Moacir BARBOSA é paulista de Campinas, onde nasceu em
27 de março de 1921. Apesar de baixo, fora dos padrões de um goleiro, era muito
ágil e tinha uma elasticidade incomum para o seu tamanho. Excelente senso de
colocação, arrojado e capaz de defesas impossíveis. Recebeu o apelidado de
“Homem Borracha” pelos milagres que fazia embaixo das traves. Um dos maiores goleiros de sua época e um dos melhores do futebol brasileiro de todos os tempos.
Acabou ficando marcado negativamente na história –
injustamente, que fique bem claro! – por ter sofrido o segundo gol uruguaio na
decisão da Copa do Mundo de 1950. Após essa derrota só voltou a jogar mais uma
vez pela Seleção, em 1953, e só não foi para o Mundial de 1954 porque estava
machucado. Veja esse depoimento amargurado de Barbosa:
– O futebol me propiciou as melhores e as piores emoções de minha vida.
Nos meus 26 anos de carreira, fui campeão várias vezes. Viajei pelo mundo, fiz
alguns amigos. Mas ao perdermos para o Uruguai passei a ser o brasileiro mais
criticado da história. Nunca consegui me livrar da sensação de fracasso.
Esperto, costumava usar camisa preta à noite para
dificultar os atacantes. Faz parte da galeria histórica do Vasco, sendo o
goleiro do famoso “Expresso da Vitória”, time que marcou época no final da
década de 40. Foram 431 jogos defendendo o Vasco.
Começou no Ypiranga (SP), e brilhou no Vasco (campeão
carioca em 1945, 1947, 1949/50, 1952 e 1958, do sul-americano em 1948 e do Rio-São Paulo
em 1958), Santa Cruz (PE), Bonsucesso e Campo Grande, onde encerrou a carreira
em 1962. Participou da Copa do Mundo de 1950 e foi campeão do Sul-Americano de
1949. Pela Seleção foram 22 jogos e 31 gols sofridos, sendo 20 oficiais com 24
gols.
Morreu pobre e passando dificuldades, aos 79 anos,
dependendo da ajuda de amigos, em 07 de abril de 2000, em Praia Grande-SP, onde
vivia com uma filha adotiva. A causa de sua morte foi problemas respiratórios,
após complicações de um AVC.
Um fato ocorrido em 1953 serviu para mostrar ao Barbosa o quanto ele era querido pelos torcedores. Assim ele descreveu: “Constatei no dia em que quebrei a perna contra o Botafogo no Rio-São Paulo, em 1953. A depressão foi incrível, mas me recuperei do trauma ao descobrir que faziam filha no Hospital dos Acidentados para me visitar. Pela informação de um médico, só o presidente Getúlio Vargas tinha recebido um número maior de visitas. Não é uma felicidade?”
A respeito de Barbosa, assim escreveu o cronista Armando Nogueira: “Certamente, a criatura mais injustiçada na história do futebol brasileiro. Era um goleiro magistral. Fazia milagres, desviando de mãos trocadas bolas envenenadas. O gol de Ghiggia, na final da Copa de 50, caiu-lhe como uma maldição. E quanto mais vejo o lance, mais o absolvo. Aquele jogo o Brasil perdeu na véspera.”







