quinta-feira, 22 de outubro de 2020

MIRACEMA: ELEIÇÃO MUNICIPAL DE 1992


PREFEITO:
Ivany Samel – 5.240 votos (eleito)
Carlos Sérgio Barbuto – 4.487 votos
Wilson Marinho – 3.967 votos

VEREADORES ELEITOS (13):
Gutemberg Damasceno – 519 votos *
José Carlos Cabreira – 341 votos (191)
Francisco Valadão – 337 votos *
Amadeu Peruci Filho – 326 votos *
Antônio Fernando L. Tostes (Titonho) – 308 votos *
José Francisco Sentinelli – 307 votos (285)
Paulo Rogério Lamarca – 303 votos (194)
Reginaldo Rizzo – 290 votos (293)
Welington Luiz Ronzê – 245 votos *
Carlos Armando de Azevedo – 241 votos *
Francisco Bastos Procópio (Chiquito) – 240 votos *
Jário Marques Pereira – 233 votos *
Antônio Mendes Linhares Filho – 223 votos *

* Eleitos para o 1º mandato. 
Nota: entre parênteses, o número de votos dos candidatos na eleição anterior. 

VOTOS DE OUTROS VEREADORES:
João Siqueira Magalhães – 238 votos
Noey Mury Coelho – 215 votos
Gideão Duarte Gonçalves – 205 votos
Sinésio Gross Ferreira – 191 votos
Joubert Rodrigues de Oliveira – 181 votos
Zilon Calado Frazão – 181 votos
Chaquib Mansur – 180 votos
Luiz Roberto Padilha Tostes (Carequinha) – 177 votos
Armando Carneiro – 167 votos
Wanewton Magela Moreira – 166 votos
Adriano Hassel Rocha – 157 votos

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

MIRACEMA: ELEIÇÕES MUNICIPAIS DE 1982 E 1988


Estamos em ano eleitoral para eleger o Prefeito e os novos membros da Câmara de Vereadores. Publico o resultado final das eleições municipais em Miracema ocorridas a partir do ano de 1972. 

1982

PREFEITO/VICE:
Ivany Samel / Antônio Carlos Pascotto (PMDB) – 2.139 votos (eleitos)
Jairo Barroso Tostes / Olavo Monteiro de Barros (PMDB) – 1.713 votos
Gutemberg M. Damasceno / João Batista R. Poeys (PMDB) – 1.707 votos
Wilson de S. Marinho; Rossini Rocha Rossi (PDS) – 2.858 votos *
José Mercante / Milton Alvim Padilha (PDS) – 961 votos
Darcy Annibal / José Aniceto de Carvalho (PDS) – 928 votos
José Ferreira Oyçay / Paulo Vicente Finamor (PDT) – 191 votos
Antônio Fábio A. Braga / Mário Justino da Silva (PTB) – 134 votos

* Apesar de Wilson Marinho ter sido o mais votado entre todos os candidatos, o total de votos da legenda do PMDB elegeu Ivany Samel como novo prefeito.


VEREADORES ELEITOS (11):
Archimedes Respício – 346 votos *
Armando Carneiro – 316 votos
João Siqueira Magalhães – 305 votos
Sinésio Gross – 304 votos
Fernando Nascimento de Oliveira – 300 votos
José Geraldo N. Proença – 284 votos
Noey Mury Coelho – 281 votos
Calil Saluan Neto – 280 votos
Hélio Oliveira do Nascimento – 279 votos *
Chaquib Mansur – 264 votos
Ruy Barbosa Lima – 240 votos

* Archimedes Respício e Hélio Oliveira do Nascimento foram reeleitos.


1988

PREFEITO/VICE:
Jairo Tostes / João Batista R. Poeys – 4.720 votos (eleitos)
Wilson Marinho / Darcy Annibal – 3.719 votos
Adalberto Caveari Albino / Márcio Antônio Tadeu Antunes – 2.803 votos
Valdemar Gonçalves / Carlos Augusto Pereira – 707 votos
Ronaldo Sodré Linhares / José Couto Freire – 233 votos
Geraldo Ivan de Almeida / José Antônio Gualter Correa – 48 votos

VEREADORES ELEITOS (11 ):
José Hamilton da Silva Alves – 468 votos
João Siqueira Magalhães – 377 votos
Reginaldo Rizzo – 293 votos *
José Francisco Sentinelli – 285 votos *
Sinésio Gross Ferreira – 257 votos
Magno Silva Almeida – 245 votos *
Chaquib Mansur – 204 votos
Paulo Rogério Lamarca – 194 votos *
José Carlos Cabreira – 191 votos *
Fernando Nascimento de Oliveira – 147 votos
Paulo Benedito – 135 votos *

* Eleitos para o 1º mandato. 


terça-feira, 20 de outubro de 2020

MIRACEMA: ELEIÇÕES MUNICIPAIS DE 1972 E 1976


Estamos em ano eleitoral para eleger o Prefeito e os novos membros da Câmara de Vereadores. Publico o resultado final das eleições municipais em Miracema ocorridas a partir do ano de 1972. 

1972

PREFEITO/VICE:
Olavo Monteiro de Barros / Paulo Augusto Machado (Arena) – 2.448 votos (eleitos)
Salim Bou-Issa / Jairo Barroso Tostes  (Arena) – 2.336 votos
Clovis Bastos de Barros / Joel Azevedo (MDB) – 1.138 votos
Arthur Monteiro R. Coimbra / Sebastião de Lacerda Linhares (MDB) – 831 votos
Paulo de Lima Barros / José Barroso Tostes (MDB) – 595 votos

VEREADORES ELEITOS (11):
José Carlos Corrêa – 504 votos
Télio Mercante – 478 votos
José Alcemar de Carvalho – 465 votos
José João Felicíssimo – 313 votos
Ary Botelho Rocha – 298 votos
Antônio Fábio Alvim Braga – 291 votos
José Pereira da Silva Netto – 280 votos
Antônio Laureano Pereira – 285 votos
José Márcio Tostes de Freitas – 280 votos
Hélio Oliveira do Nascimento – 249 votos
Ivany Samel – 248 votos


1976

PREFEITO/VICE:
Salim Bou-Issa / Luiz Fernando Linhares (Arena) – 4.038 votos (eleitos)
Paulo Augusto Machado / * (Arena) – 863 votos
Ivany Samel / Antônio Fábio de A. Braga (MDB) – 1.803 votos
Nilo Rodrigues Lomba / Alvaro José Feijó (MDB) – 1.647 votos
Rubens Muniz Alvim / Roberto de Alvim Tostes (MDB) – 689 votos
* Luiz Fernando Linhares também foi o vice de Paulo Augusto Machado.

VEREADORES ELEITOS (11):
Fernando César Rossi – 519 votos
Darcy Annibal – 506 votos
José Hamilton da Silva Alves – 443 votos
Messias Gonçalves Mota – 442 votos
José Alcemar de Carvalho – 407 votos*
Fanor Gonçalves de Faria – 369 votos
Gicelda Coelho de Oliveira – 314 votos **
Salvador Mercante – 306 votos
Helcio Barbosa Bastos – 295 votos
Archimedes Respício de Barros – 269 votos
Moacir Freire da Silva – 259 votos 

* José Alcemar de Carvalho foi o único que conseguiu a reeleição.  
** Depois de ser eleita vereadora pela Arena, Gicelda Coelho renunciou logo após a posse por motivos ideológicos. Em seu lugar assumiu o 1º suplente Hélio Oliveira do Nascimento.




domingo, 11 de outubro de 2020

A VERDADEIRA HISTÓRIA DA CHUTEIRA QUE ATINGIU O MINISTRO DA HUNGRIA NA COPA DO MUNDO DE 1954 - POR ZEZÉ MOREIRA

 


Diante de mim estava o dilema: - revide ou covardia. Tudo começou na humilhação de Maurinho. Por que eu dei com a chuteira na cara de alguém. 

 

O episódio do ministro Sebes é uma das minhas fixações. Não consigo esquecê-lo.Vou contar como as coisas realmente se passaram.

Eis a verdade: acabara o jogo Brasil x Hungria, com a derrota brasileira por 4 x 2. Farei, mais tarde, uma meticulosa reconstituição da partida, que tanto apaixonou o Brasil. No momento, o que interessa é o incidente da chuteira. Ninguém podia estar satisfeito, evidentemente. O jogador brasileiro não encara a derrota como uma contingência normal do esporte, mas como uma tragédia. Especialmente nas partidas internacionais e fora do Brasil. Quando pisa o chão estrangeiro ele pensa, acima de tudo, nos patrícios que ficaram para trás. Digamos que vá competir na Europa. Pois, muito bem: apesar do oceano, que o separa de sua terra, ele sente, e sofre, e vibra em função do público ausente e longínquo. Assim foi na Suíça, quando enfrentamos a Hungria. Cada elemento do escrete tinha a ilusão de que estava sendo olhado por 55 ou 60 milhão de patrícios. E quando, por fatores vários, perderam para os húngaros, a sua tristeza vinha menos da derrota em si mesma do que do julgamento da distante torcida brasileira.

Pois bem: apesar do dramatismo exagerado da situação, os nossos jogadores tiveram um mérito incontestável, qual seja o de fazer um esforço para superar a amargura do revés. O gesto de Maurinho foi típico.

Que fez Maurinho? Como eu ia dizendo: terminada a partida. Do seu rosto escorriam, misturados, o suor e a lágrima da derrota. Ele superou, porém, a sua tristeza. Viu um adversário próximo, que era o Czibor, que lhe estendera a mão. Perto, à espera dos jogadores, estava eu, assistindo à cena. Maurinho quer retribuir: estende a sua mão. E Czibor recolhe a mão. E, lá, ficou no ar e desprezada, a mão brasileira de Maurinho.

Falei da mão de Maurinho, que o outro se recusou a apertar. Mas é preciso não esquecer a cara de Czibor, na ocasião. A cara! Um insulto, um nome feio, um palavrão, no rijo e incisivo idioma de Camões, não seria mais grave, nem mais aviltante, que o ricto (riso forçado) do jogador húngaro para o nosso. Compreendo a revolta deste. Eu já disse que o craque brasileiro, no exterior, valoriza e dramatiza, ao máximo, a sua responsabilidade nacional. Atrevo-me a dizer, com exagero: ele se supõe, em campo, a própria pátria em calções e chuteiras. E o que teria dilacerado Maurinho, diante de Czibor, foi, acima de tudo, o brio ferido de brasileiro. Eis o que parecia exprimir o esgar (jeito do rosto) do adversário: nojo, desprezo, e, numa palavra, um achincalhe total.

E, então, já que lhe recusavam a cordialidade, já que lhe repeliam a efusão brasileira, Maurinho mudou de atitude. Eu só vi Czibor torcer-se como numa cólica. Maurinho vibrava-lhe um soco no estômago.

O que Czibor fez, em seguida, foi o que o carioca chama, na sua alegre gíria, de “cinema”. Simulou um nocaute espetacular. Dir-se-ia que o brasileiro lhe infligira um soco de fender edifícios. E, na verdade, a pancada de Maurinho fora mais simbólica do que outra coisa.

Vi que o incidente poderia transformar-se num conflito de maiores proporções. Chamo:

- Vem cá, Maurinho!

Ele veio. Puxo-o para fora de campo. No chão, Czibor continuava a dramatizar. Vários patrícios seus o acudiam, esbravejantes. Czibor gemia. Pensei, ao entrar no túnel, que tudo tinha começado e acabado ali. Mas estava enganadíssimo. O nocaute simulado do jogador húngaro exasperara os nossos adversários.

Agora um parêntese. Durante a partida, acontecera o seguinte: com chuteiras inadequadas, que não lhe ofereciam nenhuma estabilidade, Didi vivia caindo em campo. Ele escorregava, derrapava no campo molhado, como se o fizesse numa pista de gelo. Houve um momento em que ele e nós nos desesperamos. Deu-se um jeito de mudar as chuteiras para que Didi não patinasse tanto. Fiquei assistindo ao resto do jogo assim: segurando uma das chuteiras imprestáveis. Pois bem: passa-se o tempo e acaba o jogo. Quando Czibor estendeu a mão para Maurinho e, em seguida, a recolheu, eu estava, ainda, do mesmo jeito, isto é, com a chuteira na mão. Mas como ia dizendo: entro com Maurinho no túnel, certo de que estava tudo sanado.

O nosso vestiário era à esquerda, o dos húngaros à direita. E, súbito, vejo que um grupo adversário parte para cima de Maurinho. Era óbvio que se queria vingar o falso nocaute de Czibor. Trato de fazer a cobertura do meu companheiro. Foi então que se criou para mim o dilema de revide ou covardia. Mas vejamos como ocorreu o episódio da chuteira.

O sujeito que, num esgar de nojo, ou de ódio, cospe em alguém ou em alguma coisa, está na verdade tocando um limite extremo. Pergunto: existe alguma coisa de mais atroz, de mais nefando, do que um jato de saliva?

Foi o que fizeram nossos adversários. Eu me interpus entre eles e Maurinho.  E eles ficaram, a poucos passos de mim, agrupados, num alarido (falatório) infernal. Mas o sujeito que pragueja num idioma que não é o nosso fica mais cômico do que ofensivo. Mas eles se fizeram entender, em seguida. Num coro objeto, faziam a pergunta?

- Brésil?

E cuspiam, todos, em sincronismo. Conseguiram repetir:

- Brésil?

Nova cusparada. Eu falei no momento em que me vi diante do dilema da covardia ou revide. Foi este o momento, exatamente este, o momento. Contei que carregava uma chuteira, como se esta fosse algo de precioso como um sapato de Cinderela. Fiz, então, o que faria, no meu lugar, cada um dos 55 ou 60 milhões de brasileiros: arremessei a chuteira em cima dos cretinos ululantes. Foi chuteira e podia ter sido qualquer outra coisa mais ou menos contundente.

Apagaram a luz, em seguida. Mas antes, eu tive a imensa, a tremenda satisfação de ver que a chuteira atingira a cara de alguém. De quem? Não identifiquei, de momento, a pessoa. Logo, alguém apagou a luz e houve, no escuro, o diabo. Inclusive, Pinheiro levou, na cabeça, uma garrafada. Pouco depois, já havia quem dissesse horrores de mim. Afirmava-se que eu fizera aquilo por um motivo inferior: a “queimação” da derrota.

Posteriormente, vim a saber que a vítima teria sido o ministro Sebes. Foi ministro e podia ter sido mais, presidente, rajá, rei ou quem fosse. Digo, aqui, com a maior naturalidade: na minha frente, ninguém ofende o Brasil. E foi esta uma das coisas boas, nobres, que eu fiz na vida e da qual não me arrependerei, nem no céu, nem na terra.

 

NOTA: DEPOIMENTO DE ZEZÉ MOREIRA AO JORNALISTA NELSON RODRIGUES, PUBLICADO NA REVISTA MANCHETE ESPORTIVA EM 1957.

 

 

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

PELÉ: MEU PERSONAGEM DO ANO (1958) – POR NELSON RODRIGUES

 


Amigos, o meu personagem do ano tem de ser um jogador do escrete que levantou o campeonato do mundo. Mas é um problema catar, num time invicto, imbatível, um jogador que seja, exatamente, o símbolo pessoal e humano desse time e desse escreve. E, logo, um nome me ocorre, de uma maneira irresistível e fatal: - Pelé. Olhem Pelé, examinem suas fotografias e caiam das nuvens. É, de fato, um menino, um garoto. Se quisesse entrar num filme de Brigitte Bardot seria barrado, seria barrado, enxotado. Mas reparem: - é um gênio indubitável. Digo e repito: - gênio. Pelé podia virar-se para Miguel Ângelo, Homero ou Dante e cumprimentá-los, com intima efusão: - "Como vai, colega?" De fato, assim como Miguel Ângelo é o Pelé da pintura, da escultura, Pelé, é o Miguel Ângelo da bola. Um e outro podem achar graça de nós, medíocres, que não somos gênios de coisa nenhuma, nem de cuspe à distância. E que coisa confortável para nós, brasileiros, saber que temos um patrício assim genial e assim garoto! Vejam: -17 anos! Na idade em que o pobre ser humano anda quebrando vidraça, ou jogando bola de gude, ou raspando perna de passarinho a canivete, Pelé toma-se campeão do mundo. Estava lá um rei, Gustavo da Suécia. E viu-se, então, essa coisa que estaria a exigir um verso de Camões: - o Rei desceu do seu trono e foi cumprimentar, foi apertar a mão do menino Pelé. Então, pergunto: - que experiência real teria o menino de cor? Havia de conhecer, no máximo, rei de baralho ou o "Rei Patusco" do "gibi". Gustavo foi o primeiro rei autêntico que lhe mostrou os dentes num soberano sorriso.

 

Eu sei que, na recepção ao escrete, houve quem rosnasse por aqui: - "Estão exagerando! Já é demais!” Está claro que não era demais, era de menos. Mas o brasileiro é assim mesmo. Em 50, quase houve um suicídio nacional quando não fomos campeões do mundo. Éramos, todos nós, brasileiros, uma nação que quase toma formicida. Pois bem: - e em 58, ao conquistarmos o titulo, eis que houve, aqui, um hábito instantâneo á glória jamais imaginada. O nosso pileque cívico durou até o desembarque. Já no dia seguinte, porém, havia os descontentes, os fartos, os saturados. Um conhecido meu que veio protestar - "Pelé não pode ser craque! Com 17 anos, ninguém pode ser craque!” Na minha cólera, tive vontade de subir pelas paredes como uma lagartixa profissional. Mas o meu consolo foi que, ao mesmo tempo, saia no "Paris-Match", que é uma revista mundial, uma vasta, erudita e compacta reportagem sobre Pelé. Lá vinha escrito: - Pelé. “Rei do Brasil”. Enquanto, aqui, o brasileiro achava exagerado o próprio entusiasmo, uma revista parisiense punha o garoto brasileiro nas nuvens. Direi mais: - "Paris-Match” comportava-se diante de Pelé com a histeria de uma macaca de auditório. Mas o que impressionou, na reportagem, foi a mentira que a entupia, de cabo a rabo. Nunca se mentiu tanto em seis páginas de revista! O repórter escrevia, por exemplo, que na sua euforia ululante, o Brasil dera o nome de Pelé a ruas, praças e obeliscos.

 

Então, eu concluí que, apesar de todo o seu passionalismo, a imprensa brasileira ainda é das mais sóbrias e das mais contidas. Aqui, nenhum jornal, nenhuma revista, teria o descaro de inventar reis, de inventar fantásticas homenagens nacionais. Não que Pelé e, de resto, todo o escrete não as merecessem. Por meu gosto, confesso: - eu teria enfiado no peito de Pelé a própria "Legião de Honra". Mas é que o brasileiro não é disso. Sim. Amigos: - o brasileiro reage ao bem que lhe fazem com uma gratidão amarga e quase ressentida. Que fez o escrete? Deu-nos a maior alegria de nossa vida. Tornou qualquer vira-lata em campeão do mundo. Mas a nossa gratidão logo secou como uma bica da Zona Sul. Tratamos de esquecer a jornada estupenda. Mas eu vos digo: - "esquecer” não é bem o termo. Ou por outra: - o brasileiro pode "esquecer” da boca paia fora. Mas na verdade um Pelé é inesquecível. Insisto: - apesar de toda a nossa ingratidão, Pelé é imortal. E por isso, porque ninguém pode enxotá-lo da nossa memória, eu o promovo a meu personagem do ano.

 

Nota: texto publicado no Anuário de Ouro 1958/59 da revista Manchete Esportiva. 

terça-feira, 28 de julho de 2020

JOSÉ ITAMAR DE FREITAS: CRIADOR DE LINGUAGEM NA TV BRASILEIRA


Luiz Cláudio Latgé é jornalista. Foi diretor regional em Brasília e em São Paulo. Assumiu a direção da GloboNews em 2008 e, em 2013, tornou-se diretor adjunto da área de Comunicação. Latgé saiu da Globo em 2015.

O acaso às vezes nos deixa na condição de testemunhas e, sem que tenhamos escolhido isto, carregamos o peso de estabelecer os fatos, como uma intimação da História. Digo isto porque preciso falar de José Itamar de Freitas, jornalista, ex-diretor do Fantástico, e também um de seus criadores. Este é o ponto. Mais que jornalista, Itamar foi um dos criadores da linguagem da TV brasileira, como conhecemos hoje.

O Fantástico andará por volta de 50 anos, e é um programa singular, que fugia do modelo dos programas dominicais de auditório e muitos países tentaram imitar. Boni foi o idealizador, Sherman, Armando Nogueira, Borjalo, Vannucci e outros andaram juntos nesta construção. Jornalismo e entretenimento. Itamar tornou isto possível. A essência da TV. Quantas modas lançou na vida da gente! Grandes reportagens, a cobertura dos acontecimentos que fizeram a História, denúncias, o debate de temas polêmicos, modismos, os vídeo-clips, procure nos arquivos e vai encontrar clássicos lançados no Fantástico, de Roberto Carlos a Raul Seixas, a garota do Fantástico, a Zebrinha do futebol, hoje cavalinhos, as pautas sobre ciências, os mágicos, reportagens de aventura, viagens, escalou Glória Maria para percorrer as Maravilhas do Mundo, a paixão por medicina e saúde… Itamar era obcecado por saúde e bem estar.

As reportagens de Hélio Costa nos Estados Unidos sobre os avanços da medicina eram um clássico, matérias de 20, 25 minutos, difíceis de sustentar hoje, e na época o programa era uma das maiores audiências da casa. Itamar era obcecado por saúde e caminhava todos os dias de sua casa em Ipanema à TV Globo no Jardim Botânico. Se hoje nos obrigamos a caminhar diariamente muito se deve à campanha que Itamar promovia no Fantástico pela prática de atividades físicas.

Já tinha mais de 50 anos, quando trabalhei com ele; era final dos 80, início dos 90, eu tinha trabalhado no Jornal do Brasil e começava na TV. Era um aprendizado constante. Pelo cuidado na pauta, pela composição das matérias. Nos domingos, chegava às sete da manhã para revisar e finalizar todo o programa. Pedia um sanduíche de mortadela para comer na sala e regia a edição num telão como se fosse uma orquestra. Parava para corrigir uma imagem, que pedia mais tempo, um texto que não carregava a ênfase necessária, uma entrevista mal conduzida… Como notas fora do tom. Só saía quando o programa terminava, depois das dez da noite. Eu o acompanhava e, invariavelmente, acordava destruído na segunda-feira.

Era cheio de rituais, manias e superstições, distribuía santos e orações a quem o visitava. Difícil acreditar que a Covid o pegou. Lavava as mãos com álcool o tempo todo, na sala do quinto andar, de onde quase não saia. Era difícil trabalhar com ele. Podia ficar dois ou três dias amadurecendo o roteiro da semana. Só se convencia quando terminava a chamada da programação. Podia levar cinco horas fazendo uma chamada! Naquele momento, podia dizer se o programa seria bom ou não e que audiência teria. Difícil era garantir que a reportagem fosse tão boa quanto a chamada…

Com o tempo foi se isolando, desconfiado de todo mundo. Saiu do Fantástico. Se tornou diretor de Reportagem do Jornalismo da Globo. Mas foi chamado às pressas, menos de um ano depois, para socorrer o programa, quando o Fantástico começou a ter problemas de audiência. Me levou com ele. A mudança foi anunciada de uma hora para outra. Itamar estava fora, acompanhando a mãe numa cirurgia em São Paulo. Era uma das raras coisas que poderia afastá-lo da TV: a família e Miracema.

Cuidei de todo o programa, de toda a produção para a edição. Itamar só conseguiu chegar ao Rio na sexta-feira, na hora que finalizávamos a chamada. Ele viu o roteiro e decidiu mudar a estrutura da chamada. Criou o que chamamos de “cartola”. Uma palavra que remete ao assunto, como nas editorias dos jornais: cidade, economia, saúde, política, esportes. Digo que criou porque as “editorias” que ele botou na chamada não eram usuais.

Maurício Kubrusly tinha feito uma entrevista na Califórnia com um personagem da família Dinossauro que fazia sucesso na época. A chamada dizia, na abertura: Alegria! Me lembro de ver como escrevia o texto e de perceber que aquilo mudava tudo. Depois vinham outras retrancas: emoção, aventura, saúde…

Eu tinha produzido o programa inteiro, mas aquela chamada mudava tudo. O Fantástico na época patinava em torno de 23 pontos de audiência. Na edição seguinte, voltou a dar 40 pontos de Ibope. A chamada do Itamar deu 40 pontos. Esse era José Itamar de Freitas. Depois veio o Luizinho, mas essa é outra história… É o que eu tenho a declarar, Itamar, descanse em paz, no lugar que merece.

Uma anedota do Itamar, se você resistiu na leitura até aqui. Itamar morria de medo do Boni. Ficava nervoso quando o Boni ligava. Tinham trabalhado juntos e chegaram a ser bem próximos. Mas nesta altura, o Boni já era o “todo-poderoso Boni” e Itamar não sabia reagir bem aos comentários, críticas e interferências.

Muitas vezes vi quando ele pedia para dizer que não estava, embora nunca saísse da sala. Contou que uma vez teve uma dúvida sobre uma reportagem a ser exibida no Fantástico e dividiu o problema com o Boni. Boni disse que era para exibir, sem nenhum problema. No domingo, durante o Fantástico, Itamar no controle de exibição, o telefone toca: é o Boni, ferindo um trato que tinham, de nunca discutir durante o programa, mas de fazer as avaliações depois.

Boni disparou, no jeito acelerado, que os imitadores repetem sempre da mesma forma: “pôrra, pôrra, Itamar, que pôrra é essa?”. Era justamente a reportagem discutida. Boni não deu chance de nenhum comentário. Emendou. Não quero saber, Itamar. Quero você amanhã cedo na minha sala… Itamar ficava desconcertado nestas situações. Provavelmente não dormiu. Segunda-feira era seu dia sagrado de folga, único dia que não ia à TV. Lá estava às nove na sala do Boni. Boni não apareceu. Voltou no dia seguinte, ficou na espera, Boni não o atendeu. Na quarta-feira, prestes a enfartar, e contra seu feitio, Itamar pegou o telefone e pediu para a secretária interromper o Boni. Disse que ligava por causa da ligação de domingo, por causa da matéria…

Mas a conversa foi rápida: “Pôrra Itamar, não ia te chamar aqui na segunda, nunca, né? É que o doutor Roberto Marinho estava comigo e reclamou da matéria, eu tinha que fazer alguma coisa…”. Anos mais tarde, toda essa tensão custou de fato um enfarte a Itamar, que fez uma ponte de safena. Boni poderá desmentir essa história, conto como ouvi, e por isso não me protegi com teria, seria e disse-quês… Talvez Itamar tenha romanceado… Faz parte do ofício do contador de história. 

Nota: transcrito na íntegra do Observatório da Imprensa / Seção Memória, Edição 1095, de 7 de julho de 2020. 

sábado, 18 de julho de 2020

IGREJA MATRIZ DE MIRACEMA – POR JOSÉ ERASMO TOSTES



Foi inaugurada em 03 de Maio de 1900. O projeto da construção foi de um engenheiro alemão, usando estilo gótico com as torres em tamanho menor. Um grupo dissidente queria que fosse feita a obra da Igreja no triângulo entre a Rua Salvador Ciuffo e Avenida Eiras, logo abaixo da estação ferroviária. Joaquim de Araujo Padilha mandou fazer um sobrado com fundos para frente da atual Igreja, para entravar a obra, mas foi mandado demolir em 1931 pelo Prefeito Altivo Linhares. Em 1922, o Padre Julio Braga construiu as escadarias que dão acesso à Matriz e, em 1931, foi construída a praça em frente à Matriz. O primeiro nomeado foi o Cônego José Thomás de Aquino que se destacou na emancipação de Miracema com um discurso pronunciado pela causa da separação.

Em 1936, foi nomeado o Padre Jeferson Valgueiro Diniz que construiu a Gruta Nossa Senhora de Lourdes. Em 1938, foi nomeado o padre José Nicodemos do Santos que denunciou o Tenente Coracy por maus tratos aos presos que trabalhavam na construção do Campo de Aviação. Em 1939, na festa de Corpus Christi, foi inaugurado o novo sacrário por Dom José Pereira Alves, Bispo de Niterói.

Em 1945, foi nomeado o Padre Joaquim Taumaturgo que construiu a Casa Paroquial. Foram alteradas as torres da Igreja, adquiridos bancos novos feitos na serraria de Melchiades Cardoso e dois sinos novos, doação de Marcelino Pereira Tostes, Marcelino Tostes Jr e Antonio Ventura Coimbra Lopes.

Em 1966, foi construído o Salão Paroquial pelo Padre Jerônimo Bartem, Padre Crúzio, com projeto do Engenheiro Expedito Antônio. Em 1973, Padre José Olavo Pires Trindade remodelou a Matriz com nova pintura, piso de mármore no altar-mor e a construção do calvário com as estações da via sacra.

O padre Carlos do Nascimento, em 1984, iniciou a construção das Igrejas: Nossa Senhora Aparecida projetada pelo engenheiro Expedito Antônio, na Cehab, e Santa Teresinha no Bairro Santa Tereza. As obras foram concluídas pelo padre Luiz Carlos Amorim.

Padre Matheus, atualmente Monsenhor, atua desde 1990. Construiu a Capela do Santíssimo Sacramento, em 1991, que foi inaugurada pelo Bispo Diocesano D. João Corso. Em 2002, o Salão Paroquial foi acrescido por mais um andar. No dia 14 de Maio de 2014, após 114 anos de fundação, a nossa Matriz sofreu uma completa reforma desde o telhado, forro, altares, parte elétrica com nova iluminação, os lustres todos passaram por uma revisão e limpeza e as portas todas pintadas.

Obra que levou uns dois anos para ser concluída com a ajuda dos fieis e a colaboração espontânea do Museólogo Gustavo Oliveira Tostes. Com pouca ajuda e muitas promessas de políticos, com exceção do Prefeito Juedyr Orçay que doou trinta mil reais. A missa foi rezada pelo Bispo de Campos Dom Roberto Francisco com a presença de padres de outras localidades. Engenheiros e operários foram homenageados pelo bispo de Campos. A IGREJA MATRIZ não comportou o numero de pessoas que vieram rezar e prestigiar a solenidade, pois muitas ficaram em pé ou pelo lado de fora.