sábado, 10 de novembro de 2018
A BORBOLETA E SUA NATUREZA – POR BEBETO ALVIM
quinta-feira, 8 de novembro de 2018
HELENO DE FREITAS: UM GÊNIO DA BOLA, UM CRAQUE TEMPERAMENTAL
Quando
começou no juvenil do Fluminense, como médio esquerdo, Heleno já mostrava seu
espírito irrequieto, sendo expulso pela primeira vez. Não chegou a atuar no
time principal do Tricolor, mas conquistou o Campeonato Carioca Juvenil de 1939.
Em 1940 decidiu ingressar no Botafogo, e por lá ficou até 1948, marcando 206
gols em 234 jogos. Faz parte da história do Alvinegro e está na galeria dos
maiores artilheiros do clube. Estreou no selecionado brasileiro em 1944,
atuando em 18 partidas e marcando 11 gols, todas oficiais. O seu melhor momento
na Seleção foi no Sul-Americano de 1945, no Chile. O Brasil ficou em segundo
lugar, mas o futebol mostrado pelo atacante foi suficiente para despertar a
atenção dos dirigentes do Boca Juniors, que mais tarde vieram buscá-lo. Em
abril de 1948 vestiu pela última vez a camisa do escrete, seguindo para o
exterior. Pela Seleção foi campeão da Copa Roca (1945), e da Copa Rio Branco (1947).
Quando
foi contratado pelo Santos, em 1951, vestiu a camisa na apresentação e não fez
sequer um jogo oficial. As confusões se tornaram corriqueiras e acabou sendo
demitido. Ninguém mais acreditava no seu retorno ao futebol, quando recebeu e
aceitou um convite para jogar no América. No clube rubro, Heleno fez uma única
partida, sendo essa a primeira (e última) vez que jogou no Maracanã. O América
perdeu por 3 a 1 para o São Cristóvão, Heleno não conteve o seu nervosismo, que
chegou ao extremo, foi expulso mais uma vez e nunca mais apareceu no clube. Mais
tarde, assim descreveu Heleno sobre esse fatídico jogo: “Eu não podia morrer sem jogar no Maracanã”.
Em
12 de fevereiro de 2012, foi homenageado em sua cidade natal, São João
Nepomuceno, que fica na Zona da Mata mineira, com uma estátua de bronze de
2,30m na praça Barão do Rio Branco, no centro. Homenagem essa efetuada pela
prefeitura municipal, quando seu filho ilustre completaria 92 anos. terça-feira, 6 de novembro de 2018
O BOM VICENTE FEOLA - POR JOSÉ MARIA DE AQUINO
Algumas vezes falou dos críticos, dos entendidos.
quarta-feira, 31 de outubro de 2018
AÉRTON PERLINGEIRO: UM COMUNICADOR DE DESTAQUE DA TV BRASILEIRA
Minhas considerações:
Aérton Perlingeiro nasceu em Miracema no dia 28 de
dezembro de 1921. O local de seu nascimento foi confirmado por seu filho, Jorge
Perlingeiro, conhecido comunicador carioca e que apresenta há muitos anos a
apuração dos desfiles das Escolas de Samba. Antero Perlingeiro e Jandira
Belizário Perlingeiro são os nomes dos pais de Aérton. Ele foi um apresentador
de rádio e TV, e por décadas teve muito prestígio. Lembro-me perfeitamente de
seus programas e, naquela época, comentava-se muito por aqui que ele havia
nascido em Santo Antônio de Pádua. Já ouvi relatos que ele nasceu próximo ao
distrito de Paraíso do Tobias, que faz divisa com Pádua. A família Perlingeiro
é muito tradicional na cidade vizinha de Santo Antônio de Pádua.
Abaixo transcrevo o texto de Billy Brasil, publicado
no Recanto das Letras, em 27/01/2014.
Aérton Começou sua carreira artística em 1943, na
Rádio Transmissora, no Rio. Sempre como apresentador e locutor. Transferiu-se
par a Rádio Tupi, Rádio Fluminense e para a Rádio Clube.
No ano de 1956, foi para a televisão. Em São Paulo, o
colega Aírton Rodrigues criou o programa “Almoço Com As Estrelas”. E o mesmo
fez Aérton Perlingeiro no Rio de Janeiro. Ambos os programas foram um sucesso e
tinham o mesmo formato: Uma mesa grande, para um almoço rápido e vários
cantores, atores e personalidades nacionais eram entrevistados.
No Rio, Aérton era o mestre de cerimônias, além de ser
também o produtor. Naquele tempo era assim e por isso ele e Aírton Rodrigues
tinham muito trabalho. Mas tinham também muita fama e estima por parte de toda
a classe artística, que desejava muito aparecer nesses programas.
Tanto o programa de São Paulo como o do Rio, era
transmitido na hora do almoço de sábado e ficavam no ar por várias horas. O
programa do Rio chamava-se Aérton Perlingeiro Show e existiu de 1956 até 1980,
quase 30 anos no ar, só terminando quando a emissora faliu. O programa de
Aérton teve 2204 edições. Tinha alguns quadros e o que era dedicado ao Samba,
Jorge Perlingeiro, seu filho, apresentava.
Aérton foi um recordista da televisão brasileira.
Personalidade muito querida pela classe artística foi um grande incentivador
dos cantores populares e do teatro brasileiro. No seu programa, marcavam
presença gente importante como Fernanda Montenegro, Fábio Junior, Sidney Magal
e o proprietário das Emissoras Associadas, Assis Chateaubriand.
Criou o troféu O Velho Capitão, busto de bronze
representando a figura de Assis Chateaubriand. Esse troféu foi entregue para
mais de 300 personalidades, dentre os quais as cantoras Maysa Monjardim, Elis
Regina e Elizeth Cardoso e o próprio Chateaubriand, que foi pessoalmente
receber o prêmio no programa, três meses antes de morrer. Homem do rádio e da
televisão, Aérton foi incansável na promoção da arte, principalmente música e
teatro. Por 23 anos ficou na liderança do IBOPE.
Aérton sofria de forte bronquite e veio a falecer no
Rio de Janeiro, em 31 de outubro de 1992, aos 70 anos.
quinta-feira, 25 de outubro de 2018
ROQUE, O SAPATEIRO - POR JOSÉ ERASMO TOSTES
Roque era um homem forte, ao contrário de sua esposa, franzina, já com os cabelos brancos, e não era muito boa da cabeça. Usava sempre um xale jogado nas costas, óculos redondos com aros de ouro e chinelos de liga. Seu filho Miguel foi criado até rapaz sem sair de casa, tornando-se um técnico em rádio.
A totalidade dos sapateiros em nossa cidade era descendente de italianos, assim como José Poly, Humberto Poly, Oterige, entre outros. Roque, praticamente, foi quem ensinou o ofício à maioria dos sapateiros em nossa cidade.
Eu, garoto ainda, era quem buscava água na mina para o Roque, ganhando com isso sempre um tostão e passava sempre horas em sua casa e na oficina. Os sapatos eram sempre feitos a mão, bico fino, salto carrapeta, solão, chuteiras, botinas, botas alpino. Às vezes o freguês colocava o pé em cima de um jornal velho e tirava a medida, assim como o João Neguinho, um músico da Banda Quinze de Novembro, que para fazer um par de botinas para ele gastava-se o couro de um bezerro. João Neguinho só calçava as botinas quando ia tocar na Banda (era tocador de baixo) e depois as deixava embaixo da cama. Contam que, certa vez, quando foi calçá-las, a gata tinha feito um ninho, deixando dentro delas 12 gatinhos (!).
Eram poucas as pessoas que possuíam rádio naquela época. Em nossa rua, somente o Roque tinha um rádio, GE, para onde todos nós corríamos a ouvir o Repórter Esso, na época da guerra.
À noite, em sua sapataria, jogava-se baralho, amigos e vizinhos. Roque era um italiano Rico. Possuía duas casas na Rua Paulino Padilha e, nos fundos, que dava para outra rua, mais seis casas geminadas.
Eu ficava admirado por minha rua chamar-se Paulino Padilha, enquanto as outras tinham nomes como Rua do Sapo, Rua do Lixo, Rua dos Prantos ou dos Prontos, Rua do Café, Rua da Laje, Rua da Capivara, Rua do Biongo, Rua das Flores, Beco do Inferno, Rua Direita, da Avenida e Praça dos Boêmios. Meu pai, com a calma que lhe era peculiar, começou a enumerar: Rua do Sapo devido a uma mina d’água, onde os sapos coaxavam e faziam barulho, hoje Francisco Dias Tostes; Rua do Café, onde haviam muitos pés de café nos morros, indo em direção ao Hospital (hoje essa rua é dividida em três: Rua dos Gabriéis, Cláudio Aquino e José Monteiro de Barros); Rua dos Prantos, a que ia em direção ao cemitério, ou dos Prontos, onde os moradores tinham baixo poder aquisitivo, hoje Elpídio Portes Mendes; Rua do Lixo, porque servia de depósito para o mesmo, hoje Francisco Cardoso; Capivara, em direção à cidade de Palma, que antigamente tinha este nome, hoje Rua Cândido Dias Tostes, assim como a Rua da Laje, que seguia em direção à cidade de Laje do Muriaé, hoje Avenida Carvalho; Beco do Inferno, onde moravam diversas mulheres que brigavam todos os dias, precisando sempre da intervenção da polícia, hoje Rua Pedro Elídio; Rua do Centenário, inaugurada em 1922, cem anos após a independência, hoje Rua Barroso de Carvalho; Rua das Flores, por ser uma rua onde quase todas as casas tinham em suas frentes jardins ou jardineiras, hoje Rua José Carlos Moreira; e Rua do Biongo, onde haviam dezenas de pequenas casas cobertas de sapé nas quais ficavam hospedados os integrantes de circos que por aqui passavam, hoje Rua Deodato Linhares; Avenida, hoje Rua Santo Antônio, era onde haviam diversas casas de lenocínio comandadas por uma mulher chamada Japonesa, frequentadas pelos homens da cidade; Praça dos Boêmios, onde os mesmos se concentravam no boteco de um turco chamado Farid, hoje Praça José Giudice; e Rua Direita, única rua onde se pagava imposto predial, tinha os prédios melhores e era a mais organizada, hoje Rua Marechal Floriano.
Roque, após a morte da mulher, ficou morando com a empregada, uma mulata de nome Amélia. A esta altura, o Miguel, já homem feito, se tornara técnico profissional em rádios e TV e os aprendizes do Roque, assim como o Anibinha, o Lecy e muitos outros, já trabalhavam por conta própria. Lecy era especialista em fazer sapatos femininos e o Anibinha em solados finos.
Adoece o Roque com um tumor na cabeça, as casas geminadas são vendidas para fazer face às despesas. Morre o Roque. O Miguel assume a casa e, mais tarde, assume também a mulata Amélia. Morre a Amélia e anos depois morre o Miguel, terminando assim a família Magaldi.
quarta-feira, 24 de outubro de 2018
CARLOS ALBERTO TORRES: O CAPITA DO TRI
A jogada
foi simbólica, com vários passes precisos e dribles curtos. Pelé recebeu na
entrada da área e, sem olhar, rolou a bola para o lado. Carlos Alberto apareceu
na corrida e encheu o pé: Brasil 4 x 1 Itália. Foi dele o último gol em uma
competição que sintetizou a qualidade do futebol brasileiro. Ao marcar esse
quarto gol na final de 1970, o Capitão do Tri também pôs o ponto final numa era
de ouro do nosso futebol. O próprio lateral-direito levantou a taça de campeão
e trouxe a Jules Rimet em definitivo para o Brasil. A imagem de Carlos Alberto
chutando e levantando a taça jamais será apagada de nossa memória. Também participou da Copa do Mundo de 1974.
Elegante,
técnico e de forte personalidade, Carlos Alberto tinha passadas largas e fôlego para atacar e defender com a mesma desenvoltura, coisa raríssima em sua época. Ele é considerado um dos mais completos
laterais pelo lado direito que o Brasil já teve. Além das qualidades físicas e técnicas, era um líder nato. Com apenas 17 anos, em 1962, recebeu do
treinador Zezé Moreira sua primeira oportunidade para atuar no time principal
do Fluminense, onde jogou de 1962 a 1965 e uma breve passagem em 1976 (campeão
carioca em 1964 e 1976).
Três anos
depois estava no Santos de Pelé, acumulando títulos, de 1965 a 1970, 1972 a
1975 (campeão paulista em 1965, 1967//68/69 e 1973, campeão da Taça Brasil em 1965
e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, em 1968). Passou pelo Botafogo em 1971 e pelo
Flamengo em 1977. Ainda corria o ano de 77 quando Carlos Alberto foi jogar nos
Estados Unidos, pelo Cosmos, de 1977 a 1980 e 1982, ano em que encerrou a
carreira, e pelo Newport Beach, em 1981. Foi campeão norte-americano em 1978,
1980 e 1982.quarta-feira, 17 de outubro de 2018
GARRINCHA: O FUTEBOL IRREVERENTE DE UM GÊNIO QUE DRIBLOU TUDO, MENOS O VÍCIO QUE O LEVOU À MORTE
Antes de ser jogador profissional, Garrincha era operário da fábrica América Fabril e jogava no Esporte Clube Pau Grande. Levado pelo ex-jogador Arati, Garrincha chegou ao Botafogo em 1953, com 19 anos. Arati foi apitar um jogo em Pau Grande, distrito de Magé, e lá descobriu um moleque franzino, de pernas tortas, mas de drible fácil. Gentil Cardoso não acreditou muito na descoberta de Arati, mas deixou o garoto – que tinha como apelido o nome de um pássaro – treinar. Apesar de meio desacreditado – em 1948 tentou, sem sucesso, no Vasco e no Fluminense; e depois estava diante do melhor lateral esquerdo do país, Nilton Santos – Garrincha não se intimidou e seus dribles impressionaram a todos. Aprovado, Garrincha foi contratado.
Sobre a tentativa, sem sucesso, no Vasco e Fluminense,
seguem os detalhes: o primeiro teste de Garrincha em um time grande aconteceu
em 1950, às vésperas de completar 17 anos, quando foi levado ao Vasco por um
diretor da América Fabril. Com vergonha de levar a chuteira velha e rasgada,
apareceu descalço na peneira e foi impedido de treinar pelo argentino Volante,
um ex-jogador. Poucos meses depois, com os amigos Diquinho e Arlindo, tentou o
São Cristóvão. Jogaram só dez minutos e foram dispensados sem sequer comerem o
sanduíche que os clubes tradicionalmente davam. Depois, tentou o Fluminense e o
técnico Gradim nem ao menos o colocou para treinar.
Voltando ao assunto em questão, a sequência de sua
carreira, dizer o que de quem fez a torcida gritar pela primeira vez “olé”
dentro de um estádio de futebol? E nem era a torcida do time dele, o Botafogo,
mas sim mexicanos que assistiam a uma das exibições do Glorioso pelo mundo.
Como marcar Garrincha? Não havia mesmo nada a fazer
diante desse gênio. Assim como não há como defini-lo. Era imprevisível e dono
de um futebol que jamais se enquadrou em esquemas táticos. Seu amor pelo
espetáculo não significou, em momento algum, que Mané não fosse um atleta
obcecado pela vitória. Nenhum outro jogador foi tão querido por todas as
torcidas como MANÉ GARRINCHA, O “ANJO DAS PERNAS TORTAS”, como bem definiu
o poeta Vinícius de Moraes, foi incomparável.
Em quase 13 anos no Botafogo, em que conquistou os
títulos cariocas de 1957, 1961 e 1962, e o Torneio Rio-São Paulo de 1962 e
1964, fez 612 jogos e marcou 242 gols. Pela Seleção Brasileira, jogou 60
partidas e marcou 16 gols, sendo 50 oficiais e 11 gols. O detalhe é que perdeu
apenas um jogo defendendo o Brasil, que por coincidência foi sua última partida
pela Seleção, nos 3 a 1 para a Hungria, na Copa do Mundo de 1966. E quando
jogou ao lado de Pelé, o Brasil nunca foi derrotado. Um retrospecto
inacreditável.
Os estragos que fazia com a camisa botafoguense, ele
repetia com a da Seleção. Mané foi bicampeão mundial e, para muitos, se não
fosse ele o Brasil teria saído da Copa do Chile, em 1962, mais cedo. Com Pelé
machucado, coube a GARRINCHA jogar por ele, pelo Rei e deixar o mundo
espantado. Foram dribles, passes perfeitos e gols até de cabeça e de perna
esquerda. Nas quartas de final, após a derrota de 3 a 1 para o Brasil, o
técnico da seleção inglesa desabafou: “Preparei um time quatro anos para
enfrentar times de futebol, mas não esperávamos um jogador como GARRINCHA”.
Coube, porém, ao jornal chileno El Mercúrio, em manchete, a melhor definição
sobre esse Charles Chaplin do futebol: “De que planeta viene GARRINCHA?”.
Em 1965, os problemas crônicos com os joelhos já o
impediam de jogar e Manuel Francisco dos Santos, que nasceu em Pau Grande,
distrito de Magé, em 18 de outubro de 1933, despediu-se do Botafogo e
praticamente do futebol. Ainda tentou jogar por Corinthians – 13 jogos e 2
gols, Flamengo – 12 jogos e 4 gols, e Olaria – 10 jogos e 1 gol.
Em 1977, cansada de suas farras, Elza Soares abandonou
Garrincha, que se entregou ainda mais à bebida. O fim inevitável chegou na
madrugada do dia 20 de janeiro de 1983, aos 49 anos, após mais um coma
alcoólico. Congestão pulmonar, pericardite, esteatose hepática e pancreatite
hemorrágica. A isso foi reduzido o gênio do futebol pelo atestado de óbito.
Esse foi o capítulo final do homem apelidado “Alegria
do Povo” que desafiou a medicina para dividir as honras de melhor do país
com o Rei Pelé.
Nota: após alguns desencontros sobre a data de
seu nascimento, a equipe de reportagem do Jornal dos Sports, em 2003, foi fundo
na investigação para encerrar de uma vez por todas a polêmica sobre a data
correta, no livro de registros do cartório do 6º distrito de Magé, que teve o
dia 18 de outubro de 1933 – e não o dia 28 do mesmo mês – reconhecido a sua
autenticidade pela titular do cartório.
O que eles disseram...
“Garrincha era, à sua maneira, um gênio. Se Pelé
personificava a perfeição (chutava, driblava, cabeceava, passava, tudo de forma
irretocável), Garrincha era a consagração do imperfeito: tordo, anti atlético,
individualista, uma jogada só, mas um gênio a desmoralizar lógicas, a desafiar
o imponderável, a transformar o previsível – sempre o mesmo drible – em
irresistível. A tragédia está em que sua história não teve o final feliz que
merecia. O homem que não podia dar certo – e deu – não teve fôlego para correr
os dois tempos de sua curta existência (tinha 49 anos quando a morte o levou).
Ao perder o brinquedo, começou a perder o gosto pela vida. Faltaram-lhe pernas
para um último arranque pela direita: o drible na própria tragédia.”
(João Máximo, jornalista)
sábado, 13 de outubro de 2018
POLÍTICOS E POLÍTICA: NAQUELE TEMPO - POR JOSÉ ERASMO TOSTES
Altivo Linhares foi prefeito de 1937 a 1945 e em sua gestão construiu o Jardim da Infância, Praça Ary Parreiras, hoje Praça das Mães, remodelou a Praça Dona Ermelinda, a estação ferroviária, sendo que o primeiro calçamento foi feito em 1926, da estação rodoviária ao Hotel Braga, quando criaram uma subprefeitura que foi entregue a Ventura Lopes. Posto de saúde na rua Barroso de Carvalho, construção da Praça Getúlio Vargas; e voltou a governar de 47 a 50 construindo o Matadouro Municipal, a Maternidade, hoje Casa de Saúde São Sebastião. Governou novamente de 59 a 63, construindo o Colégio Nossa Senhora das Graças, e muitas outras obras de relevância, como a Prefeitura, de 1947 a 1950, na época gastando duzentos e sessenta e três contos de reis. Havia dois partidos em Miracema, um do Altivo outro contra o Altivo.
Naquele tempo, a primeira câmara foi formada pelos vereadores Dr. Otávio Tostes, gerente de banco e fazendeiro; Melchíades Cardoso, jornalista e industrial; Nicolau Bruno, fazendeiro; Humberto de Martino, advogado; Dr. Antônio Antunes de Siqueira, advogado e professor; Bruno de Martino, fazendeiro e jornalista; Antônio Ventura Lopes, fazendeiro, Bento, da fábrica de tecidos e Canedo, funcionário público.
E sempre em uma roda de amigos da nossa geração, quando a conversa vai se animando, sempre tem um que começa dizendo: “Naquele tempo não tinha esta facilidade de um rapaz ao começar a namorar já no primeiro dia, entra na casa dos pais, chama logo o futuro sogro de coroa, beija a sogra e por aí vai com as intimidades e acaba não casando”.
Naquele tempo, dizia o outro nosso amigo, quando começaram a fazer o campo de aviação, trouxeram para Miracema mais de trinta presidiários para trabalhar na abertura do campo. Homens que usavam somente calção e camiseta vermelha, sob o comando do Tenente Coracy, que tinha como asseclas o cabo Oto e outro indivíduo apelidado Vassourinha. Cometeram juntos barbaridades com aqueles homens desnutridos, espancados até a morte. Se não fosse a interferência do padre José Nicodêmos, mais mortes teria ocorrido. Hoje, em que o mês de setembro vem terminando, onde vimos e sentimos o cair das chuvas, o florescer dos ipês e as eleições se aproximando, e após o nosso voto, quando alguém vier falar de política ou corrupção, eu direi: Naquele Tempo...
quinta-feira, 11 de outubro de 2018
RENATO RUSSO: UM ÍDOLO DE TODA UMA GERAÇÃO
sábado, 6 de outubro de 2018
ADEMIR DA GUIA E SUA LINDA HISTÓRIA COM O PALMEIRAS
O antigo ídolo corintiano Domingos da
Guia entrou em sua casa e foi avisando ao filho Ademir, de 19 anos: “Você vai
jogar no Palmeiras”. O pai estava apalavrado com o técnico Renganeschi, que se encantara
por Ademir ao vê-lo jogar pelo Bangu. Só faltava assinar o contrato. Ademir da
Guia nasceu no Rio de Janeiro, em 03 de abril de 1942, e começou no Bangu a sua
linda trajetória no futebol. Trajetória essa que o coloca no seleto grupo dos
maiores de todos os tempos. Pelo time banguense foram 59 jogos e 14 gols
marcados. Um detalhe até desconhecido por muitos é que o Ademir começou no Bangu como nadador. Saiu das piscinas para o gramado em 1959 e já foi campeão carioca juvenil naquele ano.
Pelo Verdão atuou em 901 jogos e marcou 153 gols. Gols
esses comemorados na maior discrição, chegando a tal ponto de ser confundido
como um jogador sem vibração e com falta de garra. Mas tudo isso era resumido
apenas na sua humildade e no seu jeito simples de jogar futebol. Durante os quinze anos que defendeu o Palmeiras,
Ademir da Guia colecionou os seguintes títulos: cinco vezes campeão paulista
(1963/66/72/74/76), bicampeão brasileiro (1972/73), dois Torneios Roberto Gomes
Pedrosa (1967/69), uma Taça Brasil (1967) e um Torneio Rio-São Paulo (1965). Embora considerado um dos grandes craques brasileiros, sua única participação em Copas do Mundo foram os 45 minutos iniciais da partida contra a Polônia, na disputa do terceiro lugar no Mundial de 1974. Ao longo da competição foi mantido teimosamente na reserva por Zagallo. A sua elegância e desenvoltura dentro de campo, praticando um futebol sem firula, contrastava com toda sua timidez fora das quatro linhas. Essa timidez foi um ponto crucial que o impediu de reivindicar maiores oportunidades no escrete. Pela Seleção foram 11 jogos, sendo 9 oficiais. Fez 6 jogos em 1965 e só retornou em 1974.
Só os números já bastariam para ilustrar sua importância no período que defendeu com muita dedicação e amor as cores do Palmeiras. Durante 15 anos, Ademir da Guia fez do Palmeiras a sua academia de bola. Já não se faz mais ídolos como antigamente!
segunda-feira, 24 de setembro de 2018
PESCADORES - POR JOSÉ ERASMO TOSTES
Os barcos eram adaptados em cima das carretas ou caminhão, com uma Brasília em cima, e sempre havia bate coca. Um ou outro estava fazendo a coisa errada, mas no final todos se entendiam. Entre esses pescadores, podemos destacar: José Heler, Manoel Badeco, Dimas, José Osvaldo, Woninho, Altair, Amim Amim, Juicy Bereta, Benedito Simem, Dr. Sebastião Miguel, Dr. Luiz Silva, Darcy Aníbal, José Torres, Dr. Reginaldo Rizzo, Jésus, Manteiga, Amadeu Poly, Tasso, Pedrinho, Lauro Quintal, Robson Bereta, Sérgio Salim, Márcio Menezes, Samuel, Caliça, Aragão, Duduca, Vicente Toscano, Sebastião Apolinário, Márcio Tostes e Joffre Salim, entre outros.
Muitas vezes viajavam em carro próprio ou alugavam um caminhão. A demora era mais ou menos de 15 dias entre a ida e a volta. Na chegada descarregavam os apetrechos e dividiam os peixes. Após dois ou três dias, reuniam-se outra vez para comentar a pescaria a base de cerveja e tira gosto.
Os rios preferidos eram sempre do Coluene, Paracatu, Jauru, Araguaia, Paraguai, Urucuia e São Francisco, e também o Paraíba.
Às vezes, na viagem, quando não achavam local para pernoitar, dormiam em posto de gasolina ou dentro do carro. Os peixes pescados eram o Dourado, Pintado, Curimam, Piraputanga, Surubim, Jurupoca, Barbado e Piauçú.
Um desses pescadores, ao chegar da pescaria, foi com o filho mais novo para a cama, e começou a contar histórias: que havia saído no barco sozinho e desceu vários quilômetros de ria e avistou uma pedra. Jogou a poita e sentou em cima da pedra, mas ela começou a se mover. Então ele viu que não era uma pedra e sim uma traíra gigante. Tirou o facão, cortou a cabeça dela e a jogou dentro do barco. Os dois olhos da traíra pareciam faróis, os espinhos pareciam costela de boi. Deu para todos do acampamento comer por três dias e ainda sobrou. – Bem, meu filho, vamos dormir que já é tarde. Em seguida disse: - Meu filho, o que você deseja ser quando crescer? – Ora meu pai, eu quero ser um grande mentiroso igual ao senhor.













