sexta-feira, 15 de outubro de 2021

OS ANTUNES TOMAM CONTA DO AMÉRICA...

 


Família que joga unida permanece unida. Uma prova: a família Antunes (Zeca, como é chamado familiarmente), Nando, Edu, Tonico e Zico, formam com o “Seu” Antunes e D. Matilde uma família feliz, que foi acrescida por Eliane, esposa de Antunes.  



Os cinco irmãos sempre que podem estão disputando seríssimos “rachas”, num campinho de pelada que eles próprios fizeram, com baliza, rede e até mesmo refletores. Ou então estão todos juntos, vendo Tonico e Zico jogar pelo Juventude ou acompanhando o América, onde são Antunes e Edu os que brilham.  Nando (mais novo apenas que Antunes) assinou seu contrato com o América após o período de recesso dos jogadores, tornando-se, então, o terceiro jogador profissional da família.


Segundo a opinião geral dos Antunes, o “cobra” é o menor, Zico, com 13 anos. Dribla fácil, marca muitos gols e dificilmente perde uma estourada de bola. Antunes (o Zeca) é o mais chorão e Tonico o único que não joga no ataque: é lateral-direito.

 

“Seu” José que foi goleiro do Municipal e levou Batalha para o Flamengo (o convidado fora ele, mas não pode aceitar para não perder o emprego, já que seu patrão era vascaíno), não queria  que os seus garotos fossem jogadores de futebol, mas, como Antunes conseguiu dobrá-lo, através de pedidos à sua mãe, D. Matilde, o caminho ficou mais fácil para Nando e Edu.  Para Tonico e Zico mais fácil ainda. No entanto, não podem abandonar os estudos.

 

Outra particularidade une a família Antunes: o amor ao Flamengo. Todos, sem exceção, são torcedores do clube rubro-negro e na residência do “Seu” José, encontram-se, pelo menos,  três flâmulas, grandes, do “mais querido”.  Isso sem falar em retratos e copos com o escudo do Flamengo.  Até mesmo o cão mais velho, tem o nome de Mengo. Os mais fanáticos são Tonico e Zico, este, aliás, não assistiu ao jogo Flamengo x América para não ter que torcer contra os irmãos. Pois, disse, “contra o Mengo eu não torcia, não”.

 

A família acompanha todos os jogos do América, menos o “Seu” José, que se limita a deixá-los na porta dos estádios e volta para casa, escutando pedaços dos jogos.  Depois, vai apanhá-los, no final das partidas.

 

Os Antunes residem em casa própria, ma Rua Lucinda Barbosa, em Quintino Bocaiúva.  Antunes mora perto, em apartamento alugado.  Porém, todos estão sempre reunidos na casa dos pais, assistindo aos “vídeo-tapes”, ou batendo bola no quintal da casa. Junto com eles está sempre o lateral-direito do América,  Paulo César, amigo de infância.  

 

“Seu” José, quando os meninos eram menores, comprava sempre cinco camisas do Flamengo, para que eles usassem. Forte e bem disposto, apesar dos seus 65 anos, “Seu’ José  se diverte vendo as peladas dos filhos e não perde uma oportunidade para “pixar” um deles, seja chamando Antunes de chorão, Zico de perna de pau e Nando de molenga.  “Isto ajuda a esquentar as peladas”, explicou ele.  

 

Dona Matilde, que antes pouco ligava para o futebol, agora se vê numa roda viva nos dias de jogo do América, pois tem que preparar o almoço correndo para que todos possam ir ao campo.  Disse ela que torce pelo América, principalmente por causa dos “bichos’... Acha seus filhos maravilhosos, que sempre estão prontos a um presente como Edu, que lhe ofereceu uma belíssima eletrola “hi-fi”.  


Nota: Transcrito na íntegra de uma edição da Revista do Esporte de 1967. 

 


                                                                                              Foto Revista Placar 

Outras considerações: patriarca da família Coimbra, José Antunes se apaixonou pelo Flamengo de forma irônica. Levado para assistir um jogo contra o América viu o time ser massacrado por 4 a 0. Mas se deixou conquistar pelas cores.  Nascido em Portugal, Seu Antunes chegou ao Brasil em 1911, com 10 anos. Fez de Quintino seu lar.  Embora tenha influenciado os filhos a serem apaixonados por futebol, torcia a cara quando algum dizia que iria seguir careira nos gramados.  

- Papai achava que os filhos tinham que ter faculdade, porque só a cultura não pode ser tirada da gente – contou Maria José, a única filha mulher de Seu Antunes e dona Matilde.  

SER PROFESSOR É...

 


Antes de ser uma profissão, uma das formas mais genuínas do amor. Como já dizia o mestre Paulo Freire: “Eu nunca poderia pensar em educação sem amor. É por isso que me considero um educador, acima de tudo por que sinto amor”.

 

Ser professor é muito mais que ministrar aulas.

Ser professor é ocupar lugar de destaque na vida de muita gente. A responsabilidade é grande, mas não chega aos pés da gratificante certeza de colaborar para a formação de seres humanos.

Porque o verdadeiro mestre não se restringe apenas ao intelectual, ele incentiva o amadurecer, o construir, o viver.

Ser professor é saber ensinar e educar, mas também aprender com seus alunos e constantemente renovar suas aprendizagens.

Ser professor é formar o médico, o dentista, o engenheiro, o advogado. É a única profissão capaz de formar as demais profissões.

Ser professor é sempre ser lembrado por alguém, ainda que se passem muitos anos, será parado na rua e ouvirá: lembra-se de mim? Você foi meu professor! Isso é tão gratificante e bonito, que já vale tudo o que foi passado.

Por acaso você já parou para pensar a falta que ele faz?

Por acaso você já parou para pensar o quanto ele é mal remunerado?

Uma profissão linda e que merece todo o nosso respeito, não somente no dia dedicado ao Mestre, mas em todos os dias do ano.

Uma lembrança especial para minha esposa, Renata Titoneli Assad Rangel, que abraçou essa profissão com muita dedicação e amor.

 

PARABÉNS AOS MESTRES DA ATIVA E AOS QUE JÁ ESTÃO DESCANSANDO!

 

Lembro-me que no tempo de estudante o “respeito pelo mestre” era igual – ou até maior – ao que tínhamos por nossos pais. Hoje, o “respeito” é uma palavra que sumiu de nosso convívio do dia a dia. O respeito permite que as pessoas cultivem o valor da paz, numa convivência saudável em respeitar as opiniões e sugestões dos outros. Somente através do respeito é possível valorizar a qualidade do próximo.

 

Professor ou docente é uma pessoa que ensina ciência, arte, técnica ou outros conhecimentos. Para o exercício dessa profissão, requer-se qualificações acadêmicas, pedagógicas e afetivas, para que consiga transmitir/ensinar a matéria de estudo da melhor forma possível ao aluno. É uma das profissões mais importantes, tendo em vista que as demais, na sua maioria, dependem dela. Já Platão, na sua obra “A República”, alertava para a importância do papel do professor na formação do cidadão.

 

A palavra professor vem de “professar”, que, além de lecionar, significa “declarar publicamente uma convicção ou um compromisso de conduta”. É muito difícil definir numa só palavra a importância do professor para a humanidade. Um trabalho nobre, sem o devido reconhecimento em nossa sociedade.

 

MEUS PROFESSORES

 

Não sei se é justo tentar relacionar o maior número possível de nomes dos professores que fizeram parte da minha história escolar, pois certamente deixarei de citar alguns, e farei com isso uma injustiça. Mesmo assim, resolvi arriscar.

Tudo começou com a Dona Ana Maria Siqueira, e por aí adiante todos os demais mestres tiveram participação especial em cada momento de tudo que aprendi na escola.

 

Dando sequência aos nomes: Marília Magalhães, Regina Freitas (de Pádua), Sebastiana Moreira, Geotana Mercante, Gilza Alexandre Alvim, Lucy Pestana, Vera Mota, Vera Alvim, Maria Auxiliadora Cunha, Cilinha Botelho, Maria do Carmo Schueler, Maria do Carmo Tostes, Maria Crisolina Moura, Ribeirinho (de Palma), Maria José Nunes Tostes, Maria Tereza Poly, Maria do Amparo, Mathildes Maria, Yara Tancredi, Geusa Alexandre Alvim, Gilda Tostes, Luiz Delco Junqueira, Hélio Nascimento, José Viana, Oscar de Paula, Afrânio Franco, Edyr Olivier Tostes, João Felicíssimo, Rosane Correa, June Carvalho, Solange Moreira, Solange Amaral, Adilson Cagiano, Luiz Eduardo Amaral (Piazza), Luizão da Ótica, Carlos Rubens Caldas (Lolobe), José Antônio Gualter (Capitão), José Maria de Oliveira, Conceição Garcia, Jorge Garcia, Lucíola Moreira, Pastor Roberto da Silva Carvalho, Célia Azevedo, Bernadete Rizzo, Darcy Aníbal, entre outros...

 

Finalizando, deixo essa mensagem de Albert Einstein: “A suprema arte do professor é despertar a alegria na expressão criativa do conhecimento, dar liberdade para que cada estudante desenvolva sua forma de pensar e entender o mundo, assim criamos pensadores, cientistas e artistas que expressarão em seus trabalhos aquilo que aprenderam com seus mestres".

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

COUTINHO: O GRANDE PARCEIRO DE PELÉ

 


Antônio Wilson Vieira Honório é paulista de Piracicaba, onde nasceu em 11 de junho de 1943. Coutinho foi um atacante de técnica genial, dribles curtos e secos, passes precisos, frieza sobre humana dentro da área, o que lhe valeu o apelido de “Gênio da Pequena Área”. Era tão bom que costumava usar esparadrapo no pulso para não ser confundido com o Rei Pelé. Ainda garoto, no XV de Piracicaba, Coutinho já exibia as qualidades que o levariam a titular do Santos com apenas 15 anos. Marcou época defendendo o clube praiano.


Se Pelé foi o Rei do Futebol, Coutinho foi o vice-rei. Ou, no mínimo, o príncipe, o mais perfeito parceiro de Pelé, com quem criou as famosas tabelinhas e atuou regularmente entre 1958 e 1966. A dupla representava um verdadeiro pesadelo para a defesa de qualquer equipe. Juntos, Pelé e Coutinho fizeram a impressionante marca de 1.461 gols pelo Santos, o que o deixa em terceiro lugar na relação de maiores artilheiros santistas, atrás apenas de Pepe (o segundo, com 405 gols) e, naturalmente, do próprio Pelé, com 1.091 gols.


Atuou no Santos – 457 jogos e 370 gols (campeão do Rio-São Paulo em 1959/63/64 e 66, do paulista em 1960/61/62/64/65 e 67, da Taça Brasil em 1961/62/63/64 e 65, da Libertadores e do Mundial em 1962 e 63, e do Roberto G. Pedrosa em 1968), Vitória (BA), Portuguesa de Desportos, Bangu (6 jogos e 3 gols), Atlas/México e Saad (SP), onde encerrou a carreira em 1973, aos 30 anos. Teve uma carreira curta devido a sucessivas contusões no joelho e sua tendência para engordar.


Participou da Copa do Mundo de 1962, sendo campeão da mesma. Era o titular, mas acabou se machucando na véspera da competição. Porém, mesmo com problemas, viajou com a delegação para o Chile. Atuou em 15 jogos e marcou 6 gols, todos oficiais.


Faleceu em 11 de março de 2019, aos 75 anos, em Santos, em decorrência de complicações da diabetes, que já havia causado a amputação de três dedos do seu pé esquerdo.

domingo, 10 de outubro de 2021

RENATO MERCANTE: CALOU-SE UMA VOZ INCONFUNDÍVEL...

 


José Renato Martins Mercante nasceu em Miracema-RJ, em 18 de julho de 1956. A sua morte, ocorrida em 11 de outubro de 2017, na cidade vizinha de Itaperuna, vítima de um acidente vascular cerebral hemorrágico, deixou uma lacuna na imprensa miracemense e de toda a região.

 

Renato foi um jornalista de excelência e grande comunicador do rádio e televisão, de uma voz inconfundível. Um mestre de cerimônia de alto nível, que conduzia os eventos de maneira assertiva, garantindo a atenção do público com uma linguagem dinâmica. Sempre demonstrou competência naquilo que se propunha a fazer. Um nome que marcou época na comunicação. Acrescenta-se a isso o seu lado de compositor e poeta.

 

Filho de Rosário Mercante e Irene Martins Mercante, Renato era o primogênito de uma família de quatro irmãos: Larry, Fábio e Gustavo, sendo que os dois últimos já faleceram, em 2016 e 2017, respectivamente. Casado com a capixaba e professora Cintia Lara Ribeiro Mercante, Renato deixou três filhas: Camila (turismóloga); Larissa (jornalista); Marcela (pedagoga) e netos.

 

Formando em Comunicação Social (com habilitação em Jornalismo) pela faculdade Hélio Alonso, em Niterói-RJ, foi um dos fundadores da Rádio Princesinha do Norte (inaugurada em 23 de dezembro de 1982) e do jornal “O Tempo”, ambos em Miracema. Foi secretário de imprensa da prefeitura de Araruama, diretor de comunicação da prefeitura de Miracema, na gestão de Ivany Samel no período 2008/2012, editor do jornal “Folha da Manhã”, de Campos dos Goytacazes, correspondente do Jornal do Brasil e por cerca de três décadas, foi uma das vozes de apuração eleitoral na Rádio Muriaé e presidente da Associação Comercial de Miracema, entre outras atividades.

 

Nota: com informação do jornalista Carlos Ferreira e acréscimos.

 

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

ESTÁDIO JAIR SIQUEIRA BITTENCOURT, DO ITAPERUNA: PALCO DE GRANDES EMOÇÕES NOS ANOS 80 E 90




Longe de ser um Maracanã... mas quem vivenciou esses momentos compreenderá o título do post. O interior do estado está órfão de "emoçoes" desse tipo. A grande massa de torcedores acompanha o seu time apenas pela TV. Aquele contato de proximidade do torcedor com o seu ídolo é coisa do passado. É uma triste constatação! 

A partir da segunda metade dos anos 80, até o final dos anos 90, as regiões Noroeste do estado do Rio, Sul do Espírito Santo e Zona da Mata de Minas Gerais, participaram ativamente dos jogos do Porto Alegre/Itaperuna contra os “chamados“ grandes da capital em diversos confrontos pelo certame estadual. Caravanas de todas as cidades se exprimiam no acanhado estádio com capacidade aproximada de 10 mil pessoas. Se contarmos o público que ficava no morro ao lado, em uma posição até privilegiada, o total chegava a 15 mil. Era uma verdadeira festa!

Independente do tamanho do estádio passou por aquele gramado grandes nomes  do futebol brasileiro: Zico, Leandro, Roberto Dinamite, Sócrates, Renato Gaúcho, Júnior, Romerito, Assis, Mauro Galvão, Aldair, Josimar, Romário, Bebeto, Edmundo, Túlio, Felipe, Zinho, Juninho Pernambucano e muitos outros craques, desfilando seus talentos e fazendo a alegria do torcedor, ávido por ver seu ídolo tão próximo.

Ronaldo Perereca
O Porto Alegre/Itaperuna também têm seus ídolos, como Adãozinho, Alexandre, Alcer, Pestana, Pacato, o miracemense Ronaldo Perereca, Déo, Cacaio, Claudio Gomes, Chicão, Januário, Jair, Zé Carlos, Almir e tantos outros que vestiram e honraram essa camisa e são reverenciados até hoje pelos torcedores itaperunenses. Nas redes sociais, em qualquer foto publicada do time, são emocionantes os depoimentos daqueles que tiveram a felicidade de vivenciar aquela época.

E por muito pouco o velho e tradicional estádio não foi demolido. Em 2015, com as dívidas só aumentando, o estádio foi vendido por R$ 15 milhões para uma construtora. Desse total, R$ 4 milhões seriam destinados ao pagamento de dívidas e o restante investido na construção de um novo estádio, no Vale da Seringueira, no bairro Aeroporto. No entanto, através do decreto municipal nº 4764, de 3 de novembro de 2015, foi determinado como área de utilidade/necessidade pública o complexo do estádio, com uma área aproximada de 12.534 m2. O documento ressalta, para fins de desapropriação, todos os imóveis que fazem parte do estádio. Isso impede qualquer leilão sem a anuência do poder público municipal. O negócio foi suspenso e a demolição, que já havia se iniciado, interrompida. Posteriormente os reparos da demolição foram feitos e o estádio, muito aquém do desejado, continua de pé.

Em entrevista ao meu blog, os ex-jogadores Alcer e Alexandre lamentaram o fato e expressaram toda a tristeza com a situação do clube. Esse é mais um exemplo concreto da falência dos times considerados pequenos do interior do nosso imenso Brasil.

Voltando aos bons momentos do estádio, presenciei inúmeras partidas ao longo desses anos, de todos os clubes, e em algumas delas os apuros também se fizeram presentes. Relato um fato ocorrido em outubro de 1992: junto com mais três amigos saímos para assistir ao jogo do Vasco em uma quarta-feira à noite. Próximo ao distrito de Venâncio, debaixo de um forte temporal, o carro apresentou problemas e ficamos pela estrada. A chuva continuava intermitente e pelo rádio veio a informação que a partida havia sido adiada para o dia seguinte. Depois de arrumar um mecânico –  que não resolveu o problema – empurramos o carro e deixamos próximo a uma residência para no dia seguinte buscá-lo. Retornamos à estrada para esperar o ônibus, que não passava. O que nos salvou foi uma carona com amigos de Miracema, que retornavam de Itaperuna após o adiamento do jogo, e não sei como colocamos a turma toda – nove marmanjos – dentro do carro. 

No dia seguinte, com o mesmo carro e o "time" de amigos da noite anterior, partimos novamente para o jogo, que foi às 17h. O Vasco fez uma homenagem muito bonita ao Friaça, à época residindo em Porciúncula - sua cidade natal e próxima a Itaperuna - que recebeu uma placa das mãos do Roberto e deu o pontapé inicial do jogo. O Vasco venceu por 3 a 0, com Edmundo, Bismarck e Roberto marcando os gols.  

A seguir, faço um breve resumo da trajetória do representante itaperunense no futebol profissional:

O ano de estreia foi 1984, no Campeonato Carioca da Terceira Divisão. A temporada serviu como experiência para tentar o acesso no ano seguinte. Fazendo de seu estádio um alçapão, o Porto Alegre atropelou seus adversários e conseguiu o título da Terceira Divisão de 1985. O primeiro passo foi alcançado e chegar à divisão principal já não era um sonho tão distante. Na Segunda Divisão de 1986, enfrentou times tradicionais da capital e do interior. Fez uma campanha brilhante e sofreu apenas 3 derrotas em 22 jogos: Serrano, Madureira e Volta Redonda. Números suficientes para conseguir o acesso junto com a Cabofriense, que venceu a competição. A ascensão tão rápida despertou o interesse da imprensa nacional e o Porto Alegre foi matéria da Revista Placar, ainda em 1986, sob o título: UMA APOSTA FELIZ - Com orações e dinheiro do jogo de bicho, sobe o pequeno Porto Alegre, que em 1987 irá enfrentar os grandes do futebol carioca.

Na elite do certame, o Porto Alegre teve ótimos momentos e conseguiu se manter por um bom tempo entre os grandes, sem aquele sobe e desce muito frequente com os times considerados pequenos. Em 11 de março de 1987, num jogo histórico contra o Flamengo de Jorginho, Leandro, Mozer, Andrade, Adílio, Sócrates, Renato Gaúcho, Zinho, entre outros, em Itaperuna, conseguiu a façanha de uma vitória improvável por 2 x 0, com os artilheiros Alexandre e Adãozinho ofuscando os craques rubro-negros. O jogo foi numa quarta-feira à tarde e a cidade parou. 

Após a fusão do Porto Alegre com o Unidos e o Comércio Indústria - clubes amadores, mas velhos rivais - nasceu em 21 de julho de 1989 o Itaperuna Esporte Clube. Nos anos de 1989 e 1996, conquistou o quinto lugar na Taça Guanabara. Ainda em 1996, em sua melhor participação no Estadual, na classificação final ocupou a quinta colocação geral. O ano de 1999 foi o último em que o Itaperuna enfrentou os quatro grandes do estado no certame regional. Em 2000 e 2001, disputou uma fase preliminar do Campeonato e não se classificou para a fase final. Nesse período o clube já apresentava sinais de um processo de decadência. 

Em 2002, com sérios problemas financeiros, não teve condições de disputar a Segunda Divisão. Retorna em 2004 e, desde então, ausentando-se em alguns anos das competições promovidas pela FERJ, atualmente se encontra na Série C, a Quinta Divisão do futebol carioca. 

Em 1988, estreando em competição nacional - na Série C - conseguiu a 11ª  colocação entre 43 participantes. Entre os anos de 1989 e 1992, o clube disputou o Campeonato Brasileiro da Série B. Em 1989, fez uma ótima campanha e foi eliminado pelo Remo nas quartas de final, ficando na sétima colocação geral. Em 1995, quando participou de sua última competição nacional - Série C - ficou na 78ª posição entre 107 equipes.

Fiz um levantamento de todos os confrontos do Porto Alegre/Itaperuna contra os quatro grandes da capital. Os dados correspondem aos jogos a partir de 1987. O Vasco é o único que tem 100% de aproveitamento. 

Botafogo - 21 jogos; 14 vitórias; 6 empates; 1 derrota; 40 gols pró; 15 gols contra
Flamengo - 19 jogos; 13 vitórias; 4 empates; 2 derrotas; 39 gols pró; 11 gols contra
Fluminense - 20 jogos; 16 vitórias; 2 empates; 2 derrotas; 43 gols pró; 13 gols contra
Vasco - 22 jogos; 22 vitórias; 49 gols pró; 10 gols contra




 


segunda-feira, 27 de setembro de 2021

RAUL PLASSMANN: UM GOLEIRO MULTICAMPEÃO

 


RAUL Guilherme Plassmann é paranaense de Antonina, onde nasceu em 27 de setembro de 1944. Goleiro frio, boa colocação e, acima de tudo, um vencedor por tantos títulos conquistados. Praticava suas defesas sem grandes acrobacias.

 

Revolucionou a posição de goleiro por utilizar uma camisa amarela, quando todos os jogadores da posição optavam por uniformes em preto ou cinza. Ganhou o apelido de Wanderléa, a estrela loura da Jovem Guarda.  É considerado por muitos o maior goleiro da história do Cruzeiro e do Flamengo. Depois de muitos anos apareceu no Cruzeiro o goleiro Fábio para dividir com o Raul essa honraria.

 

Começou sua carreira no Atlético Paranaense. Profissionalizou-se no Coritiba em 1964, mas logo se transferiu para o São Paulo. No entanto, pouco utilizado no decorrer do ano de 1965 – apenas 9 jogos – após uma rápida passagem no Nacional do Uruguai, chegou ao Cruzeiro em 1966 para entrar na história do clube. De 1966 a 1978 foram 549 jogos e muitos títulos (campeão mineiro em 1966/67/68/69/72/73/74/75 e 77, da Taça Brasil em 1966 e da Taça Libertadores em 1976).

 

Chegou ao Flamengo já perto dos 34 anos, em agosto de 1978, e muitos afirmaram que ele já estava próximo de encerrar a carreira. Assumiu a titularidade e ficou até dezembro de 1983, quando definitivamente encerrou a sua vitoriosa carreira, aos 39 anos. Fez parte do maior time da história do clube, atuando em 228 jogos e sofrendo 209 gols (campeão carioca em 1978/79/79-especial e 81, do brasileiro em 1980/82 e 83, e da Taça Libertadores e do Mundial em 1981).

 

Apesar de toda essa trajetória brilhante em Minas e no Rio, não teve muitas oportunidades na Seleção e disputou apenas 11 jogos, sendo 8 oficiais com 7 gols sofridos. Esteve perto de participar da Copa do Mundo de 1982, mas foi preterido na relação final.  

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

SÃO CASTILHO

 


Nascido na capital carioca em 27 de novembro de 1927, Carlos José CASTILHO era um goleiro frio, seguro, um exímio defensor de pênaltis e muitas vezes chamado de “São Castilho”. Recebeu também o apelidado de leiteria devido à sua enorme sorte com a camisa do Fluminense. Numa extrema demonstração de amor ao clube, amputou a ponta de um dedo para se recuperar mais rapidamente de uma contusão. É considerado por muitos o maior goleiro da história do Tricolor e um dos maiores do Brasil de todos os tempos.


Começou no Olaria e logo se transferiu para o Fluminense (campeão carioca em 1951/59 e 64, da Copa Rio em 1952, e do Torneio Rio-São Paulo em 1957 e 1960), onde permaneceu de 1946 a 1965, atuando em 698 jogos e sofrendo 764 gols. De um total de 84 pênaltis contra sua meta, defendeu 24. Teve uma breve passagem pelo Paysandu, de Belém, onde encerrou a carreira em 1965 conquistando o título paraense. Participou das Copas do Mundo de 1950/54/58 e 62, sendo bicampeão em 1958 e 1962, e titular apenas na de 1954.  Fez 29 jogos pela Seleção e sofreu 31 gols, sendo 25 oficias e 29 gols sofridos.


Como técnico trabalhou por muitos anos no mundo árabe. No Brasil o seu título mais importante foi o de campeão paulista de 1984, dirigindo o Santos. Também teve uma passagem de destaque no comando do Operário (MS) no final dos anos 70. Por ironia do destino nunca treinou o seu tão querido Fluminense.


Teve uma morte trágica, em 02 de fevereiro de 1987, no Rio de Janeiro, aos 59 anos. Ele se jogou do sétimo andar do apartamento de sua primeira esposa. Estava de férias e brevemente retornaria ao comando da Seleção da Arábia Saudita.


Assim descreveu a revista Placar após sua morte: “A maioria das religiões reza que o Paraíso não acolhe os suicidas. É de se duvidar que Deus, em sua infinita sabedoria, vá dispensar da Seleção do Céu este tremendo camisa 1. Não é possível que lá no alto não haja lugar para um homem tão bom, nobre e despojado”.


A definição de Castilho sobre o goleiro: “O bom goleiro deixa passar as bolas impossíveis e defende todas as possíveis".