sábado, 6 de outubro de 2018

ADEMIR DA GUIA E SUA LINDA HISTÓRIA COM O PALMEIRAS




O antigo ídolo corintiano Domingos da Guia entrou em sua casa e foi avisando ao filho Ademir, de 19 anos: “Você vai jogar no Palmeiras”. O pai estava apalavrado com o técnico Renganeschi, que se encantara por Ademir ao vê-lo jogar pelo Bangu. Só faltava assinar o contrato. Ademir da Guia nasceu no Rio de Janeiro, em 03 de abril de 1942, e começou no Bangu a sua linda trajetória no futebol. Trajetória essa que o coloca no seleto grupo dos maiores de todos os tempos. Pelo time banguense foram 59 jogos e 14 gols marcados. Um detalhe até desconhecido por muitos é que o Ademir começou no Bangu como nadador. Saiu das piscinas para o gramado em 1959 e já foi campeão carioca juvenil naquele ano. 

Foi um armador de técnica refinada, inteligência na coordenação de jogadas, precisão nos passes e eficiência nas finalizações. É considerado um dos maiores ídolos da história do Palmeiras – senão o maior entre os torcedores mais longevos, além de ter sido um dos grandes armadores que já surgiu no futebol brasileiro. Também conhecido como “O Divino”, pela excelência de seu futebol, Ademir descende de uma longa linhagem de craques. Seu pai, citado acima, é considerado por várias gerações como o melhor zagueiro do país e um dos melhores do mundo de todos os tempos, e o herdeiro fez jus à frase que “filho de peixe, peixinho é”, e como o pai, também marcou época. Ainda teve três tios, irmãos de seu pai, que também jogaram e se destacaram. O cronista Armando Nogueira dizia que tinha "nome e sobrenome de craque". João Cabral de Melo Neto o transformou em poema e Moacyr Franco em música. 

Pelo Verdão atuou em 901 jogos e marcou 153 gols. Gols esses comemorados na maior discrição, chegando a tal ponto de ser confundido como um jogador sem vibração e com falta de garra. Mas tudo isso era resumido apenas na sua humildade e no seu jeito simples de jogar futebol. Durante os quinze anos que defendeu o Palmeiras, Ademir da Guia colecionou os seguintes títulos: cinco vezes campeão paulista (1963/66/72/74/76), bicampeão brasileiro (1972/73), dois Torneios Roberto Gomes Pedrosa (1967/69), uma Taça Brasil (1967) e um Torneio Rio-São Paulo (1965). 

Certa vez, em 1967, o técnico Aymoré Moreira pediu a contratação de um outro meio de campo para o lugar de Ademir. Achava que o jogador era muito frio, sem vibração. A resposta do diretor de futebol Ferruccio Sandoli veio de forma seca: "Aqui, o técnico tem toda liberdade, menos a de ser louco. E querer substituir Ademir e loucura". Aymoré foi demitido e o craque continuaria ídolo por mais dez anos. 

Embora considerado um dos grandes craques brasileiros, sua única participação em Copas do Mundo foram os 45 minutos iniciais da partida contra a Polônia, na disputa do terceiro lugar no Mundial de 1974. Ao longo da competição foi mantido teimosamente na reserva por Zagallo. A sua elegância e desenvoltura dentro de campo, praticando um futebol sem firula, contrastava com toda sua timidez fora das quatro linhas. Essa timidez foi um ponto crucial que o impediu de reivindicar maiores oportunidades no escrete. Pela Seleção foram 11 jogos, sendo 9 oficiais. Fez 6 jogos em 1965 e só retornou em 1974. 

Só os números já bastariam para ilustrar sua importância no período que defendeu com muita dedicação e amor as cores do Palmeiras. Durante 15 anos, Ademir da Guia fez do Palmeiras a sua academia de bola. Já não se faz mais ídolos como antigamente! 


2 comentários:

  1. Assim como Rivelino, deu a extrema falta de sorte em ser contemporâneo de Gérson, dono absoluto da armação na seleção brasileira, e que não abria brecha pra ninguém...

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  2. Nada a ver esse comentário....Gérson e Rivelino jogaram juntos vários jogos na seleção...quanto ao Ademir, era um baita jogador no Palmeiras, onde era o maestro inegavelmente, na seleção....São outros 500.....

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