terça-feira, 27 de junho de 2023

2ª DIVISÃO DO RIO – AS AVENTURAS DE QUEM SONHA COM O MARACANÃ

 

Campo do Rio Branco

Nota: reportagem da revista Placar de 30/08/1985, assinada por Armando Calvano e fotos de Rodolpho Machado

 

Um louco futebol: em campo, Brigite Bardot, carneiros, galos de briga...

 

Menos de um mês depois de disputarem a final da Taça Ouro pelo Bangu, na semana passada os atacantes Pingo e Lulinha sentiram o chão sumir sob seus pés. O patrono do vice-campeão nacional, Castor de Andrade, informou que o Campo Grande, de quem o Bangu emprestara os dois jogadores no início da temporada, estava pedindo 600 milhões de cruzeiros por seus passes em definitivo. Castor não estava disposto a desembolsar tanto e, assim, eles teriam de voltar a seu clube, que disputa a Segunda Divisão do Rio de Janeiro.

Pingo não se conformou, Lulinha chegou a dizer que nesse caso preferia ficar sem clube. Voltar à Segundona, nunca! Ao contrário do que acontece em sua similar paulista, que ocupa o terceiro lugar em volume de arrecadações no país, a divisão de acesso fluminense representa para os craques mais ambiciosos uma espécie de calabouço, onde estão condenados ao exílio perpétuo dos grandes espetáculos do futebol que costumam acontecer perto dali, no Maracanã – palco que todos sonham em pisar. Povoado por dirigentes doidamente apaixonados por seus times, jogadores que se cruzam em início e fim de carreira, repleto de cenas inimagináveis numa estrutura que apesar de tudo preserva o profissionalismo. O campeonato representa por tudo isso um universo rico e fascinante. Uma espécie de folclore vivo e em permanente criação.

 

Sentado num apodrecido banco de madeira no vestiário, o atacante Zé Neto reclamava com o massagista: “Manfrini, cadê a toalha quente? Tá na hora de fazer o tratamento no joelho”. Manfrini pediu paciência: “Espera um pouco que a água está esquentando lá fora”.

Junto à entrada do vestiário, quatro tijolos sustentavam uma velha chaleira com água até a boca. No meio, ardiam alguns gravetos. Em 15 minutos, a água começou a borbulhar. Estava no ponto para umedecer a toalha desbotada. Mas logo o tarimbado massagista – dez anos de dedicação ao Rio Branco, de Campos, a terra do petróleo e da cana-de-açúcar no interior fluminense – viu-se às voltas com outro problema insólito: “A bola, cadê a bola?”, pediam os jogadores, já de roupa trocada, no centro do campo do Ypiranga.

“É mesmo, a bola...” deu-se conta Manfrini. Abriu o armário, pegou uma velha bola – mais desbotada que a toalha sobre o joelho de Zé Neto – e deu início a um sofrido movimento de vaivém na bomba de pneu de bicicleta para poder enchê-la a gosto do time. Terminado o cansativo trabalho, quicou-a três vezes antes de lançá-la por cima do alambrado para os ansiosos jogadores.

 

SAUDADE DAS MORDOMIAS

 

É assim a Segunda Divisão Profissional do Rio de Janeiro. Já indo para a terceira rodada do segundo turno, a maioria dos clubes faz o diabo para sobreviver, com média de 200 torcedores, rendas máximas de 1,5 milhão de cruzeiros e três salários mínimos mensais para os maiores craques. O primo mais pobre desta família é, sem dúvida, o Rio Branco de Campos.

Em sua bela casa próxima ao campo do Goytacaz, outro clube da cidade, o presidente de honra e tesoureiro do Rio Branco, Clóvis Arenari, tenda explicar a situação: “Como vivemos? Isso é muito simples, meu filho: nosso coração é rosa e preto (as cores do clube). Faltou dinheiro, eu, o presidente do clube, e mais uns três amigos, metemos a mão no bolso”, diz ele enquanto afaga a cabeça de um galo de briga, um dos 50 que cria nos fundos da casa. Mas o clube diversifica sua política econômica. Há um mês, a direção colocou à venda 7.000 títulos do Rio Branco e garante que 6.500 foram vendidos. O sucesso fulminante da promoção está intimamente ligado à surpreendente campanha do time, que ocupa a segunda colocação no campeonato.

Além dos artilheiros Cacholinha e Arroz, um jogador das Arábias é considerado o maior responsável por essa façanha: o zagueiro William, que começou a sua carreira no Fluminense e, de 1981 a 84, faturou cerca de 2.000 dólares por mês no Catar. Hoje, no Rio Branco, Willim lamenta que os árabes tivessem proibido os estrangeiros de atuar na região: ganha, o câmbio atual, 70 dólares por mês (menos de 500 cruzeiros) no clube campista. “Vivo de economias, meu irmão. Naquela mordomia lá dos árabes eu não gastava nada e deu para juntar um dinheirinho. Ainda bem, né?”




De Campos a Cabo Frio são mais de 2 horas de estrada.  Lá, à beira da praia e em meio a turistas que vêm do Brasil e do mundo, atraídos pelas areias alvíssimas e o mar transparente da região, fica a Associação Atlética Cabofriense, que divide a segunda colocação com o Rio Branco. E a situação se torna curiosa na medida em que a Cabofriense é o primo rico da competição.

O prefeito Alair Correia, do PMDB, certo de que no futebol encontraria uma fonte de divisas para a região, resolvei investir forte na Cabofriense. Reuniu um grupo de comerciantes da região e, assim, obteve uma receita mensal de 50 milhões de cruzeiros. Com isso, o supervisor Carlos Alberto Galvão, o “Katuca”, que já trabalhou em vários clubes grandes do Rio, pôde sair à cata de reforços. Transformou a Cabofriense numa espécie de filial do Bangu, que, por intermédio de Castor de Andrade, cedeu sete jogadores, entre eles Totonho e Marcelinho, que chegaram a ser titulares do time de Moça Bonita. Para completar a equipe, três veteranos: Paulo Verdum (ex-Botafogo), Sérgio Lima (que jogou no América do Rio, no Guarani de Campinas e no México) e Luís Paulo, (ponta-esquerda, 35 anos, que quando jogava no Flamengo, mereceu exagerados elogios de Pelé).

 

UM TRAMPOLIM

 

De Cabo Frio, ficou na equipe apenas o centroavante Val, 18 anos, considerado a maior revelação da cidade em todos os tempos. O técnico Hamilton está satisfeito. Estudioso do futebol, também com passagem pelo futebol árabe após ter-se diplomado em Educação Física, ele considera inviável a estrutura dos clubes da Segunda Divisão.

“O certo seria os times se preocuparem em revelar novos valores em vez de aproveitar os jogadores mais veteranos. Veja bem: não estou contra nenhum deles que joga aqui na Cabofriense. Eu gostaria somente que o futebol brasileiro fosse olhado de uma outra maneira, não tão imediatista. Os clubes da Segunda Divisão poderiam ser o trampolim para os jovens, ou seja, aqueles que estouram idade de juniores no Vasco, Flamengo, Fluminense, e não são aproveitados.”

No alta da serra, em Nova Friburgo, a 137 km do Rio, o técnico da Friburguense, Paulo Massa, companheiro de faculdade de Hamilton, pensa da mesma forma. E é apoiado pelo presidente Felippe Deccache, um industrial bem-sucedido da região, que não tem o menor interesse de transformar agora a Friburguense num grande clube.

“Vou contar uma verdade para você: nós nem íamos disputar esse campeonato de 1985. Só entramos mesmo porque o CND baixou aquela norma de que quem não jogasse seria rebaixado para a Terceira Divisão. Montei nosso time em um mês”, disse Deccache.

Impávido, segue à frente de todos o Campo Grande, líder absoluto da Segunda Divisão, que, se não consegue seduzir de volta seus craques Lulinha e Pingo, já tem quase a certeza que voltará a jogar, no ano que vem, contra os grandes do futebol carioca. Apesar das baixas arrecadações, o clube consegue se manter em boa situação graças à sua alta arrecadação social de clube de porte na zona rural carioca.

O Serrano, de Petrópolis, e o Mesquita, da Baixada Fluminense, também vivem, aos trancos e barrancos, da receita de seu pequeno quadro social. Ruim mesmo está a situação para São Cristóvão e Madureira, mal colocados na tabela de classificação.  Os dois, além de terem perdido quase todos os associados nos últimos anos, mal conseguem pagar as despesas do time. Como o Nacional de Caxias, cujos jogadores ganham mensalmente o equivalente a um salário mínimo. O Nacional é o último colocado. Até agora, só conseguiu dois pontos.

Mas especialmente triste é a situação do São Cristóvão. Clube de tradição no futebol carioca, com um título estadual conquistado na década de 30, hoje corre o sério risco de cair até para a Terceira Divisão, tal a fragilidade de sua equipe. O velho estádio de Figueira de Melo está praticamente abandonado e já houve jogos neste da Segunda Divisão em que apenas 20 torcedores foram ver. Para se ter uma ideia, seu jogador mais experiente – Albéris – ganha 370.000 cruzeiros por mês, pouco mais que o salário mínimo.

Sumiram até os quatro carneiros que passavam o dia a comer a grama do campo. Ninguém sabe dizer nas panelas de quem foram colocados. Sumiram, como pode acontecer com o São Cristóvão qualquer dia desses.

Assim vai a Segundona, fazendo o que pode para não desaparecer e, se possível, chamar a atenção. Em setembro, a Cabofriense vai estrear uma nova camisa, com um desenho da Brigitte Bardot no lado direito do peito. É uma homenagem à BB, que tornou conhecida internacionalmente a vizinha Búzios, distrito de Cabo Frio, ao passar, 20 anos atrás, umas férias ali com seu namorado argelino, criado no Brasil, Bob Zagury. Aliás, onde foi parar esse também?

 

Minhas considerações:

 

O Campeonato Estadual da Segunda Divisão de 1985 foi disputado pelas seguintes agremiações:

Associação Atlética Cabofriense, de Cabo Frio

Campo Grande Atlético Clube, do Rio de Janeiro

Friburguense Atlético Clube, de Nova Friburgo

Madureira Esporte Clube, do Rio de Janeiro

Mesquita Futebol Clube, de Nova Iguaçu

Nacional Foot-Ball Club, de Duque de Caxias

Clube Esportivo Rio Branco, de Campos

Royal Sport Club, de Barra do Piraí

Rubro Atlético Clube, de Araruama

São Cristovão de Futebol e Regatas, do Rio de Janeiro

Serrano Futebol Clube, de Petrópolis

Esporte Clube Siderantim, de Barra Mansa

 

Foram promovidos ao final do campeonato o Campo Grande (campeão) e Mesquita (vice-campeão) para os lugares dos rebaixados Bonsucesso e Volta Redonda.

 

sábado, 17 de junho de 2023

BITA: UM ARTILHEIRO IMPLACÁVEL

 


Silvio Tasso Lasalvia, mais conhecido como BITA, nasceu em Olinda-PE, em 11 de agosto de 1942. É o maior artilheiro da história do Náutico, com números impressionantes: 223 gols em 319 jogos.


Outro fato marcante em sua carreira é a conquista de dez títulos consecutivos do estadual pernambucano: Náutico (1963/68) e Santa Cruz (1969/72). Após conquistar o tetracampeonato estadual pelo Náutico em 1966 e ter sido o artilheiro da Taça Brasil do mesmo ano, junto com Toninho Guerreiro, do Santos, com 10 gols, Bita troca o Brasil pelo Uruguai e vai defender o Nacional, em 1967. A passagem no futebol uruguaio foi rápida e logo retornou ao Náutico.


Além de muitos prêmios como artilheiro de competições que participou, Bita conquistou o Prêmio Belfort Duarte em 1972, honraria destinada aos jogadores disciplinados. Nunca foi expulso de campo. Bita era irmão de Nado, que jogou no Vasco na segunda metade dos anos 1960.


Um câncer na face foi a causa de sua morte, em 27 de outubro de 1992, aos 50 anos, na capital pernambucana.


Vale acrescentar que o Rei Pelé em uma entrevista a um programa da TV Cultura, foi perguntado sobre os melhores times de futebol que ele já tinha visto jogar, de pronto ele respondeu: o Cruzeiro de Tostão, o Palmeiras de Ademir da Guia e o Náutico de Bita.

quarta-feira, 7 de junho de 2023

FERNANDÃO: O TRÁGICO FIM DE UM ÍDOLO ESMERALDINO E COLORADO

 


Fernando Lúcio da Costa nasceu em Goiânia no dia 18 de março de 1978. Iniciou a carreira nas categorias de base do Goiás e aos 17 anos já integrava o time principal. Sua trajetória no Goiás foi de 1995 a 2001, e retornou em 2009/10, marcando 118 gols em 308 jogos. Faz parte da galeria dos grandes artilheiros do clube Esmeraldino.  Foi pentacampeão goiano 1996/00, e bicampeão da Copa Centro-Oeste 2000/01.


No futebol francês jogou no Olympique de Marseille e Toulouse (por empréstimo). Retornou ao Brasil em 2004 para ser um dos destaques do Internacional. Sua passagem pelo Internacional foi marcante e fez dele um grande ídolo do torcedor colorado, marcando seu nome na história do clube, principalmente nas conquistas da Taça Libertadores e do Mundial de Clubes da FIFA, em 2006. Ainda foi campeão gaúcho em 2005 e 2008, e da Recopa Sul-Americana de 2007. Atuou em 190 jogos e marcou 77 gols.


Na temporada 2008/09 jogou no Qatar, no Al-Gharafa (campeão da Copa e da Liga em 2009). Vestiu novamente a camisa do Goiás e depois de uma breve passagem pelo São Paulo, encerrou sua carreira em maio de 2011.


Fernandão estava com mais quatro pessoas no momento da queda de um helicóptero, em Goiás, e não houve nenhum sobrevivente. O acidente aconteceu por volta da 1h30, quando a aeronave que transportava Fernandão caiu em um rio. Ele estava com 36 anos e vinha trabalhando como comentarista no Sportv.

segunda-feira, 5 de junho de 2023

SAPATÃO: UM ÍDOLO DO TRICOLOR BAIANO



Élcio Nogueira da Silva, mais conhecido como Sapatão, nasceu em Campos dos Goytacazes-RJ, em 15 de outubro de 1947. Começou sua trajetória nas categorias de base do Campos Atlético Associação, de sua cidade natal.

Seu desempenho na zaga do roxinho campista o levou aos quadros amadores do Flamengo, mesmo período em que o apelido de "Sapatão" ganhou força entre os companheiros de clube. Após um jogo amistoso contra o Fluminense de Feira de Santana, o clube baiano manifestou interesse pelo jovem zagueiro Rubro-Negro. Foram apenas três jogos pelo Flamengo, entre julho de 1967 e maio de 1968.

Campeão baiano de 1969 defendendo as cores do Fluminense, seu desempenho chamou a atenção do Bahia, que contratou o promissor zagueiro em 1970. Ficou no tricolor baiano até o início de 1972, quando os dirigentes do Santa Cruz, impressionados com seu futebol, compraram seu passe. Nesse mesmo ano conquistou o título pernambucano.

                                                               O 2º em pé, a partir da esquerda. Campeão baiano de 1969.

Não demorou muito para o Bahia trazer seu ex-zagueiro de volta e corrigir a falha de sua saída. Heptacampeão baiano entre 1973 e 1979, Sapatão foi um dos símbolos de um período marcante na história do clube. Vestiu a camisa do Bahia em 450 jogos e marcou 12 gols. É um dos grandes ídolos do tricolor baiano.

Permaneceu no Bahia até 1980 – quando se transferiu para a Catuense – equipe que encerrou a carreira em 1981. Apaixonado pela “boa terra” fixou residência em solo baiano.

Sapatão era hipertenso e sofria de problemas renais. Faleceu em 05 de junho de 2020, na capital baiana, aos 72 anos. 

terça-feira, 2 de maio de 2023

MARRECOS SOBEM À TONA: TIME DE CARDOSO MOREIRA CONSEGUE VAGA INÉDITA NA PRIMEIRA DIVISÃO DO RIO.

 


Nota: matéria assinada por Gian Amato, publicada no jornal O Globo em 09 de dezembro de 2007, com fotos de Jorge William.

 

Sentado diante da entrada do estádio Antonio Ferreira de Medeiros, o técnico Mário Marques dá uma entrevista, mas não tira os olhos de um campinho de terra, onde marrecos batem bola. Aos pés do Morro dos Cabritos, no meio da cidade, e da estátua do Cristo Redentor, que divide opiniões, contava como levou o Cardoso Moreira Futebol Clube à Primeira Divisão, fato inédito que pôs o município no mapa, quando chega um garoto magro dirigindo um velho Gol branco. Ele salta do carro e pega do banco traseiro um pesado pacote embalado em saco plástico:

- É a carne do time, posso deixar aqui? – perguntou ao presidente do clube, Alexandre Cozendey.

 

A contribuição de cada marreco, como os 12.595 habitantes de Cardoso Moreira são conhecidos, foi fundamental, tanto para o voo do time rumo ao topo do futebol carioca quanto para manter a cidade na superfície. Encravada em um vale a 350 km do Rio, à beira do Rio Muriaé, Cardoso só não afundou por um milagre. As constantes enchentes (daí o apelido) estão marcadas nas paredes, que não são pintadas há décadas para provar o nível que a água atingiu. Para não depender dos céus, moradores passaram a construir casas de dois andares.

- Nem imaginava que Cardoso Moreira existia. Vim conhecer a cidade quando a proposta surgiu e acabei ficando. Afinal, uma coisa me intrigava. Por que fazem tantos terraços? Descobri que era para fugir das águas – disse Mário Marques.

 

Marreco ilustre da cidade, o prefeito Renato Jacinto (PMDB) inspira corações e mentes cardosenses. Ninguém admite ser puxa-saco, mas dizem que ele era craque na década de 1980. Jogou o amistoso contra um combinado de ex-campeões mundiais pela seleção brasileira. Entre eles, um craque que também tinha nome de ave: Garrincha.

- O juiz apitou e ele correu para a ponta direita. Passei 90 minutos sem ir até lá. Só assim evitei de levar uma tremenda humilhação.

 

Menos, prefeito. Afinal, Garrincha estava em fim de carreira. E Renato parou pouco tempo depois para seguir o sonho político. Há 18 anos, ele participou do processo pela emancipação de Cardoso Moreira do município de Campos, cidade do rival Americano, principal força na Região Norte. Com a ajuda da fama que fez no futebol, ganhou a admiração e os votos da população, que o elegeu prefeito pela primeira vez em 1992.

 

CIDADE TEM O TERCEIRO PIOR IDH

 

Na elite do futebol, Cardoso Moreira seria rebaixada no Índice de Desenvolvimento Humano. A cidade é a antepenúltima colocada no ranking do Estado, na 89ª posição. Só perde para São Francisco de Itabapoana (90) e Varre-Sai (91). Na classificação nacional, é apenas o 2.895º. Talvez seja por isso que a maioria dos habitantes homens enxergou no Cardoso, em diferentes momentos da existência do clube, a chance para melhorar de vida.

- Comecei em 1955, mas tive que parar e cortar cana e café para sustentar a esposa – recordou Luiz Antônio da Silva, carteirinha de jogador da época nas mãos castigadas pelo trabalho na roça. – Salvei o casamento e a minha vida.

 

O tom de premonição no discurso do ex-lateral fica por conta da lembrança da maior tragédia do clube. No final da década de 50, um caminhão trazia os jogadores de uma partida em Itaperuna quando tombou na estrada que hoje é uma rodovia federal. Parte do time morreu, a outra ficou mutilada e o clube entrou em luto profundo.

 

Foi preciso passar muitos anos e muita água do Rio Muriaé por baixo da Ponte do Outeiro para purificar a equipe, que, em menos de dois anos, venceu a Terceira Divisão e vai chegar entre os quatro primeiros da Segundona, assegurando a classificação. Junta-se ao Mesquita, Macaé e Resende. Os dois últimos também chegam pela primeira vez. O Campeonato Estadual de 2008 será disputado por 16 clubes, sendo seis da capital: o menor percentual em 20 anos. O Olaria disputa, na repescagem, a quinta vaga.

 

A festa do interior, promovida pelo presidente da Federação de Futebol, Rubens Lopes, em troca de apoio, não garante a qualidade do espetáculo e obriga os pequenos a disputarem jogos com os grandes em estádios da capital.

 

Pelo menos, as equipes subiram com suas próprias forças. E uma ajudinha das prefeituras. O prefeito de Mesquita, Arthur Messias da Silveira, por exemplo, investiu R$ 80 mil. Renato Jacinto garante que só contribui com R$ 2 mil mensais para a folha salarial de R$ 22 mil. Além do dinheiro, abre as portas do Barracão, seu restaurante, para Mário Marques e a diretoria comerem. Em sua moto, Cozendey costuma carregar até lá o diretor Emerson Papa, que vai ao lado, de bicicleta. Os jogadores comem separados, nas duas casas alugadas que servem como concentração, ansiosos pela hora de fazerem parte do filé mignon do futebol carioca.

                                                                   Uma das casas alugadas pelo clube.

 

Minhas considerações...

 

Na Taça Guanabara de 2008, o Cardoso Moreira ficou em 7º entre os oito do Grupo A, com duas vitórias; um empate; quatro derrotas; nove gols pró; dezenove contra.

Na Taça Rio ficou em 8º (último), com dois empates; seis derrotas; seis gols pró; quatorze contra.

Sendo assim, na sua primeira e única experiência na série A, o time ficou na última colocação e acabou rebaixado à Série B juntamente com o América.

Em 2009, realizou campanha apenas regular, conseguindo se manter na Série B.

Em 2010, se licenciou das disputas profissionais.

Em 2011, o clube negou-se a disputar o Grupo X, também denominado torneio da morte, e acabou punido e rebaixado à terceira divisão pela Federação juntamente com Itaperuna e Aperibeense.  

Desde então, o Cardoso Moreira se licenciou das disputas profissionais.

No ano corrente o Cardoso Moreira disputa a Super Copa Noroeste, torneio amador no Noroeste Fluminense.

segunda-feira, 1 de maio de 2023

CLÁUDIO: O GERENTE

 

                                                                                       Revista Gazeta Esportiva

CLÁUDIO Cristhóvam de Pinho nasceu em Santos, no litoral paulista, em 18 de julho de 1922. Atacante com grande sentido de organização de jogo, excelente chutador e cobrador de faltas e pênaltis. Possuía forte espírito de liderança e não por acaso ganhou o apelido de “Gerente”. Foi um dos poucos jogadores que vestiram a camisa dos quatro grandes de São Paulo. No entanto, deixou o seu nome marcado no Corinthians, sendo o seu artilheiro máximo e um dos maiores jogadores da história do clube.


Foi revelado no Santos – 35 jogos e 10 gols, e teve uma passagem rápida e histórica pelo Verdão, ao marcar, de pênalti, o primeiro gol com o nome Palmeiras, no jogo decisivo do Paulista de 1942, contra o São Paulo – já que antes de 1942 o Palmeiras se chamava Palestra Itália. Atuou em 32 jogos e marcou 9 gols (campeão paulista em 1942). Brilhou mesmo no Corinthians – 549 jogos e 305 gols (campeão do Rio-São Paulo em 1950, 1953/54, e do paulista em 1951/52, e 1954), e encerrou a carreira no São Paulo, em 1960 – 35 jogos e 10 gols.


Para alguns torcedores da “velha guarda” do Corinthians, Marcelinho Carioca, outro ídolo corintiano, tinha um estilo de jogo muito parecido com o de Cláudio, que também jogava com a camisa 7.


Vestiu a camisa da Seleção em 12 jogos e marcou 5 gols, todos oficiais. Tinha totais condições de fazer parte do grupo que participou da Copa do Mundo de 1950. Estava voando e foi preterido até no corte do gaúcho Tesourinha, que machucado não disputou o Mundial. Flávio Costa preferiu convocar o meia Maneca ao invés de outro atacante.


Morreu aos 77 anos, em 1º de maio de 2000, vítima de um ataque cardíaco, em Santos.  

terça-feira, 18 de abril de 2023

ESCOLA MUNICIPAL GENUÍNO ANTUNES DE SIQUEIRA: 85 ANOS DE SERVIÇOS PRESTADOS À EDUCAÇÃO



O mês de maio é de comemoração e festa para a Escola Municipal Genuíno Antunes de Siqueira. 

A seguir um breve resumo da história de seu patrono e da instituição:

OS ANTUNES SIQUEIRA
A família Antunes Siqueira foi uma das pioneiras a habitar o distrito de Miracema depois que a fundadora, Ermelinda Conceição Rodrigues, aqui aportou nos idos de 1846. Naquela época Ermelinda deixou o distrito de Remédio, em Barbacena, em virtude da extinção ou quase extinção do ciclo do ouro, e quase não havia mais o que era extraído do rio Mutuca, que cortava o distrito mineiro. Ela veio em busca de outra cultura, o café, que era plantado depois das derrubadas das matas virgens, muito abundantes na região. O distrito de Miracema vivia da exportação do produto. Eles se instalaram em Venda das Flores.

Genuíno tinha um sítio chamado “Água Espalhada”. Homem sério, trabalhador, era amigo do interventor Altivo Linhares, que deu grande ênfase à sua administração na construção de escolas no distrito e na zona rural. Genuíno era casado com Mariana R. Padilha e da união teve 11 filhos, dos quais, uma moça chamada Edina, lecionava no sítio e depois na sede do distrito.

PATRONO GENUÍNO ANTUNES DE SIQUEIRA
Nascido no Estado do Rio de Janeiro, em 08/08/1869, filho de Theophilo Antunes de Siqueira e Maria Salomé de Siqueira, veio a falecer em 03/01/1947.

A ESCOLA
Teve início na fazenda Boa Vista como “Escola Sítio 28 de Agosto”, em 15/05/1938. Foi transferida para a Rua Melchíades Picanço, funcionando em prédio particular, a partir de 23/02/1972. Através da Lei nº 7.081, de 03/01/1973, publicada no Diário Oficial de 04/01/1973, passou a denominar-se Escola Genuíno Antunes de Siqueira. Recebeu este nome em homenagem a esse cidadão que foi exemplo de dignidade e amor ao trabalho – e um benfeitor de Miracema – que sempre se preocupou com o problema da educação. Em 29/11/2004, a escola foi municipalizada e continua gerida pelo município.



MINHAS CONSIDERAÇÕES 
Como residente do bairro Hospital desde quando nasci, tive o prazer de estudar por dois anos nessa escola (1972 e 1973), e fui alfabetizado pela professora Ana Maria Siqueira. Outras duas mestras ajudaram nessa empreitada: Marília Magalhães e Regina Freitas, que vem a ser mãe do Dr. Marcelo, ortopedista que atende na Santa Mônica, em Pádua. Em visita à escola, depois de muitos anos, comprovei e fiquei surpreso - positivamente - com sua atual conservação e as ótimas condições que são oferecidas às crianças. 

Os primeiros passos das crianças começam na escola. Lá, existe o primeiro contato com outros pequenos, é onde começa a aprendizagem, é na escola que coisas da maior importância em nossas vidas acontecem. Não é só um campo de troca de conhecimentos e adentra uma esfera emocional, onde existem outros tipos de trocas, principalmente as afetivas.

No ambiente escolar, deve-se existir um propósito maior do que ir só por ir. Deve-se gostar de estar lá, aproveitar as oportunidades que o espaço tem a oferecer. A escola existe com a finalidade de inserir as crianças em círculo social, onde ela irá conhecer estranhos, obedecer às regras e criar uma rotina. Além disso, um dos fatores mais importantes da escola é transferir o conhecimento às pessoas e passar os conceitos básicos da vida em sociedade.

Dentro da escola aprendemos o dever e a necessidade de cumprir as funções básicas da vida adulta: ter uma rotina, compreender o conteúdo, ser sociável com os colegas, executar as tarefas da melhor maneira possível, entre outros diversos fatores.

Não dá para falar de educação sem que haja comprometimento entre todas essas esferas: pais, crianças, escola e sociedade. Pode-se afirmar que a escola é o segundo ambiente mais importante na vida social de um ser humano. É com a ajuda dos educadores e pais, que o cidadão vai se constituindo como ser pensante e questionador. 

A escola é algo quase que “sagrado”, pois é nela que podemos edificar o conhecimento e novas perspectivas de vidas, buscando algo que nos falta.  É na escola que coisas da maior importância em nossas vidas acontecem.