terça-feira, 26 de setembro de 2017

A COLONIZAÇÃO SÍRIO-LIBANESA NO NOROESTE FLUMINENSE


Extraído do site do INSTITUTO HISTÓRICO DE PETRÓPOLIS (RJ)

Os sírio-libaneses, costumeiramente denominados “turcos” em razão de terem a Turquia como porta de saída do Oriente, pois lhes fornecia o passaporte de emigração, são os estrangeiros que mais se adaptaram aos nossos costumes, possivelmente pela docilidade de temperamento, por professarem a mesma religião, serem pacientes e adotarem, em definitivo, a nova terra como a pátria, destruindo qualquer intenção de retorno à terra de origem.

Aqui deram os primeiros ensaios como imigrantes efetivamente a partir do início do século XIX e, com o desenvolvimento da cultura cafeeira, fortaleceram a corrente migratória para o Brasil. Descendentes dos fenícios, comerciantes natos como os antepassados, tinham facilidade para mercancia.

Ao aqui chegarem, muitos deles, com um baú às costas, cortando várzeas, vencendo morros, atravessando córregos e rios aproximaram-se das fazendas onde, de início, com fala não inteligível expunham suas mercadorias.

Posteriormente, após algumas economias, “o bom turco” adquiria um burrico para varar o longo e penoso percurso, e lá ia ele à frente puxando o animal, agora não mais com miçangas, botões, alfinetes, agulhas, colchetes, dedais, fitas, ligas, elásticos, meias, grampos para cabelos, espelhos, sabonetes, extratos e outros artigos de toucador, como nos primeiros tempos, mas com tecidos finos como seda, lingerie, organza, organdi, linho, cambraia, voil, crepe, tafetá, rendas guipir e richelieu, tudo que o apurado gosto exigia. As vendas eram certas e o pagamento, ainda que a prazo, “era dinheiro contado”, pois “o calote”, era palavra inexistente na cartilha dos compadres. Depois de algum tempo, outro animal era adquirido, desta feita para sua montaria.

E assim, numa faina incessante, durante anos no “mascate”, conseguia “o turco” amealhar algum dinheiro para, afinal, se fixar numa vila distrital, principalmente em zona cafeeira de grande população e circulação de riqueza visível. Numa casinha modesta com poucos cômodos, mas com terreno suficiente para ampliação se estabelecia o “filho do Líbano” com sua família. Era o raiar de uma nova vida.

Ele não ficaria mais tantos dias ausente e distante da esposa e haveria, doravante, de ter tempo para dispensar aos filhos, inclusive com a educação. Quanto à alimentação, embora já estivesse ele adaptado ao paladar nacional, sua mulher poderia oferecer-lhe refeições que o fizessem recordar de Richi Maya, Tiro, Sídon e Beirute – como as saladas de pepinos “ao vinagrete”, cortados ao comprido; as coalhadas secas, regadas ao azeite de oliva, saboreadas com nacos de pão; a esfirra de acelga ou carne moída; o quibe cru com bastante cebola e hortelã – frito ou assado, o último denominado “de bandeja”; hamis; tabule; kafta e outras iguarias que o fartavam ao ponto de, após o regalo tirar um breve cochilo, e se refazer para dar continuidade às suas atividades.

Costumeiramente “o turco” dava ao estabelecimento o seu próprio nome, v.g. “Casa Mansur”, “Casa Simão”, “Casa Maron” e “Casa Karin” ou o consagrava com o nome do santo de sua devoção: “Bazar São Jorge”, “Bazar São João”, “Bazar Santo Antonio”, “Bazar São Miguel”, entre outros e, ali, o sortimento de tecidos, ferragens, louças, chapéus, armarinhos e secos e molhados, refletia a sua abastança patrimonial. Quando o colono, sitiante ou fazendeiro se deslocava para realizar algumas compras na vila, a “matriarca” logo ingressava no ambiente e, após cumprimentar o freguês, dizia de plano: “gombadre, brimeiro gomer debois faz gombras”, onde era ele, de maneira gentil, conduzido para uma farta mesa existente no interior do imóvel com inúmeras guloseimas ostentando dois grandes bules de ágata com leite e café.

Esses libaneses que contribuíram para a colonização de nosso país tornaram-se grandes compradores de café, comerciantes ou industriais e muito de seus descendentes ocupam hoje lugar de destaque em diversas atividades públicas e privadas, orgulhando-nos, bem como aos seus ancestrais.

REGIÃO NOROESTE

Bom Jesus do Itabapoana
Abdalah, Adib, Alli, Antonio, Aride, Assad, Bomeny, Bussad, Chaloub, Chebe, Chicle, Couze, Crissaff, Curi, Cury, Daruich, Aud, Eid, Elias, Elkik, Faial, Farid, Felício, Felippe, Felix, Feres, Gazem, Habib, Hette, Hobaica, Jabour, João, Jorge, Kalil. Karim, Kastor, Lahud, Mansur, Maron, Melhim, Miguel, Mouzi, Naciff, Nagib, Namen, Nassar, Ourique, Paulo, Kiffer, Quirino, Rachid, Saad, Said, Saleme, Salim, Salomão, Tabet, Tannus, Tebet, Tuffi, Turques, Ximenes.

Cambuci
Buissa, Gazal, Jorge, Kiffer, Latuf, Nametala, Namen.
Itaperuna
Bussad, Chacour, Chaia, Chaie, Chaquer, Chequer, Farah, Farid, Feres, Gazal, Haman, Latif, Latuf, Mansur, Maron, Merchid, Nabi, Nacif, Nefa, Salim, Tuffi.

Itaocara 
Alexandr e, Ameis, Antonio, Bechara, Buissa, Curi, Cury, Daib, Farid, Felix, Gazen, Jorge, Kiffer, Latif, Maron, Miguel, Nacif, Namen, Saad, Salim, Salomão, Sarruf, Tuffi, Wagaleir.

Miracema
Amin, Assad, Buissa, Cacheado, Chacourr, Chaia, Chiclala, Farid, Felix, Nacib, Nacif, Namen, Nametala, Neder, Rachid, Salim.

Santo Antonio de Pádua
Assef, Bendia, Chain, Chiclala, Daher, Elias, Hainborque, Haikal, Jasbick, Jorge, Kelly, Man sur, Massaud, Nacif, Richar, Sader, Simão.

FONTE: Autor - Dr. Antônio Izaias da Costa Abreu – Titular da Cadeira Nº 3 do Instituto Histórico de Petrópolis (RJ), e com informação de João Baptista Fonseca. 

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

GÉRSON CANHOTINHA DE OURO NO SÃO PAULO E NO FLUMINENSE




Quando chegou ao São Paulo, Gérson ainda não era o jogador definitivamente consagrado pelo título mundial obtido pouco mais tarde no México. Embora já somasse 49 jogos e 11 gols pela Seleção Brasileira, muitos continuavam a jogar-lhe sobre os ombros parte da responsabilidade pelo fracasso na Copa do Mundo de 1966.

O craque, no entanto, calou a boca dos seus detratores. Como ocorrera no Botafogo, logo se tornou peça chave na conquista dos títulos paulistas de 1970 e 1971, em time formado também por estrelas como os uruguaios Forlan e Pedro Rocha, e pelo artilheiro Toninho Guerreiro, ex-companheiro de Pelé, no Santos. Missão cumprida. Gérson voltou ao Rio em 1972, para vestir outra camisa tricolor, a do seu Fluminense. Pelo São Paulo disputou 75 jogos e marcou 11 gols.

Gérson no Fluminense 

Gérson chegou ao Fluminense em junho de 1972, a tempo de reforçar o time no turno do Campeonato Carioca. Estava com 32 anos de idade, mas não perdera a velha categoria. Pelo contrário, sua experiência poderia ser decisiva para uma equipe que reunia um punhado de bons jogadores, como o goleiro Félix, o lateral Marco Antônio, o apoiador Denílson e o ponta Lula.

No primeiro ano, Gérson ficou apenas com o vice-campeonato. Perdeu a decisão do Carioca para o Flamengo. Mas no ano seguinte, realizou o sonho de conquistar o título por seu clube de coração, embora tenha participado de apenas nove das 25 partidas da equipe na competição, revezando-se com dois jovens jogadores saídos da divisão de base do tricolor, Cléber e Carlos Alberto Pintinho.

Gérson jogou sua última partida pelo Fluminense em 16 de novembro de 1974, na vitória de 1 a 0 sobre o Madureira. A velocidade do futebol aumentava forçada pela tática da correria desenfreada lançada pela Holanda, na Copa da Alemanha, e o grande apoiador, próximo dos 34 anos, perdia o fôlego. No dia 26 de fevereiro de 1975, Gérson anunciou sua despedida. Pelo Fluminense disputou 57 jogos e marcou 5 gols.

Seus números pela Seleção Brasileira são os seguintes: 85 jogos e 19 gols marcados, sendo 69 jogos e 15 gols em partidas oficiais. 






quinta-feira, 21 de setembro de 2017

GERSON CANHOTINHA DE OURO NO FLAMENGO E NO BOTAFOGO




Gérson ingressou nos juvenis do Flamengo em 1958, convidado pelo então coordenador das divisões de base do clube, o ex-jogador Modesto Bria. Participou da conquista do tricampeonato carioca da categoria, e em 1960 já integrava o time principal rubro-negro. Na Gávea, ganhou o Torneio Rio-São Paulo de 1961, formando em ataque também composto por Joel, Henrique, Dida e Babá. Jogou em 10 das 12 partidas, marcando seis dos 22 gols da equipe na competição. E levantou o título carioca de 1963, embora tenha participado de apenas três dos 24 jogos do time no campeonato.

Trocou o Flamengo pelo Botafogo em setembro de 1963, em transação forçada por um desentendimento com o técnico Flávio Costa, iniciado na decisão do Carioca de 1962, contra o próprio alvinegro. Flávio o escalou na ponta-esquerda, para, teoricamente, marcar Garrincha. Mesmo entendendo que o treinador não deveria destinar-lhe tal função, que fugia às suas características, Gérson participou da partida. O Flamengo perdeu de 3 a 0, Garrincha deu um show de bola, e o meia seguiu questionando a missão.

No jogo contra o Botafogo, em 21 de julho de 1963, Flávio ameaçou lançá-lo novamente como falso ponta. Gérson recusou-se, foi sacado da equipe, mas ainda participou do empate de 0 a 0 com o Vasco, em 24 de agosto. As relações entre jogador e clube, no entanto, já não eram cordiais. Acabou tendo o passe posto à venda pelo então presidente Fadel Fadel, tomando, em seguida, o rumo de General Severiano. Pelo Flamengo disputou 152 jogos e marcou 86 gols.

Gérson no Botafogo 

Gérson treinou pela primeira vez com a camisa do Botafogo em 18 de setembro de 1963. General Severiano viveu um dia de festa. Afinal, todas as vezes que o alvinegro tirava um craque do Flamengo, conquistava o título. Foi assim com Sílvio Pirilo, em 1948, com Servílio, em 1957 e com Jadir, em 1962. Gérson chegou para ocupar de Fifi, que não passara de promessa, mas só pôde atuar efetivamente pelo Botafogo no ano seguinte, pois a transferência ocorrera com o Campeonato Carioca em pleno andamento.

Gérson conquistou o Torneio Rio-São Paulo de 1964 – dividido com o Santos – teve que amargar a comemoração dos rubro-negros pelo título carioca de 1965, mas não tardou a obter novas glórias com a camisa preta e branca. Foi sob seu comando que o Botafogo ganhou duas vezes a Taça Guanabara, à época um torneio separado, e o bi carioca, todos em 1967 e 1968. O técnico Zagalo, quase um estreante, formou um supertime, no qual Gérson era encarregado de lançar bolas para o infalível ataque composto por Rogério, Roberto Miranda, Jairzinho e Paulo César.  

Gérson marcou 15 gols nos campeonatos cariocas de 1967 e 1968, e ainda participou da conquista do Taça Brasil – a Copa do Brasil da época –, neste último ano. Em setembro de 1969, recebeu excelente proposta do São Paulo, que buscava um jogador capaz de ajudar o clube a dar um fim a 13 anos de jejum de títulos, e transferiu-se para o Morumbi. Pelo Botafogo disputou 248 jogos e marcou 96 gols.





quarta-feira, 20 de setembro de 2017

WILSON MOREIRA: MAIS UM DA FAMÍLIA MOREIRA QUE SE AVENTUROU NO MUNDO DA BOLA


Wilson Faria Moreira nasceu no Rio de Janeiro, em 06 de março de 1935.  Por ser filho de um treinador famoso – Zezé Moreira – seu início no Botafogo foi bem complicado. Muitos diziam que só jogava porque seu pai era técnico. Ele sentiu na pele essa pressão que é muito comum no meio esportivo.

Foi assim que começou a história do atacante Wilson Moreira no futebol. Aos 18 anos de idade, ainda juvenil do Botafogo, ele treinava com a Seleção Brasileira – Zezé era o técnico e o levou para assistir à Copa do Mundo de 1954, na Suíça.

Botafogo 1956: Wilson Moreira é o 4º agachado, a partir da
esquerda, ao lado de Didi. 
Chegou ao time principal do Botafogo e depois de um período no alvinegro, Vasco e Fluminense demonstraram interesse em contar com seu futebol. O Vasco venceu a parada e Wilson partiu pra São Januário. Teve que deixar o Botafogo para mostrar que a sua presença no time não era à custa de seu sobrenome.


Vasco 1958: Wilson Moreira é o 3º agachado, a partir da
esquerda, entre Vavá e Rubens. 
Wilson chegou ao Vasco para ser reserva de Vavá e participou da conquista do Campeonato Carioca de 1958, contribuindo com cinco gols, em sete jogos, todos do primeiro turno. Uma proposta da Espanha, do Real Bétis, de Sevilha, seduziu Wilson Moreira e ele partiu para o futebol europeu. Retornou ao Brasil, em 1960, e jogou por empréstimo no Fluminense. O Vasco demonstrou novamente interesse em contar com o jogador e comprou seu passe junto ao time espanhol, no final de 1960.  

Fluminense 1960: Wilson Moreira é o 3º agachado, a partir da
esquerda, ao lado de Telê Santana. 
Depois de altos e baixos no time cruzmaltino, Wilson resolveu dar um tempo com o futebol e se dedicou aos estudos, fazendo faculdade de direito. No entanto, depois de quase dois anos afastado dos gramados, estava treinando no Fluminense, sob o comando de seu pai, e acabou acertando com o Botafogo, retornando ao clube onde começou.

Numa reportagem da Revista do Esporte, de 1962, o título da matéria era o seguinte: “Botafogo contratou atacante pelo telefone”.  O primeiro parágrafo resume bem o motivo dele não ter ficado no tricolor. “O drama sentimental de um pai escrupuloso e honesto impediu o ingresso de Wilson Moreira no Fluminense. Com efeito, Zezé Moreira, seu genitor, preferiu sofrer agruras com o problema da armação do seu ataque a ter que pedir ao seu clube para contratar o seu filho, que vinha treinando com agrado nas Laranjeiras. O Botafogo, diante da decisão do Fluminense, não hesitou em contratar Wilson Moreira, por nele reconhecer inegáveis méritos de atacante.”

Wilson Moreira em 1957 
Os estudos falaram mais alto e logo depois Wilson Moreira decidiu encerrar definitivamente a carreira, antes mesmo de completar seus 30 anos. Atendeu também a um desejo de sua mãe, pois era filho único e ela queria que o mesmo retornasse aos estudos – havia trancado a faculdade de direito. Assim foi feito e pouco tempo depois Dr. Wilson Moreira já era advogado e foi seguir sua vida fora dos gramados. Em uma entrevista concedida por Zezé Moreira, em 1993, ele disse que jamais insistiu para ele ser jogador e afirmou que o filho “nunca foi entusiasmado com o futebol”. Isso explica muita coisa.

Exerceu a profissão e depois assumiu o posto de Inspetor em uma companhia francesa. Inclusive, reside há muitos anos em Paris.  

Resumindo: ele pagou caro por ser filho de um treinador famoso. Teve o privilégio de jogar em uma época que o Brasil produzia craques aos montes, e conviveu com muitos deles no Botafogo, Vasco e Fluminense, tais como: Garrincha, Nilton Santos, Didi, Paulinho Valentim, Almir, Bellini, Vavá, Castilho, Pinheiro, entre outros. 

Através de uma informação recebida de terceiro, que entrou em contato com o filho de Wilson Moreira, ele faleceu em 2021. Desconheço data, local e causa de sua morte. 

Nota: texto publicado originalmente em setembro/2017 e editado em fevereiro/2025.

 


sábado, 16 de setembro de 2017

CÉSAR: O ATACANTE PREDESTINADO DE SÃO JOÃO DA BARRA


Natural de São João da Barra-RJ, César Martins de Oliveira, nascido em 13 de abril de 1956, está imortalizado na história do Grêmio por um voo destemido na pequena área do velho estádio Olímpico, para estufar as redes do Peñarol em um peixinho certeiro, que carimbou o primeiro título da Taça Libertadores do tricolor em 1983, levando à loucura os mais de 80 mil gremistas.

César se profissionalizou no América (RJ), clube pelo qual se tornou artilheiro do Campeonato Brasileiro de 1979. O destaque no brasileirão fez com que o Benfica, de Portugal, logo o contratasse. Teve bons momentos no futebol lusitano e conquistou os títulos do Campeonato Português de 1981 e da Taça de Portugal de 1980 e 1981.
César é o penúltimo agachado a partir da esquerda. 
Em janeiro de 1983 foi contratado pelo Grêmio. Atacante de referência e muito oportunista, César permaneceu no tricolor gaúcho por uma temporada e meia, disputando 48 jogos e marcando 15 gols. Assim como ocorreu no Benfica em sua última temporada, as lesões o impediram de ter feito um número maior de jogos pelo Grêmio. Foi campeão da Taça Libertadores e do Mundial Interclubes em 1983.

Uma grave lesão entre o fêmur e a bacia, em 1984, acabou abreviando a carreira do atacante. Mesmo assim, ainda jogou pelo Paysandu (PA), São Bento (SP) e quando já pensava em parar recebeu uma proposta de um amigo, e foi defender o Pelotas (RS), onde foi comandado pelo técnico Luiz Felipe Scolari. No mesmo Pelotas encerrou a carreira, em 1987, aos 31 anos. Não suportou mais as dores e resolveu dar por finalizada sua trajetória no futebol profissional.

Em 2013, César e os demais campeões foram homenageados no novo estádio do Grêmio na comemoração dos 30 anos do primeiro título da Libertadores. Cada um recebeu uma placa alusiva à conquista. Foi um momento emocionante e de reencontro daquele grupo inesquecível que deu o pontapé inicial para escrever o nome do Grêmio no cenário do futebol mundial.
Espinosa, China, Baideck, Mazzaropi e César

Após lutar contra um câncer de próstata, César faleceu na capital carioca em 17 de setembro de 2024, aos 68 anos. Ele morava na praia de Atafona, em São João da Barra, sua cidade natal, no litoral norte do estado do Rio, que faz divisa com Campos dos Goytacazes.  

Foi no carnaval de 1988, em São João da Barra, que fui apresentado ao César pelo meu tio. Ele havia encerrado a carreira em 1987. Conversamos por cerca de quinze minutos e ele falou da alegria por ter participado da histórica conquista da Taça Libertadores de 1983, vestindo a camisa do Grêmio, não se esquecendo do América, onde tudo começou. 

Nota: texto publicado originalmente em setembro/2017 e editado em setembro/2024. 





sexta-feira, 8 de setembro de 2017

MARCÃO: O EX-ZAGUEIRO PADUANO QUE BRILHOU NO FUTEBOL PARANAENSE


Marco Antônio de Almeida Ferreira nasceu em Santo Antônio de Pádua-RJ, em 20 de dezembro de 1965. Zagueiro de ótima técnica, forte poder de recuperação e que gostava de partir para o ataque. Se tivesse seguido o conselho de sua mãe, Marcão seria policial militar. Ele tem um irmão que seguiu essa carreira.

No entanto, a paixão pela bola falou mais alto e o volante acabou virando um grande zagueiro. Em 1980, pelas mãos do ex-jogador Walter Miraglia, que o levou para o São Cristóvão, foi aprovado nos testes e depois o futebol paranaense foi o seu destino. No profissional do Atlético Paranaense jogou de 1985 a 1988, retornando em 1999 para encerrar a carreira em 2000. Teve o privilégio de participar do primeiro jogo da inauguração da Arena da Baixada. Foi campeão paranaense em 1985 e 1988 (Atlético) e tetracampeão paranaense de 1993/94/95/96 (Paraná Clube). Fez história e deixou o seu nome marcado no clube que surgiu com a fusão do Colorado com o Pinheiros – o Paraná Clube.

Depois do Atlético passou por Guarani, de Campinas, Santa Cruz, Mogi Mirim, Paraná Clube, Internacional (RS), futebol japonês, novamente o Internacional (RS), Inter de Limeira (SP), Brasil de Pelotas (RS), e retornou ao Atlético (PR). Marcão fez parte do grupo da Seleção Brasileira de Novos, de 1986, sob o comando de Jair Pereira, na disputa do Sul-Americano do Chile, que valeu vaga para os Jogos Pan-Americanos do ano seguinte.
Orlando Fumaça é o primeiro a partir da esquerda.
Marcão, ao fundo, de camisa branca. 

Para dimensionar a importância do ex-zagueiro no sul do país, em 2006, o jornal Gazeta do Povo, do Paraná, escolheu os 100 melhores jogadores da história do futebol paranaense. Marcão se fez presente na relação do seleto grupo. Em 1986, Marcão jogou com o miracemense e ex-zagueiro Orlando Fumaça, no Atlético.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

LOUREIRO NETO: O “PEZÃO” QUE DEIXOU SAUDADE...


Manuel Fernandes Loureiro nasceu em Braga, Portugal. Veio para o Brasil quanto tinha cinco anos.

Durante um cursinho pré-vestibular, ainda muito jovem e querendo estudar Engenharia, Loureiro conheceu o narrador esportivo Avelino Dias, também aluno. Durante uma conversa e outra sobre futebol, foi convidado para participar de um programa na Rádio Vera Cruz. Foi Avelino quem, inspirado num radialista de São Paulo, Loureiro Júnior, o batizou de “Loureiro Neto”. O Brasil perdeu um engenheiro e o rádio esportivo ganhou um repórter de alto nível.

A chegada à Rádio Globo foi em 1977, convidado por Waldir Amaral. A primeira entrada no ar, no programa Globo Esportivo.  Fez uma dobradinha com Kleber Leite que marcou época no radio carioca. Foram 30 anos participando das transmissões de futebol da emissora. Como repórter, integrou a equipe de ouro do rádio, com Waldir Amaral, Jorge Curi, João Saldanha, Mário Vianna e outras feras. Depois, comentou jogos e comandou atrações como o “Papo de Botequim” e o “Enquanto a Bola Não Rola”.

Em 2002, o sucesso do seu “Papo de Botequim”, apresentado à noite, o levou a assumir o Manhã da Globo, que substituiu o programa de Haroldo de Andrade, então o mais importante comunicador da rádio. Em 2011, retornou seu programa noturno, agora batizado de “Botequim da Globo”, transformando o horário num espaço nobre para o samba e a MPB.

Vascaíno e mangueirense, a partir de 2013 passou a sofrer com problemas cardíacos, que o levou a óbito em 26 de fevereiro de 2014, aos 61 anos, após ficar mais de quarenta dias internado.

Descrito pelos colegas como “o mais carioca dos portugueses” – assim ele gostava de ser chamado – Loureiro Neto, o popular “pezão”, só deixou boas lembranças e saudade...


domingo, 3 de setembro de 2017

DIRCEU LOPES: MAIS UM CRAQUE DO CRUZEIRO DOS ANOS 60


DIRCEU LOPES Mendes, mineiro de Pedro Leopoldo, onde nasceu em 03 de setembro de 1946, foi um meia-atacante extremamente habilidoso, veloz e de muita garra, conduzia a bola ao ataque e tabelava como poucos. Era um excelente finalizador. Com seu 1,62m, o baixinho foi titular absoluto nos 12 anos em que atuou pelo Cruzeiro. 

A presença de Dirceu Lopes em campo era garantia de bom espetáculo e belos gols. Junto com Tostão, formou uma das maiores duplas ofensivas do futebol brasileiro. Juntos, marcaram 472 gols pela equipe mineira. Para os locutores mineiros, ele era o “Dez de Ouro” ou “O Príncipe”, mas para a torcida cruzeirense era o “O Baixinho” que entortava os marcadores. Foi um dos destaques da brilhante equipe do Cruzeiro dos anos 60. Durante os anos em que vestiu a camisa Azul Celeste, ele encarnou como ninguém o espírito vencedor da equipe. Faz parte do seleto grupo dos grandes craques da história do clube. É o segundo maior artilheiro com 223 gols em 601 jogos. 
  

Dirceu Lopes começou a carreira pelo time de juniores do Pedro Leopoldo, de sua cidade natal. Em 1963 se transferiu para os juniores do Cruzeiro, transformando-se num dos maiores fenômenos produzidos pelas divisões de base do clube.  Além do Cruzeiro, onde ganhou 9 títulos mineiros (1965/66/67/68/69/72/73/74 e 75 e da Taça Brasil em 1966), jogou no Fluminense – 23 jogos e 6 gols, Uberlândia (MG), Democrata, de Governador Valadares, e Democrata de Sete Lagoas, onde encerrou a carreira aos 36 anos, em 1982, sem o mesmo brilho que a todos encantou no Cruzeiro. Uma contusão no calcanhar, em 1975, o afastou dos campos por treze meses e quando retornou nunca mais foi o mesmo jogador. Dirceu Loques despertou o interesse de diversas equipes, entre elas o Santos, que o queria para substituir Pelé, quando esse decidiu parar de jogar. O negócio, porém, não se concretizou. 


Com João Saldanha no comando do Brasil, Dirceu Lopes era nome quase certo para a Copa do Mundo de 1970. Com a entrada de Zagallo, acabou cortado com a alegação de haver “muitos jogadores para a sua posição” no grupo. Disputou 19 jogos e marcou 4 gols pela Seleção, sendo 14 oficiais e 3 gols. Com todo esse talento e história no futebol brasileiro, é mais um entre outros grandes jogadores que não disputaram uma Copa do Mundo. Essa acabou sendo a maior frustração de Dirceu Lopes em sua trajetória vitoriosa no futebol. 



sexta-feira, 1 de setembro de 2017

O CASO DE GERMANO E DA CONDESSA


  
Germano foi uma das principais revelações da base do Flamengo no início dos anos 60. Veloz, habilidoso e de chute forte, era tratado como uma joia. Pelo time da Gávea foram 85 jogos e 16 gols marcados.

Depois de disputar cinco partidas pela Seleção Brasileira, em 1959, o ponta Germano conquistou a fama e acabou sendo negociado pelo Flamengo com o Milan. Chegou por lá muito badalado, mas não jogou bem e frustrou os torcedores do clube. Fez parte do grupo campeão da Copa dos Campeões de 1963.

Gerson e Germano
De todo jeito, ganhou grande espaço em todos os jornais da Europa após envolver-se com Giovanna Augusta, filha do milionário Domenico Augusta, dono de uma fábrica de motocicletas e de helicópteros. O pai da moça – que passou à história como “a condessinha Geovanna” – fez de tudo para impedir o romance. Chegou a obrigar os cartolas do Milan a emprestarem Germano, primeiro ao Palmeiras (38 jogos e 6 gols), depois ao Standard Liege, da Bélgica, onde encerrou a carreira em 1970, ainda novo, mas desiludido com o futebol. Foi campeão da Copa da Bélgica de 1966 e 1967, e campeão nacional em 1969. O preconceito, não apenas pela origem pobre do brasileiro, mas principalmente a cor de sua pele, foi o motivo de toda a pressão.  

Mas Germano e Giovanna acabaram-se casando no território livre de Gretna Green, na Escócia, em 1967. Eles tiveram uma filha, também chamada Giovanna, mas a felicidade durou pouco. Separaram-se em 1970.

O craque largou o futebol e voltou para a cidade mineira de Conselheiro Pena, onde residia sua família, e jamais viu as Giovannas. Morreu vítima de infarto, em 1º de outubro de 1997, sem entender o comportamento racista de Domenico.

De acordo com uma matéria da Revista do Esporte, de 1962, Germano nasceu em Bom Jesus de Itabapoana, cidade do estado do Rio que faz divisa com o Espírito Santo. Germano era irmão de Fio Maravilha e Michila, ambos ex-jogadores do Flamengo.

Matéria da Revista do Esporte de 1962:

“FLOZIM” – José Romildo Germano Salles nasceu na cidade de Bom Jesus de Itabapoana (RJ), em 25 de março de 1941. Mais tarde é que seus pais se mudaram para Conselheiro Pena (MG), daí o fato de muitos afirmarem que ele nasceu nesta última cidade.


LUIZ FERNANDO LINHARES: O ÚLTIMO LÍDER POLÍTICO DE MIRACEMA

FOTO ACERVO DA FAMÍLIA 

Nascido em Miracema-RJ, em 14 de fevereiro de 1939, é filho de Altivo Mendes Linhares e Maria do Carmo Monteiro Linhares. Casou-se em 1967 com Maria Aparecida de Barros Mercante, e desta união vieram os filhos: Marcus Filipe, Gabriela e Rafael.  

Herdou de seu pai o amor pela política. Altivo Linhares foi prefeito de Santo Antônio de Pádua – quando Miracema ainda era distrito –, Niterói e também de Miracema, totalizando 19 anos de administrador público.  Foi deputado estadual e suplente de senador.

Assim descreveu Maurício Monteiro em seu livro “Altivo Linhares, Memórias de um líder da velha província”, sobre o filho: “Essa vocação construtiva veio também por herança paterna. O seu velho pai, Altivo Linhares, também foi um ‘estradeiro’; ao assumir a Prefeitura de Pádua na Revolução de 30, construiu a Estrada Miracema-Pádua, na base da enxada e da picareta”.

Quis o destino que o deputado Luiz Fernando Linhares nos deixasse muito cedo. Faleceu em 05 de março de 1981, no município de Sapucaia, aos 42 anos, num trágico acidente em seu carro particular, numa quinta-feira, na semana que encerrou o carnaval daquele ano, indo para o Rio de Janeiro. Ficaram órfãos quase todos os municípios da região, que até hoje aguardam por um nome que o substituísse na árdua tarefa de lutar e trazer benefícios para o progresso das cidades. Tornou-se, indiscutivelmente, não somente um grande líder, mas um ícone político da região Norte e Noroeste Fluminense nos anos 70. Dedicou-se única e exclusivamente à causa pública.

Sua luta era constante em prol dos interesses do interior junto ao governo estadual, luta essa que beneficiou diversas cidades com rodovias pavimentadas, novas escolas, pontes, e a instalação de órgãos governamentais para facilitar a vida dos munícipes do interior. A sua história estava apenas no início e o seu futuro era galgar voos maiores no cenário político nacional. O seu nome já era conhecido e respeitado em Brasília.

A tragédia interrompeu o sonho de um jovem e ambicioso político, que a todos tratava de maneira igualitária, independente da classe social. Tinha quatorze anos e presenciei toda a movimentação do velório – na prefeitura – bem ao lado, na padaria do meu tio Garibaldi. O seu enterro foi acompanhado por uma multidão jamais vista por aqui, com a presença de diversas autoridades e caravanas de todas as cidades da região. Inclusive, o apresentador de televisão Mauro Montalvão, seu amigo particular, fez-se presente na última homenagem ao ilustre jurado que, com frequência, fazia parte de seu programa.

Imagino o quanto Miracema perdeu nesses anos de ausência do saudoso deputado Luiz Fernando Linhares. “ESTAGNAR” é o verbo a ser conjugado para definir a nossa triste realidade ao longo de todo esse tempo. Como sua falta é sentida. Um ser de valor, competência e conhecimento, que trouxe inegáveis feitos a Miracema e região. Marcou a relevante e destacada presença em sua trajetória política, procruando solucionar os diversos problemas em sua mais perfeita e confiável demonstração do ser "político" na íntegra da verdade. Sua morte deixou em nossa cidade e toda Região Noroeste, uma lacuna difícil de ser preenchida. Até mesmo seus adversários políticos reconheciam o seu valor e previam um futuro brilhante a nível nacional, politicamente falando. Seu legado jamais será esquecido!

Um breve resumo da sua história:  

Os estudos:
- Iniciou seus estudos no J. I. Clarinda Damasceno, em Miracema, depois continuou com a Professora Oraide Alves, na Fazenda Boa Vista, concluindo os primeiros estudos no Grupo Escolar Dr. Ferreira da Luz, em 1950;
- Curso Ginasial, primeiro e segundo anos, no Colégio de Pádua e no Colégio Santo Ignácio no Rio de Janeiro, prosseguiu a partir do 3º ano Ginasial até o Curso Científico; 
- Curso de Engenharia, na Pontifícia Universidade Católica (PUC), no Rio de Janeiro, concluído em 1963, em Niterói, na Escola de Engenharia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, hoje UFF;
- Formou-se em Direito, em 1967, tendo cursado também alguns anos de Economia.

A engenharia:
Em 1964, ingressou no quadro de funcionários do Departamento de Estradas de Rodagem - DER-RJ, como engenheiro, tendo realizado inúmeras obras na Região Noroeste Fluminense, que até hoje são fundamentais ao progresso, como:
- Projeto da estrada Itaperuna - Natividade, inaugurada em 1970;
- Pavimento dos primeiros 22 quilômetros da RJ-100 (Itaperuna - Natividade), com a duração recorde de 14 meses.

A política:
Em 1970, vence o primeiro pleito para Deputado Estadual, criando 3 colégios estaduais na região noroeste fluminense: Miracema, Porciúncula e Natividade, o que significava grande prestígio na época, para uma cidade do interior. Foi reeleito em 1974 e ganhou novamente as eleições de 1978, quando foi um dos mais votados. Algumas de suas realizações:
- ampliação e reforma de toda a rede escolar do município de Miracema;
- conservação de todo o calçamento da CEHAB e do acesso à RJ-97 Miracema-Itaperuna, rodovia de grande importância para o progresso da região;
- instalou a TELERJ, com sede própria e o serviço DDD;
- promoveu a abertura e dragagem do Ribeirão Santo Antônio;
- construção e a iluminação do Parque de Exposição Jamil Cardoso;
- construção de um estádio de futebol no Alto do Cruzeiro, na CEHAB;
- construção do Belvedere na serra do distrito de Venda das Flores;
- construção do Posto da Patrulha Rodoviária, também próximo ao distrito de Venda das Flores;
- pavimentação da estrada que liga Miracema a Comendador Venâncio (distrito de Itaperuna);
- criação do Mercado Produtor em São José de Ubá, para comercialização da Produção de Hortigranjeiros, marcando seu mandato, também, na atividade agrícola da região.