Assim tudo começou em Miracema...
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| Foto da década de 50. Vemos ao fundo o Colégio Miracemense |
Nota: agradecemos o convite feito pela direção para acompanhar o lançamento do projeto.
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| Foto da década de 50. Vemos ao fundo o Colégio Miracemense |
Perivaldo Lúcio Dantas é baiano de Itabuna, onde nasceu em 12 de julho de 1953. O “Peri da Pituba” iniciou sua carreira no Itabuna e em 1975 já estava brilhando no Bahia. Surgiu como uma grande revelação no futebol da Boa Terra e viveu o seu melhor momento com as camisas do Bahia e do Botafogo. O seu estilo de jogo era bastante ofensivo e sempre impondo velocidade. Perivaldo foi um dos jogadores mais idolatrados pela torcida do Botafogo na sua época, mesmo naquele período de jejum.
Atuando pelo time da Estrela Solitária ele chegou à
seleção brasileira em 1981. Vestiu a camisa do Brasil em 3 jogos. Em 1974 foi
emprestado pelo Bahia ao Ferroviário (CE). Jogou também por Palmeiras – 43 jogos e 2 gols,
Bangu – 50 jogos e 8 gols, e Yukong Elephants, da Coréia do Sul. Em 1976 (ainda
pelo Tricolor baiano) e 1981 (pelo Botafogo) conquistou a Bola de Prata como o
melhor lateral-direito do Campeonato Brasileiro. Atuando pelo Palmeiras, em 1983, conseguiu a façanha de ser expulso
aos 17 segundos do primeiro tempo em um clássico contra o São Paulo.
Após muitos anos residindo em Portugal, Perivaldo
começou a viver uma fase financeira complicada e acabou indo morar na rua, em
Lisboa. Depois de uma matéria do
Fantástico em 2013, o Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado do Rio de
Janeiro (SAFERJ) se mobilizou e, por iniciativa do presidente Alfredo Sampaio,
ajudou a trazer o ex-jogador de volta para o Rio de Janeiro. Posteriormente ele
chegou a trabalhar no próprio Sindicato.
Em 27 de julho de 2017, depois de ficar internado por
vários dias na capital carioca, morreu em decorrência de uma pneumonia, aos 64
anos.
Nos anos 70, os programas sobre futebol na televisão
tinham mais ação do que muitos filmes e mexiam com paixões bem mais do que as
novelas (é bom esclarecer que tudo começou nos anos 60).
“Foi impedimento, ou não?” / “O que será que ele disse
ao juiz para ser expulso?” / Por que aquele time ganhou, por que aquele
perdeu?”
Para o torcedor brasileiro, naquela época, as
mesas-redondas sobre futebol que iam ao ar nas noites de domingo e
segunda-feira nos canais de televisão, tornaram-se uma tradição e, mais ainda,
um importante tira-teima dos lances duvidosos que aconteciam nos fins de
semana.
A fórmula dos programas eram sempre as mesmas:
críticas, análises, exibição dos gols em videotape e entrevistas com dirigentes
e jogadores. O sucesso era garantido e os profissionais que faziam parte dos
programas, tornaram-se ao lado dos gols e dos craques, atração permanente.
Anos 60...
Luiz Mendes, ele mesmo – o da “Palavra Fácil” – foi
dele que partiu a ideia do formato depois de assistir a um debate político
entre comentaristas e imaginar que o futebol também poderia render conversas
muito mais interessantes. É a constatação do quanto ele era visionário e se
tornou um dos maiores jornalistas esportivos do país, respeitado e querido por
todos. A ideia foi levada ao então diretor da TV Rio, Walter Clark, um expert
do ramo, que abraçou a causa e surgiu ali o “Grande Revista Esportiva”.
Comandada pelo apresentador Luiz Mendes, a mesa-redonda estreou na TV Rio em
1963. Após ganhar o patrocínio da empresa Facit, que fabricava máquinas de
escrever, o programa mudou de nome para “Grande Resenha Facit”.
Luiz Mendes era o âncora da discussão e, a seu lado,
estavam ninguém menos que nomes como Armando Nogueira, Nelson Rodrigues, João
Saldanha, José Maria Scassa, Hans Henningsen, Vitorino Vieira e o ex-jogador
Ademir Menezes. Se hoje em dia as discussões nos programas às vezes se exaltam
um pouco, naquela época os integrantes da mesa abandonavam constantemente a
técnica e discutiam com paixão de torcedor e defendiam seus times. Nelson
Rodrigues era tricolor; José Maria Scassa, rubro-negro; João Saldanha,
botafoguense; e Vitorino Vieira e Ademir, vascaínos. Armando Nogueira, outro
botafoguense, disse em entrevistas que era o único que tentava ser isento:
inclusive usava terno para tentar passar uma imagem de credibilidade. O
programa fez um grande sucesso na época em que foi exibido e é considerado uma
das melhores mesas-redondas esportivas da televisão brasileira.
A partir de setembro de 1966 o programa passou a ser
exibido pela Rede Globo e ficou no ar até janeiro de 1971. Profissionais como
Léo Batista, Mário Vianna, Washington Rodrigues, entre outros, chegaram a fazer
parte do time “Grande Resenha Facit”. Há de se destacar que nos últimos três
meses, o programa ganhou o nome de “Super Resenha Esportiva”.
Anos 70...
Na TV Educativa, Canal 2, do Rio de Janeiro, o
“Esporte Total” era comandado por Luiz Mendes. A mesa-redonda geralmente era
composta de Sérgio Noronha, José Inácio Werneck, Achiles Chirol, Luís Lobo e
Luís Orlando. O futebol era discutido mais em tese, menos sobre lances
específicos.
Na TV Guanabara, Canal 7, do Rio, estação que
integrava a Rede Bandeirantes de São Paulo, o programa “Bola na Mesa” tinha Avelino
Dias como comandante e contava com a participação de Galvão Bueno – ele mesmo,
que era o titular de esportes da emissora -, Márcio Guedes, Paulo Stein, João
Saldanha e Oldemário Touguinhó.
“Futebol É Com Onze”, da TV Gazeta, Canal 11, de São
Paulo, era comandada por Roberto Petri e sua grande equipe era integrada por
Peirão de Castro, Dalmo Pessoa, Nilton Reina, Flávio Azetti, Paulo Victor,
Barbosa Filho, Sérgio Baclanos, J. Júnior, Sérgio Salrucci, Raul Wagner, Milton
Guimil, Geraldo Blota e José Italiano. Eles eram a atração das noites de
segunda-feira, na capital paulista.
No Rio, quem monopolizava as atenções dos apaixonados
do esporte era Carlos Lima, na TV Tupi, Canal 6. Seu
programa “Operação Esporte”, do qual também participava Geraldo Mazella e convidados, tinha
um ritmo muito intenso, com muitas entrevistas e informações dos clubes
cariocas.
Os anos 80 e 90 foram períodos de transição de nomes e
o surgimento de novos programas, principalmente nos canais de assinatura, que
surgiram a partir da segunda metade dos anos 90. Alguns nomes da “velha guarda
da comunicação” viraram o século em plena atividade.
Das emissoras citadas acima, não posso deixar de
registrar que a TV Gazeta e a TV Educativa – que a partir de dezembro de 2007
passou a se chamar TV Brasil, fruto da fusão das grades da TVE do Rio de Janeiro
com a TV Nacional de Brasília – continuam em atividade com seus programas
esportivos dominicais. Roberto Avallone assumiu o programa “Mesa Redonda” da TV
Gazeta, em 1985 – com aquele seu estilo peculiar e com muita irreverência
(Exclamação! Interrogação?) –, e permaneceu até 2003, quando se mudou para a Rede
TV. Flávio Prado, vindo da TV Cultura, assumiu em agosto de 2003, a “Mesa
Redonda” da TV Gazeta.
Na TVE o programa esportivo nas noites de domingo
passou por diversas nomenclaturas a partir dos anos 80. O que não se alterou
foi o verdadeiro sentido do programa: os debates esportivos. Com nomes fixos e
convidados diferentes a cada fim de semana, surgiu como “Esporte Visão” e
depois passou a se chamar “Debate Esportivo”. Em um curto período, teve o
título de “Ataque”, até que em 2002 volta ao nome original com redação
diferente: “EsporTVisão”. A partir de junho de 2013, com mais uma alteração,
entra no ar o “No Mundo da Bola”. O programa é comandado por Sergio du Bocage,
que desde 1987 faz parte do grupo e, a partir de 2012, assumiu a bancada.
Ricardo Mazella, Paulo Stein e Alberto Léo também comandaram até 2011. Outros
nomes de destaques com participações frequentes nas noites de domingo: Luiz
Mendes, Achilles Chirol, Rui Porto, Gérson Nunes (Canhota), Sérgio Noronha,
Washington Rodrigues, Januário de Oliveira, Márcio Guedes, entre muitos outros.
Márcio Guedes, então, é praticamente efetivo.
O “Cartão Verde”, exibido pela TV Cultura a partir de
1993 – no formato mesa-redonda – foi idealizado por Michel Laurence e comandado
por José Trajano até o ano 2000, ao lado de Armando Nogueira, Luiz Alberto
Volpe e Flávio Prado, que assumiu após a saída de Trajano e ficou até 2003, na
cia de Juca Kfouri, Osmar de Oliveira, Juarez Soares, entre outros. Vladir
Lemos apresentou o programa de 2006 até seu término, em 2020. E nesses últimos
quatorzes anos, Sócrates, até 2011, Victor Birner, Xico Sá, Celso Unzelte,
Roberto Rivellino, entre outros, na bancada de comentarista.
Finalizando essa viagem sobre os debates esportivos na
TV, não posso deixar de mencionar o nome de Milton Neves, comandante do
programa “SuperTécnico” da Rede Bandeirantes, entre os anos de 1999 e 2001.
Apesar de ter ficado pouco tempo no ar, marcou época reunindo nas noites de
domingo treinadores que foram destaques na semana. Wanderley Luxemburgo, Luiz
Felipe Scolari, Abel Braga, Joel Santana, Emerson Leão, Oswaldo de Oliveira,
Zagallo, Rubens Minelli, e outros, eram figurinhas carimbadas. De dezembro de
2001 a dezembro de 2007, Milton Neves, em sua nova casa, apresentou na RecorTV,
o “Terceiro Tempo”, programa no estilo mesa-redonda. Retornando à Band em 2008,
Milton seguiu com o programa na nova emissora.
Formato hoje consagrado quando se fala de futebol, no
rádio e na TV, os programas esportivos do gênero na atualidade são repetitivos
e muitos dos personagens envolvidos, nem de longe, têm o carisma e o respeito
da maioria dos jornalistas citados acima. As exceções existem, é claro, com
alguns profissionais que merecem credibilidade.
A partir dos anos 90, com o surgimento dos canais por
assinatura, os debates ganharam um espaço ainda maior, preenchendo as grades de
programação das emissoras diariamente e em quantidade que os tornaram
enfadonhos. Mudam-se os nomes, mas os temas são os mesmos. Esse é um relato
pessoal. Nada contra àqueles que gostam e assistem na íntegra.
Nota: quando
se propõe a descrever um tema tão abrangente, corre-se o risco de esquecer
nomes e deixar de mencionar um ou outro programa. Antecipadamente peço
desculpas por alguma omissão. Fiz questão de relatar apenas os programas de TV
aberta.
Imagem do telhado destruído do Hospital
Nota: transcrito na íntegra do Jornal do Brasil,
edição 16 de junho/1988, matéria assinada por Oscar Valporto e fotos de
Chiquito Chaves.
Pedras de gelo do tamanho de bolas de
tênis destelham casas e arruínam Miracema.
Primeiro foi a ventania, depois a
tempestade de granizo com pedras de gelo do tamanho de bolas de tênis e, finalmente,
a chuva rápida. Tudo isso durou menos de meia hora, no final da tarde de
terça-feira, dia 14 de junho, mas bastou para transtornar a vida da pequena
cidade de Miracema, no noroeste do estado. Os 130 pacientes do agora destelhado
Hospital de Miracema foram transferidos para outras clínicas da região. Mais de
80% da lavoura de jiló, tomate e pimentão foi destruída e 3 mil e 500 pessoas –
10% da população local – tiveram suas casas atingidas.
“Parecia o fim do mundo”, disse Maria
Dolores da Silva, 67 anos, uma das últimas pacientes transferidas do hospital. Além
de perder as telhas, o hospital teve as enfermarias, o centro cirúrgico e o
depósito de remédios completamente alagados. A violência da tempestade de
granizo destruiu também tetos e paredes das casas que estão sendo construídas
pela prefeitura em convênio a SEAC (Secretaria Especial de Ação Comunitária).
“Boa parte da cidade vai precisar de um longo trabalho de reconstrução”, afirma
o prefeito Ivany Samel (PMDB), que decretou estado de calamidade pública.
Após uma noite sem energia elétrica e
com muita gente ainda em pânico, o sol apareceu ontem para alívio dos
moradores, que fizeram mutirão para consertar casas e tentar salvar as coisas
atingidas pela tempestade. A área do hospital e o morro da Cehab foram as
regiões da cidade mais atingidas pelo granizo. Nas ruas José Monteiro de Barros e Melquíades
Picanço – duas longas avenidas que levam ao hospital – os moradores colocaram
móveis, eletrodomésticos, colchões e roupas para secar. “O pior são os buracos
que o granizo fez no teto. Ainda bem que ninguém se machucou”, disse o
representante comercial José Carlos Aguiar, que trocava telhas quebradas.
As casas de telhas francesas (as mais
comuns) foram menos afetadas que as telhas de amianto. O balconista Robson José
da Silva teve o telhado de casa totalmente destruído. Não sobrou nenhuma telha
de amianto inteira. Quando a chuva de granizo começou e as pedras e pedaços de
telha caiam dentro da casa, Robson colocou a mesa sobre a cama para se proteger
com a avó e a esposa. “Foi uma loucura, parecia que o céu ao desabar”, contou. Os
moradores do morro da Cehab passaram a noite no Ciep de Miracema e depois
voltaram à escola para receber comida e remédios distribuídos aos desabrigados.
A prefeitura distribuiu telhas para a reconstrução
das casas, mas o número era insuficiente para tantos tetos destruídos.
Os estragos, porém, não ficaram
restritos a essa parte da cidade. O telhado do galpão do campo de pouso de
Miracema foi arrancado pela tempestade e o monomotor PP-RHQ foi bastante
danificado nas asas. Um ultraleve também
foi atingido. A cobertura da Praça de Esportes Gerson Alvim Coimbra – de zinco,
como o telhado do galpão – também foi parcialmente destruída. O granizo não
chegou a afetar a Biblioteca Municipal, mas a chuva alagou as salas, e os
funcionários foram obrigados a retirar parte dos livros, colocados na grama na
tentativa que o sol os salvasse.
“O prejuízo total deve passar de CZ$
500 milhões”, calcula o prefeito, que espera a ajuda do governo do estado. Além
das lavouras de tomate, jiló e pimentão, o município perdeu 30% de sua safra de arroz, cerca de 120 mil sacas
que ainda não tinham sido colhidas.
Os campos passaram a noite cobertos
de gelo, que só desapareceu com o sol da manhã. “Para os outros pode parecer
bonito, mas, para nós, o gelo representa a morte”, disse o lavrador Antônio
José de Souza.
Hospital virou pandemônio
O teto estava como se fosse desabar.
Algumas janelas quebraram. A luz acabou. A água começou a descer pelas paredes.
Os pacientes entraram em pânico e começaram a gritar e chamar pelos
enfermeiros. Os funcionários tentavam em vão dar ordem à confusão e acalmar os
doentes. Os bebês choravam no berçário. “Foi um pandemônio. Eu nunca tinha
visto uma tempestade de granizo igual em anos e anos nesta região”, desabafou o
provedor do Hospital, Darcy Aníbal, que calculava o prejuízo da
instituição em mais de CZ$ 100 milhões.
Conveniado com o INAMPS, o Hospital
de Miracema é um dos melhores do noroeste e tem 200 leitos e um centro
cirúrgico. Atende por mês cerca de 7 mil pessoas. Toda essa gente – pobres na
maior parte – vai ficar sem atendimento, pois o hospital ficou desativado. Todos
os pacientes foram transferidos e a direção ainda não sabe quando (e como) vai
consertar os danos.
Marcos Aníbal mostra o gelo acumulado na tempestade.
“Foi uma madrugada horrível”, contou
o estudante Marcos Aníbal. Durante a madrugada, enfermeiros, médicos e
funcionários prepararam a transferência dos pacientes internados para a Casa de
Saúde São Sebastião, para o Hospital Manuel Ferreira, em Pádua, e para o
Hospital Maria Elói, em Palma. O enfermeiro-chefe Ronald Siqueira foi atingido
na cabeça por uma pedra de gelo.
Ontem de manhã, as marcas da
tempestade no hospital eram as mais fortes de toda a cidade. Os funcionários
tiravam água do centro cirúrgico e das enfermarias. As instalações elétricas
estavam danificadas. Todos os pavilhões ficaram com poucas telhas. Gazes,
algodão, gesso, comprimidos, enfim, boa parte do depósito de medicamentos ficou
imprestável. No meio de tanta confusão, a pessoa mais tranquila do hospital era
a pequena Tamires, de apenas um ano, internada por subnutrição. “Ela não chorou
nem um segundo, nem mesmo na hora da tempestade, quando todas as crianças
começaram a chorar”, contou a enfermeira Rosilene César da Silva.
Paulo Roberto FALCÃO é catarinense de Abelardo Luz,
onde nasceu em 16 de outubro de 1953, mas foi criado em Canoas, no Rio Grande
do Sul, a partir dos dois anos. Volante com passadas largas, técnica brilhante,
grande visão de jogo, sempre de cabeça erguida, habilidade acima da média, foi um jogador cerebral. É o
maior ídolo da história do Internacional, clube que iniciou a
carreira nos infantis, em 1968.
Sua estreia nos profissionais aconteceu em 1973 e
Falcão marcou 78 gols durante sua trajetória vitoriosa pelo Colorado. Os
títulos vieram em profusão (campeão gaúcho em 1973/74/75/76 e 78, e do
brasileiro em 1975/76 e 79). Não conseguiu dar um título continental ao
Internacional e se despediu com o vice da Taça Libertadores, em 1980, na
derrota para o Nacional, do Uruguai.
Foi negociado com a Roma, da Itália, clube que
almejava pro um título nacional desde 1942. Logo na sua primeira temporada,
Falcão ajudou a conquistar a Copa da Itália em 1981 (ganhou outra em 1984), e
dois anos depois o tão sonhado “Scudetto”, em 1983. Por sua passagem brilhante
pelos gramados italiano, foi coroado o “Rei de Roma”. O jogador foi tão
festejado na Itália que uma história correu pela cidade tempos depois. Um
cardeal levou a notícia para o Papa João Paulo II: Falcão estava trocando a
Roma pela Internazionale. O último recurso seria a intervenção direta de Sua
Santidade. Isso aconteceu e Falcão acabou ficando na Roma.
Retornou ao Brasil em 1985 como nome certo para completar
com talento o belo elenco dos Menudos do Morumbi. A contratação foi cercada de
algumas polêmicas e o técnico Cilinho não pareceu muito satisfeito com o
desfecho da negociação. Dentro de campo não saiu como o esperado e Falcão
acabou ficando mais na reserva, sendo substituído por Márcio Araújo. Jogou no
São Paulo até 1986 e os números comprovam que a passagem foi muito aquém do
esperado. Marcou 1 gol em 15 jogos e foi campeão paulista em 1985.
Pela Seleção disputou as Copas do Mundo de 1982 e
1986, e foi preterido por Cláudio Coutinho na Copa de 1978, na Argentina, que
preferiu levar o volante Chicão. É um fato constantemente lembrado por parte da
imprensa e torcedores. Na Copa de 86, às voltas com uma lesão no joelho, pouco fez no México. Mas em 1982 estava no auge e foi um dos destaques de um time cheio de craques. Fez três belos gols. Disputou 34 jogos, sendo 28 oficiais e 8
gols.
Mesmo não conquistando a tão almejada Copa do Mundo, deixou
seu nome marcado na galeria de craques do futebol do futebol mundial.
Nota: em 28 de abril de 2015, o comentarista do
SporTV, Lédio Carmona, escreveu em sua página pessoal no Facebook um belíssimo
texto de exaltação, enaltecimento e declaração de amor ao rádio esportivo e a
grandes nomes da latinha. É um texto significativo que nos faz voltar num tempo
em que o rádio era nosso companheiro inseparável. A grande maioria das casas
não tinha TV, mas, o rádio, seja qual for o modelo, era sagrado.
Segue o texto transcrito na íntegra...
Não tenho o menor constrangimento em dizer que, entre
infância e adolescência, meu melhor amigo foi o rádio. Acordava, almoçava,
jantava, brincava e dormia com o meu de pilhas. Ouvia Nacional, Globo, Tupi e
Continental/Guanabara (onde Orlando Baptista estivesse). Éramos inseparáveis,
eu e meus rádios - eram muitos, pois se meu time perdia algum jogo importante
eu o espatifava longe e obrigava meu pai, pobre de marré, a comprar outro no
dia seguinte.
Ainda ouço muito rádio. Hoje tenho menos tempo. Os
canais esportivos de TV a cabo fazem o papel que era do rádio ontem. Fico
ligado na TV o dia inteiro. E, nos horários dos programas, ouço rádio. Gosto da
CBN, ouço o "Globo Esportivo" e não perco o "Sala de
Redação", da Gaúcha. Acompanho algumas jornadas também, principalmente na
ida e na volta aos estádios. Nunca deixei de ouvir rádio. Jamais deixarei. É meu
amigo, sempre será.
Já escrevi aqui que fiz jornalismo porque queria ser
radialista. Meu sonho era ser igual ao Loureiro Neto. Gostava da voz do
Loureiro, do jeito calmo que dava as notícias, por ser português... Certa vez,
fui ver um jogo insignificante no Caio Martins (não lembro qual era). Sentei na
arquibancada coberta, olhei para o gramado e vi que Loureiro estava encostado
no alambrado, fumando, com uns dois beirinhas batendo papo com ele. Desci e
encostei. Entrei no papo e, durante os 90 minutos daquela pelada, Loureiro
fazia suas intervenções e conversava conosco. Foi um dos dias mais felizes da
minha vida. E um dos mais tristes foi no ano passado, quando Loureiro morreu.
Também fiquei mal quando perdemos Luiz Mendes, Waldir
Amaral, Jorge Curi, Doalcei Bueno de Camargo, Antônio Porto, Carlos Marcondes,
João Saldanha, Danilo Bahia, Orlandão, etc. E como sinto falta de Maurício
Torres, um amigo de verdade, que entrevistei em 1996 para uma matéria do Jornal
do Brasil sobre plantonistas e que, anos depois, virou um ombro-amigo. Maurício
era outro que migrou para a TV, mas nunca abandonou o carinho pela latinha.
A ida de José Carlos Araújo para a Tupi será ótima
para o rádio. Garotinho e Apolinho juntos. Luta pela audiência. Globo forte,
com Luiz Penido, que ouço desde 1974. Eraldo Leite, outro ícone, voz que me
acompanha desde 1977. Dé, Rafael Marques, Felippe Cardoso, Edson Mauro, outro
parceiro inseparável nesses 40 anos em que eu e o rádio estabelecemos essa
relação.
É uma relação de admiração, respeito e agradecimento.
Ainda fico meio tímido quando entro no mesmo elevador do Garotinho no Maracanã.
Sempre tenho vontade de tirar uma foto, de mostrar que continuo fã, apesar de
agora sermos colegas. Vivo repetindo para Eraldo que o levei para dar palestra
para minha turma na PUC, em 1985. Gargalho como Ronaldo Castro, outro
personagem que nunca esquecerei, na entrada e saída dos estádios. É a força do
rádio. As vozes são eternas. As lembranças, mais ainda.
Nunca fui radialista. Na faculdade, arrumei emprego no
JB – jamais pensei em escrever para jornal e revista. Fiz isso durante 20 anos,
sei lá. Nunca pensei em trabalhar em TV. Sou ogro, anti-social, feio, careca,
míope, desajeitado. Parei na TV, quase sem querer. E no rádio nunca trabalhei.
Talvez porque nossa relação seja mesmo de paixão, de amizade, de estar sempre
perto um do outro. Não é um compromisso, um dever, uma finalidade. Sempre será
um prazer. Meu melhor amigo.
José Itamar de Freitas, ex-diretor do programa Fantástico, da Rede Globo, morreu no Rio de Janeiro em 1º de julho de
2020. Ele tinha 85 anos e estava internado no Hospital São Lucas, na Zona Sul,
desde o dia 21 de maio. Segundo os parentes, ele teve complicações decorrentes
de uma insuficiência renal que causou falência múltipla dos órgãos.
Há de se lamentar, no entanto, a
perda de mais um miracemense que amava a sua terra como poucos. José Itamar
nasceu em 4 de agosto de 1934 e fez questão de ser enterrado em Miracema, fato
que ocorreu no dia seguinte, sem que os familiares e amigos pudessem prestar as
últimas homenagens – em decorrência do quadro de pandemia. Vale ressaltar que
José Itamar é descendente de duas famílias tradicionais de nossa cidade:
FREITAS E MOREIRA.
Após se aposentar veio cuidar
pessoalmente de sua propriedade rural na cidade natal, propriedade essa que
fica na estrada Miracema/Paraíso do Tobias. Vinha sofrendo com limitações
físicas em decorrência de um grave AVC (acidente vascular cerebral).
Sob a direção de José Itamar de
Freitas, o Fantástico passou a ser um programa mais voltado para variedades e
música. Por muitos anos, o nome dele se confundiu com o “show da vida”. O
programa se tornou a principal vitrine da canção brasileira e de atrações internacionais
no Brasil, com a exibição de videoclipes exclusivos todos os domingos. Foram 16
anos de uma parceria vitoriosa, quase sempre na direção geral do programa.
“Quando você passa 16 aos num programa, tudo de marca. Acabou sendo a
minha vida. Um amor enorme, convivência, amizade, tudo. Eu olho o Fantástico
como sendo da família”, disse Zé Itamar, como era chamado, em entrevista à jornalista Glória
Maria para os 30 anos do Fantástico, em 2003.
José Itamar de Freitas classificava
as reportagens apresentadas todos os domingos como “um meio-termo entre o Globo Repórter e os telejornais diários”.
Para ele, era importante aliar a
capacidade de emocionar com a informação precisa. José Itamar deixou a
direção-geral do programa, em junho de 1991, para ser o diretor de reportagens
da Central Globo de Jornalismo.
O Fantástico prestou uma homenagem ao
seu mestre José Itamar de Freitas na semana de sua morte, e a repórter Glória
Maria resumiu em poucas palavras a sua importância para o programa: “Ele vai continuar vivo enquanto o
Fantástico existir”.
Fonte: G1 com acréscimos