terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

BLOG ALMANAQUE (1978/1983) - FLAMENGO: DO MARACANÃ PARA O MUNDO

Em cada posição, um craque.  Esta foi a receita que levou o Flamengo a se tornar o melhor time que o Brasil viu jogar na virada dos anos 70. Foram quatro Campeonatos Cariocas (1978, 1979, o Especial de 1979 e 1981), três Brasileiros (1980, 1982 e 1983), uma Libertadores da América (1981) e um Mundial Interclubes (1981).  
A construção do time começou pelas mãos do saudoso técnico Cláudio Coutinho. O rubro-negro contava com Zico, o maior craque brasileiro de então, o zagueirão Rondinelli e o polivalente Júnior.  Depois surgiu Leandro, Andrade, Adílio, Mozer, entre outros, oriundos das divisões de base. Mas o clube não descuidou das contratações. A mais frutífera foi a do atacante Nunes, o “artilheiro das decisões”. Nessa época, o lema “Craque, o Flamengo faz em casa”, era autêntico e formava muitos jogadores.
Das inúmeras vitórias e conquistas vencidas pelo Flamengo, duas marcaram: sobre o violento Cobreloa, do Chile, na decisão da Taça Libertadores (2 a 0); e sobre o Liverpool, da Inglaterra, 3 a 0 na decisão do Mundial Interclubes. O time base: Raul, Leandro, Mozer, Marinho (Figueiredo) e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico.
Voltando um pouco no tempo, o esquadrão que deu o primeiro tricampeonato carioca ao Flamengo (1942/43/44) reunia o que de melhor o futebol brasileiro havia produzido até então.  Na zaga, a técnica de Domingos da Guia; no meio-campo imperava o jogador mais completo antes do surgimento de Pelé, Zizinho; e no ataque havia Leônidas da Silva.
Durante os três anos da campanha, Leônidas e Domingos dariam lugar a Silvio Pirillo e Quirino. Mas nada que pudesse atrapalhar a conquista do tricampeonato. Confira o timaço: Jurandir; Domingos da Guia (Quirino) e Nílton; Biguá, Bria e Jaime; Valido, Zizinho, Leônidas (Pirillo), Perácio e Vevé.  




segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

ARIOSTO: MAIS UM PADUANO NO MUNDO DA BOLA


Antônio Ariosto de Barros Perlingeiro, mais conhecido como Ariosto, nasceu em Santo Antônio de Pádua (RJ), em 13 de maio de 1928. Atacante que defendeu o Botafogo e foi artilheiro do time nos Campeonatos Cariocas de 1950 e 1951, com 12 e 7 gols respectivamente.  

Ariosto teve o privilégio de atuar ao lado de Garrincha em seu primeiro jogo não oficial com a camisa do Botafogo, em 28 de junho de 1953, na vitória de 5 a 1 sobre o Cantagalo.

Abandonou o futebol mais cedo para se dedicar aos estudos. Formou-se em Direito e trabalhou por muitos anos na Procuradoria Geral do Estado do Rio. Possuía uma casa em Aperibé, que já foi distrito de Pádua, local que passava suas férias com a família.

Ariosto faleceu no dia 2 de agosto de 2010, aos 82 anos, em Niterói, onde residiu por muitos anos.  


domingo, 19 de fevereiro de 2017

BLOG ALMANAQUE (1975/1977) - FLUMINENSE: A MÁQUINA TRICOLOR

A seleção de craques que o Fluminense reuniu durante os anos de 1975 e 1976 foi produto da pretensão de seu presidente Francisco Horta em montar uma verdadeira máquina de títulos.  No dia seguinte à sua posse, Horta contratou Rivelino. Em seguida vieram Toninho Baiano, Marco Antônio, Pintinho, Manfrini, Gil e Paulo César Caju, entre outros. O “presidente eterno” estremeceu o futebol carioca efetuando trocas de jogadores com os três principais rivais domésticos. O time garantiu o Campeonato Carioca.
No ano seguinte, mais peças para reforçar o time: o goleiro Renato, o tricampeão Carlos Alberto Torres, Edinho, Doval e Dirceu.  Mais um Campeonato Carioca e mais resultados inesquecíveis: 3 a 0 no Vasco e 5 a 1 no Botafogo. O Fluminense ainda teve fôlego, no ano seguinte, para conquistar o Troféu Tereza Herrera (Espanha) e o Torneio de Nice (França). No brasileirão de 1976 por muito pouco não chegou ao título. Foi eliminado pelo Corinthians, em pleno Maracanã, no fatídico jogo da invasão da torcida paulista.
No entanto, a Máquina se mostrava muito cara para ser sustentada. A saída de Rivelino marcou o fim de um dos melhores esquadrões que vestiu a camisa tricolor. Ficaram na história Renato, Carlos Alberto Torres, Miguel, Rodrigues Neto, Pintinho, Gil, Doval, Rivelino, Paulo César Caju e Dirceu, entre outros.  
Bem antes da gastança promovida por Francisco Horta, o clube já havia investido pesado. Foi em meados da década de 30, quando contratou os paulistas Batatais, Hércules, Tim e Romeu Pellicciari. Os resultados foram imediatos: o tricampeonato entre 1936 e 1938 e o bi de 1940 e 1941. Confira o time base: Batatais; Moisés e Machado; Santamaria, Brandt e Orozimbo; Orlandinho, Russo, Romeu Pellicciari, Tim e Hércules. Esse trio final foi fantástico na linha de frente do Tricolor. Não posso deixar de fazer uma menção mais do que honrosa ao time tricampeão carioca de 1983 a 1985, e do título brasileiro de 1984.




quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

SAUDADES DE ZICO E ROBERTO...


No último domingo aqueles incidentes deploráveis no clássico carioca entre Botafogo e Flamengo, que resultou na morte de um torcedor botafoguense e outros feridos, entristeceram todas as pessoas de bem que gostam do esporte. A seguir, transcrevo um texto que escrevi exatamente um ano atrás, para o Blog Miracema, do amigo José Souto Tostes. Fiz o comentário baseado nos fatos ocorridos no jogo entre Vasco e Flamengo, pelo Campeonato Carioca de 2016. Pode-se constatar que os problemas continuam e parecem não ter fim.

É muito triste e lamentável a crise técnica e moral pela qual passa o nosso futebol, com jogadores sem a mínima condição de vestir e representar as camisas de um Vasco e Flamengo. Depois de ver um 2º tempo magnífico de Manchester City x Tottenham, pelo campeonato inglês, vem a "sofrência" de um clássico carioca com um nível técnico que não consigo encontrar palavras para adjetivar.

Fui obrigado a trocar de canal e assistir o que ainda podemos chamar de futebol bem jogado, o praticado pelo Barcelona. Sobre o jogo ser em São Januário, nada contra, pois é um direito do mandante jogar em seu campo, o que acontece em todos os campeonatos do mundo. O problema não é o estádio, são os marginais infiltrados nas organizadas, de todos os clubes, sem exceção, que não gostam do esporte e saem de casa com o único propósito de arrumar confusão. O jogo em si, é apenas um detalhe, o mais importante é ganhar no braço.

Verdade seja dita: apesar de reconhecer a boa administração do presidente do Flamengo, na semana que antecedeu o jogo ele foi muito infeliz em algumas declarações, que indiretamente incitou o torcedor, e parecia estar torcendo que algo mais grave ocorresse para fechar de vez a casa do seu rival. Sobre o mandatário do Vasco, tudo que ele fala e faz, é deplorável e nada se aproveita. Pobre futebol brasileiro!


Nota do blog: Paradoxalmente ao que foi dito acima sobre o Barcelona, ontem, dia 14, o time espanhol levou um passeio no confronto pela Champions contra a equipe francesa do Paris Saint-Germain. rsss

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

BLOG ALMANAQUE (1961/1964) - BOTAFOGO: O GLORIOSO BASE DA SELEÇÃO


Na fase mais gloriosa do futebol brasileiro, o Santos de Pelé só tinha um adversário à altura: o Botafogo de Garrincha. E era um timaço! Tanto que foi a base da seleção bicampeã do mundo no Chile com cinco jogadores em campo: Nílton Santos, Didi, Amarildo, Zagalo e Garrincha.  
Craques que fizeram do Glorioso bicampeão carioca em 1961 e 1962 e campeão do Torneio Rio-São Paulo nos anos de 1962 e 1964. No exterior, não era diferente. O time venceu torneios na Europa e nas Américas do Sul e do Norte.  
Mas a história vitoriosa do esquadrão alvinegro começou com a firme determinação de torcedores históricos como o jornalista e técnico João Saldanha, para quem o Botafogo precisava de grandes craques. Eles vieram e com eles as maiores glórias que o clube já conquistou. Quem, afinal, enfrentaria tranquilo um time com Manga; Joel, Zé Maria, Nílton Santos e Rildo; Aírton e Didi; Garrincha, Quarentinha, Amarildo e Zagalo?
Os gênios alvinegros mal haviam deixado os gramados e uma nova geração de craques já assumia seus postos para garantir ao Botafogo mais glórias.  Surgiram Gérson, Jairzinho e Paulo César Lima. Com eles o Glorioso conquistou novamente o Torneiro Rio-São Paulo (1966), o bicampeonato carioca (1967/68) e a cobiçada Taça Brasil (1968). O time base era Manga; Moreira, Zé Carlos, Leônidas e Valtencir; Carlos Roberto e Gérson; Rogério, Roberto Miranda, Jairzinho e Paulo César.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

ENTREVISTA COM O TREPIDANTE DENI MENEZES, UM DOS GRANDES NOMES DO RÁDIO ESPORTIVO BRASILEIRO


Nota: gostaria de agradecer ao Deni pela atenção e gentileza desde o primeiro contato, quando solicitei uma entrevista para o blog. Foi mais do que solícito e isso só reforçou a minha grande admiração pelo profissional que acompanho desde o final dos anos 70, na época pelas ondas da Rádio Nacional, com a sua participação nos programas diários – No Mundo da Bola, era um deles – e nas transmissões esportivas como um dos “trepidantes”, que o transformou no melhor repórter esportivo do rádio brasileiro.

Posso dizer, Deni, que você é manauara de nascimento e Fluminense (carioca) de coração? Rsss
- Pode. Nasci em Manaus em 14/9/1939 e cheguei ao Rio em 23/1/1958. Em 2018 completarei 60 anos na Cidade Maravilhosa, mas nunca deixei de manter contato com Manaus. Já não são muitos, mas ainda tenho bons amigos na terrinha querida e sempre lembrada. Um deles é Josué Filho, diretor-geral da Rádio Difusora, meu compadre e amigo muito querido.

No seu tempo de juventude na capital amazonense, as transmissões esportivas chegavam através das emissoras do Rio e São Paulo? Quem era o seu ídolo no rádio?   
- Ouvia muito a Rádio Nacional, com Jorge Curi e Antonio Cordeiro. As transmissões de SP eram da Pan-Americana, hoje Jovem Pan, com Pedro Luis, o grande narrador dos anos 50 e 60 do rádio paulista. Edson Leite, de estilo mais lento de narrar para os padrões paulistas, também era bom na Rádio Bandeirantes. Dos que convivi e fiz algumas viagens com a seleção pela Europa, Fiori Giglioti, da Bandeirantes.

A paixão pelo rádio começou ainda criança?
- Aos 14 anos, ouvindo os jogos do Fluminense no torneio de Montevidéu, sempre à noite. Faltava energia na hora em que mais se precisava e eu ia à casa de um amigo que ligava o rádio à bateria do carro e aí não havia mais problema. Ouvi também a Copa de 54 na Suíça e quando o Brasil foi eliminado (4 x 2, em 27/6, no estádio Wankdorf, em Berna), disse a mim mesmo: um dia vou fazer uma Copa. Deus me ajudou muito: fiz oito consecutivas, de 70 a 98. 

Quando chegou ao Rio, no final dos anos 50, depois de já ter trabalhado em rádios no Amazonas, foi com o firme propósito de trabalhar no meio radiofônico e esportivo?
- Vim para o Rio atraído pelo futebol e para conhecer o Maracanã. Na Rio Mar, a rádio em que eu trabalhava no oitavo andar do edifício do Iapetec - construído pelo presidente do Flamengo, Hilton Gonçalves dos Santos, em 1954 -, que também era residencial, morava um amigo, Estácio das Neves, de uma família muito rica. Ele vinha de avião ao Rio na sexta e voltava na segunda, só para ver o Vasco nos grandes clássicos. Ele me estimulou muito a vir e eu, no início de 58, decidi.
Na Rio Mar, conheci André Rosito, locutor paulista, que era da Rádio Mundial, no antigo edifício Cineac Trianon, no Centro do Rio. Vendo meu empenho no trabalho, ele disse que o procurasse se um dia viesse ao Rio porque tentaria me ajudar. Certo final de tarde, saímos a pé a Rio Branco toda e entramos na Mairink Veiga, onde conheci Oduvaldo Cozzi, um dos grandes narradores da época. Não havia vaga. 
Fomos à Nacional, bem perto, no edifício de A Noite, e lá o Rosito me apresentou a Heron Domíngues, locutor do Repórter Esso, noticioso como não houve igual no rádio. Quando havia uma notícia realmente importante, as pessoas perguntavam: Você ouviu no Repórter Esso. E só então acreditavam.
O Heron nos levou ao Antonio Cordeiro, que apresentava No Mundo da Bola, das 19h 15m às 19h30m, quando começava a Voz do Brasil, com apenas 30 minutos de duração. Dividi várias vezes a apresentação do programa com o Antonio Cordeiro, baita profissional.
Entrei na Nacional dia 1/4/58 e até novembro recebia 5 mil cruzeiros de cachê. Em novembro, minha primeira carteira profissional foi assinada. Passei a ganhar 8 mil cruzeiros. Um refrigerante de garrafa custava 40 centavos e o almoço, na pensão da Rua Dom Gerardo - bife, arroz, feijão, ovos fritos e farofa - 5 cruzeiros. 

São quase 40 anos de profissão dentro das Rádios Nacional e Globo, duas das maiores emissoras do nosso país. Tinha alguma diferença da maneira de exercer o seu trabalho de uma para outra?
- Ambas eram muito sérias. Só me permita dizer: quando fui ao Rosito, mostrei uma carta que trouxe de Manaus para Plínio Gesta, discotecário da Rádio Globo. O Rosito me disse apenas: Guarda. Não quero que você comece por baixo, garoto. Vou te levar à Mairink e à Nacional.

O que é para você a objetividade da notícia?
- Heron Domingues fez o decálogo do radio jornalista e o afixou na parede da sala do jornalismo da Nacional, no vigésimo andar. O item 1 superou todos os outros nove e dele nunca mais esqueci: "Informe primeiro, mas primeiro informe certo". No item 2, Heron recomendava: "Ao dar a notícia, diga logo: quando, como, onde e por que. O resto é conversa fiada".

Qual foi a partida ou acontecimento que mais te marcou no meio esportivo?
- Muitos jogos e acontecimentos marcantes: não esqueço da maior vaia da história do Maracanã e até o dia nunca mais esqueci: 13 de maio de 1959. Amistoso, Brasil 2 x 0 Inglaterra. Primeiro jogo da seleção no Brasil, quase um ano depois do 29/6/58, quando ganhou a Copa pela primeira vez. Vitório Gutemberg, que criou "A Suderj informa"... fez uma pausa antes e disse: número 7... Julinho. A vaia se prolongou e quase ele não conseguia anunciar o restante da seleção. Claro, todo mundo queria ver o Garrincha, não o Julio Botelho, que havia saído da Portuguesa de Desportos para o Palmeiras. Resumo: Julinho entrou vaiado, muito vaiado mesmo. Logo no início do jogo, ele - era um ponta notável, maravilhoso - fez fila. Driblou quatro ingleses e deu com açúcar para o Henrique Frade, do Flamengo, fazer 1 x 0. E o próprio Julinho marcou o segundo gol. Os torcedores da arquibancada se levantaram para aplaudi-lo, o que me fez citar na transmissão da Nacional, trecho de uma das poesias do maranhense Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac. Olavo Bilac disse: "A mão que afaga é a mesma que apedreja".
Marcante e inesquecível foi ter visto Pelé!!! Garrincha!!! Nilton Santos!!! Didi!!! Castilho!!!  Hoje, quando me perguntam: o Pelé jogaria no futebol de hoje? Sempre respondo: Claro que não. Teria vergonha. 

O que você pensa sobre os jornalistas que muitas vezes escondem o time de coração, de certa forma, até com receio do relacionamento com as outras torcidas?
- Coisa do passado. Hoje a maioria escancara. Eu, por exemplo, nunca escondi: sou Tricolor porque Castilho, Píndaro e Pinheiro, e o Telê, que até ser técnico era só Telê, sem o Santana, me ensinaram a ser Tricolor. Na noite em que entrei no vestiário do Maracanã pela primeira vez e vi o Castilho de perto, tremi. Um goleirão!
Pinheiro ficou meu amigo. O time treinava sexta de manhã e ia para a concentração. Ele me dava a chave do apartamento dele no edifício Sultana, na Rua Senador Vergueiro 98, no Flamengo, e eu devolvia domingo no Maracanã.  Conheci e me tornei amigo também de outros "monstros" tipo Barbosa, Danilo, Zizinho, Ademir, Jair. Uma geração de ouro, injustiçada na perda da Copa de 50. Eu ligava para a casa do Nilton Santos e ele me atendia. Hoje se você quiser falar com o Negueba e outros medíocres, tem que passar por quatro, cinco assessores...

Como um repórter que sempre teve acesso aos treinos e vestiários após os jogos, você é a favor do modelo adotado pelos clubes a respeito da coletiva de imprensa?
- Entrevista coletiva não existe. Sou do tempo em que o jogador atendia, após o treino e o jogo, o tempo que você quisesse e, depois de fazer ao vivo, ainda gravava para o dia seguinte, atualizado: "No jogo de ontem..."
O Santos, quando vinha jogar no Maracanã, nos anos 60, com aquele "timeco" que tinha Gilmar, Zito, Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, o vestiário ficava aberto, antes e depois dos jogos, para entrevistas. Faltando meia hora para o jogo começar, o Lula - técnico - pedia "por gentileza" que saíssemos porque estava na hora do aquecimento. A diferença da palavra assessor, escrita no Brasil, para a que se escreve em Portugal - acessor - é porque lá se dá ao acessor, acesso. Aqui, o assessor dificulta o acesso.

O que deixa você mais irritado no mundo que vivemos atualmente?
- Os ladrões com foro privilegiado para roubar o dinheiro do povo que os elege. Cadeia especial, para quem tem curso superior, é outra imoralidade. Tem que criar mais vagas para pôr essa pilantragem na cadeia. O que fazem com os nordestinos, que não têm água, também deveria ser motivo para "trancar" esses pilantras. 

O legado esportivo da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos foi um tiro no pé dos brasileiros?
- Pode até ter sido, mas a mim não surpreendeu. Tenho 77 anos e desde antes dos 10, quando meu pai recebia os amigos em casa, a seca do Nordeste já era tema. Aqui nada mais surpreende. Quando surge a "Lava Jato", os pilantras de Brasília - tipo Renan e Sarney - querem acabar porque vão perder a chance de continuar roubando. Cana neles.

Qual o seu sentimento com relação ao que fizeram com o Maracanã?
- De muita dor interior. O que fizeram com o Maracanã é de estraçalhar o coração. 

Um time inesquecível?
- O primeiro do Fluminense que vi ser campeão carioca em 1959, um ano depois de chegar ao Rio: Castilho, Jair Marinho e Pinheiro; Edmilson, Clóvis e Altair; Maurinho, Paulinho, Waldo, Telê e Escurinho. Mas o do bi, no tri de 83-84-85, com os dois gols do Assis no Fla-Flu de 83 e 84, também me encantou. Quando o Assis entrou no vestiário, após a final de 84, eu já estava lá e anunciei: está chegando o carrasco do Flamengo. Nunca reivindiquei, mas o termo CARRASCO foi criado por mim, então na Rádio Nacional.

Depois de Pelé...
- Nenhum outro casal conseguiu repetir a fórmula do seu Dondinho e da dona Celeste... A fábrica fechou. 
Pelé tem até gol que nunca marcou que é comentado. Hoje, quase 50 anos depois que ele parou, ainda dizem: fulano tentou o gol que o Pelé não fez. O drible no Mazurkiewicz - goleiro uruguaio - e a defesa do inglês Gordon Banks depois da cabeçada são irreais, coisas de filme de ficção.
Já tentaram estabelecer comparação com Puskas,Di Stéfano, Cruyff, Maradona... Junta todos e inclui o Messi, que talvez, na soma, dê meio Pelé... 

Escale o seu time dos sonhos...
- Difícil. O do Fluminense de 59, o do bi do Botafogo 61-62, o do outro bi do Botafogo 67-68, o do Flamengo campeão do mundo de 81, que cobri no Japão, nos 3 x 0 no Liverpool. A seleção de 58-62, a seleção de 70 e a seleção de 82. É difícil não sonhar com tantas equipes que me encantaram.

Miracema, meu caro Deni, é a terra dos irmãos Aymoré, Airton e Zezé Moreira, três personalidades do futebol brasileiro. Acredito que você tenha tido mais contato com o Aymoré e o Zezé. O que pode nos falar sobre eles?
- Sim, sei que Miracema é a terra dos irmãos Moreira. Tive mais tempo de contato com Zezé. Com Aymoré, só quando cobria os jogos da seleção, depois que ele substituiu o Feola, campeão em 58. Do Airton tenho uma foto, em Montevidéu, 1967, quando ele, com o Cruzeiro na Libertadores, e Aymoré, com a seleção na Copa Rio Branco que o Brasil ganhou no estádio Centenário, estavam no mesmo hotel, o Victoria Plaza, na Plaza Victoria. Airton era um pouco menos introvertido que Zezé, o mais fechado dos três. Aymoré era muito expansivo. Os colegas mais velhos o chamavam de seu biscoito, devido aos biscoitos Aymoré, que eram deliciosos. 
Zezé me atendeu várias vezes, domingo de manhã, na concentração do Fluminense, na Rua das Laranjeiras, onde eu ia gravar Firestone nos Esportes, dois flashes que entravam na programação matinal, falando sobre o jogo principal da tarde, dentro do programa Paulo Gracindo, que lotava o auditório da Praça Mauá. Ele me atendia bem, mas tive que descobrir o certo para chegar para gravar com ele. Quem me deu a dica foi o Pinheiro: "Olha, não vem de 10 às 11, que seu Zezé está ouvindo no radinho as informações sobre as corridas da tarde no Jóquei".  Ele gostava de apostar nos cavalinhos... Fui também amigo do Wilson Moreira, filho do Zezé, atacante que jogou no Vasco e foi dirigido pelo próprio pai.
O Zezé era muito sério e competente, dos técnicos mais capazes que conheci. O primeiro que vi de paletó e gravata na boca do túnel do Maracanã. Nilton Santos me falou algumas vezes muito bem do Zezé Moreira, que o dirigiu no primeiro título, em 1948, no Botafogo: "Com seu Zezé não tinha meu pé me dói, não. Ele sabia exigir e se impor. Ai de quem não cumprisse". Zezé me deu a alegria do título de 1959, o primeiro do Fluminense que acompanhei no Rio. Ele já havia sido campeão de 1951, mas eu ainda não vivia aqui. A Taça Rio de 1952 - sem derrota - foi outra grande conquista dele no clube. Jairzinho também me falou muito bem do Zezé. Ele comandou o Cruzeiro, campeão da Libertadores 75, e na final do Mundial de clubes, 76, com o Bayern. Na neve, em Munique, 2 x 0 Bayern. No Mineirão, 0 x 0, com o Sepp Maier - goleiraço - fazendo defesas inacreditáveis.

Que conselho você daria a alguém que acaba de sair da faculdade e quer se introduzir na profissão?
- Que procure ter aulas práticas e se apoie em boas orientações, sobretudo dos mais experientes. Jornalismo é vocação e observo que hoje boa parte dos que querem ser profissionais, seja em que área for, apenas o fazem por achar que é bonito aparecer na televisão ou falar no rádio.

Como surgiu a expressão “Trepidante”?  
- Foi um termo criado pelo Celso Garcia, narrador da Globo, no meu tempo de repórter. O repórter tinha acesso a tudo, inclusive à sala de arrecadação do Maracanã. Eu ia ao vestiário do árbitro, eu ia à entrada do vestiário quando o time chegava ao estádio, eu acompanhava o aquecimento, ao lado do vestiário, eu ia ao estacionamento entrevistar figuras relevantes que chegavam, ia à sala de arrecadação checar a expectativa de renda e público. Como chamava o narrador de diversos lugares, o Celso Garcia criou: fala, trepidante.
Nessa época, tudo era importante para o ouvinte. Muitos que iam de arquibancada levavam radinho e apostavam em tudo. Que time ia entrar primeiro em campo; de que lado o time ia jogar; que time daria a saída; e até os números de7 a 11 eram apostados sobre quem faria o primeiro gol. Apostavam na renda e no público também. Tanto que o Waldir Amaral me dizia: chama assim que sair a renda. Eu passei a substituir "Alô, Waldir" pelo "Renda!!!" . Tinha que dar pausado e repetir.  Justino Soares, coordenador financeiro da Federação, entrava comigo na sexta-feira para dar um panorama da venda antecipada e da provável renda/público.

Muito obrigado pela entrevista e faça suas considerações finais. 
- Tive um grande amigo em Santo Antonio de Pádua, seu Jaime Simão, botafoguense, comerciante de tecidos em São Cristóvão. Ele me chamou muitas vezes para cavalgar com ele em Pádua, mas não havia tempo. Talvez se tivesse ido, tivesse também conhecido Miracema, que é perto e faz parte do noroeste do estado. Ele era dono da J.Simão Tecidos e patrocinava um programa que eu apresentava domingo à noite na Globo. Pelo menos uma vez por semana ele me chamava para almoçar na Saara. Foi um botafoguense dos bons. Tinha uma cobertura no mesmo prédio na Tijuca em que comprei meu segundo apartamento, mas nunca morei.

Gostaria de contar uma breve história para os leitores do blog: Em 1964 - de 10 de maio a 13 de junho - fiz uma volta ao mundo com o Madureira, indicado por Telê Santana, que, em final de carreira, jogava no clube. Eu escrevia cartas para o Telê e ele me respondia, quando eu ainda morava em Manaus. Fizemos amizade.
Ele tinha uma sorveteria, a Telê Sorvex, na Rua Guaporé, em Brás de Pina, bairro da zona norte. E me disse: "Vem aí uma viagem longa e eu não posso ir", mas você - a menos que não queira ou não possa - já está convidado para ser o jornalista da delegação. Na época, por lei do Conselho Nacional de Desportos (CND), o clube era obrigado a levar jornalista na delegação. Eu só estava na Rádio Nacional e o diretor-geral da emissora era supercomuna, Hemílcio Froes. Quando ele soube que o time ia jogar na China, logo me liberou.
Fiz a cobertura - na época era telegrama e nem se pensava em telex - para O Globo, indicado pelo colega Roberto Garófalo. Na volta da viagem, com as matérias que mandei, o editor Ricardo Serran perguntou se eu queria entrar para o quadro de repórteres do jornal. Claro que sim. Um ano depois, Waldir Amaral me chamou para trabalhar com ele. A rádio era no quarto andar e a redação do Esporte do jornal, no segundo andar. Subia e descia de escada.
Fiquei de 1964 a 1976, quando voltei dos Jogos Olímpicos do Canadá, trabalhando em O Globo e aprendendo ainda mais com quem sabia: Argeu Affonso, até hoje presidente do júri do Estandarte de Ouro, Julio De Lamare - nome do parque aquático -, jornalista que sabia tudo de natação e dos demais esportes aquáticos, Jorge Leal, que cobria o Flamengo, e Carlos Alberto Pinheiro, que depois foi assessor o presidente Havelange ainda na CBD.Na época, as resenhas de rádio eram escritas, com cópia com papel carbono (lembra?), e certa vez o redator da resenha da rádio não foi, o Celso Garcia me pediu para escrever e, quando acabei, ele mostrou ao Waldir. Não havia sequer uma rasura na redação. 
Fui o primeiro jornalista esportivo das Américas a entrar na República Popular da China, na época de repressão do Mao-tse-Tung e quando nove chineses estavam presos no Rio pelo governo militar instaurado em 31 de março de 64. Jogamos, sem problema, em Cantão, Pequim e Shangai. Fomos muito bem tratados. Conheci a famosa Muralha da China. 
Antes, em Hong Kong, onde ficamos 15 dias, conheci a montanha onde foi feito o filme Suplício de uma saudade, sucesso dos cinemas nos anos 50/60. Na mesma viagem, na Europa, conheci o estádio do Torino, de onde se podia ver a colina de Superga, onde o avião que trazia o time de volta da Inglaterra, em 49, se espatifou e não se salvou ninguém. Uma viagem realmente sensacional! 
A partir d Copa de 70, fui correspondente no Brasil do ESTO, principal jornal esportivo do México. Durante a mesma Copa, por meu intermédio, João Saldanha escreveu coluna diária no ESTO e ganhou 10 mil dólares. Era a mesma coluna que ele escrevia para O Globo. Na velha máquina de escrever, ele fazia a coluna com papel carbono e eu traduzia. Depois do ESTO, também escrevi para El Heraldo e Excelsior, que é O Globo de lá. Um jornal completo. 

Desculpa aí por te tomar tanto tempo. Abraços e saudações tricolores. DM

Nota do blog: Recomendo aos amigos e leitores a visitar o site www.denimenezes.com.br


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

MIRACEMA: OUTRORA PRINCESINHA DO NORTE FLUMINENSE


Para aqueles que amam a nossa cidade, não só os que aqui nasceram, mas também os que a adotaram, pois somos uma cidade acolhedora desde os tempos da chegada de diversos imigrantes, temos que unir forças e continuar na luta diária por uma cidade de "Paz e Harmonia".

Aqui vivemos e escolhemos essa terra para criarmos nossos filhos, por isso temos a obrigação de abraçar e apoiar toda e qualquer causa que seja benéfica e em prol do município. Como também temos a obrigação de ir contra tudo e a todos, que de uma maneira ou de outra, queiram aproveitar de situações adversas e tirar vantagens em benefício próprio. Refiro-me não só aos políticos, mas também a outras classes.

A cidade passa por um momento difícil, assim como todo o país, com uma violência urbana crescente e uma crise financeira que a todos afeta.  Sou apolítico, mas não alienado, pois não estou afastado da nossa realidade atual. Pelo contrário, estou atento e disposto a colaborar naquilo quer for preciso, e também cobrar quando necessário. Quando um cidadão assume qualquer cargo público, ele tem que estar preparado para as cobranças e as críticas. Podemos e devemos fazê-las! O que não podemos é confundir crítica com ataque pessoal ou perseguição. Não é da minha índole ter esse tipo de atitude.

Aproveitando a oportunidade, gostaria de informar que o meu blog não tem partido político. A minha única intenção é levar a informação correta e de “utilidade pública” ao leitor. Procuro ser imparcial em todos os temas abordados e nunca usei palavrões ou denegri a imagem de qualquer pessoa citada. Como qualquer cidadão de bem exponho minhas opiniões e, ao mesmo tempo, tenho o discernimento de respeitar opiniões diferentes da minha, desde que não sejam agressivas e desrespeitosas.

Não sou jornalista, mas a liberdade de se expressar é um dos grandes pilares de qualquer democracia. O blog é independente e através dele passo a informação que achar necessária. Cada um tem a sua opinião e também aqueles que nada opinam. Se você agride com palavras ou qualquer outro tipo de atitude, toda e qualquer razão que busque para referendar sua tese, ficará enfraquecida com a falta de respeito no tratamento do assunto em questão.      


terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

MARIA ESTHER BUENO: UMA TENISTA SIMPLESMENTE FENOMENAL


Para as novas gerações, é difícil entender quem foi exatamente Maria Esther Bueno. Mas para quem estiver interessado em ter uma ideia do que ela representou para o esporte brasileiro, basta imaginar um Guga de saias. Ela foi eleita em 2000 a maior jogadora latino-americana do século XX.
As reverências a essa paulista nascida em 11 de outubro de 1939 não param por aí. Maria Esther está no Internacional Tennis Hall of Fame, em Nova York, e, até poucos anos atrás rodou o mundo dando clínicas de tênis.
Ela foi verdadeiramente o que hoje em dia se chama de fenômeno.  Aos 18 anos, já ganhava o seu primeiro título internacional, o Orange Bowl, nos Estados Unidos.  No ano seguinte, antes de completar 20 anos, conquistava pela 1ª vez o Torneio de Wimbledon.
Daí pra frente a sua carreira deslanchou de forma espetacular. Durante 10 anos, esteve entre as dez primeiras colocada do ranking mundial. Seu último título foi num torneio em Tóquio, em 1974, quando já tinha 35 anos.  
Ao contrário de Guga, Maria Esther era especialista em quadras rápidas, o que não impediu que ela conquistasse vários títulos no saibro. O cartaz da tenista na década de 60 era tão grande que até um selo comemorativo foi lançado em sua homenagem. Ela foi um símbolo de uma época em que o Brasil estava na moda: campeão mundial no futebol, no basquete e a nossa música popular também atravessava fronteiras com a bossa nova. Nas quadras de tênis, Maria Esther escreveu o seu nome entre os mitos do esporte mundial.

A brasileira era uma máquina de vencer. O seu retrospecto em Grand Slams impressiona: Em Wimbledon, além dos títulos individuais de 1959, 1960 e 1964, venceu também nas duplas em 1958, 1960, 1963 e 1965.  Do US Open foi tetracampeã individual (1959, 1963, 1964 e 1966) e em duplas (1960, 1962, 1966 e 1968). Conquistou também em duplas um Aberto da Austrália e um Rolan Garros. Em duplas mistas venceu outro Roland Garros. O Torneio de Forest Hill, nos Estados Unidos, ela venceu nada menos do que sete vezes. Foi a número 1 do mundo em 1959, 1960, 1964 e 1966.  
No total, em 15 anos de carreira, foram 571 títulos. Maria Esther Bueno era mesmo fenomenal.
Aos 78 anos, a lendária e única morreu vítima de um câncer, na capital paulista, em 08 de junho de 2018. 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

DOMINGOS DA GUIA: O DIVINO MESTRE



Domingos Antônio da Guia nasceu no Rio de Janeiro, em 19 de novembro de 1912. Zagueiro de estilo clássico, técnica refinada, excelente marcador, perfeita noção de colocação, raramente dava chutões, preferindo sair driblando os adversários dentro da área. Aos 20 anos, já era chamado de “El Divino Mestre”, apelido que os uruguaios lhe deram quando defendeu o Nacional de Montevidéu. Com essa idade já atuava no exterior, uma raridade naqueles tempos. 

Não seria exagero dizer que Domingos da Guia foi o zagueiro mais reverenciado do futebol brasileiro no século 20. Domingos é o símbolo de uma época em que o futebol arte começou a ser forjado. Tentar driblá-lo era tarefa quase impossível, pois tinha capacidade de antever as jogadas.  

Sinônimo de futebol espetacular, o nome do zagueiro acabou entrando para o dicionário do futebol como "domingada", jogada arriscada na qual o beque sai driblando pela área. Mas, com o tempo, a "domingada" ganhou uma conotação pejorativa.  

É uma unanimidade e considerado um dos melhores zagueiros de todos os tempos do futebol mundial. Era pai do também craque Ademir da Guia, que brilhou no Palmeiras. Conseguiu a façanha de ser respeitado em três países diferentes da América do Sul – além do Brasil, Uruguai e Argentina. Sua ligação com o Bangu é tão grande que seu nome é citado no hino do clube, para o qual retornou e encerrou a carreira em 1950.

Nos oito anos que vestiu a camisa rubro-negra, pelo qual se consagrou definitivamente, o saldo foi amplamente favorável. Domingos foi um jogador fundamental nas três conquistas do carioca. Quando tinha 32 anos, apesar da forte resistência da torcida, foi vendido para o Corinthians. No Parque São Jorge ele também brilhou, mesmo não conquistando nenhum título paulista.

Atuou no Bangu - 133 jogos e 3 gols, Nacional - 33 jogos (campeão uruguaio em 1933), Vasco - 64 jogos (campeão carioca em 1934), Boca Juniors - 56 jogos (campeão argentino em 1935), Flamengo - 227 jogos (campeão carioca em 1939, 1942/43) e Corinthians - 116 jogos. Vestiu a camisa do Brasil em 30 jogos, sendo 25 oficiais, e disputou a Copa do Mundo de 1938.  

A causa de sua morte, ocorrida em 18 de maio de 2000, aos 87 anos, no Rio de Janeiro, foi um derrame cerebral.

Quando de seu falecimento, Mestre Zizinho, amigo e ex-companheiro de Domingos no Flamengo e Seleção, escreveu uma crônica no jornal Extra, que transcrevo a seguir: 

"O que Pelé fazia no ataque, ele fazia na zaga."
O rubro-negro José Lins do Rego dizia que o Domingos era um intelectual de calção e chuteira; Gilberto Freyre comparou-o a Machado de Assis. Eu, que tive o prazer de jogar ao seu lado por muitos anos, vou mais longe. Domingos foi o Pelé do seu tempo. Ele fazia coisas fantásticas na zaga, como o Pelé no ataque.
Numa época em que ao zagueiro só cabia rebater bolas, o Da Guia descobriu que poderia fazer o mesmo que os jogadores de ataque: jogar bonito na defesa, sem se importar com a fama do atacante. O que foi apelidado de "domingada".
Lembro de um Fla-Flu que o Tim, exímio driblador, estava frente a frente com ele. Entre os dois, a bola. Tim viu que seria impossível passar e começou a recuar para o seu campo. Com Da Guia às suas costas. Sem ter como tentar o drible, Tim chutou a bola para a arquibancada.
Num encontro com Maspoli, Gigghia e Obdulio Varela, campeões mundiais em 50, ouvi uma história contada pelo Obdulio. Ele disse que a contratação do Domingos, em 1933, pelo Nacional, sofreu restrições. Por que um brasileiro se temos o Nasazzi, campeão mundial em 30? - perguntavam os uruguaios.
Mas, segundo Obdulio, bastou o jogo de estreia para que Domingos mostrasse a sua genialidade. "Vi que Nasazzi não era nada diante do Domingos", disse-me Obdulio, acrescentando: "Eu e o mundo jamais veremos um zagueiro como Domingos". 
Domingos, que foi campeão pelo Nacional, não encantou somente os uruguaios. Em 1934, voltou ao Rio e foi o destaque na campanha do Vasco, campeão de 1934. O Boca Juniors da Argentina, em 1935, não mediu esforços e o contratou a peso de ouro. E teve retorno: foi o campeão argentino. 
A fase mais brilhante da sua carreira foi no Flamengo, onde conquistou o título de 1939 e o bicampeonato em 1942/43. E nesse período, tive o prazer de estar ao seu lado.