domingo, 21 de junho de 2020

OS DETALHES DOS TRICAMPEÕES QUE ENTRARAM PARA A HISTÓRIA



GOLEIROS
Félix (1): Fluminense - 32 anos (São Paulo-SP, 24 de dezembro de 1937 † 24/08/2012)
47 jogos e 47 gols sofridos, sendo 39 oficiais e 37 gols sofridos









Ado (12): Corinthians - 23 anos (Jaraguá do Sul-SC, 04 de julho de 1946)
7 jogos e 5 gols sofridos, sendo 3 oficiais e 3 gols sofridos











Leão (22): Palmeiras - 20 anos (Ribeirão Preto-SP, 11 de julho de 1949)
104 jogos e 64 gols sofridos, sendo 81 oficiais e 52 gols sofridos












ZAGUEIROS
Brito (2): Flamengo - 30 anos (Rio de Janeiro-RJ, 09 de agosto de 1939)
60 jogos, sendo 47 oficiais











Piazza (3):Cruzeiro - 27 anos (Ribeirão das Neves-MG, 25 de fevereiro de 1943)
65 jogos, sendo 52 oficiais











Carlos Alberto Torres (4): Santos - 25 anos (Rio de Janeiro-RJ, 17 de julho de 1944 † 25/10/2016)
69 jogos e 9 gols, sendo 54 oficiais e 8 gols











Marco Antônio (6): Fluminense - 19 anos (Santos-SP, 06 de fevereiro de 1951)
51 jogos, sendo 40 oficiais











Baldocchi (14): Palmeiras - 24 anos (Batatais-SP, 14 de março de 1946)
3 jogos, sendo 1 oficial











Fontana (15): Cruzeiro - 29 anos (Santa Teresa-ES, 31 de dezembro de 1940 † 09/09/1980)
11 jogos, sendo 7 oficiais











Everaldo (16): Grêmio - 25 anos (Porto Alegre-RS, 11 de setembro de 1944 † 27/10/1974)
28 jogos, sendo 22 oficiais











Joel (17): Santos - 23 anos (Santos-SP, 18 de setembro de 1946 † 23/05/2014)
36 jogos, sendo 28 oficiais











Zé Maria (21): Portuguesa - 21 anos (Botucatu-SP, 18 de maio de 1949)
64 jogos, sendo 48 oficiais











MEIO-CAMPISTAS
Clodoaldo (5): Santos - 20 anos (Itabaiana-SE, 26 de setembro de 1949)
51 jogos e 3 gols, sendo 39 oficiais e 1 gol











Gérson (8): São Paulo - 29 anos (Niterói-RJ, 11 de janeiro de 1941)
85 jogos e 19 gols, sendo 69 oficiais e 15 gols

1









Rivellino (11): Corinthians - 24 anos (São Paulo-SP, 1º de janeiro de 1946)
120 jogos e 40 gols, sendo 92 oficiais e 24 gols














Paulo César (18): Botafogo - 20 anos (Rio de Janeiro-RJ, 16 de junho de 1949)
76 jogos e 16 gols, sendo 58 oficiais e 11 gols











ATACANTES
Jairzinho (7): Botafogo - 25 anos (Rio de Janeiro-RJ, 25 de dezembro de 1944)
100 jogos e 40 gols, sendo 81 oficiais e 35 gols











Tostão (9): Cruzeiro - 23 anos (25 de janeiro de 1947)
65 jogos e 36 gols, sendo 54 oficiais e 32 gols







Pelé (10): Santos - 29 anos (Três Corações-MG, 23 de outubro de 1940 † 29/12/2022)
114 jogos e 95 gols, sendo 91 oficiais e 77 gols











Roberto (13): Botafogo - 25 anos (São Gonçalo-RJ, 31 de julho de 1944)
15 jogos e 7 gols, sendo 13 oficiais e 6 gols











Edu (19): Santos - 20 anos (Jaú-SP, 06 de agosto de 1949)
54 jogos e 10 gols, sendo 42 oficiais e 9 gols











Dario (20): Atlético Mineiro - 24 anos (Rio de Janeiro-RJ, 04 de março de 1946)
12 jogos e 2 gols, sendo 6 oficiais












TÉCNICO
Mário Jorge Lobo Zagallo – 38 anos (Atalaia-AL, 09 de agosto de 1931)
Como técnico da Seleção principal comandou o time em 135 jogos (com 99 vitórias, 26 empates e 10 derrotas).




sábado, 20 de junho de 2020

LUÍS PEREIRA: UM ZAGUEIRO DE EXCELÊNCIA



LUÍS Edmundo PEREIRA é baiano de Juazeiro, onde nasceu em 21 de junho de 1949. A sua história é muito semelhante à de outros jogadores consagrados, pois também teve uma infância difícil. Fez testes em vários clubes ao longo do ano de 1966. Foi aceito no São Bento, de Sorocaba, interior paulista, e lá se destacou e ainda com 18 anos foi vendido ao Palmeiras. Assumiu a vaga de titular em 1970 e foi convocado pela primeira vez para a Seleção, numa excursão à África e à Europa em 1973. Um dos líderes do Palmeiras,  Luís Pereira acabou sendo peça fundamental na conquista do bicampeonato brasileiro de 1972/73 e dos Paulistas de 1972 e 1974. Pelo Verdão foram 568 jogos e 35 gols marcados.

Zagueiro que se destacava na marcação e com um tempo de antecipação fora do comum. Outra qualidade do Luís Chevrolet era a força ofensiva com a presença constante na área adversária. As pernas arqueadas nunca foram problemas para um dos grandes zagueiros do futebol brasileiro, um jogador à frente do seu tempo.

Foi titular da Seleção na Copa de 1974, na Alemanha. Nessa mesma Copa foi o primeiro jogador brasileiro a ser expulso com cartão vermelho na história das Copas, na derrota do Brasil para a Holanda por 2 a 0, após entrada violenta no jogador Neeskens. 

Mesmo com o fracasso da Seleção na Copa de 74, Luís Pereira foi vendido ao Atlético de Madrid, tornou-se ídolo e ganhou o apelido de “El Mago”. Na Espanha, atuou como líbero durante seis temporadas. Na de 1976/77 o Atlético conquistou o Campeonato Espanhol. Tinha totais condições de disputar a Copa de 78, na Argentina, mas foi preterido pelo técnico Cláudio Coutinho. Essa foi uma grande decepção em sua carreira. Vestiu a camisa canarinho em 35 jogos, sendo 33 oficiais.

A volta ao Brasil foi em 1980, para jogar pelo Flamengo. Mas ficou apenas seis meses, atuando em 35 jogos e assinalando 1 gol. Voltou para o Palmeiras e lá ficou por mais quatro anos. Não conseguiu tirar o Verdão da fila e deu sequência na carreira jogando pela Portuguesa de Desportos, Corinthians – 24 jogos, Santo André, Central de Cotia, São Caetano, São Bernardo e encerrou a carreira pelo São Bento, de Sorocaba, onde tudo começou na segunda metade dos anos 60.

Retornou à Espanha para trabalhar nas categorias de base do Atlético de Madrid. Deixou o seu nome marcado na história do clube espanhol.  



terça-feira, 16 de junho de 2020

MARACANÃ: AQUELE QUE JÁ FOI O TEMPLO DO FUTEBOL


Em 16 de junho de 1950 foi inaugurado o estádio municipal do Maracanã, no Rio de Janeiro, para que o Brasil pudesse sediar a Copa do Mundo, já que a Europa encontrava-se abalada pela Segunda Guerra Mundial. Com grande incentivo do jornalista Mário Filho, que depois foi homenageado dando seu nome ao estádio, a obra finalmente pôde ser concretizada, contrariando a opinião pública e políticos, que defendiam a aplicação do dinheiro na construção de hospitais e escolas. 


A cidade inteira se mobilizou para assistir ao primeiro jogo. O público aproximado foi de 150 mil pessoas. O novo estádio foi inaugurado com um jogo amistoso entre as seleções do Rio e de São Paulo, e o primeiro gol foi marcado pelo campista Didi, bicampeão mundial de 1958 e 1962 pela seleção brasileira, porém os paulistas viraram e o placar final foi 3 a 1. A Copa do Mundo de 1950 foi iniciada no dia 24 de junho, com uma goleada do Brasil sobre o México, por 4 x 0. Mas o vencedor desta Copa foi o Uruguai, superando o Brasil na final por 2 x 1.


Gols, dribles e genialidade no "Templo dos Deuses". Os grandes jogadores da história do futebol brasileiro iniciaram e consagraram suas carreiras no estádio. A primeira vez que Pelé jogou pela seleção brasileira foi no Maracanã, em 1957. Em 1961, fez o primeiro “gol de placa” e, em 19 de novembro de 1969, marcou ali seu milésimo gol. O Botafogo ganhou seu primeiro título somente sete anos depois da inauguração do estádio, com uma das maiores exibições de Garrincha em todos os tempos. O maior artilheiro da história do Maracanã é Zico, com 333 gols em 435 partidas. 


A origem do nome Maracanã vem do tupi-guarani que significa “semelhante a um chocalho”. Antes da construção do estádio, existia no local grande quantidade de aves vindas do norte do país chamadas Maracanã-guaçu, que emitiam sons semelhantes ao de um chocalho. O nome oficial do estádio é Jornalista Mário Filho. Ele foi um grande incentivador nas páginas do Jornal dos Sports para a construção de um estádio para a Copa do Mundo de 1950, assim como Ary Barroso na Câmara de Vereadores. No dia 20 de janeiro de 1948, data de comemoração de aniversário da cidade do Rio de Janeiro, foi lançada a pedra fundamental de construção do estádio. O fato foi considerado, na época, o maior acontecimento registrado na história do esporte nacional. Uma semana depois o estádio começava a ser construído. 

O verdadeiro Maracanã, do povão, não existe mais. A elitização dos "Estádios de Futebol" é um caminho quase que sem volta. A grande maioria (do povão) não tem condições de pagar por um ingresso. Ainda mais com essa quantidade de jogos e competições. O tempo é o senhor da razão e vai nos mostrar se esse é o caminho a seguir. 


segunda-feira, 15 de junho de 2020

MARINHO: UMA HISTÓRIA COM INÍCIO E FINAL TRISTE



Nascido numa área pobre do bairro de Santa Ifigênia, em Belo Horizonte, em 23 de maio de 1957, Marinho era o sétimo filho de uma lavadeira que, ao invés de roupas, lavava cadáveres no necrotério da polícia mineira. O garoto passou fome, passou frio, foi catador no lixão de Belo Horizonte, começou a andar com más companhias, até ser internado num reformatório da polícia em Pirapora. 

A vida de sofrimentos só começou a melhorar quando um massagista do Atlético Mineiro o levou para treinar nas categorias de base do “Galo”. Não havia a certeza que Marinho daria certo como jogador, mas era uma esperança de livrá-los das ruas, dos bares e do cigarro, que já começava a usar com 12 anos. Com a bola nos pés, o garoto logo agradou. Galgou espaço no clube alvinegro e em 1975 – com 18 anos – era transformado em profissional, pelas mãos do técnico Telê Santana. 

Em 1976, foi convocado para a Seleção Brasileira de amadores que iria disputar os Jogos Olímpicos de Montreal. A carreira deslanchava, mas Marinho começava a se perder na fartura, nos prêmios, nos bichos. Com farra todos os dias, natural que o seu futebol fosse decaindo, ficando assim na reserva do timaço que o Atlético tinha montado e, em 1979, fosse vendido para o América de São José do Rio Preto, onde teria que, praticamente recomeçar a carreira. Atuou em 118 jogos e marcou 21 gols com a camisa do Galo.

No interior paulista, Marinho brilhou. Foi vice-artilheiro do Campeonato Paulista de 1980; foi convocado para a Seleção Brasileira de Novos de 1981 e regressou para o Atlético Mineiro em 1982, por empréstimo de cinco meses.
AMÉRICA (SP) - 1981
EM PÉ: PAULO CÉSAR, BRÁS, BETO, LACERDA, JORGE LIMA E BERTO;
MARINHO, ROTTA, PAULINHO CASCAVEL, SERGINHO ÍNDIO E RÔMULO
Marinho era cobiçado por grandes clubes. Grêmio, Internacional, Santos, Cruzeiro, Flamengo queriam o passe do ponta-direita, mas o presidente do América (SP) não liberava o jogador por quantia nenhuma. Até que o Patrono do Bangu, Castor de Andrade, foi até São José do Rio Preto e fechou a negociação, pagando 40 milhões de cruzeiros e mais o passe do ponta-direita Dreyfus. Em janeiro de 1983, Marinho chegou ao Rio com 300 mil cruzeiros no bolso e hospedagem no Hotel Plaza, por ordem do “homem”. 

No Bangu, Marinho demorou um tempo para se adaptar e deslanchar. Estreou durante o Campeonato Brasileiro da 2ª Divisão de 1983 e passou em branco. Só foi marcar o seu primeiro gol com a camisa alvirrubra num amistoso contra o Botafogo da Paraíba, em João Pessoa. Mas, depois que se adaptou ao clima, ao grupo, foi um dos grandes nomes do time na campanha do Campeonato Carioca naquele ano. O time chegou em terceiro lugar, Marinho fez partidas incríveis, principalmente uma contra o América, no Maracanã, quando marcou dois gols. A vida começava a melhorar.

Em 1984, fez um péssimo Campeonato Brasileiro da 1ª Divisão. No Carioca, foi o herói de uma vitória por 2 a 1 sobre o Vasco, ao anotar os dois gols. Com boas apresentações, Marinho era todo sorriso, tido como o jogador mais irreverente do futebol carioca. Soma-se a isto os bichos gordos de Castor de Andrade, que propiciaram a Marinho morar em um casarão no bairro de Jacarepaguá. 

Seu grande ano foi realmente 1985, quando foi eleito o melhor jogador do Campeonato Brasileiro, ganhando a Bola de Ouro da revista Placar. O hábil ponta-direita colocou o time nas costas durante a fase final e levou o Bangu até a decisão contra o Coritiba. Antes disso, tinha acabado com o Brasil de Pelotas, nas semifinais, anotando dois gols belíssimos. O craque tinha a certeza do título, assim como as 91 mil pessoas que lotaram o Maracanã naquela noite de quarta-feira. Autor de 16 gols naquele Campeonato, Marinho era o vice-artilheiro do Brasileirão. Em campo, jogou tudo que sabia. Com o placar final em 1 a 1, a decisão foi para a cobrança de pênaltis.  Marinho ainda converteria sua cobrança na hora das penalidades, mas o título fugiu do Bangu. 

Mesmo valorizado, com o Flamengo tentando comprá-lo, Marinho continuou no Bangu para o Campeonato Carioca. Fez outra grande campanha até chegar à final contra o Fluminense. O ponteiro fez 1 a 0, gol de cabeça logo aos 4 minutos. O tricolor virou. No último minuto, Marinho fez um lançamento de um campo a outro para Cláudio Adão aproveitar. O centroavante foi derrubado dentro da área e o árbitro José Roberto Wright não marcou o pênalti. 

Apesar de tanto drama, Marinho era um profissional e em 1986 viveu outra frustração. Foi convocado pelo técnico Telê Santana para os treinamentos da Seleção Brasileira. Estava no grupo que poderia ir à Copa do Mundo do México. Mas, não foi aproveitado. Fez apenas dois amistosos, chegou a marcar um gol de cabeça diante da Finlândia, mas foi cortado pelo treinador. O craque estava acabado. Perdeu a cabeça. Foi aos jornais e denunciou Telê como “racista”, passou a peregrinar pelos bares, voltou a beber, a fumar, perdeu a alegria de jogar futebol. Pelo Bangu, fez uma temporada apagada. 

Voltou a jogar seu bom futebol em 1987, garantindo para o Bangu o título da Taça Rio, referente ao 2º turno do Campeonato Carioca e ainda ajudou o clube alvirrubro a chegar às semifinais do Campeonato Brasileiro, perdendo para o Sport. No início de 1988, Castor de Andrade presenteou” o bicheiro Emil Pinheiro, do Botafogo, com os passes de Marinho, Mauro Galvão e Paulinho Criciúma. A negociação não envolveu dinheiro e sim muitos pontos de bicho que eram de Emil passaram a ser de Castor. No Botafogo, Marinho poderia decolar se não fosse outra tragédia pessoal. Durante o Carnaval daquele ano, quando dava entrevista a uma emissora de TV em sua mansão em Jacarepaguá, o filho Marlon, de um ano e sete meses, caiu dentro da piscina, ninguém viu e o garotinho morreu afogado. A decepção foi enorme. Em pouco tempo, Marinho estava separado da esposa, tinha largado os treinos, abandonara a mansão, passara a dormir dentro do Mercedes-Benz que tinha na época. Vivia bebendo e sequer tomava banho. 

EM PÉ: GILMAR, OLIVEIRA, FÁBIO, MAURO GALVÃO, PEDRINHO E
MÁRCIO NUNES; ARTHURZINHO, MARINHO, PAULINHO CRICIÚMA,
TÓBI E COSME

No Botafogo, jamais conseguiu se fixar entre os titulares e durante o título carioca do alvinegro em 1989, Marinho disputou apenas três jogos. Estava descendo a ladeira. Jamais ganharia os mesmos salários de antes. O alvinegro não queria mais o “problemático” Marinho e ele voltou ao Bangu no segundo semestre de 1989. Foi agraciado com uma vaga na excursão à Europa – sendo reserva de Gilson na ocasião -, mas teve poucas chances durante o Campeonato Brasileiro da 2ª Divisão daquele ano. Em 1990, voltou para outra paixão antiga: o América de São José do Rio Preto. No final do ano, retornou ao Bangu para a disputa da Taça Adolpho Bloch. Depois, foi jogar no desconhecido San José Oruro, da Bolívia, sua única experiência em clubes do exterior.

O técnico Moisés tentou trazê-lo para o Bangu, dar mais uma chance ao jogador em 1993, mas aos 35 anos e após uma vida desregrada, Marinho fez apenas dois amistosos. Em 1994, novamente Moisés tentou trazê-lo de volta ao mundo do futebol, novamente Marinho decepcionou, realizando apenas um jogo pelo alvirrubro durante o Campeonato Brasileiro da 2ª Divisão. A carreira já tinha acabado, mesmo assim, ainda assinou contrato com o Entrerriense, em 1995 e com o São Cristóvão, em 1996. Em 1997, com 40 anos, fez suas últimas partidas pelo Bangu durante o Campeonato Carioca. Era um reserva de luxo, que entrava quando o jogo já estava decidido, só para o deleite dos torcedores mais saudosistas. 

O “herói” dos anos 80, o jogador que foi o melhor do país em 1985 e que tinha enfrentado tantas adversidades na vida, parava definitivamente. O dinheiro que ganhou nos tempos fartos de Castor acabara, surrupiado por más companhias e inúmeras bebedeiras. Marinho estava pobre de novo e passou a treinar times das categorias de base do próprio Bangu, do Ceres (RJ) e do Juventus (RJ). Ensinava aos garotos que era preciso ter comprometimento com o futebol, não perder a cabeça como ele e valorizar as oportunidades que aparecessem. Era o ídolo Marinho, o décimo maior artilheiro do Bangu, com 83 gols em 227 jogos.



Após vários dias internado em um hospital de Belo Horizonte, para tratamento de um câncer no pâncreas, mas que depois se espalhou para outros órgãos, Marinho faleceu no dia 15 de junho de 2020, aos 63 anos. 

Fonte: Bangu.net e acréscimos.


OS FILHOS NÃO SÃO PROPRIEDADES DOS PAIS



Criamos nossos filhos com todo carinho, dando-lhes o melhor que temos de nós mesmos, preocupados, apenas, com sua felicidade, porém, não nos deixemos levar pelo egoísmo.

Os filhos crescem. Vamos acompanhando seu desenvolvimento e, aos poucos, eles vão se emancipando. E quando chega nessa fase da vida, é preciso muito equilíbrio por parte dos pais, para não se julgarem donos exclusivos dos filhos.

Como é difícil, hoje, dar uma educação segura, sadia e leal aos filhos. No lar, cercado de carinho, eles recebem uma orientação. Na escola, às vezes outra. E, na rua, na companhia de colegas e amigos de sua idade, aprendem outras coisas bem diferentes. Tudo trama contra a pureza, a bondade e a sinceridade do coração de nossos filhos. A televisão, as redes sociais, as más companhias, tudo vem atrair os jovens para outros caminhos mais fáceis e repletos de ilusões.

E quando chega, então, a fase do namoro, em que o adolescente abre seu coração às delícias do amor, o papel dos pais é muito importante, no sentido de orientar, de perceber o perigo em que pode cair seu filho. Conquistar a confiança dos filhos, sabendo colocar nossos pontos de vistas dos prós e contras que o mundo oferece, é o caminho mais seguro que podemos escolher. Se usarmos a palavra proibido, é um desastre, porque o “proibido” atrai e arrasta. É bom lembrar que a violência não constrói, não eleva, nem aproxima ninguém.  Só conseguimos conquistar as pessoas com amizade, carinho, compreensão e alegria.

Tratem-nos com carinho, preparando-os para o futuro, para que vivam a vida deles e sigam os caminhos do bem. Se os tratarmos com liberdade consciente, abrindo-lhes os olhos às maldades do mundo, eles saberão caminhar com firmeza e beijarão sempre as mãos dos pais que jamais foram empecilhos, mas amparo, força e proteção em todas as horas.  

Sabemos que na teoria tudo é mais fácil. No entanto, não podemos ficar de braços cruzados diante de uma situação tão complexa no que diz respeito ao nosso bem maior e mais precioso: FILHO.


sábado, 13 de junho de 2020

FLUMINENSE E BOTAFOGO MANDAM NO RÁDIO ESPORTIVO



NOTA: TRANSCRITO NA ÍNTEGRA DA REVISTA DO ESPORTE DE 1963

Houve um tempo em que Ari Barroso escandalizou os ouvintes – e os próprios companheiros de profissão – ao confessar em pleno microfone sua grande simpatia pelo Flamengo. Isto porque a grande maioria de locutores e comentaristas esportivos sempre gostou de fazer mistério em torno de suas simpatias clubísticas, alegando que ela é autêntica faca de dois gumes, podendo dar-lhe popularidade num meio e queimar-lhes em outros... A Revista do Esporte, porém, sabe o clube de coração de cada locutor e comentarista esportivo do Rádio Carioca. E divulga a preferência de cada um, sem o intuito de lançá-los contra os torcedores, é evidente, porque todos têm as suas preferências, mas portam-se de maneira imparcial ao microfone.  

VALDIR AMARAL (locutor principal e chefe do Departamento de Esportes da Rádio Globo) – Veio de Goiás torcendo pelo Botafogo, mas mudou quando passou a fazer esporte pela Rádio. Embora continue botafoguense, o fato de lidar diariamente com o futebol e sua gente fez com que ele passasse a adotar uma posição de absoluta neutralidade diante das ocorrências no esporte.

ORLANDO BAPTISTA (locutor principal e chefe do Departamento de Esportes da Rádio Mauá) – Era torcedor do Fluminense quando garoto, mas mudou ao ingressar no Rádio. Fez grandes amizades no Vasco da Gama e dá extraordinária cobertura às figuras e aos fatos do clube cruzmaltino.  Às vezes se inflama e chega a parecer torcedor do Vasco. Mas o clube de sua simpatia é o Fluminense.

JORGE CURI (locutor principal da Rádio Nacional) – Não faz segredo, em pleno microfone, de que simpatiza com o Flamengo. Sem atingir o grau de ironia de Ari Barroso, às vezes não perdoa mesmo uma exibição má do Flamengo e faz críticas aos seus jogadores ou técnico, de acordo com o caso. Mas, sua opinião não chega ao ponto de prejudicar a sua atividade como relator de jogos.

DOALCEI CAMARCO (locutor principal e chefe do Departamento de Esportes da Rádio Guanabara) – É adepto do América desde o tempo em que iniciou sua atividade no rádio, em São Paulo. Não é de ter ligação com dirigentes nem adota posição de hostilidade quando o seu clube não está realizando boa campanha. Gosta, porém, de falar sobre o América e seus problemas com outros.

CLÓVIS FILHO (locutor principal da Rádio Continental) – Antes de ingressar na Rádio Mayrink Veiga, onde começou, era torcedor do Fluminense. Na Continental, por ser amigo do técnico Marinho, passou a gostar do Botafogo. Este ano, por ser dos grandes amigos do Cel. Luís Renato, está querendo o êxito do Bangu. Apesar disso, o Fluminense continua morando em seu coração.

ODUVALDO COZZI (locutor principal e chefe do Departamento de Esportes da Rádio Mayrink Veiga) – Sempre gostou de fazer mistério em torno do clube de sua simpatia, no futebol carioca. É sabido, porém, que simpatiza com o Fluminense, embora não figure no rol dos que mostrem paixão ou azedume diante dos resultados obtidos pelo tricolor. Encara os resultados com naturalidade.

JOÃO SALDANHA (comentarista da Rádio Guanabara) – Foi jogador de basquete do Flamengo, mas, apesar disso, não nega que o Botafogo mora realmente no seu coração. Já foi técnico, aliás, do clube alvinegro, pelo qual foi campeão em 1957. Nos seus comentários, no entanto, esquece sua condição de botafoguense, mostrando-se sempre espirituoso, seja qual for o resultado do jogo.

CID RIBEIRO (locutor principal e Chefe do Departamento de Esportes da Rádio Tupi) – Sabe se controlar e não demonstra amargura quando é obrigado a descrever os lances de um jogo em que o Fluminense esteja perdendo. É admirador da agremiação tricolor desde muito tempo antes de ingressar no Rádio. Gosta de falar sobre a campanha do seu clube, porém longe do microfone.

BENJAMIM WRIGHT (comentarista da Rádio Globo) – Durante muito tempo alimentou a dúvida em torno do clube de sua predileção, julgando muitos que ele fosse torcedor do Botafogo. Gosta, efetivamente, do Fluminense, como provou, não faz muito, chegando a chefiar a embaixada do clube na Europa. Além disso, é um dos dirigentes do Departamento de Atletismo do Flu.

RUI PORTO (comentarista da Rádio Continental) – Jamais ocultou sua condição de adepto do Fluminense, embora, nos seus comentários, faça questão fechada de mostrar que não veste a camisa de qualquer clube. Há algum tempo colaborou num dos departamentos do clube tricolor, onde desfruta de grande prestígio. Não torce nos seus comentários, mostrando-se sempre comedido.

ADEMAR PIMENTA (comentarista da Rádio Mauá) – Dos mais antigos comentaristas, sempre fez mistério em torno do clube do seu coração, que é para muitos o São Cristóvão, pelas suas ligações, no passado, como clube alvo. Ele, entretanto, é admirador do Botafogo figurando no bloco dos moderados, já que recebe os resultados adversos com a mesma naturalidade, sem preocupações.

ANTÔNIO CORDEIRO (comentarista e Chefe da Seção de Esportes da Rádio Nacional) – Desde que está no Rio, procedente do Recife, simpatiza com o Fluminense. E depois que passou a fazer esportes não mudou. Porém, de uns tempos para cá, por força de uma série de demonstrações de carinho que recebeu de dirigentes do Flamengo, passou a admirar igualmente o clube dirigido por Fadel Fadel.