quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

MÃE SE EMOCIONA AO OUVIR O CORAÇÃO DO FILHO BATER EM OUTRA CRIANÇA


Perdas são sempre dolorosas. Quanto a isso, não há a menor dúvida. Porém, a doação de órgãos pode dar à perda de um ente querido um novo sentido. Este gesto de desapego, além de ajudar outras pessoas a continuarem suas vidas, gera um sentimento de conforto inigualável para ambas as famílias.

É como se, ao fazer isso, se permitisse que a pessoa que partiu viva um pouco mais dentro de outra pessoa. Mesmo em meio a uma tragédia, foi o que Heather Clark decidiu fazer. Seu filho, Luke, de apenas sete meses, morreu após abusos do namorado de sua babá.

Ela autorizou a doação de órgãos, e o coração do pequeno salvou a vida de Jordan Drake, um bebê de 18 meses que tinha uma doença cardíaca congênita. Para a mãe de Jordan, foi a possibilidade que a filha teve de viver fora do hospital.

Três anos depois, a Donor Life Arizona, organização que possibilitou o transplante, promoveu o encontro entre Jordan e a mãe de Luke. Ela pôde ouvir os batimentos do coração de seu filho com a ajuda de um estetoscópio, e o encontro emocionou a todos.

Além da cena emocionante, Esther Gonzales, a mãe de Jordan, presenteou Heather com um ursinho de pelúcia que emite o som dos batimentos cardíacos da menina, com o coração que pertenceu a Luke.

Emocionada, Heather declarou: “Algo maravilhoso da doação é que ela me deu a chance de abraçar meu filho novamente”. 

CAMINHAR É MELHOR DO QUE CORRER...


Uma pesquisa da revista "American Heart Association's Journal of Arteriosclerosis, Thrombosis and Vascular Biology" comparou os dados de dois estudos e observou que, para a mesma quantidade de energia gasta, caminhantes receberam mais benefícios da perda de peso e saúde do que os corredores.  Veja os benefícios da caminhada de longa duração.

* Segundo o estudo, a caminhada reduziu o risco de doenças cardíacas em 9,3% enquanto que a corrida reduziu em 4,5%. Caminhar teve um efeito mais potente sobre os fatores de risco de doenças cardíacas do ponto de vista calórico

* Os indivíduos que caminham têm menos riscos de sofrerem lesões do que os indivíduos que correm.

* Os caminhantes não precisam de roupas especiais para se exercitar, podem fazê-lo com qualquer roupa, basta um par de sapatos confortáveis.

* Quem caminha sofre impacto de 1,5 vez o seu peso corporal a cada passo. Quem corre sofre impacto de três vezes o seu peso corporal ao atingir o solo.

* A caminhada ativa os ossos e os músculos, inibindo a perda óssea e lesões musculares prolongadas.

*Andar estimula o cérebro e melhora a atenção, além de exercitar a memória, especialmente se a caminhada for em meio à natureza.

* O suor eliminado por quem caminha é menor do que o suor eliminado por quem corre, por isso, o caminhante não precisa tomar banho imediatamente após o exercício, facilitando para quem quer ir andando para o trabalho, por exemplo.


* O caminhante pode observar o entorno e desfrutar a paisagem enquanto faz seus exercícios. Já o corredor não tem tempo de observar o caminho por onde passa. 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

BLOG ALMANAQUE (1978/1983) - FLAMENGO: DO MARACANÃ PARA O MUNDO

Em cada posição, um craque.  Esta foi a receita que levou o Flamengo a se tornar o melhor time que o Brasil viu jogar na virada dos anos 70. Foram quatro Campeonatos Cariocas (1978, 1979, o Especial de 1979 e 1981), três Brasileiros (1980, 1982 e 1983), uma Libertadores da América (1981) e um Mundial Interclubes (1981).  
A construção do time começou pelas mãos do saudoso técnico Cláudio Coutinho. O rubro-negro contava com Zico, o maior craque brasileiro de então, o zagueirão Rondinelli e o polivalente Júnior.  Depois surgiu Leandro, Andrade, Adílio, Mozer, entre outros, oriundos das divisões de base. Mas o clube não descuidou das contratações. A mais frutífera foi a do atacante Nunes, o “artilheiro das decisões”. Nessa época, o lema “Craque, o Flamengo faz em casa”, era autêntico e formava muitos jogadores.
Das inúmeras vitórias e conquistas vencidas pelo Flamengo, duas marcaram: sobre o violento Cobreloa, do Chile, na decisão da Taça Libertadores (2 a 0); e sobre o Liverpool, da Inglaterra, 3 a 0 na decisão do Mundial Interclubes. O time base: Raul, Leandro, Mozer, Marinho (Figueiredo) e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico.
Voltando um pouco no tempo, o esquadrão que deu o primeiro tricampeonato carioca ao Flamengo (1942/43/44) reunia o que de melhor o futebol brasileiro havia produzido até então.  Na zaga, a técnica de Domingos da Guia; no meio-campo imperava o jogador mais completo antes do surgimento de Pelé, Zizinho; e no ataque havia Leônidas da Silva.
Durante os três anos da campanha, Leônidas e Domingos dariam lugar a Silvio Pirillo e Quirino. Mas nada que pudesse atrapalhar a conquista do tricampeonato. Confira o timaço: Jurandir; Domingos da Guia (Quirino) e Nílton; Biguá, Bria e Jaime; Valido, Zizinho, Leônidas (Pirillo), Perácio e Vevé.  




segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

ARIOSTO: MAIS UM PADUANO NO MUNDO DA BOLA


Antônio Ariosto de Barros Perlingeiro, mais conhecido como Ariosto, nasceu em Santo Antônio de Pádua (RJ), em 13 de maio de 1928. Atacante que defendeu o Botafogo e foi artilheiro do time nos Campeonatos Cariocas de 1950 e 1951, com 12 e 7 gols respectivamente.  

Ariosto teve o privilégio de atuar ao lado de Garrincha em seu primeiro jogo não oficial com a camisa do Botafogo, em 28 de junho de 1953, na vitória de 5 a 1 sobre o Cantagalo.

Abandonou o futebol mais cedo para se dedicar aos estudos. Formou-se em Direito e trabalhou por muitos anos na Procuradoria Geral do Estado do Rio. Possuía uma casa em Aperibé, que já foi distrito de Pádua, local que passava suas férias com a família.

Ariosto faleceu no dia 2 de agosto de 2010, aos 82 anos, em Niterói, onde residiu por muitos anos.  


PARA REFLETIR SOBRE O NOSSO DIA A DIA


Já é noite! Como o tempo passou.

Quando você se levantou pela manhã, eu já havia preparado o sol para aquecer o seu dia e o alimento para a sua nutrição.

Sim, providenciei tudo isso enquanto vigiava e guardava o seu sono, a sua família e a sua casa. Esperei pelo seu "Bom Dia", mas você se esqueceu. Bom, você parecia ter tanta pressa que eu o perdoei. O sol apareceu, as flores deram o seu perfume, a brisa da manhã o acompanhou e você nem pensou que eu é que havia preparado tudo para você.

Seus familiares sorriram, seus colegas o saudaram, você trabalhou, estudou, viajou, realizou negócios, alcançou vitórias, mas... não percebeu que eu estava cooperando com você e mais teria ajudado se você me tivesse dado uma chance... eu sei, você corre tanto... eu o perdoei.

Você leu bastante, ouviu muita coisa, viu mais ainda e não teve tempo de ler ou ouvir a minha palavra.

Eu quis falar, mas você não parou para ouvir.

Eu quis até lhe aconselhar, mas você nem pensou nessa possibilidade. Seus olhos, seus pensamentos, seus lábios, seriam melhores.

O mal seria menor e o bem seria muito maior em sua vida. A chuva que caiu à tarde foram minhas lágrimas por sua ingratidão, mas foi também a minha bênção sobre a terra para que não lhe falte o pão e água.

Você trabalhou, ganhou dinheiro, que não foi mais, porque você não me deixou ajudar.

Mais uma vez, você se esqueceu de "mim”.

Esqueceu que eu desejo sua participação no meu Reino. Com sua vida, seu tempo, seus talentos e seu dinheiro também.

Findou o seu dia. Você voltou para casa. Mandei a Lua e as estrelas tornarem a noite mais bonita para lembrar-lhe do meu "Amor" por você. Certamente agora, você vai dizer um "Obrigado" e "Boa Noite".

Psiu... está me ouvindo? Já dormiu... Que pena! Durma bem. Eu ficarei velando por você.

J E S U S  C R I S T O


domingo, 19 de fevereiro de 2017

BLOG ALMANAQUE (1975/1977) - FLUMINENSE: A MÁQUINA TRICOLOR

A seleção de craques que o Fluminense reuniu durante os anos de 1975 e 1976 foi produto da pretensão de seu presidente Francisco Horta em montar uma verdadeira máquina de títulos.  No dia seguinte à sua posse, Horta contratou Rivelino. Em seguida vieram Toninho Baiano, Marco Antônio, Pintinho, Manfrini, Gil e Paulo César Caju, entre outros. O “presidente eterno” estremeceu o futebol carioca efetuando trocas de jogadores com os três principais rivais domésticos. O time garantiu o Campeonato Carioca.
No ano seguinte, mais peças para reforçar o time: o goleiro Renato, o tricampeão Carlos Alberto Torres, Edinho, Doval e Dirceu.  Mais um Campeonato Carioca e mais resultados inesquecíveis: 3 a 0 no Vasco e 5 a 1 no Botafogo. O Fluminense ainda teve fôlego, no ano seguinte, para conquistar o Troféu Tereza Herrera (Espanha) e o Torneio de Nice (França). No brasileirão de 1976 por muito pouco não chegou ao título. Foi eliminado pelo Corinthians, em pleno Maracanã, no fatídico jogo da invasão da torcida paulista.
No entanto, a Máquina se mostrava muito cara para ser sustentada. A saída de Rivelino marcou o fim de um dos melhores esquadrões que vestiu a camisa tricolor. Ficaram na história Renato, Carlos Alberto Torres, Miguel, Rodrigues Neto, Pintinho, Gil, Doval, Rivelino, Paulo César Caju e Dirceu, entre outros.  
Bem antes da gastança promovida por Francisco Horta, o clube já havia investido pesado. Foi em meados da década de 30, quando contratou os paulistas Batatais, Hércules, Tim e Romeu Pellicciari. Os resultados foram imediatos: o tricampeonato entre 1936 e 1938 e o bi de 1940 e 1941. Confira o time base: Batatais; Moisés e Machado; Santamaria, Brandt e Orozimbo; Orlandinho, Russo, Romeu Pellicciari, Tim e Hércules. Esse trio final foi fantástico na linha de frente do Tricolor. Não posso deixar de fazer uma menção mais do que honrosa ao time tricampeão carioca de 1983 a 1985, e do título brasileiro de 1984.




sábado, 18 de fevereiro de 2017

BLOG HISTÓRIA (1981): O PAÍS ENGASGA


Com a anistia e a abertura política, uma era de prosperidade e democracia aguardava o Brasil na nova década. Certo? Errado. Havia uma bomba no caminho da abertura. Essa bomba explodiu na véspera de 1º de maio, no Riocentro, dentro do carro de dois militares.  

Foi o ápice de uma escalada terrorista de extrema direita iniciada com os atentados contra bancas de jornal que vendiam publicações de esquerda.  Um IPM (Inquérito Policial Militar) acobertou as investigações. Golbery do Couto e Silva, o arquiteto da abertura, deixou o poder um mês após pedir ao presidente Figueiredo o desmantelamento do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna), órgão subordinado ao Exército, de inteligência e repressão do governo brasileiro durante o regime inaugurado com o golpe militar de 1964.

Ano torto, esse: começa a recessão, o desemprego e a condenação de Lula por “incitamento à greve”. Enfartado, Figueiredo viu sua saúde e seu governo engasgarem ao lado do país. O processo de abertura, contudo, resistiu. 

"Se foi coisa do lado de lá, não poderia ser mais inteligente. Se foi coisa do nosso lado, não poderia haver burrice maior". João Figueiredo, três dias depois da explosão das bombas do Riocentro. 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

QUAL O MODELO DE SUCESSO DA NOSSA GERAÇÃO? POR RUTH MANUS


O cenário é mais ou menos esse: amigo formado em comércio exterior que resolveu largar tudo para trabalhar num hostel (albergue) em Morro de São Paulo, amigo com cargo fantástico em empresa multinacional que resolveu pedir as contas porque descobriu que só quer fazer hambúrguer, amiga advogada que jogou escritório, carrão e namoro longo pro alto para voltar a ser estudante, solteira e andar de metrô fora do Brasil, amiga executiva de um grande grupo de empresas que ficou radiante por ser mandada embora dizendo “finalmente vou aprender a surfar”.

Você pode me dizer “ah, mas quero ver quanto tempo eles vão aguentar sem ganhar bem, sem pedir dinheiro para os pais.”. Nada disso. A onda é outra. Venderam o carro, dividem apartamento com mais 3 amigos, abriram mão dos luxos, não ligam de viver com dinheiro contadinho. O que eles não podiam mais aguentar era a infelicidade.


Engraçado pensar que o modelo de sucesso da geração dos nossos avós era uma família bem estruturada. Um bom casamento, filhos bem criados, comida na mesa, lençóis limpinhos. Ainda não havia tanta guerra de ego no trabalho, tantas metas inatingíveis de dinheiro. Pessoa bem sucedida era aquela que tinha uma família que deu certo.

E assim nossos avós criaram os nossos pais: esperando que eles cumprissem essa grande meta de sucesso, que era formar uma família sólida. E claro, deu tudo errado. Nossos pais são a geração do divórcio, das famílias reconstruídas (que são lindas, como a minha, mas que não são nada do que nossos avós esperavam). O modelo de sucesso dos nossos avós não coube na vida dos nossos pais. E todo mundo ficou frustrado.

Então nossos pais encontraram outro modelo de sucesso: a carreira. Trabalharam duro, estudaram, abriram negócios, prestaram concurso, suaram a camisa. Deram-nos o melhor que puderam. Consideram-se mais ou menos bem sucedidos por isso: há uma carreira sólida? Há imóveis quitados? Há aplicações no banco? Há reconhecimento no meio de trabalho? Pessoa bem sucedida é aquela que deu certo na carreira.

E assim nossos pais nos criaram: dando-nos todos os instrumentos para a nossa formação, para garantir que alcancemos o sucesso profissional. Ensinaram-nos a estudar, investir, planejar. Deram todas as ferramentas de estudo e nós obedecemos. Estudamos, passamos nos processos seletivos, ocupamos cargos. E agora? O que está acontecendo? Uma crise nervosa. Executivos que acham que seriam mais felizes se fossem tenistas. Tenistas que acham que seriam mais felizes se fossem bartenders. Bartenders que acham que seriam mais felizes se fossem professores de futevôlei.

Percebemos que o sucesso profissional não nos garante a sensação de missão cumprida. Nem sabemos se queremos sentir que a missão está cumprida. Nem sabemos qual é a missão. Nem sabemos se temos uma missão. Quem somos nós? Nós valorizamos o amor e a família. Mas já estamos tranquilos quanto a isso. Se casar tudo bem, se separar tudo bem, se decidir não ter filhos tudo bem. O que importa é ser feliz. Nossos pais já quebraram essa para a gente, já romperam com essa imposição. Será que agora nós temos que romper com a imposição da carreira?

Não está na hora de aceitarmos que, se alguém quiser ser CEO de multinacional tudo bem, se quiser trabalhar num café tudo bem, se quiser ser professor de matemática tudo bem, se quiser ser um eterno estudante tudo bem, se quiser fazer brigadeiro para festas Tudo bem!

Afinal, qual o modelo de sucesso da nossa geração? Será que vamos continuar nos iludindo achando que nossa geração também consegue medir sucesso por conta bancária? Ou o sucesso, para nós, está naquela pessoa de rosto corado e de escolhas felizes? Será que sucesso é ter dinheiro sobrando e tempo faltando ou dinheiro curto e cerveja gelada? Apartamento fantástico e colesterol alto ou casinha alugada e horta na janela? Sucesso é filho voltando de transporte escolar da melhor escola da cidade ou é filho que você busca na escolinha do bairro e para para tomar um sorvete com ele na padaria?

Parece-me que precisamos aceitar que nosso modelo de sucesso é outro. Talvez uma geração carpe diem. Uma geração de hippies urbanos. Caso contrário não teríamos tanta inveja oculta dos amigos loucos que “jogaram diploma e carreira no lixo”.

Talvez, mera hipótese, os loucos sejamos nós, que jogamos tanto tempo, tanta saúde e tanta vida, todo santo dia, na lata de lixo.

Ruth Manus é advogada, professora universitária, blogueira e escritora. 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

SAUDADES DE ZICO E ROBERTO...


No último domingo aqueles incidentes deploráveis no clássico carioca entre Botafogo e Flamengo, que resultou na morte de um torcedor botafoguense e outros feridos, entristeceram todas as pessoas de bem que gostam do esporte. A seguir, transcrevo um texto que escrevi exatamente um ano atrás, para o Blog Miracema, do amigo José Souto Tostes. Fiz o comentário baseado nos fatos ocorridos no jogo entre Vasco e Flamengo, pelo Campeonato Carioca de 2016. Pode-se constatar que os problemas continuam e parecem não ter fim.

É muito triste e lamentável a crise técnica e moral pela qual passa o nosso futebol, com jogadores sem a mínima condição de vestir e representar as camisas de um Vasco e Flamengo. Depois de ver um 2º tempo magnífico de Manchester City x Tottenham, pelo campeonato inglês, vem a "sofrência" de um clássico carioca com um nível técnico que não consigo encontrar palavras para adjetivar.

Fui obrigado a trocar de canal e assistir o que ainda podemos chamar de futebol bem jogado, o praticado pelo Barcelona. Sobre o jogo ser em São Januário, nada contra, pois é um direito do mandante jogar em seu campo, o que acontece em todos os campeonatos do mundo. O problema não é o estádio, são os marginais infiltrados nas organizadas, de todos os clubes, sem exceção, que não gostam do esporte e saem de casa com o único propósito de arrumar confusão. O jogo em si, é apenas um detalhe, o mais importante é ganhar no braço.

Verdade seja dita: apesar de reconhecer a boa administração do presidente do Flamengo, na semana que antecedeu o jogo ele foi muito infeliz em algumas declarações, que indiretamente incitou o torcedor, e parecia estar torcendo que algo mais grave ocorresse para fechar de vez a casa do seu rival. Sobre o mandatário do Vasco, tudo que ele fala e faz, é deplorável e nada se aproveita. Pobre futebol brasileiro!


Nota do blog: Paradoxalmente ao que foi dito acima sobre o Barcelona, ontem, dia 14, o time espanhol levou um passeio no confronto pela Champions contra a equipe francesa do Paris Saint-Germain. rsss

SAQUE DO FGTS VAI DE 10 DE MARÇO A 31 DE JULHO; CAIXA ESTENDE HORÁRIOS DE ATENDIMENTO


O saque das contas inativas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) deve ser feito de 10 de março até 31 de julho. Para evitar que muita gente vá ao mesmo tempo nas agências da Caixa Econômica Federal, foi definida uma ordem para os saques, de acordo com o mês de aniversário do trabalhador:

De 10 de março a 9 de abril: pode sacar quem nasceu em janeiro e fevereiro;
De 10 de abril a 11 de maio: pode sacar quem nasceu em março, abril e maio;
De 12 de maio a 15 de junho: pode sacar quem nasceu em junho, julho e agosto;
De 16 de junho a 13 de julho: pode sacar quem nasceu em setembro, outubro e novembro;
De 14 a 31 de julho: pode sacar quem nasceu em dezembro.

O calendário foi divulgado oficialmente nesta terça-feira (14) pelo governo federal.


Alerta: 31 de julho é o limite

Quem perdeu o prazo determinado, ainda poderá sacar os recursos até o dia 31 de julho de 2017. Por exemplo: se o trabalhador nascido em janeiro não sacar o dinheiro até 9 de abril, ele ainda pode fazer o saque até 31 de julho. 

A Caixa alerta que, após 31 de julho, o trabalhador que não recebeu o valor das contas inativas do FGTS só vai poder sacar esse dinheiro seguindo as regras antigas: ao se aposentar ou se for comprar a casa própria, por exemplo.

Agências da Caixa vão estender horário

Para reforçar o atendimento, algumas agências da Caixa vão abrir das 9h às 15h, nos seguintes sábados: 18 de fevereiro, 11 de março, 13 de maio, 17 de junho e 15 de julho. As agências também abrirão duas horas mais cedo desta quarta-feira (15) até sexta-feira (17).

Para saber quais agências terão horário especial de funcionamento, consulte o site da caixa: http://zip.net/bwtDmy (link encurtado e seguro).

Outros canais de atendimento

A Caixa criou um site e um serviço telefônico para tratar apenas das contas inativas do FGTS:


0800-726-2017

Os beneficiários também podem acessar o aplicativo FGTS para saber se têm saldo em contas inativas. 

Fonte Agência Brasil








terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

BLOG ALMANAQUE (1961/1964) - BOTAFOGO: O GLORIOSO BASE DA SELEÇÃO


Na fase mais gloriosa do futebol brasileiro, o Santos de Pelé só tinha um adversário à altura: o Botafogo de Garrincha. E era um timaço! Tanto que foi a base da seleção bicampeã do mundo no Chile com cinco jogadores em campo: Nílton Santos, Didi, Amarildo, Zagalo e Garrincha.  
Craques que fizeram do Glorioso bicampeão carioca em 1961 e 1962 e campeão do Torneio Rio-São Paulo nos anos de 1962 e 1964. No exterior, não era diferente. O time venceu torneios na Europa e nas Américas do Sul e do Norte.  
Mas a história vitoriosa do esquadrão alvinegro começou com a firme determinação de torcedores históricos como o jornalista e técnico João Saldanha, para quem o Botafogo precisava de grandes craques. Eles vieram e com eles as maiores glórias que o clube já conquistou. Quem, afinal, enfrentaria tranquilo um time com Manga; Joel, Zé Maria, Nílton Santos e Rildo; Aírton e Didi; Garrincha, Quarentinha, Amarildo e Zagalo?
Os gênios alvinegros mal haviam deixado os gramados e uma nova geração de craques já assumia seus postos para garantir ao Botafogo mais glórias.  Surgiram Gérson, Jairzinho e Paulo César Lima. Com eles o Glorioso conquistou novamente o Torneiro Rio-São Paulo (1966), o bicampeonato carioca (1967/68) e a cobiçada Taça Brasil (1968). O time base era Manga; Moreira, Zé Carlos, Leônidas e Valtencir; Carlos Roberto e Gérson; Rogério, Roberto Miranda, Jairzinho e Paulo César.

BRASIL JÁ TESTA CARROS ABASTECIDOS COM ESGOTO: CONHEÇA A TECNOLOGIA


No segundo filme da franquia "De Volta para o Futuro" (1989), Doutor Brown abastece o De Lorean usado para viajar no tempo com lixo doméstico (casca de banana, cerveja e a lata em si...), por meio de um dispositivo instalado no próprio veículo, chamado de "Senhor Fusão". Na trama, o cientista havia trazido o equipamento para converter dejetos em combustível diretamente do futuro: naquele caso, de 2015.

Pois a ficção antecipou a realidade: agora, em 2017, ainda não dá para colocar uma casca de banana no tanque e sair rodando, mas já existe tecnologia no Brasil para gerar combustível automotivo de gases de esgoto, do lixo, de restos de alimentos, resíduos da agricultura e até de titica de galinha. Trata-se do biometano, versão refinada do biogás, que é extraído de matéria orgânica em decomposição por meio de equipamentos chamados de biodigestores.

O biometano pode abastecer qualquer veículo com kit de GNV, que você já conhece. Mas, diferentemente do gás natural veicular, que tem origem fóssil como a gasolina e o diesel, o biometano é 100% renovável.

De acordo com o CIBiogás (Centro Internacional de Energias Renováveis/Biogás), o biometano pode reduzir em até 90% as emissões de poluentes na comparação com a gasolina. Seu uso previne ainda o lançamento de metano na atmosfera, um dos vilões do aquecimento global (o outro é o CO2). O abastecimento do biometano em automóveis já tem uma regulamentação geral elaborada pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) desde fevereiro de 2015. Mesmo assim, ainda não é oferecido nos postos de combustível no país.

Por enquanto, apenas o biogás -- utilizado para geração de energia térmica e elétrica -- já é uma realidade, mas que também tem muito a crescer no Brasil. Esse combustível sustentável já está em testes em indústrias e empresas e vai chegar ao mercado em breve. A Sulgás (Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul), por exemplo, anunciou em janeiro que lançará, durante os próximos meses, uma chamada pública para aquisição de até 200 mil metros cúbicos por dia de biometano, que será comercializado.

Enquanto isso, algumas empresas do Brasil já trabalham para produzir biometano e abastecer parte dos seus automóveis. Uma delas é a Sabesp (Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo), e outra, o complexo hidrelétrico Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu (PR).

A Sabesp será a primeira do país a produzir biometano exclusivamente a partir do lodo que resulta do tratamento de esgoto, na unidade de Franca, no interior paulista. A produção começa em meados deste ano e conta com parceria do Instituto Fraunhofer, da Alemanha, que cedeu o equipamento necessário para converter o biogás resultante do esgoto em biometano. Essa tecnologia remove impurezas do biogás para aumentar a concentração do metano para acima de 96%, atendendo às especificações da ANP para uso veicular.

BOL Notícias

Nota do blog: mer... é o que não falta por aqui. 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

ENTREVISTA COM O TREPIDANTE DENI MENEZES, UM DOS GRANDES NOMES DO RÁDIO ESPORTIVO BRASILEIRO


Nota: gostaria de agradecer ao Deni pela atenção e gentileza desde o primeiro contato, quando solicitei uma entrevista para o blog. Foi mais do que solícito e isso só reforçou a minha grande admiração pelo profissional que acompanho desde o final dos anos 70, na época pelas ondas da Rádio Nacional, com a sua participação nos programas diários – No Mundo da Bola, era um deles – e nas transmissões esportivas como um dos “trepidantes”, que o transformou no melhor repórter esportivo do rádio brasileiro.

Posso dizer, Deni, que você é manauara de nascimento e Fluminense (carioca) de coração? Rsss
- Pode. Nasci em Manaus em 14/9/1939 e cheguei ao Rio em 23/1/1958. Em 2018 completarei 60 anos na Cidade Maravilhosa, mas nunca deixei de manter contato com Manaus. Já não são muitos, mas ainda tenho bons amigos na terrinha querida e sempre lembrada. Um deles é Josué Filho, diretor-geral da Rádio Difusora, meu compadre e amigo muito querido.

No seu tempo de juventude na capital amazonense, as transmissões esportivas chegavam através das emissoras do Rio e São Paulo? Quem era o seu ídolo no rádio?   
- Ouvia muito a Rádio Nacional, com Jorge Curi e Antonio Cordeiro. As transmissões de SP eram da Pan-Americana, hoje Jovem Pan, com Pedro Luis, o grande narrador dos anos 50 e 60 do rádio paulista. Edson Leite, de estilo mais lento de narrar para os padrões paulistas, também era bom na Rádio Bandeirantes. Dos que convivi e fiz algumas viagens com a seleção pela Europa, Fiori Giglioti, da Bandeirantes.

A paixão pelo rádio começou ainda criança?
- Aos 14 anos, ouvindo os jogos do Fluminense no torneio de Montevidéu, sempre à noite. Faltava energia na hora em que mais se precisava e eu ia à casa de um amigo que ligava o rádio à bateria do carro e aí não havia mais problema. Ouvi também a Copa de 54 na Suíça e quando o Brasil foi eliminado (4 x 2, em 27/6, no estádio Wankdorf, em Berna), disse a mim mesmo: um dia vou fazer uma Copa. Deus me ajudou muito: fiz oito consecutivas, de 70 a 98. 

Quando chegou ao Rio, no final dos anos 50, depois de já ter trabalhado em rádios no Amazonas, foi com o firme propósito de trabalhar no meio radiofônico e esportivo?
- Vim para o Rio atraído pelo futebol e para conhecer o Maracanã. Na Rio Mar, a rádio em que eu trabalhava no oitavo andar do edifício do Iapetec - construído pelo presidente do Flamengo, Hilton Gonçalves dos Santos, em 1954 -, que também era residencial, morava um amigo, Estácio das Neves, de uma família muito rica. Ele vinha de avião ao Rio na sexta e voltava na segunda, só para ver o Vasco nos grandes clássicos. Ele me estimulou muito a vir e eu, no início de 58, decidi.
Na Rio Mar, conheci André Rosito, locutor paulista, que era da Rádio Mundial, no antigo edifício Cineac Trianon, no Centro do Rio. Vendo meu empenho no trabalho, ele disse que o procurasse se um dia viesse ao Rio porque tentaria me ajudar. Certo final de tarde, saímos a pé a Rio Branco toda e entramos na Mairink Veiga, onde conheci Oduvaldo Cozzi, um dos grandes narradores da época. Não havia vaga. 
Fomos à Nacional, bem perto, no edifício de A Noite, e lá o Rosito me apresentou a Heron Domíngues, locutor do Repórter Esso, noticioso como não houve igual no rádio. Quando havia uma notícia realmente importante, as pessoas perguntavam: Você ouviu no Repórter Esso. E só então acreditavam.
O Heron nos levou ao Antonio Cordeiro, que apresentava No Mundo da Bola, das 19h 15m às 19h30m, quando começava a Voz do Brasil, com apenas 30 minutos de duração. Dividi várias vezes a apresentação do programa com o Antonio Cordeiro, baita profissional.
Entrei na Nacional dia 1/4/58 e até novembro recebia 5 mil cruzeiros de cachê. Em novembro, minha primeira carteira profissional foi assinada. Passei a ganhar 8 mil cruzeiros. Um refrigerante de garrafa custava 40 centavos e o almoço, na pensão da Rua Dom Gerardo - bife, arroz, feijão, ovos fritos e farofa - 5 cruzeiros. 

São quase 40 anos de profissão dentro das Rádios Nacional e Globo, duas das maiores emissoras do nosso país. Tinha alguma diferença da maneira de exercer o seu trabalho de uma para outra?
- Ambas eram muito sérias. Só me permita dizer: quando fui ao Rosito, mostrei uma carta que trouxe de Manaus para Plínio Gesta, discotecário da Rádio Globo. O Rosito me disse apenas: Guarda. Não quero que você comece por baixo, garoto. Vou te levar à Mairink e à Nacional.

O que é para você a objetividade da notícia?
- Heron Domingues fez o decálogo do radio jornalista e o afixou na parede da sala do jornalismo da Nacional, no vigésimo andar. O item 1 superou todos os outros nove e dele nunca mais esqueci: "Informe primeiro, mas primeiro informe certo". No item 2, Heron recomendava: "Ao dar a notícia, diga logo: quando, como, onde e por que. O resto é conversa fiada".

Qual foi a partida ou acontecimento que mais te marcou no meio esportivo?
- Muitos jogos e acontecimentos marcantes: não esqueço da maior vaia da história do Maracanã e até o dia nunca mais esqueci: 13 de maio de 1959. Amistoso, Brasil 2 x 0 Inglaterra. Primeiro jogo da seleção no Brasil, quase um ano depois do 29/6/58, quando ganhou a Copa pela primeira vez. Vitório Gutemberg, que criou "A Suderj informa"... fez uma pausa antes e disse: número 7... Julinho. A vaia se prolongou e quase ele não conseguia anunciar o restante da seleção. Claro, todo mundo queria ver o Garrincha, não o Julio Botelho, que havia saído da Portuguesa de Desportos para o Palmeiras. Resumo: Julinho entrou vaiado, muito vaiado mesmo. Logo no início do jogo, ele - era um ponta notável, maravilhoso - fez fila. Driblou quatro ingleses e deu com açúcar para o Henrique Frade, do Flamengo, fazer 1 x 0. E o próprio Julinho marcou o segundo gol. Os torcedores da arquibancada se levantaram para aplaudi-lo, o que me fez citar na transmissão da Nacional, trecho de uma das poesias do maranhense Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac. Olavo Bilac disse: "A mão que afaga é a mesma que apedreja".
Marcante e inesquecível foi ter visto Pelé!!! Garrincha!!! Nilton Santos!!! Didi!!! Castilho!!!  Hoje, quando me perguntam: o Pelé jogaria no futebol de hoje? Sempre respondo: Claro que não. Teria vergonha. 

O que você pensa sobre os jornalistas que muitas vezes escondem o time de coração, de certa forma, até com receio do relacionamento com as outras torcidas?
- Coisa do passado. Hoje a maioria escancara. Eu, por exemplo, nunca escondi: sou Tricolor porque Castilho, Píndaro e Pinheiro, e o Telê, que até ser técnico era só Telê, sem o Santana, me ensinaram a ser Tricolor. Na noite em que entrei no vestiário do Maracanã pela primeira vez e vi o Castilho de perto, tremi. Um goleirão!
Pinheiro ficou meu amigo. O time treinava sexta de manhã e ia para a concentração. Ele me dava a chave do apartamento dele no edifício Sultana, na Rua Senador Vergueiro 98, no Flamengo, e eu devolvia domingo no Maracanã.  Conheci e me tornei amigo também de outros "monstros" tipo Barbosa, Danilo, Zizinho, Ademir, Jair. Uma geração de ouro, injustiçada na perda da Copa de 50. Eu ligava para a casa do Nilton Santos e ele me atendia. Hoje se você quiser falar com o Negueba e outros medíocres, tem que passar por quatro, cinco assessores...

Como um repórter que sempre teve acesso aos treinos e vestiários após os jogos, você é a favor do modelo adotado pelos clubes a respeito da coletiva de imprensa?
- Entrevista coletiva não existe. Sou do tempo em que o jogador atendia, após o treino e o jogo, o tempo que você quisesse e, depois de fazer ao vivo, ainda gravava para o dia seguinte, atualizado: "No jogo de ontem..."
O Santos, quando vinha jogar no Maracanã, nos anos 60, com aquele "timeco" que tinha Gilmar, Zito, Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, o vestiário ficava aberto, antes e depois dos jogos, para entrevistas. Faltando meia hora para o jogo começar, o Lula - técnico - pedia "por gentileza" que saíssemos porque estava na hora do aquecimento. A diferença da palavra assessor, escrita no Brasil, para a que se escreve em Portugal - acessor - é porque lá se dá ao acessor, acesso. Aqui, o assessor dificulta o acesso.

O que deixa você mais irritado no mundo que vivemos atualmente?
- Os ladrões com foro privilegiado para roubar o dinheiro do povo que os elege. Cadeia especial, para quem tem curso superior, é outra imoralidade. Tem que criar mais vagas para pôr essa pilantragem na cadeia. O que fazem com os nordestinos, que não têm água, também deveria ser motivo para "trancar" esses pilantras. 

O legado esportivo da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos foi um tiro no pé dos brasileiros?
- Pode até ter sido, mas a mim não surpreendeu. Tenho 77 anos e desde antes dos 10, quando meu pai recebia os amigos em casa, a seca do Nordeste já era tema. Aqui nada mais surpreende. Quando surge a "Lava Jato", os pilantras de Brasília - tipo Renan e Sarney - querem acabar porque vão perder a chance de continuar roubando. Cana neles.

Qual o seu sentimento com relação ao que fizeram com o Maracanã?
- De muita dor interior. O que fizeram com o Maracanã é de estraçalhar o coração. 

Um time inesquecível?
- O primeiro do Fluminense que vi ser campeão carioca em 1959, um ano depois de chegar ao Rio: Castilho, Jair Marinho e Pinheiro; Edmilson, Clóvis e Altair; Maurinho, Paulinho, Waldo, Telê e Escurinho. Mas o do bi, no tri de 83-84-85, com os dois gols do Assis no Fla-Flu de 83 e 84, também me encantou. Quando o Assis entrou no vestiário, após a final de 84, eu já estava lá e anunciei: está chegando o carrasco do Flamengo. Nunca reivindiquei, mas o termo CARRASCO foi criado por mim, então na Rádio Nacional.

Depois de Pelé...
- Nenhum outro casal conseguiu repetir a fórmula do seu Dondinho e da dona Celeste... A fábrica fechou. 
Pelé tem até gol que nunca marcou que é comentado. Hoje, quase 50 anos depois que ele parou, ainda dizem: fulano tentou o gol que o Pelé não fez. O drible no Mazurkiewicz - goleiro uruguaio - e a defesa do inglês Gordon Banks depois da cabeçada são irreais, coisas de filme de ficção.
Já tentaram estabelecer comparação com Puskas,Di Stéfano, Cruyff, Maradona... Junta todos e inclui o Messi, que talvez, na soma, dê meio Pelé... 

Escale o seu time dos sonhos...
- Difícil. O do Fluminense de 59, o do bi do Botafogo 61-62, o do outro bi do Botafogo 67-68, o do Flamengo campeão do mundo de 81, que cobri no Japão, nos 3 x 0 no Liverpool. A seleção de 58-62, a seleção de 70 e a seleção de 82. É difícil não sonhar com tantas equipes que me encantaram.

Miracema, meu caro Deni, é a terra dos irmãos Aymoré, Airton e Zezé Moreira, três personalidades do futebol brasileiro. Acredito que você tenha tido mais contato com o Aymoré e o Zezé. O que pode nos falar sobre eles?
- Sim, sei que Miracema é a terra dos irmãos Moreira. Tive mais tempo de contato com Zezé. Com Aymoré, só quando cobria os jogos da seleção, depois que ele substituiu o Feola, campeão em 58. Do Airton tenho uma foto, em Montevidéu, 1967, quando ele, com o Cruzeiro na Libertadores, e Aymoré, com a seleção na Copa Rio Branco que o Brasil ganhou no estádio Centenário, estavam no mesmo hotel, o Victoria Plaza, na Plaza Victoria. Airton era um pouco menos introvertido que Zezé, o mais fechado dos três. Aymoré era muito expansivo. Os colegas mais velhos o chamavam de seu biscoito, devido aos biscoitos Aymoré, que eram deliciosos. 
Zezé me atendeu várias vezes, domingo de manhã, na concentração do Fluminense, na Rua das Laranjeiras, onde eu ia gravar Firestone nos Esportes, dois flashes que entravam na programação matinal, falando sobre o jogo principal da tarde, dentro do programa Paulo Gracindo, que lotava o auditório da Praça Mauá. Ele me atendia bem, mas tive que descobrir o certo para chegar para gravar com ele. Quem me deu a dica foi o Pinheiro: "Olha, não vem de 10 às 11, que seu Zezé está ouvindo no radinho as informações sobre as corridas da tarde no Jóquei".  Ele gostava de apostar nos cavalinhos... Fui também amigo do Wilson Moreira, filho do Zezé, atacante que jogou no Vasco e foi dirigido pelo próprio pai.
O Zezé era muito sério e competente, dos técnicos mais capazes que conheci. O primeiro que vi de paletó e gravata na boca do túnel do Maracanã. Nilton Santos me falou algumas vezes muito bem do Zezé Moreira, que o dirigiu no primeiro título, em 1948, no Botafogo: "Com seu Zezé não tinha meu pé me dói, não. Ele sabia exigir e se impor. Ai de quem não cumprisse". Zezé me deu a alegria do título de 1959, o primeiro do Fluminense que acompanhei no Rio. Ele já havia sido campeão de 1951, mas eu ainda não vivia aqui. A Taça Rio de 1952 - sem derrota - foi outra grande conquista dele no clube. Jairzinho também me falou muito bem do Zezé. Ele comandou o Cruzeiro, campeão da Libertadores 75, e na final do Mundial de clubes, 76, com o Bayern. Na neve, em Munique, 2 x 0 Bayern. No Mineirão, 0 x 0, com o Sepp Maier - goleiraço - fazendo defesas inacreditáveis.

Que conselho você daria a alguém que acaba de sair da faculdade e quer se introduzir na profissão?
- Que procure ter aulas práticas e se apoie em boas orientações, sobretudo dos mais experientes. Jornalismo é vocação e observo que hoje boa parte dos que querem ser profissionais, seja em que área for, apenas o fazem por achar que é bonito aparecer na televisão ou falar no rádio.

Como surgiu a expressão “Trepidante”?  
- Foi um termo criado pelo Celso Garcia, narrador da Globo, no meu tempo de repórter. O repórter tinha acesso a tudo, inclusive à sala de arrecadação do Maracanã. Eu ia ao vestiário do árbitro, eu ia à entrada do vestiário quando o time chegava ao estádio, eu acompanhava o aquecimento, ao lado do vestiário, eu ia ao estacionamento entrevistar figuras relevantes que chegavam, ia à sala de arrecadação checar a expectativa de renda e público. Como chamava o narrador de diversos lugares, o Celso Garcia criou: fala, trepidante.
Nessa época, tudo era importante para o ouvinte. Muitos que iam de arquibancada levavam radinho e apostavam em tudo. Que time ia entrar primeiro em campo; de que lado o time ia jogar; que time daria a saída; e até os números de7 a 11 eram apostados sobre quem faria o primeiro gol. Apostavam na renda e no público também. Tanto que o Waldir Amaral me dizia: chama assim que sair a renda. Eu passei a substituir "Alô, Waldir" pelo "Renda!!!" . Tinha que dar pausado e repetir.  Justino Soares, coordenador financeiro da Federação, entrava comigo na sexta-feira para dar um panorama da venda antecipada e da provável renda/público.

Muito obrigado pela entrevista e faça suas considerações finais. 
- Tive um grande amigo em Santo Antonio de Pádua, seu Jaime Simão, botafoguense, comerciante de tecidos em São Cristóvão. Ele me chamou muitas vezes para cavalgar com ele em Pádua, mas não havia tempo. Talvez se tivesse ido, tivesse também conhecido Miracema, que é perto e faz parte do noroeste do estado. Ele era dono da J.Simão Tecidos e patrocinava um programa que eu apresentava domingo à noite na Globo. Pelo menos uma vez por semana ele me chamava para almoçar na Saara. Foi um botafoguense dos bons. Tinha uma cobertura no mesmo prédio na Tijuca em que comprei meu segundo apartamento, mas nunca morei.

Gostaria de contar uma breve história para os leitores do blog: Em 1964 - de 10 de maio a 13 de junho - fiz uma volta ao mundo com o Madureira, indicado por Telê Santana, que, em final de carreira, jogava no clube. Eu escrevia cartas para o Telê e ele me respondia, quando eu ainda morava em Manaus. Fizemos amizade.
Ele tinha uma sorveteria, a Telê Sorvex, na Rua Guaporé, em Brás de Pina, bairro da zona norte. E me disse: "Vem aí uma viagem longa e eu não posso ir", mas você - a menos que não queira ou não possa - já está convidado para ser o jornalista da delegação. Na época, por lei do Conselho Nacional de Desportos (CND), o clube era obrigado a levar jornalista na delegação. Eu só estava na Rádio Nacional e o diretor-geral da emissora era supercomuna, Hemílcio Froes. Quando ele soube que o time ia jogar na China, logo me liberou.
Fiz a cobertura - na época era telegrama e nem se pensava em telex - para O Globo, indicado pelo colega Roberto Garófalo. Na volta da viagem, com as matérias que mandei, o editor Ricardo Serran perguntou se eu queria entrar para o quadro de repórteres do jornal. Claro que sim. Um ano depois, Waldir Amaral me chamou para trabalhar com ele. A rádio era no quarto andar e a redação do Esporte do jornal, no segundo andar. Subia e descia de escada.
Fiquei de 1964 a 1976, quando voltei dos Jogos Olímpicos do Canadá, trabalhando em O Globo e aprendendo ainda mais com quem sabia: Argeu Affonso, até hoje presidente do júri do Estandarte de Ouro, Julio De Lamare - nome do parque aquático -, jornalista que sabia tudo de natação e dos demais esportes aquáticos, Jorge Leal, que cobria o Flamengo, e Carlos Alberto Pinheiro, que depois foi assessor o presidente Havelange ainda na CBD.Na época, as resenhas de rádio eram escritas, com cópia com papel carbono (lembra?), e certa vez o redator da resenha da rádio não foi, o Celso Garcia me pediu para escrever e, quando acabei, ele mostrou ao Waldir. Não havia sequer uma rasura na redação. 
Fui o primeiro jornalista esportivo das Américas a entrar na República Popular da China, na época de repressão do Mao-tse-Tung e quando nove chineses estavam presos no Rio pelo governo militar instaurado em 31 de março de 64. Jogamos, sem problema, em Cantão, Pequim e Shangai. Fomos muito bem tratados. Conheci a famosa Muralha da China. 
Antes, em Hong Kong, onde ficamos 15 dias, conheci a montanha onde foi feito o filme Suplício de uma saudade, sucesso dos cinemas nos anos 50/60. Na mesma viagem, na Europa, conheci o estádio do Torino, de onde se podia ver a colina de Superga, onde o avião que trazia o time de volta da Inglaterra, em 49, se espatifou e não se salvou ninguém. Uma viagem realmente sensacional! 
A partir d Copa de 70, fui correspondente no Brasil do ESTO, principal jornal esportivo do México. Durante a mesma Copa, por meu intermédio, João Saldanha escreveu coluna diária no ESTO e ganhou 10 mil dólares. Era a mesma coluna que ele escrevia para O Globo. Na velha máquina de escrever, ele fazia a coluna com papel carbono e eu traduzia. Depois do ESTO, também escrevi para El Heraldo e Excelsior, que é O Globo de lá. Um jornal completo. 

Desculpa aí por te tomar tanto tempo. Abraços e saudações tricolores. DM

Nota do blog: Recomendo aos amigos e leitores a visitar o site www.denimenezes.com.br