quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

SAUDADE DO TEMPO, DOS BONS MOMENTOS, DAS GRANDES CANÇÕES, DOS ANOS PASSADOS...

 


Permita-se sentir saudades das coisas boas... São recordações que ficaram guardadas com carinho em alguma parte do nosso passado. Afinal de contas, já disse um pensador: “Saudade é a prova de que aquilo que vivemos valeu a pena".

 

Posso dizer que sou um privilegiado por ter vivenciado aquela época inesquecível dos anos 70, 80 e 90. Dentro desse privilégio eu coloco as grandes canções – nacionais e internacionais, de todos os ritmos e preferências – que foram lançadas nesse período. No tocante à música romântica, principalmente a internacional, viveu o seu apogeu na letra e na melodia, com canções que continuam vivas em nossa memória.

 

Essa geração ficou marcada por esses ótimos momentos, de um romantismo com sentimentos verdadeiros e que nos faz recordar das festinhas do colégio com nossos amigos de classe. Éramos todos jovens ao som de músicas que faziam a gente sentir emoções lindíssimas e únicas, naquele período de transição da adolescência para a juventude, no descobrir do primeiro amor e na inocência de um coração apaixonado.

 

Tempo em que freqüentava os bailes – Bola Preta e a Boate do Clube XV dividiam a preferência – e sabia que encontraria meninas para dançar as “músicas lentas” de rostos coladinhos sem nenhuma preocupação de ser acusado de “assédio sexual”, e com a certeza de que voltava pra casa. Os jovens de hoje não sabem o que significa MÚSICA LENTA. Vivenciamos o oposto: o que eles chamam de PANCADÃO. E ainda somos “obrigados” a conviver com letras de músicas totalmente fora de contexto e que agride o cidadão de bem em todos os sentidos.

 

Tenho por princípio respeitar o “gosto individual”, sem exceção, pois o mundo seria muito chato e monótono se todos gostassem das mesmas coisas. Crescemos ouvindo essa frase: “Gosto não se discute”. É fato que o gosto é inerente à personalidade ou à natureza de cada pessoa. Mas convenhamos, algumas letras ultrapassam o limite do bom senso. Não quero dizer com isso que tudo está perdido. Ainda se encontra qualidade numa pesquisa mais aprofundada, até de cantores desconhecidos da mídia.

 

Voltando aos bons tempos, não posso deixar de mencionar aqueles shows maravilhosos com grandes nomes da nossa música no ginásio do Colégio Estadual Deodato Linhares. Acrescente-se a isso o nosso tradicional Festival da Canção, com a participação no júri de personalidades do meio musical e da televisão brasileira. Miracema respirava cultura e inúmeros talentos aqui foram revelados. Festival que era muito aguardado e movimentava a cidade com turistas de várias partes do país.    

 

Ainda dentro do tema “saudade do tempo”, o mês de abril, para nós miracemenses, sempre foi de preparação e contagem regressiva para a Exposição, que geralmente se inicia no fim do mês e vai até o dia 3 de maio, quando é comemorado o aniversário da cidade. Ao longo dos últimos anos a festa vem perdendo o glamour e, principalmente, o verdadeiro sentido do termo “Exposição Agropecuária”.  O carnaval é outro evento “dos bons momentos, dos anos passados”, que era tão esperado e ficamos órfãos de seus baluartes que faziam a festa até o raiar do sol da Quarta-feira de Cinzas.

 

Não tenho nada contra o mundo moderno, muito pelo contrário, sou totalmente favorável a tudo aquilo que vem para nos BENEFICIAR no dia a dia. No entanto, NA ESQUINA DO TEMPO A SAUDADE NÃO TEM IDADE.

 

Finalizando, a história existe para ser contada. Nós, simples mortais, escrevemos um capítulo diário da “nossa história”. A sociedade que vivemos passa por um momento crítico em todos os aspectos. Presenciamos o viver HOJE, sem se preocupar com o AMANHÃ e dane-se o PASSADO. E o FUTURO? A resposta é imediata: “A Deus pertence”. Ledo engano. Se cada um não fizer a sua parte, a estrutura tende a ruir e não haverá as cenas do próximo capítulo. O passado é como se fosse o alicerce de uma construção.

 

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

INSTITUTO DE EDUCAÇÃO DE MIRACEMA: HISTÓRICO DO EDUCANDÁRIO CENTENÁRIO

 


TEXTO DA PROF.ª KELLY RIGUES

DISCIPLINAS PEDAGÓGICAS

 

Em 1921, José Paulino Alves Junior instalou o Instituto Afrânio Peixoto, com verba pública e matriculava alunos pobres como retribuição da ajuda governamental. Nos idos de 1922, o Instituto foi absorvido pelo Ginásio de Miracema (Gymnasio de Miracema), logo após ser adquirido pelo ilustre educador Alberto Lontra. O seu trabalho só seria reconhecido muitos anos depois que os seus alunos passaram a brilhar no cenário estadual e federal. O seu busto foi inaugurado quarenta anos após uma iniciativa do Rotary Club de Miracema, sob a presidência de Edson Monteiro de Barros. Enquanto diretor, Alberto Lontra ficou marcado na história do Colégio, assim como seu excelente quadro de professores, que prepara os alunos para as escolas superiores de todo Brasil. Já nessa época, o colégio possuía completos laboratórios de Física, Química e Biologia e, já em 1924, introduziu carteiras individuais, do tipo americana, que dificilmente eram encontradas em estabelecimentos escolares do governo.

 

Durante o recesso escolar era promovido o curso de férias com o objetivo de preparar alunos para o curso de admissão. O colégio funcionava no sistema de internato, semi-internato e externato mistos. Em 30/11/1924, foi fundado o Grêmio Lítero Esportivo Ruy Barbosa tendo como seu primeiro presidente o Dr. Theophilo Junqueira. Em 1929, foi criada e anexada ao Ginásio de Miracema pela Lei nº 2298 de 07/01 a Escola Normal de Miracema (a terceira criada no Estado).

Em 1936, através do presidente da Campanha Separatista, Ventura Lopes, que era ligado ao governador Manoel Duarte, conseguiu junto ao presidente da República Getúlio Vargas e o ministro da educação Gustavo Capanema, em 04 de maio, conceder inspeção permanente ao Curso Fundamental no estabelecimento de ensino.

 

Na década de 40, já denominado Colégio Miracemense, foi adquirido pelo Dr. Sylvio de Campos Freire, que também foi seu Diretor até 1961. Uma de suas maiores contribuições foi a construção de dois pavimentos para o auditório em terreno cedido pelo Cel. Armando Monteiro Ribeiro da Silva. Nessa mesma época oferecia os cursos Clássico, Científico, Comercial Básico, Técnico em Contabilidade e Datilografia.

 

Posteriormente, o colégio foi adquirido pelo professor Eli Combat, passou a ser dirigido pelo Sr. Rubem Pereira, uma vez que o proprietário possuía outro estabelecimento escolar em Duque de Caxias.

 

Em 23/09/1973, foi criada a Associação Cultural e Educacional de Miracema – ACEM, com o objetivo de manter o Colégio em atividade, já que o proprietário não demonstrava mais interesse em manter o tradicional Colégio Miracemense. Durante este período, foram criados o Centro Cívico José Pereira Neto e o Clube de Saúde Dr. Luiz Paulo Pinto Moreira. Em 1975, registrou-se 1.928 alunos matriculados, representando o recorde desde a fundação do Colégio. A ACEM permaneceu em atividade até 1987, época em que o Colégio Miracemense foi arrematado em leilão pelo Governo do Estado, passando a denominar-se Colégio Estadual de Miracema, criado pelo Decreto nº 9.977, de 28/05/1987.

 

O Colégio rendeu frutos como Maurício José Correia que terminou sua vida como presidente do Supremo Tribunal Federal depois de ser Ministro da Justiça e Senador da República. “Se cheguei onde cheguei, credito grande parte aos sólidos conceitos morais e conhecimentos formais que recebi dos professores, diretores, funcionários e à amizade dos muitos companheiros com os quais tive a oportunidade de conviver nessa instituição de ensino” – palavras de Maurício em carta encaminhada à ex-diretora Kátia Simen.

 

Outro aluno que se destacou foi José Danir Siqueira do Nascimento, que começou a discursar em campanhas para a rainha dos estudantes, depois formou-se em Direito, tornando-se advogado, presidente da OAB/ RJ e membro do Conselho Federal da OAB. Marcus Faver atuou como advogado e professor no Município de Miracema, onde exerceu o cargo de vereador, Juiz do Tribunal de Alçada Cível, e posteriormente promovido, ao cargo de Desembargador. Exerceu a Presidência do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro no biênio 2001/2002; presidiu o Tribunal de Justiça Eleitoral na gestão 2003/2005 e foi membro do Conselho Nacional de Justiça no biênio 2005/2007.

 

Essas são apenas algumas das personalidades que passaram pelos bancos escolares do então Colégio Miracemense e brilharam em sua vida profissional, ganhando destaque no cenário nacional.

 

A instituição, ao longo dos anos, acompanhando o progresso dos tempos, passou por mudanças. Do nome original Gymnasio de Miracema, passou a Colégio Miracemense, Colégio Estadual de Miracema e, por fim, recebeu a denominação Instituto de Educação de Miracema, que permanece até os dias atuais. Em 2 de janeiro de 1995, foi tombado através do Decreto Municipal nº 249, como patrimônio histórico de Miracema.

 

 

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

ENÉAS: A BREVE PASSAGEM NO FUTEBOL ITALIANO FOI O DIVISOR DE ÁGUAS NA CARREIRA DO ARTILHEIRO

 


ENÉAS de Camargo nasceu na capital paulista em 18 de março de 1954. Foi um atacante altamente técnico, de passadas largas e facilidade nas finalizações. Surgiu como uma grande promessa na Portuguesa de Desportos, marcando muitos gols e tornando-se um ídolo do clube e o seu principal jogador na década de 70. Conquistou o título paulista em 1973 e marcou 179 gols em 376 jogos. É o segundo maior artilheiro da história da Lusa, ficando atrás do artilheiro Pinga, que brilhou nos anos 50.


Depois da Portuguesa jogou por Bologna e Udinese (ambos da Itália), Palmeiras, XV de Piracicaba (SP), Juventude (RS), Desportiva (ES), Operário de Ponta Grossa (PR) e Central Brasileira de Cutia (SP), sua última equipe, da terceira divisão paulista, pela qual atuava quando sofreu o acidente. Em 1980, no auge da carreira, Enéas se transferiu para a Itália. Permaneceu por pouco mais de um ano. Esse período foi o divisor de águas em sua carreira, pois seu futebol caiu de produção e nunca mais foi o mesmo jogador.


Retornou ao Brasil como grande esperança alviverde e teve uma passagem aquém do esperado pela torcida do Palmeiras, entre 1981 e 1983, marcando 28 gols em 93 jogos. Chegou a ser apelidado de “dorminhoco”.


Na noite de 22 de agosto de 1988, Enéas dirigia o seu Monza e perdeu o controle do carro. Bateu na traseira de um caminhão e o veículo ficou totalmente destruído. Ele foi conduzido para o hospital e lá ficou em estado de coma por quatro meses, com o rosto desfigurado e uma grave luxação na coluna cervical.


Em 27 de dezembro do mesmo ano, então com apenas 34 anos, Enéas faleceu vítima de uma broncopneumonia, em São Paulo. 

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

MIRACEMA E SEUS PERSONAGENS INESQUECÍVEIS...

 


O que seria de uma cidade, principalmente do interior, sem os seus personagens que, ao longo de décadas, fizeram-se presentes marcando o seu território e sendo lembrados, com alegria e saudade, por aqueles bons momentos da nossa infância e adolescência. São nomes que o tempo não consegue apagar da memória. Miracema tem ilustres cidadãos representativos em diferentes segmentos. Os homenageados da vez representaram – o Sr. Tarcísio ainda representa – na mais pura simplicidade, o brasileiro honesto e trabalhador que nunca desiste dos seus ideais. São pessoas que deixam marcas positivas no coração de todos nós. 

 

TARCÍSIO

Um dos homenageados é o Sr. Tarcísio, carinhosamente chamado de Tarcísio Pipoqueiro, que, com o seu tradicional carrinho de pipoca, desde 1974 é presença marcante em nosso jardim, para a alegria das crianças e também dos adultos.

Esse é referência pra todos nós, sempre com um sorriso no rosto, carismático e que marcou a infância e adolescência de muitos miracemenses. Pessoa extremamente do bem, amável e educado. Um exemplo de caráter e dignidade. Merece nota 10 em simpatia e bom humor! Estamos sentindo a sua falta naquele cantinho especial da pracinha...

Porque não dizer que o Sr. Tarcísio é um patrimônio incorporado à nossa Praça.

Não posso deixar de mencionar a sua esposa, D. Maria, sempre sorridente e presente quando necessário. D. Maria, que é minha mãe de leite, e Sr. Tarcísio, que já se encaminham para os sessenta e cinco anos de casados, recebam o meu afetuoso abraço e respeito.

A mesma praça, o mesmo jardim e o mesmo e simpático pipoqueiro...

O amigo e conterrâneo Adilson Dutra, em uma crônica de sua autoria, publicada no seu blog em 22 de novembro de 2017, definiu com muita propriedade a trajetória do Sr. Tarcísio:

“Tarcísio pode não ganhar um busto no jardim, mas aquele lugar, onde ele faz a alegria das crianças da cidade, jamais será esquecido e sempre que um homem ou uma mulher passar por ali se lembrará do grande personagem do lugar. Mas eu queria ouvir dele a resposta que sempre dá quando falo em sua alegria: “Devo tudo isto a minha Maria.”

 

SABINO

Falar do Sabino – que também se chamava Tarcísio – é lembrar com saudade de um amigo do peito, um cidadão do bem e de uma simplicidade fora do comum. Um profissional de excelência na atividade que exerceu – pedreiro.

Não consigo descrever em palavras a sua paixão pelo Vasquinho, time amador que fundou e ao lado de amigos como Joci, Justo e Juca – os três “Jotas” –, nunca mediu esforços e nem o que tirava do bolso (R$) para colocar o time em campo.

Quem teve o privilégio de conhecê-lo mais de perto, através da profissão que exercia ou do esporte, sabe o quanto ele era querido por todos. O Sabino também pode ser lembrado pelo seu “carrinho de pipoca” e a sua participação efetiva nos festejos de emancipação de Miracema, com a tradicional barraca do Sabino, junto com seus familiares. 

Essa é uma homenagem que faço ao Sabino, que já não está mais entre nós. Ele faleceu em 2 de julho de 1998. E o futebol amador de Miracema ficou órfão de mais um baluarte...

Nota: foi do Vasquinho, à época eu fazia parte do time, que o ex-zagueiro Célio Silva saiu para o Americano, de Campos (encaminhado pelo Alcyr Fernandes de Oliveira, o Maninho). De lá também saiu o ex-goleiro Arilson, irmão de Célio, para o Botafogo (encaminhado pelo Dr. José Carlos Corrêa).  

 

DELIETE

Quantas crianças, hoje adultos, não comeram a tradicional pipoca do carrinho do Deliete?

Esse paduano de nascimento, mas miracemense de coração, por aqui chegou no final dos anos 70 e logo se fez conhecido em toda Miracema. No bairro Hospital foi a sua primeira moradia e com aquele seu jeito simples e educado de tratar desde a criança até o mais velho, plantou as amizades e colheu o carinho dos amigos da terra que o adotou.

Em 2015, já com a saúde debilitada, sua irmã o levou para Marangatu, distrito de Santo Antônio Pádua, de onde veio e logo depois acabou falecendo, em 3 de dezembro do mesmo ano. Quis o destino que ele passasse seus últimos dias de vida e fosse sepultado em sua terra natal.

São personagens que ficam marcados para sempre em nossa memória. O cantinho da praça em frente ao Colégio Cenecista nunca mais foi o mesmo após a partida do Deliete. Mais uma personalidade que marcou gerações.

Com ou sem dinheiro nenhuma criança ficava sem comer pipoca. Um cidadão de caráter, humilde e de bom coração. Melhor dizendo: UM CORAÇÃO DE OURO

Com a sua morte eu posso afirmar que perdi um amigo fiel e de longa data. E o Fluminense, um torcedor apaixonado.

 

Não posso terminar essa crônica sem deixar de mencionar mais um personagem que está marcando o seu território na esquina da Rua Marechal Floriano com a Francisco Procópio. É o amigo de todos, José Carlos da Silva, mais conhecido e carinhosamente chamado de ZÉ DO DOCE. Pode ser também o Zé do sorriso, da simpatia, do forte trabalhador. O Zé é um exemplo de luta e perseverança para todos nós. É o típico brasileiro que não desiste dos seus ideais. O sucesso nasce do querer, da determinação e persistência em chegar a um objetivo, não importa o quão difícil o caminho pareça.  

Já me falaram que nesse point do Zé tem o bate-papo mais doce e gostoso de Miracema. Virou um ponto de encontro dos amigos, e que nos faz lembrar um passado não tão distante do Bar Pracinha e do Zé Careca, inesquecíveis para quem teve o privilégio de vivenciar aquela época. Falando em Zé Careca, o Zé do doce fez parte do time de secretários, entre outros, que tão bem nos atendia atrás do balcão.

sábado, 27 de novembro de 2021

CAPITÃO COUTINHO

 


CLÁUDIO Pêcego de Moraes COUTINHO nasceu em Dom Pedrito-RS, em 5 de janeiro de 1939. Formado em Educação Física, Cláudio Coutinho seguiu também a carreira militar. Capitão Coutinho teve a primeira chance de trabalhar no esporte em 1970, quando foi preparador físico da Seleção Brasileira na Copa do Mundo do México. Em 1974, foi supervisor do grupo que ficou em quarto lugar na Alemanha. Em 1975 e 1976, teve uma boa passagem pela seleção de amadores. Foi o técnico do Brasil nos Jogos Olímpicos de 1976, em Montreal, no Canadá.  Mas foi só a partir de 1977, ao substituir Oswaldo Brandão na seleção principal, que começou a dividir opiniões, a provocar polêmicas com seus conceitos sofisticados sobre futebol, sua conversa intelectualizada demais para um país de milhões de técnicos.


Dirigiu a Seleção até a Copa de 1978 e entre acertos e alguns equívocos, levou a equipe até o terceiro lugar invicto na competição. Diante dessa situação, Coutinho afirmou que a Seleção Brasileira havia sido a campeã moral, na Copa vencida pela Argentina. Dirigiu o Brasil em 45 jogos, sendo 31 oficias. Quando se fala em Copa do Mundo de 1978 muitos reclamam da ausência de Falcão, preterido por Coutinho, que levou Chicão. O ex-lateral Marinho Chagas é outro nome sempre lembrado, pois o zagueiro Edinho acabou improvisado na lateral. Esse tipo de situação é um fato comum em todas as edições de Copa do Mundo.


Mas os seus melhores momentos foram como técnico do Flamengo, entre 1976 e 1980. Estudioso do futebol apresentou no clube novos conceitos táticos. Foi ele quem montou a base daquele time vencedor do final da década de 70 e início dos anos 80. Sob seu comando o Flamengo foi tricampeão carioca e tricampeão da Taça Guanabara, além do título brasileiro de 1980. Seus números comandando o Flamengo são impressionantes: 268 jogos; 181 vitórias; 59 empates; 28 derrotas; 602 gols pró; 188 gols contra.


Em 1981 estava trabalhando nos Estados Unidos, tirou férias e retornou ao Brasil para ir de encontro ao seu trágico destino. Morreu precocemente, aos 42 anos, vítima de afogamento, quando praticava pesca submarina perto das Ilhas Cagarras, na zona sul da cidade maravilhosa, em 27 de novembro de 1981.

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

O MILÉSIMO GOL DE PELÉ – POR VALDIR APPEL

 


Nota: transcrito na íntegra de sua página do Facebook.

VALDIR APPEL era o goleiro suplente de Andrada.

 

19 de novembro de 1969

O “gringo” Andrada não agüentava mais as sacanagens dos colegas Moacir e Buglê, e à medida que se aproximava o jogo contra o Santos pelo campeonato brasileiro (na época, chamado de Roberto Gomes Pedrosa), o coro que agourava a marcação do milésimo gol do Pelé em cima do Vasco engrossava.

Na concentração, nas viagens e após os jogos do Peixe, sempre alguém chegava com um jornal para mostrar a evolução dos gols de Pelé.

Na verdade, esta “previsão” da boleirada não tinha respaldo. O Santos enfrentaria ao longo do campeonato e em confrontos amistosos, equipes teoricamente frágeis, e já chegaria ao jogo contra o Vasco com a fatura liquidada.

Era o que imaginávamos.

Mas o tempo foi passando, e com a proximidade de novembro, o goleiro argentino naturalizado brasileiro começou a ficar preocupado.

Pelé chegou à marca dos 999, num amistoso contra o Botafogo de João Pessoa, na Paraíba. Depois, jogou parte do segundo tempo substituindo o goleiro Agnaldo, que simulou uma providencial contusão, impedindo assim que novas oportunidades de gol surgissem.

Palco pequeno, poucos holofotes...

O gol poderia ter acontecido contra o Bahia, no estádio da Fonte Nova, mas um carrinho milagroso do zagueiro Nildon, do tricolor de aço, impediu que a marca histórica fosse alcançada na boa terra.

Curiosamente, a providencial intervenção do jogador foi contemplada com uma estrepitosa vaia da sua torcida, que estava a fim de fazer a festa do Rei em Salvador.

No mesmo dia, jogamos em São Paulo.

No avião da ponte aérea, Moacir falou pro Andrada:

-Eu não falei que você levaria o milésimo? Tu achas que o Rei vai perder a oportunidade de fazê-lo no Maracanã? Tá tudo arranjado, Milongueiro!

Curtimos uma folga e nos reapresentamos em São Januário na terça-feira, quando realizamos leves preparativos rotineiros para o embate de quarta-feira.

A contusão.

A colina já estava às escuras quando Andrada, inexplicavelmente, caiu no gramado sentindo dores no tornozelo.

Perplexidade total. Minha e dos demais colegas. Pensei: vai sobrar para mim esta encrenca.

Na concentração da Lagoa Rodrigo de Freitas, à noite, na ponta de uma longa mesa de jantar, alguns jogadores iniciaram provocações pra cima do Andrada.

Toda hora alguém chamava o massagista Chico, pra renovar o gelo colocado no tornozelo do goleiro.

Beneti insinuava que ele estava pipocando.

Adilson ia mais longe:

“Hei, gringo! Tá com medo? Não tem problema: o Valdir joga, já entrou pra história mesmo, com aquele gol contra. Este não vai fazer diferença!”.

O jogo.

Quarta-feira à noite, nos vestiários do Maracanã, Andrada submeteu-se a um teste, supervisionado pelo doutor Arnaldo Santiago. Era evidente o seu nervosismo.

Falou mais alto o profissionalismo; ele decidiu jogar. E como jogou! O clima no maior estádio do mundo era de festa: quase 70 mil pagantes. Provavelmente uns 30 mil a mais, entre autoridades e caronas.

Os dois times entraram em campo lado a lado, liderados pelos seus capitães, empunhando a bandeira brasileira.

Perfilados, ouviram o hino nacional.

No banco de reservas, ficamos admirados ao ver o diretor Iraci Brandão disfarçar, embaixo dos braços, uma camisa branca do Vasco com o numero 1.000.

Era mais um que torcia pelo milésimo acontecer naquela noite.

O jogo teve início e desde cedo ficou visível a falta de colaboração dos jogadores vascaínos: primeiro Beneti, abrindo o placar na primeira etapa; e principalmente o goleiro Andrada, que pegou tudo e fez a maior defesa que eu já presenciei no Maracanã.

Pelé limpou a jogada pelo lado direito da grande área do Vasco. Andrada deu dois passos à frente, posicionando-se para defender um possível chute forte. O gênio meteu uma curva de fora para dentro, com o lado externo da chuteira, em direção ao ângulo superior direito da meta do arqueiro.

Com um salto fantástico, Andrada saiu do solo para espalmar de mão trocada a bola que parecia inapelável.

No segundo tempo, o zagueiro René, para impedir o gol de Pelé, não teve dúvidas: antecipou-se ao atacante e fez contra (e de cabeça!) o gol de empate do Santos.

Aqui não!Vibrou.

Jogo que segue.

O pênalti.

O Vasco pressionou e o árbitro pernambucano Manoel Amaro, deixou de marcar um pênalti a nosso favor, gerando protestos de todo o time. Mandou seguir a jogada e, no contra ataque do peixe, não titubeou em marcar uma penalidade máxima, aos 32 minutos, extremamente duvidosa, de Fernando em Pelé.

Bola na marca fatal.

O público emudeceu.

Os jogadores do Santos se posicionaram no centro do gramado.

Pelé deu apenas três passos... e fuzilou, com perfeição, o arco do Andrada, que saltou como um felino para o canto esquerdo, roçando os dedos da luva na bola, que foi se aninhar no fundo do barbante, da baliza à esquerda da tribuna de honra do Maracanã.

Seus punhos socaram o chão, inconformado por levar o gol que o colocaria para sempre na história do futebol mundial.

Logo ele, cujo maior desejo era entrar para o hall da fama como o melhor goleiro a vestir a camisa número 1 vascaína.

Pelé buscou a bola no fundo do arco e a beijou.

O jogo parou. O gramado foi invadido por uma legião de repórteres. Pelé dedicou seu gol às criancinhas, e foi carregado nos ombros dos companheiros. Chico vestiu a camisa do Vasco em Pelé que, com ela, deu a volta olímpica no gramado do Maracanã.

Após uma longa pausa para as comemorações, o jogo chegou ao final com poucas emoções.

Aliás, tivéramos muitas para apenas uma noite.

Conseqüências

Assim, naquela quarta feira, entraram para a história: o milésimo gol de Pelé; e Andrada, que ganhou o título de O Arqueiro do Rei.

O atacante Acilino, do Vasco, mesmo derrotado, comemorou o seu aniversário.

O Dia da Bandeira passou em branco.

E poucos deram importância a Apollo 12, que (dizem!) pousou no Mar das Tempestades, quando mais dois americanos (Paul e Ringo, quem sabe?) pisaram o solo lunar.

O árbitro Manoel Amaro declarou que já podia encerrar a carreira porque apitara o jogo mais importante do Século XX.

Chico conseguiu uma das três bolas usadas no jogo (a do milésimo gol, Pelé guardou!) e uma camisa 10 do Santos dadas pelo Rei, devidamente autografadas.

Hoje, o próprio Pelé ignora onde foi parar a camisa 10 do Vasco com o numero 1.000.

30 anos depois

Na comemoração dos 30 anos do milésimo gol, Pelé e Andrada reviveram no Maracanã aquele duelo. Pelé teve que repetir a cobrança do pênalti porque, na primeira, Andrada pegou.

Pelé se queixou:

“Pô, gringo! É para repetirmos o lance!”.

Andrada, muito sacana, emendou:

“Tá difícil, amigo... Agora, eu já sei o canto que você vai chutar!”.

Naquele mesmo dia, falei pro Andrada, no Rio:

“Gringo, tu devias agradecer todos os dias: não por ter levado o milésimo gol, mas porque tu quase defendeste aquele pênalti!”.

“Como assim, Valdir?”.

“Tchê, aquele gol passa toda hora na televisão... Imagina o teu filho, em casa, lamentando:

Carajo, papá! No saliste en la película... Saltaste para el otro lado, mientras la pelota se fué para el lado opuesto”.

 

Ficha técnica

Santos 2 x 1 Vasco

Data: 19 de novembro de 1969

Local: Estádio do Maracanã

Árbitro: Manoel Amaro de Lima

Gols: Santos - Pelé (pênalti) e Renê (contra); Vasco - Benetti

Santos: Aguinaldo; Carlos Alberto Torres, Ramos Delgado, Djalma Dias (Joel Camargo) e Rildo; Clodoaldo, Lima, Manoel Maria e Edu; Pelé (Jair Bala) e Abel.

Vasco: Andrada; Fidélis, Moacir, Fernando e Eberval; Bougleaux, Renê, Acilino (Raimundinho) e Adílson; Benetti e Danilo Menezes (Silvinho).

 

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

ZEQUINHA: MAIS UM CRAQUE DE LEOPOLDINA PARA O MUNDO DA BOLA...

 


Por João Gabriel Baía Meneghite (MEMÓRIA LEOPOLDINENSE)

 

José Márcio Pereira da Silva (Zequinha), ex-jogador de futebol (Ribeiro Junqueira, Flamengo, Botafogo, Grêmio, São Paulo e Seleção Brasileira), Economista (PUC-Rio Grande do Sul), nasceu em Leopoldina-MG no dia 17 de novembro de 1949, na Praça da Bandeira, e passou a infância na Meia Laranja. Filho do Sr. Zé da Antônia e dona Cola, irmão de Adilson, Marilene, Marli e Marcinha. 

 

Como o time do Palmeirinhas se destacava na cidade ao longo dos anos, transformaram-no em time Juvenil do Ribeiro Junqueira. Jovem, Zequinha ia todos os dias ver o time profissional do Ribeiro Junqueira treinar e ficava observando os mais velhos Onalde, Popota, Zé Roberto, Derlei, Roll, Ronaldo França e outros que para Zequinha eram os craques no qual se inspiravam em seus lances e dizia: "Eu quero fazer igual esses caras fazem", referindo-se aos chutes fortes, domínio de bola e outras habilidades que os jogadores do time profissional faziam.

 

Foram essas dentre várias passagens de Zequinha em Leopoldina que foram reveladas em entrevista ao Jornal Leopoldinense no Ar da Rádio Jornal AM. Com emoção nas palavras, ele falou pausadamente a seguinte frase sobre a sua infância: "Desejo o tipo de infância que tive em Leopoldina para qualquer criança no mundo". Após se destacar no time juvenil na década de 60, Zequinha foi convidado pelo então técnico do Ribeiro Junqueira, Getúlio Subirá, para fazer parte da equipe principal do time no qual jogou algumas partidas onde era reserva do ponta direita Arnoldo.

 

Em diversas viagens pela região, Zequinha demonstrou o seu futebol arte e foi em um jogo contra a Seleção do Rio de Janeiro, no dia 03 de Janeiro de 1965, na cidade de Leopoldina, que se deu início a brilhante carreira do "Zeca Diabo". A Seleção Carioca trouxe à cidade os jogadores de seleção como Barbosa, Calazans, Quarentinha, Brito e outros.

 

Após a belíssima apresentação de Zequinha num jogo em que o Ribeiro Junqueira ganhou de 3 x 1, um olheiro chamado Mineiro, aproximou-se de Zequinha e perguntou: -Ei garoto, quem é seu pai? Ele está por aqui? - Meu Pai é o Sr. Zé da Antônia, é aquele ali chupando laranja. Mineiro, que observava a garotada no interior para os clubes do Rio de Janeiro e que também era massagista do Flamengo, foi conversar com o Sr. Zé da Antônia para levar Zequinha ao Botafogo. Como a família Pereira Silva era toda flamenguista, Zeca partiu para o juvenil do Flamengo.

 

No Flamengo, Zequinha encontrou os então desconhecidos craques que viriam a jogar assim como Zeca pela Seleção Canarinho: Rodrigues Neto, Dionísio, Luiz Carlos, Arilson e outros. Conquistaram o campeonato Carioca de Juvenis com duas rodadas de antecipação e foi aí que resolveram promover diversos jogadores do juvenil do Flamengo para o time principal fazendo uma mescla de jogadores jovens e experientes.Naquela época, o treinador do time juvenil do Flamengo era Valter Miraglia, de quem Zequinha recebeu uma proposta para subir ao time principal. Proposta essa que recusou, pois naquele momento se algo acontecesse de errado poderia voltar novamente para o time juvenil e ele não queria isto.

 

Zequinha acabou sendo emprestado ao Palmeiras por um período de três meses em troca de um goleiro chamado Donar. Não se acostumando, Zequinha abandonou a cidade de São Paulo, ficando somente um mês no Palmeiras. Não cumprindo o contrato, Valter Miraglia, que foi o responsável pela negociação de Zeca, ficou bravo com ele. Deprimido, Zequinha volta para Leopoldina e no impasse de não saber se estava mais no Flamengo ou Palmeiras, o craque leopoldinense pensou em parar por estar muito chateado com aquilo tudo que estava acontecendo.

 

Chegando a Leopoldina ele é questionado pelo pai Sr. Zé da Antônia:

- O que está acontecendo?

- Eu tô de férias, pai.

- Mas que férias são essas se está todo mundo jogando?

Esperto e homem firme como o Sr. Zé da Antônia, Zequinha não consegue tapear o Pai que retrucou na mesma hora e disse:

- Antes de você sair daqui eu te falei. Se der com a cabeça na pedra vai ser você que vai ter que se virar sozinho. Arruma essa mala e volta para o Rio de Janeiro.

 

Chegando ao Rio de Janeiro em 1968, Zequinha volta para o juvenil do Flamengo e uma semana depois recebe a proposta de ir para o Botafogo que queria a qualquer custo o menino Zequinha em seu time profissional, já que o técnico Mário Lobo Zagalo recorria sempre às categorias de base dos clubes, revelando talentos como Zequinha. Valter Miraglia então fez a contraproposta solicitando o atacante Zélio do Botafogo a troco de Zequinha.

 

Troca feita, no Botafogo Zequinha deslanchou a sua carreira; porém, ao chegar ao alvinegro carioca ele foi reserva do então titular da Seleção Brasileira e do Botafogo, Rogério. Quando Zequinha chegou ao Botafogo em 1968, Zagalo cantou a pedra para o menino de Leopoldina "Olha garoto, o negócio é o seguinte: O Rogério é o titular, porém, ele está sempre se machucando e você terá a sua oportunidade". Assim feito, após a primeira oportunidade dada a Zequinha, o filho de Dona Cola e do Sr. Zé da Antônia agarrou-a e ficou como titular absoluto do Botafogo. Garrincha até chegou a dizer em uma entrevista que tinha orgulho de ver a sua camisa 7 com o habilidoso Zequinha.

 

Quem imaginou que dos campinhos de pelada do Cocotá iria sair um ídolo da torcida botafoguense? Pois o José Márcio Pereira da Silva cumpriu a difícil missão dada pelo Sr. Zé da Antônia e foi para o Rio de Janeiro conquistando o auge de sua carreira como jogador de futebol, chegando pelo Botafogo à Seleção Brasileira, jogando ao lado de Pelé, Gerson, Rivelino e outros. A convocação para a Seleção Brasileira começou a se desenhar quando a equipe estava jogando a Copa do Mundo de 1970.

 

No Brasil, Zequinha disputava o campeonato carioca pelo Botafogo, em um ano em que o Zeca Diabo dava muito trabalho aos zagueiros e com uma campanha espetacular pelo alvinegro carioca. Logo após a Copa do Mundo, Rogério, que era titular da Seleção Brasileira, estava machucado e Zequinha assume a vaga jogando vários amistosos pela Seleção Canarinho. A emoção tomava conta de Zeca quando o time seguia de ônibus para os estádios. Ele olhava para os lados e só enxergava Deuses do futebol e se perguntava: O que é que eu estou fazendo aqui? Ele vivia um sonho de criança e não queria mais acordar. Zequinha, ficou marcado na história da Seleção Brasileira devido ao cruzamento para o último gol de Pelé pela Seleção.

 

No auge de sua carreira no time de General Severiano, o Botafogo vive um momento de crise e é obrigado a vender o craque da camisa 7 para o Grêmio em 1974. Na terra dos Gaúchos o simples leopoldinense vira ídolo da torcida gremista e quebra a chamada hegemonia do Internacional que há mais de 17 grenais não perdia para o Grêmio, e em um jogo emocionante Zequinha marca os três gols da partida em que o Grêmio venceu o Internacional por 3x1.

 

No Grêmio, Zequinha foi campeão gaúcho de 1977 num time dirigido pelo técnico Telê Santana. Até hoje o jogador é lembrado carinhosamente no Sul pela sua marca, que talvez possa ser o único jogador a marcar três gols em clássicos Grenais.

 

Em 1977 Zequinha vai para o São Paulo, jogando ao lado de Waldir Peres, Getúlio Chicão, Estevam, Neca, Milton Cruz, Dário Pereira e Zé Sérgio. No tricolor paulista foi campeão Brasileiro de 1977, e marcou com a camisa do São Paulo apenas dois gols, ajudando a conquistar 30 vitórias, 13 empates e 15 derrotas.

 

Em 2001, Zequinha se mudou para os Estados Unidos, em Dallas, no Texas e chegou a jogar em alguns times como o Dallas, Tampa Bay, Tulsa e outros. Z como é chamado carinhosamente pelos alunos, trabalha como treinador de futebol infantil (masculino e feminino) e acumula o trabalho de treinador com o de diretor de desenvolvimento do Clube "A To Z Soccer".