domingo, 11 de fevereiro de 2024

QUARENTINHA: O MAIOR ARTILHEIRO DA HISTÓRIA DO GLORIOSO

 


Waldir Cardoso Lebrêgo, paraense de Belém, onde nasceu em 15 de setembro de 1933, foi um atacante de chute fortíssimo com a perna esquerda, presença permanente na área, grande vocação para marcar gols. Está entre os grandes nomes da história do Botafogo, sendo o seu maior artilheiro. Jogando ao lado de Didi e Garrincha, foi o goleador máximo do Campeonato Carioca por três edições seguidas: 1958 (19 gols), 1959 (25) e 1960 (25).


Um detalhe que deixava o torcedor botafoguense irritado era a frieza do atacante, que não fazia festa para comemorar os seus gols. Dizia com a mesma tranqüilidade que não havia razão para tal, pois estava apenas cumprindo com a sua obrigação de atacante. O gol podia definir um título ou garantir a artilharia de um campeonato, não importava: na comemoração, apenas caminhava para o seu campo de defesa.    


Atuou no Paysandu (PA), Vitória (campeão baiano em 1953), Botafogo – 446 jogos e 308 gols (campeão carioca em 1957, 61 e 62, e do Rio-São Paulo em 1962), Bonsucesso – por empréstimo, em 1956, e no futebol colombiano, onde encerrou a carreira em 1968.


Pela seleção foram 17 jogos e 17 gols, sendo 13 oficiais e 14 gols. Uma operação dos meniscos, em 1961, foi fator determinante para sua ausência no Mundial de 1962.

Morreu na capital carioca, aos 62 anos, de insuficiência cardíaca, em 11 de fevereiro de 1996.

 

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

JOSÉ POY: UM NOME NA HISTÓRIA DO TRICOLOR PAULISTA

 


José POY nasceu em Rosário, na Argentina, em 16 de abril de 1926. O ex-goleiro viveu uma verdadeira história de amor com o São Paulo. Sua regularidade e segurança, especialmente nas saídas do gol, o mantiveram como titular durante toda a década de 50. É o terceiro jogador que mais atuou pelo Tricolor, com 515 jogos. Foi considerado o melhor goleiro da história do clube até o surgimento de Rogério Ceni. Ficou conhecido como “A muralha argentina”.

Poy foi um goleiro tão bom que houve uma campanha para que ele se naturalizasse brasileiro antes da Copa de 1954. Seu sucesso na meta tricolor despertou essa polêmica, mas a ideia, no entanto, não foi adiante. Foi bicampeão paulista em 1953/57. Começou sua carreira no Rosário Central e também atuou no Banfield, ambos da Argentina.

Depois de encerrar a carreira de jogador, deu alegrias ao São Paulo como técnico. Revelou grandes jogadores e sagrou-se campeão paulista em 1975. Comandou o Tricolor em 421 jogos, obtendo 211 vitórias, 130 empates e 80 derrotas, em seis oportunidades entres os anos de 1964 e 1983. Foi campeão paulista em 1975.

Morreu aos 69 anos, em 08 de fevereiro de 1996, na capital paulista.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

CARPEGIANI: O SUPERCAMPEÃO

 


Paulo César Carpegiani, gaúcho de Erexim, onde nasceu em 07 de fevereiro de 1949, foi um apoiador versátil, habilidoso, firme nos toques e na marcação. Fazia muito bem a proteção da defesa e chegava com a mesma facilidade para servir os atacantes. Formado no futebol de salão, tinha total domínio da bola, visão de jogo e passe quase perfeito. A objetividade era uma de suas principais características.


Relatos afirmam que seu destino seria o Grêmio, que o aguardava para um teste. No entanto, alguns imprevistos ocorreram e Paulo César acabou no Estádio dos Eucaliptos, do Internacional.

Teve passagens marcantes pelo Internacional e Flamengo, as duas únicas equipes que defendeu ao longo de sua vitoriosa carreira. Ajudou a fazer do Internacional um dos times mais respeitados da década de 70. Participou de sete conquistas da série do octacampeonato gaúcho. No Flamengo, mais uma vez jogando com um grupo de muitíssimo respeito desfilou por um dos melhores times rubro-negros de todos os tempos, na cia de Junior, Zico, Andrade, Adílio, entre outros, que encantou o mundo da bola.


No Internacional (heptacampeão gaúcho em 1970/71/72/73/74/75 e 76, e bicampeão brasileiro em 1975/76), e no Flamengo (tricampeão carioca em 1978/79 e 79-especial, e campeão brasileiro em 1980).



No Flamengo encerrou a carreira de jogador e iniciou a de técnico. Atormentado por uma lesão no joelho, Carpegiani não pôde prolongar mais a carreira. Ele já havia feito uma operação no menisco, em 1975, e não conseguiu jogar mais após os 31 anos. Em 1981, abandonou os gramados para se dedicar a uma futura ambição: ser técnico de futebol. Começou com o pé direito e de cara foi Campeão Mundial Interclubes, no Japão, em 1981.


Participou da Copa do Mundo de 1974 e vestiu a camisa do Brasil em 17 jogos, sendo 16 oficiais.

 

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

ARI ERCÍLIO: UM FATÍDICO ACIDENTE TIROU SUA VIDA

 


O jogador ARI ERCÍLIO morreu afogado enquanto pescava na Gruta da Imprensa, ao lado da Avenida Niemayer, no Rio de Janeiro, em 18 de novembro de 1972, aos 31 anos. Gaúcho de Porto Alegre, onde nasceu em 18 de agosto de 1941, antes de chegar ao Fluminense, em 1972, Ari jogou no Internacional, Corinthians, Floriano de Novo Hamburgo (RS) e no Grêmio. Em todos os clubes foi considerado um atleta exemplar. Já estava bem ambientado ao grupo do Tricolor e fez apenas 21 jogos no curto período antes de sua morte.


Forte, alegre, exemplo de atleta – uma das melhores condições físicas do time –, Ari Ercílio chegou para brilhar, mas infelizmente sua estrela apagou muito cedo. Sua chegada foi cercada de carinho e muita promoção. Jogou bem algum tempo e estava afastado de forma passageira para recuperar sua melhor condição técnica. O técnico Pinheiro já pensava em lançá-lo no time a qualquer momento.


Num dia de folga, Ari pegou a esposa e foi pescar na Gruta da Imprensa, ao longo da Avenida Niemayer. Já no fim da tarde, quando se preparava para voltar para casa, escorregou na traiçoeira rocha e caiu ao mar. Um mar forte, perigoso. Ele lutou desesperadamente para subir de novo na pedra – um erro, segundo os pescadores, que aconselham nadar para longe das pedras em vez de lutar com as ondas. E Ari Ercílio desapareceu para sempre. O corpo apareceu cinco dias depois, na praia do Pepino, arrastado pelas águas.


Deixou a viúva e duas filhas pequenas. Tinha tanta confiança em sua vida bem regrada que sempre dizia: “Jogo fácil até os quarenta anos”. Jogou até os 31.

 

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

GARRINCHA EM GUARAPARI

 

                                                                      Garrincha e Elza Soares cercados de crianças

Nota: Revista O Cruzeiro com reportagem de Hélcio José e fotos de Hélio Passos. 

Pesquisa, restauração e transcrição: Fábio Pirajá (administrador do grupo Memória Capixaba)

 

Craque se recupera nas areias monazíticas de Guarapari a pedido do Dr. Roberto Calmon, em 1963.

 

Nas areias monazíticas de Guarapari, Garrincha foi buscar a sua fonte de rejuvenescimento. Para o jogador bicampeão do Mundo, a cura de seu joelho significa muita coisa, o tricampeonato deste ano, a Copa de 66, e principalmente a sua carreira de jogador de futebol Garrincha levou Elza Soares e boa vontade de cooperar com o Dr. Roberto Calmon, cujo desejo, além do de curar o ponta-direita botafoguense, é fazer da praia de Guarapari um centro de recuperação para jogadores lesionados. Mas o desejo do craque era ficar só, longe do zelo excessivo de seus admiradores.

 

O Botafogo consentiu que Garrincha ficasse sete dias em Guarapari, Espírito Santo, cumprindo ordens do médico Jorge Sardinha. O craque foi em busca da última esperança de cura para o seu joelho doente, o mesmo que o afastou dos gramados há vários meses.

 

Garrincha não foi só. Além da esperança, levou consigo a cantora Elza Soares, seu novo e proibido amor. Na bagagem de recomendações, um lembrete importante: o tratamento abrangeria 2 horas diárias, pela manhã e tarde. Em Guarapari todos os caminhos conduzem à praia de areias monazíticas. Antes, porém, o jogador visitou o Dr. Roberto Calmon, o mais antigo médico da cidade, hoje no cargo de Prefeito Municipal, para cuidar do joelho mais caro do Mundo. Com sua experiência e conhecimentos, Dr. Calmon examinou o cliente famoso e Indicou o tratamento que, segundo suas próprias palavras, é o mais adequado. Disse, também, que garantia a entrega de Garrincha inteiramente curado em 30 dias.

 

A princípio a diretoria do Botafogo fez cara feia. Mas o Dr. Calmon jogou com a responsabilidade e fez gestões junto cúpula do clube a fim de que o ponta-direita ficasse sob seus cuidados por um mês.

 

Durante o exame, Garrincha revelou não sentir mais nada no joelho direito, e sim na outra perna; "de tanto forçar por causa da atrofia". Dr. Calmon não se importou com a revelação e deu as instruções necessárias para o tratamento.

 

Garrincha e foram à praia. Claro está que não havia banda de música para recebê-los. A frieza que o casal encontrava no Rio, nos últimos meses, não viajou para Guarapari. Não havia banda, mas aplausos. Garrincha e Elza foram saudados por palmas e votos de pronto restabelecimento.

 

Os maiores fãs de Garrincha são os garotos. Muitos deles juntaram a melhor areia da praia para colocá-la sobre o joelho enfermo do campeão. No primeiro dia, um menino tirou a própria camisa para carregar areia para o seu ídolo.



Mané Garrincha, meio sem jeito pelo excesso de carinho dos habitantes, será por algum tempo apenas um cliente da areia milagrosa de Guarapari.

 

segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

ALTAIR: UMA REFERÊNCIA DO TRICOLOR CARIOCA

 


Altair Gomes de Figueiredo nasceu em Niterói-RJ, no dia 22 de janeiro de 1938. Apesar de muito franzino, era um marcador muito duro, que dificilmente perdia uma dividida. Possuía uma raça de gigante. Para seu azar, jogou na mesma época de Garrincha, mas é apontado por muitos como um de seus melhores marcadores, ao lado do rubro-negro Jordan. Altair foi um lateral-esquerdo dos mais técnicos do futebol brasileiro.


Na sua posição, é um dos grandes nomes da história do Tricolor carioca. Faz parte do seleto grupo de jogadores que mais vestiu a camisa do Fluminense, com 542 jogos e 3 gols marcados, de setembro de 1955 a março de 1970. Teve o privilégio de jogar no período mais romântico do futebol brasileiro. Já no final da carreira passou a jogar como zagueiro. Atuou somente no Fluminense, sendo campeão do Torneio Rio-São Paulo (1957 e 60) e carioca (1959/64 e 69). 


Participou das Copas do Mundo de 1962 e 1966, sendo campeão em 1962. Inclusive, em 62 foi reserva de Nílton Santos e virou titular na Copa de 66, mas atuando de quarto-zagueiro. Vestiu a camisa do Brasil em 22 jogos, sendo 18 oficiais.


Altair era um ser humano de fino trato, fala mansa e de um jeito muito especial de lidar com o próximo. Após ficar internado por cerca de 20 dias, veio a óbito aos 81 anos, em 09 de agosto de 2019, de falência múltipla dos órgãos, no Hospital das Clínicas de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio. Ele sofria de Mal de Alzheimer.

 

 

quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

LUISINHO: O PEQUENO POLEGAR

 


Luís Trochillo nasceu em São Paulo em 07 de março de 1930. Atacante de muita técnica, ágil, driblador emérito, de futebol irreverente e às vezes até debochado. Era chamado de “Pequeno Polegar” por seu porte físico franzino e jeito moleque.


Luizinho se tornou um dos maiores artilheiros e ídolos da história do Corinthians, time que defendeu de 1949 a 1967, exceto no ano de 1963, onde esteve emprestado ao Juventus, também de São Paulo. Foi campeão paulista em 1951/52 e 54, e do Rio-São Paulo em 1950/53 e 54) todos pelo Corinthians.



Não teve a sorte de disputar uma Copa do Mundo, pois futebol e faro de gol tinha de sobra para tal. O seu azar foi jogar em uma época em que o futebol brasileiro possuía uma quantidade de atacantes do mais alto nível, o que deixou não só ele, como também outros craques sem o prazer de representar a Seleção em um Mundial.  Vestiu a camisa do Brasil em 11 jogos e marcou 1 gol, todos oficiais, entre os anos de 1955 e 1957.


Em 1996, recebeu uma homenagem e voltou a campo, aos 65 anos, em um amistoso contra o Coritiba, para passar a camisa 8 ao estreante Edmundo e completar sua partida número 603 pelo Corinthians. Marcou 175 gols pelo Timão.


Morreu na capital paulista, em 17 de janeiro de 1998, de complicações respiratórias.