segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

ALTAIR: UMA REFERÊNCIA DO TRICOLOR CARIOCA

 


Altair Gomes de Figueiredo nasceu em Niterói-RJ, no dia 22 de janeiro de 1938. Apesar de muito franzino, era um marcador muito duro, que dificilmente perdia uma dividida. Possuía uma raça de gigante. Para seu azar, jogou na mesma época de Garrincha, mas é apontado por muitos como um de seus melhores marcadores, ao lado do rubro-negro Jordan. Altair foi um lateral-esquerdo dos mais técnicos do futebol brasileiro.


Na sua posição, é um dos grandes nomes da história do Tricolor carioca. Faz parte do seleto grupo de jogadores que mais vestiu a camisa do Fluminense, com 542 jogos e 3 gols marcados, de setembro de 1955 a março de 1970. Teve o privilégio de jogar no período mais romântico do futebol brasileiro. Já no final da carreira passou a jogar como zagueiro. Atuou somente no Fluminense, sendo campeão do Torneio Rio-São Paulo (1957 e 60) e carioca (1959/64 e 69). 


Participou das Copas do Mundo de 1962 e 1966, sendo campeão em 1962. Inclusive, em 62 foi reserva de Nílton Santos e virou titular na Copa de 66, mas atuando de quarto-zagueiro. Vestiu a camisa do Brasil em 22 jogos, sendo 18 oficiais.


Altair era um ser humano de fino trato, fala mansa e de um jeito muito especial de lidar com o próximo. Após ficar internado por cerca de 20 dias, veio a óbito aos 81 anos, em 09 de agosto de 2019, de falência múltipla dos órgãos, no Hospital das Clínicas de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio. Ele sofria de Mal de Alzheimer.

 

 

quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

LUISINHO: O PEQUENO POLEGAR

 


Luís Trochillo nasceu em São Paulo em 07 de março de 1930. Atacante de muita técnica, ágil, driblador emérito, de futebol irreverente e às vezes até debochado. Era chamado de “Pequeno Polegar” por seu porte físico franzino e jeito moleque.


Luizinho se tornou um dos maiores artilheiros e ídolos da história do Corinthians, time que defendeu de 1949 a 1967, exceto no ano de 1963, onde esteve emprestado ao Juventus, também de São Paulo. Foi campeão paulista em 1951/52 e 54, e do Rio-São Paulo em 1950/53 e 54) todos pelo Corinthians.



Não teve a sorte de disputar uma Copa do Mundo, pois futebol e faro de gol tinha de sobra para tal. O seu azar foi jogar em uma época em que o futebol brasileiro possuía uma quantidade de atacantes do mais alto nível, o que deixou não só ele, como também outros craques sem o prazer de representar a Seleção em um Mundial.  Vestiu a camisa do Brasil em 11 jogos e marcou 1 gol, todos oficiais, entre os anos de 1955 e 1957.


Em 1996, recebeu uma homenagem e voltou a campo, aos 65 anos, em um amistoso contra o Coritiba, para passar a camisa 8 ao estreante Edmundo e completar sua partida número 603 pelo Corinthians. Marcou 175 gols pelo Timão.


Morreu na capital paulista, em 17 de janeiro de 1998, de complicações respiratórias.

 

terça-feira, 9 de janeiro de 2024

MAZARÓPI – O RECORDISTA

 


Geraldo Pereira de Matos Filho sempre quis ser goleiro, desde os tempos de garoto, em Além Paraíba, cidade mineira onde nasceu em 27 de janeiro de 1953. Foi lá que começou a jogar, até ser trazido para os juvenis do Vasco, em janeiro de 1970, por intermédio de um tio que o apresentou ao técnico do juvenil – Célio de Souza. Depois de ficar dois anos na reserva do time juvenil, recebeu um convite do Botafogo e só não saiu pela pronta intervenção de seu pai.  

 

Apesar de baixinho, era extremamente ágil, sempre mostrou muita regularidade debaixo das traves, além de ter defendido vários pênaltis durante a sua carreira. Quando de sua chegada ao Vasco, encontrou no goleiro Andrada – à época titular – um orientador com quem aprendeu muito da difícil e ingrata posição de goleiro. 

 

Maracanã lotado, silêncio total. O jogo em questão é Flamengo x Vasco, decisão por pênaltis.  O jogador Tita prepara-se para bater. Embaixo das traves, Mazarópi imóvel, com os olhos cravados na bola. O chute saiu fraco, mas colocado, só que no caminho das redes estava o goleiro vascaíno, salvando o gol.  A torcida explode com a defesa que assegura o título de campeão carioca de 1977, e grita em coro o nome daquele jovem goleiro, de 24 anos.  Mazarópi detém o recorde – entre 1977 e 1978 – jogando o time carioca, de ficar 1.816 minutos sem levar gols.  

 

Teve bons momentos defendendo o Vasco e, principalmente, o Grêmio, onde marcou época e ganhou muitos títulos.  Atuou no Vasco – 1974/78, 1980/83 e 84 (campeão carioca em 1977 e 1982); Coritiba (por empréstimo) – 1979; Grêmio – 1983; 1984/90 (hexacampeão gaúcho em 1985/86/87/88/89 e 90, campeão da Copa do Brasil em 1989, e da Libertadores e do Mundial em 1983); Náutico – 1984 (campeão pernambucano); Figueirense – 1991 e Guarany (RS), onde encerrou a carreira em 1992.  Mazarópi ganhou esse apelido assim que chegou ao Vasco, nome de um humorista famoso na época. Defendeu o Vasco em 407 jogos.

                                                 O uruguaio Washington, Mazarópi e Carlos Alberto Garcia, em 1978
 

Complementando as informações, recebi do jornalista e radialista Sergio Luiz, radicado em Volta Redonda, mas nascido em Além Paraíba, detalhes da infância e outros fatos sobre o ex-goleiro Mazarópi. Eles são contemporâneos.

 

“Quando era garoto, Mazarópi tinha o apelido de Dadão e por ser alto, jogava como zagueiro no nosso time de garotos chamado Palmeirinhas. Tínhamos 12 ou 13 anos e disputávamos um futebol num areal próximo à residência dele, em Além Paraíba. Mas o curioso é que, certa vez, dona Néia, sua mãe, chamou todo o time e disse: "O Geraldinho não pode jogar na linha, porque de noite ele passa mal. Se quiserem que ele brinque, tem que ser no gol. Eu é que sei o que passo a noite". Dona Néia, mal sabia que estava definindo o futuro de um dos maiores goleiros do futebol brasileiro. Até hoje, não sei qual o mal que o afetava, talvez nem ele se lembre.

Maza sofreu muito quando foi acusado, injustamente, na Máfia da Loteria, de ter falhado num jogo contra o Bahia, em pleno Maracanã, quando tomou um gol de Alberto Leguelé, do meio da rua. Uma covardia, haja vista que o jogo nem fazia parte da loteria esportiva.

O que aconteceu é que, nesse dia, sua mãe estava internada, com leucemia, já em fase terminal. Maza estava muito abalado e não deveria nem ter jogado. Logo depois, no dia 07 de setembro, ela faleceu. Éramos amigos de infância e fiz questão de ir ao sepultamento de dona Néia, em Além Paraíba. Mazarópi não acompanhou o enterro, pois estava em estado de choque e não conseguiu levantar-se da cama.

Naquele jogo, em 1977, quando pegou o pênalti cobrado pelo Tita, conquistando o título carioca, Maza, ao final, pegou a bola e, de joelhos, foi para dentro do gol e levantou-a para o céu e ofereceu à sua mãe. Foi emocionante para todos que viram a cena.”

 

 

sábado, 6 de janeiro de 2024

ZAGALLO: O VELHO LOBO

 


Alagoano de Atalaia, onde nasceu em 09 de agosto de 1931, Mário Jorge Lobo ZAGALLO foi um atacante inteligente e de grande senso tático, notabilizou-se, sobretudo, por criar um novo estilo: ponta que recuava para ajudar no meio-campo. Era uma formiguinha, apelido que sintetizava sua maneira de jogar. Mas sempre que era preciso aparecia com sua categoria e marcando belos gols. Não que fosse um gênio, de futebol exuberante e incontestável, mas não se pode negar o valor de Zagallo dentro e fora de campo. 


Teve uma ótima passagem pelo Flamengo, mas foi no Botafogo que marcou época. Foi nas categorias de base do América que Zagallo iniciou sua brilhante carreira. Jogou depois no Flamengo – 205 jogos e 29 gols (tricampeão carioca em 1953/54 e 55), e Botafogo (bicampeão carioca em 1961/62, e do Rio-São Paulo em 1962 e 64). Após encerrar a carreira de atleta, em 1965, iniciou no Botafogo uma trajetória vitoriosa como técnico. Logo de cara conquistou a Taça Guanabara de 1967. Em 1966, já havia conquistado o Campeonato de Juvenil. 


Em uma reportagem da Revista do Esporte de 1967, após o título da Taça Guanabara, Zagallo afirmou que "nunca pensou ser técnico". Foi questionado sobre a maior lição que aprendeu durante os 15 anos de carreira como jogador e ele respondeu:

- Aprendi grandes lições, sem dúvida. A principal, talvez, seja esta: sem disciplina, nada pode ser feito. Assim, quando assumi a direção técnica da equipe, pedi a todos que não confundissem amizade com liberdade. Conseguido tudo isso, ficou fácil. Não sou melhor do que ninguém e exijo que todos cumpram seus deveres bem como tenham seus direitos respeitados. A maior dificuldade que pode haver para um treinador é transmitir suas ordens e fazer com que elas sejam compreendidas. A lição aprendida como jogador é o meu lema de todos os dias. 


Tem que se respeitar a história do “Velho Lobo” no futebol. O brasileiro tem o péssimo defeito de não reverenciar seus ídolos. Erros e acertos fazem parte da trajetória de qualquer profissional. No entanto, desmerecer o que esse cidadão conquistou é brigar contra os fatos e os números. Você pode não ser simpático a uma pessoa, e até não gostar dela, mas isso não invalida a trajetória profissional que o mesmo conseguiu. Se tiver que criticar, que o faça, mas com respeito. De qualquer maneira, tem que engolir!


Se alguém tem história para contar na seleção brasileira, esse alguém é o Zagallo. Viveu momentos de glórias e de decepções à frente do time canarinho. Pelos títulos que conquistou, seja como jogador ou como técnico, pode-se dizer que as glórias superam com sobras as decepções. O "Formiguinha", como era conhecido na época, participou das Copas do Mundo de 1958 e 62, conquistando o bicampeonato. Foi o comandante do Brasil na conquista do tricampeonato mundial em 1970, no México, e ainda dirigiu a Seleção nas Copas do Mundo de 1974 e 1998. Em 1994, era o auxiliar técnico de Parreira. A maior decepção veio em 1998, na Copa da França, com a derrota na final para os donos da casa. 


Pela Seleção atuou em 34 jogos e marcou e 5 gols, sendo 32 oficiais e 4 gols. O retrospecto como técnico da Seleção principal é o seguinte: 135 jogos (99 vitórias, 26 empates e 10 derrotas).


A sua trajetória de técnico ficou mais restrita no futebol carioca e mundo árabe. A Portuguesa de Desportos – em 1999 – foi a única equipe que treinou fora do Rio de Janeiro. Comandou o Botafogo em quatro oportunidades; o Flamengo em três; o Vasco em duas; Fluminense e Bangu, uma vez cada. Treinou as Seleções do Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes, e o Al-Hilal, clube da Arábia Saudita, em 1979.


Foi campeão carioca como técnico em cinco oportunidades: Botafogo (1967 e 1968), Fluminense (1971), Flamengo (1972 e 2001). Em 1984, foi campeão da Copa da Ásia comandando a Arábia Saudita.


Após uma luta de anos com problemas de saúde, mas sempre com lucidez e uma memória privilegiada, Zagallo faleceu em 05 de janeiro de 2024, na capital carioca, aos 92 anos, de falência múltipla de órgãos. Foi se um grande homem e desportista, fica sua história eternizada. 

quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

PELÉ POR AÍ...

 




PELÉ NO VASCO...




Torcedor vascaíno durante a sua infância quis o destino que Pelé, com apenas 16 anos, quase conquistasse seu primeiro título profissional com a camisa do próprio Vasco, em pleno Maracanã.

Tudo aconteceu na disputa do Torneio do Morumbi de 1957, competição amistosa promovida pelo São Paulo para celebrar o início da construção de seu estádio – que foi inaugurado em 1960. Despontando com rara habilidade, a jovem promessa foi “cedida” ao Vasco – juntamente com os santistas Ivan, Urubatão, Brauner, Álvaro, Jair Rosa Pinto e Pepe – para formar uma espécie de combinado, já que o time principal do Vasco excursionava pela Europa. Até então, Pelé havia jogado 30 partidas como profissional vestindo a camisa do Santos.Torcedor vascaíno durante a sua infância quis o destino que Pelé, com apenas 16 anos, quase conquistasse seu primeiro título profissional com a camisa do próprio Vasco, em pleno Maracanã.

Foram três jogos e cinco gols com a camisa do Vasco: Belenenses/Portugal (6 x 1 para o combinado); Dínamo Zagreb/Iugoslávia (1 x 1); Flamengo (1 x 1).

Três partidas do combinado foram no Maracanã. Outros jogos foram realizados no Pacaembu. Inclusive, na fase seguinte o jogo do combinado Vasco/Santos contra o São Paulo foi no Pacaembu, empate de 1 a 1, e o combinado usou a camisa do Santos. O torneio não chegou ao fim, pois não despertou muito interesse do público, e os seus organizadores resolveram suspendê-lo devido aos prejuízos.

Em maio de 1965, no gramado do Maracanã, Pelé recebeu das mãos de Manoel Joaquim Lopes, presidente do Vasco, um escudo de ouro e um título de sócio patrimonial do clube. Pelé nunca negou suas condições de torcedor do Vasco. 

 

PELÉ NO FLUMINENSE...



Isso aconteceu em 1978, numa excursão do Fluminense ao continente africano, mais precisamente na Nigéria. Era um amistoso contra o Racca Rovers. Pelé não foi ali originalmente para jogar pelo Fluminense: ele havia sido convidado apenas para dar o pontapé inicial na partida, mas como as emissoras de rádio e os principais jornais da Nigéria acabaram divulgando o boato de que ele iria jogar e isso foi suficiente para superlotar o Estádio. Para evitar uma possível tragédia, Pelé jogou os primeiros 45 minutos pelo Fluminense, que venceu a partida por 2 x 1 e o Rei não marcou nenhum dos gols. 


PELÉ NO FLAMENGO...


 

Com 39 anos, Pelé vestiu a camisa 10 do Flamengo em 1979, deixando o Zico com a número 9, no confronto contra o Atlético Mineiro, que gerou uma renda de CR$ 8.781.290,00, com um público de 139.953 pagantes. O jogo foi em benefício dos mineiros que sofreram com a enchente naquele ano. Comandado por Zico, que marcou três vezes, e pelo ponta Júlio César, o Uri Geller, o Flamengo goleou o Galo por 5 a 1. Marcelo anotou o gol atleticano.

 

Flamengo: Cantarelli, Toninho, Rondinelli (Nelson), Manguito e Júnior; Andrade, Carpeggiani (Ramirez) e Zico; Tita, Pelé (Luisinho) e Júlio César (Reinaldo). Técnico: Cláudio Coutinho.

Atlético-MG: João Leite, Alves, Osmar, Luizinho e Hilton Bruniz; Cerezo, Marcelo (Carlinhos) e Paulo Isidoro; Serginho (Pedrinho), Dario e Ziza (Vilmar). Técnico: Procópio Cardoso.

 

 

PELÉ NA SELEÇÃO COMEMORANDO SEU CINQUENTENÁRIO...

 


Para comemorar o cinquentenário de vida do Rei Pelé, a CBF organizou para o dia 31 de outubro de 1990 um amistoso entre a Seleção Brasileira, com a participação do Rei do Futebol e o Combinado do Resto do Mundo, uma seleção dos melhores jogadores que disputaram a Copa do Mundo de 1990, ocorrida quatro meses antes. O jogo ocorreu no Estádio Giuseppe Meazza, em Milão (Itália).

Pelé jogou por 43 minutos, substituído por Neto. O Rei poderia ter marcado o último gol de sua carreira se não fosse o atacante Rinaldo, do Fluminense, que protagonizou um lance que entrou para a história. O jogador tricolor partiu pela esquerda contra apenas um zagueiro, enquanto Pelé vinha a seu lado totalmente desmarcado (propositalmente, talvez), só esperando receber a bola para marcar o gol. Rinaldo – infelizmente – não tocou e ainda perdeu o gol.

Neto fez o gol do Brasil, de falta, enquanto o espanhol Michel e o romeno Gheorghe Hagi marcaram os gols do Combinado do Resto do Mundo.

 

 

quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

DO GUALICHO AO GARRINCHA – POR MÁRCIO SOUZA (JORNALISTA ESPORTIVO)

 


Até meados de 1953 o nome mais famoso das Américas era de um cavalo, o argentino Gualicho. Ele conquistou uma façanha, até hoje não igualada: venceu o Grande Prêmio São Paulo e o Grande Prêmio Brasil em 1952 e repetiu a proeza em 1953. Nenhum outro cavalo sequer igualou essa marca, vencendo os dois maiores prêmios do turfe sul-americano, por duas vezes consecutivas. Ao mesmo tempo, em General Severiano, surgia um jovem, super tímido, quase caipira, trazido pelo zagueiro Arati, após vê-lo barbarizando em jogos regionais, pelo time do Pau Grande FC, em Raiz da Serra, próximo a Magé, Estado do Rio. Ninguém levava fé na descoberta do Arati, principalmente porque o garoto tinha uma deficiência nas pernas, com joelhos visivelmente entortados, da direita para a esquerda, parecendo até dificultar para ficar em pé ou caminhar normalmente. Logo no primeiro treino, atuando pelos reservas, sabe quem o rapazinho teve pela frente? Simplesmente Nilton Santos, maior lateral esquerdo do futebol brasileiro e mundial, de todos os tempos. Em poucos minutos, o pontinha folgado deitou e rolou, dando dribles desconcertantes no famoso "Enciclopédia", a ponto de Nilton Santos pedir ao treinador, Gentil Cardoso, para que tirasse aquele moleque da sua frente, fazendo quase um apelo "nunca mais me bote prá marcar esse pirralho"! Imediatamente, Gentil Cardoso passou o garoto para o time titular e, daí em diante, jamais Nilton Santos enfrentou o rapaz, mesmo durante os treinamentos...

 

Agora, voltando à manchete dessa matéria: o quê tem a ver o Gualicho (cavalo) com o Garrincha (ponta-direita)? Tudo! Ainda em 1953, ao estrear no time principal, em jogo contra o Bonsucesso, o ponta Manoel dos Santos foi chamado, pela maioria dos narradores, pelo nome de Gualicho, achando que o apelido do jogador era uma espécie de homenagem ao cavalo campeão argentino. Eu mesmo, quando trabalhei na Emissora Continental, de 1963 a 1965, nos arquivos carinhosamente organizados pelo Agostinho Olivato Neto, cheguei a ouvir narrações de locutores da época, entre eles o Oduvaldo Cozzi e o Antônio Cordeiro, a maioria descrevendo lances criados pelo Gualicho, enquanto outros locutores, especialmente Waldir Amaral, já identificavam o jogador pelo apelido correto, Garrincha. A dúvida só foi desfeita quando Geraldo Romualdo da Silva, editor do Jornal dos Sports, recebeu o jogador, na redação do "cor de rosa", para uma entrevista esclarecedora. E o próprio Manoel Francisco dos Santos revelou que seu apelido era homenagem a um pássaro, Garrincha, e que não tinha a menor idéia de quem era o cavalo Gualicho. (Acrescento, por minha conta, que o Gualicho deve ter sido o primeiro "João" do Garrincha!)

 

Detalhe: no jogo em que fez sua estréia oficial no Botafogo, dia 19 de julho 1953, no campo do Bonsucesso, contra o time da casa, o alvinegro goleou por 6x3. Dino da Costa fez 2 gols e Vinícius fez um. Esses dois, pouco depois, foram para o futebol italiano, praticamente iniciando o êxodo de jogadores brasileiros para o futebol europeu. Na vitória por 6x3 sabe quem foi o artilheiro? Garrincha, com 3 gols.

 

O primeiro deles cobrando penalty, mostrando desde logo que tinha personalidade. Muita gente, inclusive que trabalha atualmente no meio esportivo, nem passa pela cabeça que, durante algum tempo, Garrincha foi Gualicho... ou que Gualicho foi Garrincha! Os dois até hoje, jamais foram superados, em seus respectivos "templos sagrados", os hipódromos e os estádios de futebol. Entre eles havia uma única diferença: o argentino era um quadrúpede fantástico, espetacular, formidável, garboso, enquanto o brasileiro era um bípede genial, incomparável, apaixonante, inesquecível!

sábado, 23 de dezembro de 2023

SERGINHO: O CHULAPA

 


Sérgio Bernardino nasceu na capital paulista em 23 de dezembro de 1953. Atacante de técnica razoável, mas de boa colocação na área, oportunismo e temperamento polêmico. Durante os anos em que desfilou sua capacidade de fazer gols, Serginho Chulapa também acumulou algumas confusões dentro de campo ao longo de sua trajetória desportiva. Com tudo isso, Serginho foi um artilheiro do nosso futebol. O apelido “Chulapa” foi dado pelo narrador Silvio Luiz, pelo pé tamanho 44. Sua movimentação desengonçada, usando muito os braços, rendeu mais um apelido: “Tamanduá-bandeira”, vindo do narrador Osmar Santos.


Seu nome é obrigatório na relação de grandes atacantes da história do São Paulo. É o artilheiro máximo do clube com 242 gols. Sua passagem pelo Santos também merece destaque. Ficou marcado no coração do torcedor santista ao fazer o gol que garantiu o título paulista de 1984, no jogo final contra o Corinthians.


Atuou no São Paulo – 393 jogos e 242 gols (campeão paulista em 1975/80 e 81, e do brasileiro em 1977), Marília (SP), por empréstimo, em 1973 – 20 gols, Santos, em quatro oportunidades – 202 jogos e 104 gols (campeão paulista em 1984), Corinthians – 38 jogos e 14 gols, Marítimo/Portugal, Malatyaspor/Turquia, Portuguesa Santista – 42 gols, São Caetano (SP) – 37 gols e Atlético Sorocaba (SP), onde encerrou a carreira em 1993.


Era um dos nomes cotados para a Copa de 1978, na Argentina, porém acabou perdendo a chance de jogar quando teve que cumprir um ano de suspensão por agredir um bandeirinha.


O ápice de sua carreira foi em 1982, quando foi titular da seleção de Telê Santana na Copa do Mundo de 1982, na Espanha, a única que participou. Disputou todas as partidas como titular, tendo marcado dois gols, contra Nova Zelândia e Argentina. Vestiu a camisa do Brasil em 22 jogos e marcou 9 gols, sendo 20 oficiais e 7 gols.