quinta-feira, 30 de março de 2017

SÃO CRISTÓVÃO E AMERICANO, DE CAMPOS: REPRESENTADOS NA COPA DO MUNDO DE 1930


É uma curiosidade que muitas pessoas que gostam e acompanham futebol não deve saber. O Americano e o São Cristóvão já tiveram jogadores defendendo a Seleção em uma Copa do Mundo.

Poly (1º agachado da esq. para dir.) foi para a Copa de 1930 quando defendia o Americano; Teóphilo (último agachado da esq. para dir.) era do São Cristóvão.

Por que o Brasil só levou jogadores cariocas em 1930?

Araken Patuska
Devido a uma briga entre os dirigentes cariocas e paulistas por lugares na delegação que iria a Montevidéu. Como resultado, a Associação Paulista de Esportes Atléticos (a Federação Paulista de então) se recusou a ceder à CBF os jogadores que atuavam em clubes paulistas.


O único jogador de São Paulo a se juntar à Seleção foi Araken Patuska, que havia jogado no Santos e estava sem clube na época do Mundial. Por causa dessa briga, muitos paulistas torceram contra a Seleção: a notícia da derrota brasileira para a Iugoslávia, na estreia, foi comemorada nas ruas de São Paulo.  

A rivalidade esportiva entre os dois principais estados do Brasil vem de longa data. 

terça-feira, 28 de março de 2017

GARRINCHA & PELÉ


Jogando juntos pela Seleção eles nunca perderam. Em 40 partidas realizadas, foram 36 vitórias e 4 empates, com um aproveitamento espetacular de 95%. 

Nos oito anos entre a primeira e última partida da dupla, de 18/05/1958 a 12/07/1966, o Brasil marcou 120 gols. Os dois juntos marcaram 55. Pelé fez 44 e Garrincha 11. Nesse período a Seleção conquistou dois títulos mundiais – 1958 e 1962.

Entre tantas estripulias do gênio das pernas tortas, citarei apenas uma: em um amistoso da Seleção contra a Fiorentina após as eliminatórias para a Copa do Mundo de 1958, Garrincha driblou toda a defesa italiana parando em cima da linha do gol.  Quando um zagueiro voltou para marcá-lo, ele o driblou novamente para depois fazer o gol.  

Deus da Bola, Rei do Futebol, Atleta do Século, Gênio! Adjetivos para definir um único homem, um ser que cumpriu a missão de ser um vencedor. Este homem é conhecido mundialmente como Pelé. Esse nome é um idioma universal. Em qualquer lugar do mundo ao se pronunciar “Pelé”, o interlocutor responderá “Brazil”.  

O que os adversários e cronistas disseram sobre os gênios: 

“Garrincha é um verdadeiro assombro. Não pode ser produto de nenhuma escola de futebol. É um jogador como jamais vi igual”. (Gavril Katchalin, técnico soviético em 1962).
“Se há um deus que regula o futebol, esse deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios”. (Carlos Drummond de Andrade, escritor).
“O maior jogador de futebol do mundo foi Di Stefano. Eu me recuso a classificar Pelé como jogador. Ele está acima de tudo.” (Ferenc Puskas, craque da Hungria e do Real Madrid na década de 50).
“Se Pelé não tivesse nascido um homem, teria nascido uma bola”. (Armando Nogueira, jornalista brasileiro).

Isto é Garrincha:

Antes de ser jogador profissional, Garrincha era operário da fábrica América Fabril e jogava no Esporte Clube Pau Grande. Suas pernas tortas fizeram com que passasse o vexame de ser rejeitado no Flamengo e Vasco.

Arati (ex-lateral-direito do Botafogo) foi quem levou Garrincha para o Botafogo ao vê-lo atuar em Pau Grande. A reação do técnico Gentil Cardoso quando viu Garrincha no vestiário, se preparando para entrar em campo, foi a pior possível: “Neste time aparece de tudo. Até aleijado.” Mas na prática foi preciso um único teste, porque terminado o coletivo, o lateral Nilton Santos exigiu a sua contratação, pois temia ter que enfrentá-lo um dia. 

Talvez o segredo dos dribles desconcertantes estivesse em seus problemas físicos. Garrincha tinha o joelho direito virado par dentro e o esquerdo, para fora, um deslocamento na bacia, a perna esquerda seis centímetros mais curta do que a direita, além de ser ligeiramente vesgo.     

Isto é Pelé:

Suas principais vítimas: Corinthians (50 gols), Botafogo-SP (46), Portuguesa de Desportos (42), Guarani (40), Juventus (38), Palmeiras (34).

03/10/1959 – No seu jogo oficial de nº 220, Pelé marcou três gols na goleada sobre um combinado Palmeiras/São Paulo. A partida terminou 7 x 3 para o Santos, e o primeiro de Pelé foi seu gol de nº 250.

15/09/1962 – O Santos goleou a Ferroviária de Araraquara, na Vila Belmiro, por 7 x 2. Pelé marcou quatro gols, sendo o primeiro de nº 500 de sua carreira, em 436 partidas até então.

19/11/1969 – Jogando contra o Vasco, no Maracanã, o Santos venceu por 2 x 1 e Pelé marcou o segundo gol da partida, o seu milésimo, em 909 partidas.

Em 11 de julho de 1980, Pelé foi eleito o “Atleta do Século”, através de enquete realizada pelo jornal francês “L’Equipe”. Recebeu 178 votos, nove a mais do que o velocista norte-americano Jesse Owens, estrela dos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936. O prêmio foi entregue em 15 de maio de 1981. 


sábado, 25 de março de 2017

JOÃO LIGIÉRO: O HOMEM QUE CONSTRUIU UM ESTÁDIO EM COMENDADOR VENÂNCIO, DISTRITO DE ITAPERUNA

Nota do blog: essa matéria, do repórter Fellipe Awi, foi publicada no jornal “O Dia” de 21 de fevereiro de 1999.  
O NOBRE PALCO DE UM HOMEM SÓ
Há apaixonados por futebol que não perdem um jogo no Maracanã, outros que colecionam camisas e ainda há aqueles que enchem as paredes de pôsteres. Existe um, no entanto, que foi bem mais longe: construiu um estádio sozinho. O contador aposentado João Goulart Ligiéro é assim. Há mais de 40 anos, levantou um estádio para 10.800 torcedores em Comendador Venâncio, um pequeno distrito de Itaperuna, noroeste do Estado do Rio. Agora, aos 75 anos, quer terminar sua obra de arte.
- Enquanto tiver força para viver e um centavo no bolso, vou extravasar meu amor pelo futebol neste estádio. Falta construir o muro, terminar de fazer os bancos de reservas e aumentar a lotação para 17 mil pessoas – diz João, sem saber que estaria construindo o quinto maior estádio do Estado.
A sobrevivência do Estádio Aarão Garcia depende da força e do dinheiro de João desde que a construção começou, em 1955. Cansado de esperar pela prefeitura de Itaperuna, este ex-jogador do Porto Alegre – time que deu origem ao Itaperuna – deu início ao seu grande sonho.  Sem ter como contratar peões, botou a mão na enxada e começou a obra, tijolo por tijolo, pedra por pedra.
- Tive apenas a ajuda ocasional de um pedreiro e de um coveiro, que cuidou do gramado. Eu era apenas um contador, mas aprendi a construir graças à minha obstinação. E o dinheiro vinha do meu bolso e de doações da família e de alguns amigos da região – conta João, que continua mantendo o estádio, apesar de receber quatro salários mínimos.   
Foram três anos de muito suor, literalmente. O contador encontrou várias dificuldades para tocar a obra. João não lembra bem da moeda, mas sabe que comprou o terreno por um preço cinco vezes maior do que realmente valia. Depois, foram os aterros destruídos por constantes tempestades. Mas nada o fez parar.
- Diziam que ele nunca conseguiria construir um estádio num vale como aquele, mas o João estava obcecado. Ele não descansaria enquanto não visse uma partida de futebol ali – conta Dona Elza, a companheira de 53 anos.
- Existem coisas na vida que só se faz com teimosia – emenda João.
A grande ajuda, porém, veio de outro problema. Pelo projeto, a rodovia BR-356 passaria exatamente sobre o campo. Desesperado, João teve uma ideia genial: deixou que a obra da estrada continuasse, mas aproveitou a terraplanagem para construir um campo melhor, com medidas oficiais (105m x 68m), no terreno ao lado.
Hoje, ele pouco aproveita de sua obra. Prefere ver o time amador do Venancense jogar por lá, ou mesmo a garotada da região, que enche o campo com intermináveis peladas. Mas não esconde o time que gostaria de ver pisando naquele gramado:
- Seria a maior honra de minha vida receber o Vasco aqui. Acho que não iria aguentar de emoção.
A COR DO VERDÃO
Durante a construção do estádio, João Ligiéro conseguiu, através de um amigo, “importar” placas de grama do campo do Palmeiras, o Parque Antarctica. As placas vieram de São Paulo em caminhões e foram cultivadas em Comendador Venâncio.
Como uma homenagem ao clube paulista, o Esporte Clube Venancence adotou as cores verde e branco no uniforme do time e nas paredes do estádio Aarão Garcia. Virou o Verdão do Rio.
VIDA DE JOGADOR
A construção do estádio foi apenas o ápice da paixão de João Ligiéro pelo futebol. Aos 16 anos, aceitou trabalhar como regente de um colégio interno de Itaperuna para poder jogar no time, sem receber um tostão no fim do mês.
- Meu salário era a satisfação de jogar no time do colégio. Era um belo half-direito (os atuais meias que jogam pela direita) – lembra.
Depois de disputar torneios de futebol amador, foi jogar no Porto Alegre, time que deu origem ao Itaperuna.


quinta-feira, 23 de março de 2017

MANOEL CASTILHO: O FILHO DE MANÉ GARRINCHA





Garrincha casou-se com Nair, namorada de infância, com quem teve nove filhas. Separou-se de Nair e foi casado com a cantora Elza Soares por 15 anos, de 1968 a 1983. Os dois tiveram um filho, Manuel Garrincha dos Santos Filho, que morreu aos 9 anos de idade, em 11 de janeiro de 1986, afogado após um acidente automobilístico. Garrincha também é pai de um sueco: Ulf Lindberg é fruto de um relacionamento com uma sueca durante uma excursão do Botafogo à Europa em 1959. Ele teve mais uma filha com Vanderleia, viúva do ex-jogador Jorginho Carvoeiro, que foi do Vasco. Como podemos constatar o Mané não brincava em serviço.  

O terceiro filho homem do gênio Garrincha – de um relacionamento extraconjugal com a Iraci – teve o mesmo fim trágico do irmão por parte de pai, filho da Elza Soares. Manoel Castilho, o Neném, que Garrincha só veio a conhecer em 1977, após jogar nas divisões de base do Fluminense, no final dos anos 70, transferiu-se para o Belenenses, de Portugal, onde teve uma passagem discreta. De lá foi para o futebol da Suíça, sem conseguir alcançar o seu objetivo principal: ser um jogador reconhecido.

Estava de férias em Portugal quando morreu num acidente automobilístico, aos 31 anos, no dia 20 de janeiro de 1992, exatos nove anos após a morte do pai. Não se tem uma informação concreta se ele ainda jogava profissionalmente na Suíça quando veio a falecer. Chegou-se a comentar na imprensa que ele trabalhava como pedreiro. 

A trajetória do Garrincha fora de campo foi o oposto da alegria que ele deu ao povo brasileiro com sua irreverência e genialidade dos dribles. Segundo o dramaturgo Nelson Rodrigues, “Garrincha foi o jogador que ensinou a torcida a rir nos estádios”. No entanto, morreu na miséria absoluta, com o fígado e o pâncreas destruídos, vencido pela infecção generalizada.

Garrincha não conseguiu driblar o seu principal adversário: o álcool.     

                                

terça-feira, 21 de março de 2017

NELINHO: O CANHÃO DAS MINAS GERAIS





Apesar de ter consolidado sua carreira em Minas Gerais, Manoel Rezende Matos Cabral nasceu no Rio de Janeiro, em 26 de julho de 1950. Nelinho foi revelado pelo Olaria, mas assinou seu primeiro contrato como jogador profissional com o América-RJ, no final dos anos 60. 

Depois passou pelo Barreirense/Portugal, Deportivo Anzoátegui/Venezuela, Bonsucesso-RJ e Remo, de Belém do Pará, clube que o projetou nacionalmente no campeonato brasileiro de 1972. Em 1973 foi para o Cruzeiro, indicado pelo então treinador Orlando Fantoni, onde se confirmou o que dele se esperava para o futebol. Apesar 


Jogou também no Grêmio, onde foi bicampeão gaúcho de 1979/80. Voltou ao Cruzeiro em 1981. Permaneceu na Toca da Raposa até 1982 e seus principais títulos no clube celeste foram os campeonatos mineiros de 1972/73/74 e 77 e da Libertadores da América de 1976.

O lateral-direito, que em 1980 conseguiu chutar a bola para fora do estádio do Mineirão, também brilhou no arquirrival do Cruzeiro: o Atlético. Foi um dos principais jogadores na história do Clube Atlético Mineiro. Mesmo em fim de carreira, Nelinho brilhou no Galo. Em cinco temporadas sagrou-se campeão mineiro em 1982/83/85 e 86. Nelinho foi um dos maiores cobradores de falta do futebol mundial. E porque não dizer um grande artilheiro para um jogador de defesa. 

Nelinho participou das Copas do Mundo de 1974 e 1978. Em 1978, o Brasil ficou com o título moral, mas Nelinho destacou-se. O lateral deixou sua marca registrada – o chute forte – em jogo contra a Itália na disputa do 3º lugar, marcando um golaço de fora da área.

Além de seus chutes fortes, Nelinho deixou seu nome marcado também por sua consciência. Considerado polêmico por alguns, Nunca foi irresponsável. No fim da carreira ajudou a diminuir o preconceito contra os jogadores com mais de 30 anos. Na década de 80, já acusava o dirigente de ser o maior mal do futebol: "Eles são escolhidos por serem amigos dos presidentes ou por terem dinheiro para avalizar os negócios dos clubes. Nunca por entenderem do esporte", dizia, na época. 

Números da carreira:

Cruzeiro - 410 jogos e 105 gols
Atlético Mineiro - 247 jogos e 52 gols
Seleção Brasileira -  28 jogos e 6 gols, sendo 21 oficiais e 5 gols

quarta-feira, 15 de março de 2017

ROGÉRIO DE POLY: O MIRACEMENSE QUE FOI UMA DAS ESTRELAS DO GRUPO MUSICAL "DZI CROQUETTES"



No início da violenta década de 70, 13 rapazes subiram ao palco munidos de ideias revolucionárias e um lema: “Só o amor constrói”. Eram os Dzi Croquettes, grupo musical que, apesar de ter influenciado o cenário artístico nacional e internacional, entre os anos de 1972 e 1976, ficou inexplicavelmente esquecido por muitos anos. A atração era formada com números de canto e dança. Os artistas se destacavam pelo visual extravagante, com maquiagens fortes e trajes femininos. O grupo saiu dos padrões da época para contestar a sociedade e marcou a cultura brasileira com muita irreverência.  

Durante esses anos de plena atividade aqui no Brasil, o grupo fez muito sucesso. Não demorou muito para que as autoridades do regime militar censurassem o espetáculo. Assim, os rapazes foram obrigados a se retirar do Brasil para o exílio. Passaram primeiro por Portugal e depois foram pra França. O sucesso em solo francês, com o apoio de Liza Minelli, levou a uma participação no filme Le Chat et La Souris. Fizeram turnê pela Itália e, depois, em Londres. No auge do sucesso, o grupo recebeu um convite para uma turnê em Londres e Nova York. Porem, um brasileiro rico os seduziu para retornarem ao Brasil e criar um novo trabalho. Eles abandonaram a proposta da turnê e fizeram o caminho de volta. Era o início do fim e, após um desentendimento entre membros da família Dzi, ocorreu o rompimento definitivo ainda no ano de 1976.  

Com o final do grupo, Rogério viveu cerca de 30 anos em Paris. Lá, entre outras coisas, trabalhou com decoração. Durante esse período, Rogério perdeu o seu irmão, Reginaldo de Poly, que também fez parte do grupo e morava na França. Em 2008, retornou ao Brasil e a sua Miracema, para morar com os pais. Tive a oportunidade de conversar com ele uma vez, que, com muito prazer e emoção, contou um pouco de sua história e da trajetória do grupo. Rogério nos deixou em 15 de março de 2014. 
Rogério de Poly é o que está agachado 

O grupo voltou a ser lembrado em 2009 com o documentário “Dzi Croquettes”, realizado por Rapahel Alvarez e Tatiana Issa. Com depoimentos de artistas brasileiros influentes, o filme mostra a importância que os Dzi tiveram num período tão dramático. E foi o documentário que levou o ator Ciro Barcelos, que fez parte do grupo original, a preparar uma nova montagem com um novo grupo.  

domingo, 12 de março de 2017

CARLITO ROCHA E BOTAFOGO: UMA PAIXÃO SEM LIMITES


Carlos Martins da Rocha foi um dos personagens mais importantes da história do Botafogo.  Nascido no Rio de Janeiro, em 11 de novembro de 1894, jogou, treinou e presidiu o clube que tanto amou. Por sinal, foi campeão carioca de 1912 como atleta, de 1935 sentado no banco de reservas, e de 1948 como presidente. Foi ele quem deu a primeira oportunidade ao ex-jogador Zezé Moreira, ainda jovem, para assumir o comando técnico do time principal do Botafogo, e conquistar esse título carioca de 48. 
Houve época no futebol brasileiro que a palavra “cartola” não tinha conotação negativa. O Carlito Rocha era um deles, talvez o maior de todos.  Dono de uma fábrica de tecidos ficou pobre de tanto ajudar o Botafogo. Mas foi, com certeza, o maior alvinegro a intervir decisivamente na história do clube.
Tanto amor, tanta devoção, fez com que ele recebesse todas as homenagens possíveis do clube. E também a maior tristeza.  Em 1976, o Glorioso vendeu seu maior patrimônio para a Companhia Vale do Rio Doce e foi para Marechal Hermes. Ele jogou na primeira partida do Estádio de General Severiano, em 1916. No final dos anos 70, costumava levar rosas e colocar na antiga sede do clube.
Quis o destino que ele morresse sem ver o time retornar à sede, em 12 de março de 1981, em decorrência de problemas cardiovasculares e renais.
Outra marca registrada do Carlito Rocha era a supertição. Chegava ao extremo de descer de um táxi cujo motorista desse marcha à ré. Quando o dia amanhecia nublado, certamente o Botafogo não iria ganhar a partida que ocorreria mais tarde. E o Biriba? Quase todos os botafoguenses conhecem a história do cachorrinho que virou símbolo do clube no título carioca de 48, e acabou adotado pelo saudoso cartola. O animal, por sinal, passou a ser figura obrigatória nos estádios onde o clube jogava, inclusive durante excursões pelo exterior. 

quarta-feira, 8 de março de 2017

SE O FUTEBOL TIVESSE UM IDIOMA, ELE SE CHAMARIA PELÉ

                                                                         Foto Luiz Paulo Machado - Revista Placar 

O Rei nos deixou em 29 de dezembro de 2022, na capital paulista, após lutar dois anos contra o câncer. Nos últimos dias de vida o tratamento contra a doença já não surtia o efeito esperado. Há tempos Pelé vinha sofrendo com sérios problemas na coluna. 

Aqueles que duvidam dos feitos de Edson Arantes do Nascimento, principalmente com a camisa canarinho, argumentam que era muito fácil para Pelé jogar ao lado de tantas feras, desde Garrincha, Nilton Santos e Didi, em 1958, até Gérson, Tostão e Jairzinho em 1970. Que ninguém nos ouça, mas ser o astro maior daquela constelação não deveria ser algo assim tão simples.

Muitos afirmam que, naquela época, era mais fácil jogar futebol, com mais espaços em campo e a preparação física dos marcadores, muito aquém do que temos atualmente. Os mesmos críticos esquecem que durante boa parte de sua carreira ainda não existiam os cartões amarelo e vermelho e os zagueiros não aliviavam. Isso sem contar outras condições precárias que envolviam o esporte num todo, que em nada se compara aos recursos tecnológicos que foram se aperfeiçoando ao longo dos anos.

Você, amigo leitor, já deve ter ouvido que diversos craques do passado não jogariam nesse futebol de hoje. Quer dizer, então, que só o Messi, o Critiano Ronaldo e o Neymar jogam assim: driblando, correndo com a bola dominada, fazendo lindos gols, sendo craques também em assistências. O Pelé, não? Gerson, não? Tostão, não? Zico, não? O que esses caras fazem hoje, os gênios das "antigas" faziam da mesma forma, igualzinho. Resumindo: aqueles que chamamos de "craque", no melhor sentido da palavra, joga em qualquer época e contra qualquer adversário. 

Esse tipo de comparação não é somente direcionado ao Rei, mas a inúmeros craques que desfilaram sua genialidade até os anos 80, a última década romântica do futebol brasileiro. Seguindo no discurso daqueles que teimam em ignorar os feitos magníficos e inigualáveis do Rei do Futebol, insistem nas comparações que ele não foi tão decisivo como Garrincha em 1962, Maradona em 1986 ou Romário em 1994. 

Exemplificando apenas a sua participação na Copa de 1970, no México - a última que disputou - dos gols assinalados pelo Brasil, Pelé marcou 4 e deu mais sete assistências, totalizando 11 participações nos 19 gols, ou seja, 58% deles. Sem contar outros lances maravilhosos que não terminaram em gols, mas até hoje são reprisados e dignos de se reverenciar.  

Na minha maneira de avaliar um jogador das antigas, não é necessário tê-lo visto jogar para reconhecer tudo o que ele fez dentro das quatro linhas. A história existe para ser contada e os registros do passado - apesar de não tão numerosos - nos ajudam a ilustrar e confirmar os fatos apresentados, como os de hoje serão no futuro, com a vantagem de uma quantidade maior de imagens para se mostrar. Os brasileiros têm por costume não gostar de leitura e tampouco se interessar pela sua história – com o agravante de valorizar mais o que é estrangeiro. Esse é um grande diferencial em uma discussão não somente direcionada aos fatos esportivos, mas a diversos outros temas. A leitura é uma viagem fantástica junto ao conhecimento (estima-se que em média, cada brasileiro leia pouco mais de dois livros por ano. Na Europa, em alguns países, chega-se a surpreendente marca de 8 livros por ano. Acho que isso explica alguma coisa).  

O assunto em questão é o Pelé e voltemos a ele. É muito fácil para qualquer jovem de hoje dizer que o Messi é melhor do que Pelé. Difícil será o Messi alcançar os números e conquistar os títulos que o Rei conseguiu. O Messi é um gênio e daqui a 50 anos será lembrado como tal. 

Em tempo: não está em discussão o Edson cidadão, mas o Pelé jogador. Refiro-me a esse tópico, pois já ouvi diversos comentários que o Pelé “não fez isso ou deixou de fazer aquilo” - em sua vida particular - o que não vem ao caso no tema abordado. Quem sou eu para argumentar sobre esses pormenores.  

Finalizando, seria, com certeza, perda de tempo, e de espaço, repetir o que todos têm pleno conhecimento: que Pelé, em 22 anos de carreira, colecionou todos os títulos possíveis; que Pelé é o único craque de futebol tricampeão mundial pela seleção; que Pelé estabeleceu o recorde, ainda não ultrapassado, de 1.281 gols em 1.362 partidas; que Pelé foi e continuará sendo reverenciado por reis, presidentes, papas, grandes personalidades e pobres mortais; que Pelé é uma das figuras mais populares do planeta; que Pelé, enfim, com seu talento inigualável, praticamente reinventou o futebol. É quase que impossível definir com exatidão a importância de Pelé no cenário do esporte mundial. Pelé é um “Patrimônio Esportivo da Humanidade”.

O PELÉ NÃO É DO SANTOS E NEM DO BRASIL, É DO MUNDO E CONTINUARÁ VIVO; O ÉDSON ERA DA D. CELESTE E DO DONDINHO, E MORREU.

Nota: texto publicado em março/2017 e editado em dezembro/2022.




segunda-feira, 6 de março de 2017

BLOG ALMANAQUE (ANOS 60) - SANTOS: UM DOS MAIORES ESQUADRÕES DO FUTEBOL MUNDIAL

ZITO, PEPE E PELÉ
Eram onze camisas brancas que assombravam o mundo do futebol. Assim corria a fama do maior esquadrão de todos os tempos. Não houve títulos que aquele time de Pelé e Cia não conquistassem: bicampeão da Libertadores da América, bicampeão mundial, pentacampeão da Taça Brasil, oito campeonatos paulistas, três Rio-São Paulo. Sem falar dos 28 torneios ganhos em todos os cantos do planeta.
Mas o seu apogeu aconteceu em 1962 com a impressionante sequência de títulos que o levaram ao bicampeonato mundial. Para isso, o time teve que vencer o Peñarol, no tira-teima realizado em Buenos Aires, e o Benfica, em Portugal. Em 1963, os feitos heroicos se repetiram em cima do Boca Juniors, em pleno estádio La Bombonera, e contra o poderoso Milan, dando ao Santos o bicampeonato mundial interclubes. A verdade é que nunca houve e muito dificilmente haverá um time como o Santos de Gilmar; Mauro e Calvet; Dalmo, Zito e Lima; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.
Os anos de ouro do Santos tiveram três gerações de craques com o Rei Pelé sendo o grande “maestro” do time. A primeira venceu o campeonato paulista de 1958 com a insuperável marca de 143 gols. Jogavam Manga; Ramiro e Dalmo; Getúlio, Urubatão e Zito; Dorval, Jair, Pagão, Pelé e Pepe. A segunda foi citada no parágrafo anterior. Não tão avassaladora como as duas primeiras gerações, a terceira conquistou o tricampeonato paulista em 1969, com o seguinte time base: Cláudio; Carlos Alberto Torres, Ramos Delgado, Djalma Dias e Rildo;  Clodoaldo e Negreiros; Manuel Maria, Toninho Guerreiro, Pelé e Edu.

sábado, 4 de março de 2017

DADÁ MARAVILHA: NÃO EXISTE GOL FEIO; FEIO É NÃO FAZER GOL


Dario José dos Santos nasceu no Rio de Janeiro, em 04 de março de 1946. O Dadá Maravilha se consagrou como um dos maiores artilheiros do futebol brasileiro e também ganhou fama por suas célebres frases de autopromoção.

Dario Peito de Aço, Dadá Beija-Flor e Rei Dadá são apenas alguns dos muitos apelidos que acompanharam o atacante durante sua carreira. Além dos nomes, Dadá foi um grande “filósofo” do futebol brasileiro. Suas frases certamente estarão para sempre na memória dos torcedores de todo o país: “Não venham com a problemática, que eu tenho a solucionática”; “Só existem três coisas que param no ar: beija-flor, helicóptero e Dadá”; “Depois do Garrincha, Dadá é a maior alegria do povo”; “Eu me preocupo tanto em fazer gols, que não tive tempo de aprender a jogar futebol”; “Garrincha, Pelé e Dadá, têm que ser currículo escolar”; “Com Dadá em campo, não tem placar em branco”; "Não existe gol feio, Feio é não fazer gol"; "Pra fazer gol de cabeça era queixo no peito ou queixo no ombro". São muitos os exemplos das “pérolas” do grande marqueteiro e artilheiro do futebol brasileiro.  

Toda essa irreverência que marcou a passagem de Dario pelos campos esconde um passado de muitas dificuldades no subúrbio carioca de Marechal Hermes. Com cinco anos de idade perdeu sua mãe e, dali em diante, a luta para sua sobrevivência passou a ser diária. As dificuldades acabaram levando o garoto para um caminho desvirtuoso. Dadá chegou a ficar preso na FEBEM e foi lá que conheceu o futebol, somente aos 19 anos de idade. 

O futebol foi o caminho ideal para deixar a vida de necessidades que o acompanhou durante toda sua infância e adolescência. Esse é um dos exemplos que o esporte é um dos caminhos para transformação e inclusão social. Ele tem a capacidade de integrar crianças e jovens na sociedade, transformando suas vidas e reduzindo os preconceitos.

Acervo particular 
Foi no Campo Grande que teve sua primeira oportunidade no futebol profissional. Quem o viu em ação vai sempre lembrar o jogador grandalhão e um pouco desengonçado que dificilmente saía de perto da grande área. Era ali o reino do Dadá. Ele sempre foi muito carismático e incendiava as torcidas dos clubes que jogava.

Além das cabeçadas certeiras, o Dadá também não desperdiçava os gols de canela, de joelho, de costas ou com qualquer outra parte do corpo. Essa era a marca do artilheiro: sem muita técnica ou jogadas geniais, ele encontrava sempre o gol. Participou do grupo campeão do mundo na Copa de 1970, no México.

Acervo particular 
Dario foi o grande nome do Campeonato Brasileiro de 1971. Autor do gol que garantiu o título do Atlético Mineiro em cima do Botafogo, no Maracanã, ainda foi o primeiro artilheiro do Brasileirão, com 15 gols marcados. Repetiu a dose em 1972, com 17 gols, dividindo a artilharia com Pedro Rocha, do São Paulo. Pelo Internacional, além do título do Campeonato Brasileiro de 1976, foi o artilheiro do certame com 16 gols marcados. Pelo Campeonato Pernambucano de 1976, marcou 10 gols na vitória do Sport sobre o Santo Amaro, por 14 x 0.

Marcar gols era definitivamente a especialidade de Dadá.

Números da carreira:
Campo Grande (1967/68) – 15 gols; Atlético-MG (1968/72, 1974 e 1978/79) – 290 jogos e 211 gols; Flamengo (1973/74) – 76 jogos e 36 gols; Sport Recife (1974/75) – 94 gols; Internacional (1976/77) – 28 gols; Ponte Preta (1977/78) – 21 gols; Paysandu (1979) – 17 gols; Náutico (1980) 26 gols; Santa Cruz (1981) – 7 gols; Bahia (1981/82) – 48 gols; Goiás (1983) – 11 gols; Coritiba (1983) – 5 gols; América-MG (1984) – 3 gols; Nacional-AM (1984/85) – 21 gols; XV de Piracicaba (1985) – 3 gols; Douradense-MS (1986) – 7 gols; Seleção Brasileira (1970/76) – 12 jogos e 2 gols, sendo 6 oficiais. 

  



quarta-feira, 1 de março de 2017

PRESENÇA LIBANESA NA REGIÃO NOROESTE FLUMINENSE: SOLICITAÇÃO DE MARCELO DE MARTINO


Entramos no sexto ano de nossa pesquisa. Contamos com o apoio de todos, especialmente daqueles com ascendência libanesa para que continuem nos enviando informações, fotos e documentos sobre suas respectivas famílias. Relatos de outros familiares ou de pessoas que tenham convivido com imigrantes libaneses são registros importantíssimos, preciosos mesmo para nosso projeto.

Portanto, "brimos e brimas" vamos vasculhar gavetas, baús, antigos álbuns de família, cartas e outros tipos de documentos que contenham informações sobre nossos antepassados de origem libanesa e nos ajudar a escrever esta importante página da nossa história.

Foto/Crédito: Mascates Libaneses em 1898- Gassan Charaf Aldin-Grupo Os filhos do Líbano e o oriente, sua cultura e tradições.


Nota do Blog: Marcelo de Martino é graduado em Ciências Sociais e Chefe da Divisão de Patrimônio da Secretaria Municipal de Cultura de Miracema. No entanto, esse projeto é independente e particular.  Contatos para o e-mail demartinomarcelo@hotmail.com