Até hoje existem suspeitas que os peruanos facilitaram aquele jogo, para não dizer outra coisa.

Para encerrar essa história nebulosa, é bom lembrar que o goleiro Quiroga é argentino de nascimento.  Não entenda como insinuação essa minha colocação. 

segunda-feira, 10 de julho de 2017

ALEXANDRE E ADÃOZINHO: ARTILHEIROS DO PORTO ALEGRE, DE ITAPERUNA

Alexandre e Adãozinho 

Adãozinho é escalado na última hora e faz a alegria de uma cidade inteira.

Ele não estava nos planos do técnico Gildo Rodrigues, mas a torcida não o esquecia. Nem quatro prestigiosos fazendeiros da região, que se cotizaram e fizeram um “vaquinha” para pagar seu salário, o mais alto do time. E Adãozinho, 34 anos, fez jus à fama e ao salário.   

Adãozinho e Alexandre, os primeiros agachados a partir
da esquerda.
O curioso é que o jogador só teve condições de jogo na véspera da partida, quando apressados dirigentes o inscreveram na federação. E como reza a lenda, Adãozinho, como ponta, tem também o seu lado maluco. Tanto que, conhecendo a si próprio – costumava abandonar as equipes no meio da competição – fez incluir no contrato um clausula que o deixa sem receber salários se cometer qualquer ato de indisciplina. Nascido em Itaperuna, o jogador sempre brilhou nos campos de várzea da cidade e nas vizinhanças. Depois de marcar muitos gols e levar zagueiros à loucura, Adãozinho acabou contratado pelo Porto Alegre com a ajuda financeira de fazendeiros.

A fama de Adãozinho rompeu os limites de Itaperuna. Há quatro anos, foi jogar em Campos, no Americano e no Goytacaz, mas saudoso de casa, não alcançou o sucesso esperado.

Mais comedido, Alexandre, 26 anos, artilheiro do time e autor do outro gol, é mineiro de Sete Lagoas e dono de inesgotável vocação ofensiva. Na terceira divisão fez 26 gols; na segunda, 16; e, na primeira, iniciou com o pé direito, estreando com mais um gol.

O estilo vigoroso de Alexandre lembra o de Roberto, que brilhou no Botafogo nos anos 60. Seu nome, como o de Adãozinho, foi gritado em coro pela torcida e, isoladamente, pelo técnico do Flamengo, que o elogiou publicamente.  

Alexandre e Adãozinho fizeram a alegria dos torcedores locais, dos fazendeiros e dos donos de botequins, lotados até de madrugada na comemoração de uma inesperada e merecida vitória.

Nota: texto transcrito na íntegra do jornal O Globo, de 11 de março de 1987, no dia seguinte à vitória do Porto Alegre sobre o Flamengo, por 2 a 0, pelo Campeonato Carioca, com reportagem de Marcos Penido. 

Fotos Arquivo do Eusébio Dornellas