terça-feira, 31 de dezembro de 2019

DR. NEY MENNA GUTTERRES: NOSSO MUITO OBRIGADO!


Foram quase 60 anos de muita dedicação, carinho e atenção a cada um de seus pacientes, que trazem dentro do coração o seu nome guardado em um lugar muito especial.

Formou-se em 1961 e começou a trabalhar no Hospital de Miracema no ano seguinte. Escolheu sua terra natal para trazer ao mundo 14.622 crianças. Isso mesmo, por suas mãos foram realizados esse total de partos. Pode-se dizer que quase a metade da população de nossa cidade nasceu com ele. No entanto, não é demais acrescentar que muitas mães de cidades vizinhas tiveram seus filhos com ele em Miracema.

Dr. Ney é uma história viva e chega a ser difícil encontrar as palavras certas para traduzir o agradecimento que ele merece. Um verdadeiro exemplo de amor e dedicação à medicina, digno de ser seguido por quem abraça essa linda profissão de “dar” e “salvar” vidas.

Ser médico, não é simplesmente fazer uma opção. Ser médico, não é uma profissão como outra qualquer, pois você vai cuidar de um ser humano, você tem que salvar vidas, e para isso tem que trabalhar com o coração. A sua área específica tem o dom único e o prazer de ajudar a trazer novas vidas a esse mundo. Há médicos do corpo e médicos da alma. Felizes são aqueles que conseguem reunir as duas profissões. 

Muitas vezes o remédio mais importante para o tratamento de seu paciente não se encontra nas farmácias. Ele é composto por respeito, carinho, dedicação e pode ser oferecido a cada consulta. Essas três palavras mágicas, “respeito”, “carinho” e “dedicação”, tão ausentes no mundo que vivenciamos, fazem parte de sua trajetória na medicina.

É uma simples homenagem que faço a um miracemense muito especial e merecedor de nosso agradecimento e respeito. Obrigado por tudo! 

Falando em homenagens, em vida são marcantes e inesquecíveis. Homenagens póstumas são apenas lembranças para os familiares.

No dia 29 de abril de 2018, no encerramento do desfile cívico escolar durante os festejos de aniversário de Miracema, o Dr. Ney foi ovacionado do início ao fim da Rua Marechal Floriano, reconhecimento esse por todos os serviços prestados em prol da medicina. As lágrimas que derramamos durante a caminhada foram de alegria por compartilhar a “alegria” dele ao lado de seus familiares e amigos. Sem palavras para descrever o que presenciamos naquele dia. A ideia dessa homenagem começou nas redes sociais e de imediato foi abraçada por todos.


Dr. Ney, o seu nome está gravado com letras douradas em nossos corações!


quinta-feira, 12 de setembro de 2019

HOSPITAL COLÔNIA DE BARBACENA (MG): O HOLOCAUSTO BRASILEIRO


Sessenta mil mortos. Esse é o resultado do tratamento manicomial executado no Hospital Colônia de Barbacena/MG. Fundado em 1903 com capacidade para 200 leitos, o hospital contava com uma média de 5.000 mil pacientes em 1961 e ficou conhecido pelo genocídio em massa ocorrido especialmente entre as décadas de 60 e 80. Trens com vagões lotados chamados de “trens de doido”, semelhantes aos dos campos de concentração alemães, despejavam diariamente os “dejetos humanos” para “tratamento” no hospital.

“Lá suas roupas eram arrancadas, seus cabelos raspados e, seus nomes, apagados. Nus no corpo e na identidade, a humanidade sequestrada, homens, mulheres e até mesmo crianças viravam “Ignorados de Tal”; comiam ratos e fezes, bebiam esgoto ou urina, dormiam sobre capim, eram espancados e violentados até a morte”.

Estima-se que cerca de 70% dos internados não tinham qualquer diagnóstico de doença mental. O hospital era destinado para a contenção dos indesejáveis, com função de higienização e sanitarismo da localidade, ou seja, sob as bases da teoria eugênica eram enviadas “pessoas não agradáveis e incômodas” para alguém com mais poder, como opositores políticos, prostitutas, homossexuais, mendigos, pessoas sem documentos, epiléticos, alcoolistas, meninas grávidas e violentadas por seus patrões, esposas confinadas para que o marido pudesse morar com a amante, filhas de fazendeiros que perderam a virgindade antes do casamento, entre outros grupos marginalizados na sociedade. Em resumo: era preciso livrar-se da escória, do mal social e do incômodo em um local onde ninguém pudesse ter acesso. Era a barbárie humana.

“Os pacientes do Colônia morriam de frio, de fome, de doença. Morriam também de choque. Em alguns dias os eletrochoques eram tantos e tão fortes que a sobrecarga derrubava a rede do município. Nos períodos de maior lotação, 16 pessoas morriam a cada dia e ao morrer, davam lucro. Entre 1969 e 1980, mais de 1.800 corpos de pacientes do manicômio foram vendidos para 17 faculdades de medicina do país, sem que ninguém questionasse. Quando houve excesso de cadáveres e o mercado encolheu, os corpos passaram a ser decompostos em ácido, no pátio da Colônia, na frente dos pacientes ainda vivos, para que as ossadas pudessem ser comercializadas”. E assim, dos ditos “loucos” enclausurados no Colônia, o Estado comia e roia até os ossos! 

O psiquiatra italiano Franco Basaglia, pioneiro na luta antimanicomial na Itália, esteve no Brasil e conheceu o Colônia em 1979. Na ocasião, chamou uma coletiva de imprensa e desabafou: “Estive hoje num campo de concentração nazista. Em lugar nenhum do mundo, presenciei uma tragédia como essa”.

Os números exorbitantes e silenciados (por mais de 50 anos) das execuções sumárias, frias e violentas que ocorreram no hospital Colônia de Barbacena superam, e muito, as mortes registradas e ocultadas na ditadura militar brasileira (dentre índios, camponeses, perseguidos políticos, etc). Superam inclusive os números das mais sangrentas ditaduras da América Latina, Chile com mais de 40 mil e Argentina com mais de 30 mil mortos. Que Estado de Direito atual é esse? Como se pode permitir a prática e a ocultação desse genocídio por mais de 50 anos sem uma resposta estatal efetiva e humanizada para essas vítimas e seus familiares?

Diante desse cenário nos parece claro o que Michel Foucault chamou de “emergência das técnicas de normalização”. Que são poderes não somente entendidos como efeito de conexão entre saber médico, judiciário e político, mas que se constituiu com autonomia e regras próprias, atravessando e estendendo sua soberania em toda a sociedade, sem se apoiar exclusivamente em nenhuma instituição específica. Os poderes de normalização utilizam um discurso que não se organiza apenas em torno da perversidade, mas do medo, da moralização, da contenção e da hipocrisia.

Hoje restam menos de 200 sobreviventes da Colônia. Alguns deles estão e ficarão internados até o fim da vida porque não conseguem estabelecer vínculos sociais, em decorrência dos excessos de torturas e traumas sofridos no hospício e por não terem mais nenhum contato familiar. Outros sobreviventes foram transferidos para residências terapêuticas em busca de dignidade humana e para reaprender a tomar posse de si mesmos. O certo é que os que não morreram de fato, morreram em essência, em alma, como pessoa humana. Não há muito que ser feito para recuperar essas estruturas já mortificadas.
Nesse quadro esquizofrênico tem-se: um Estado apático, omisso, permissivo, perverso, autorizador e coautor dessa eterna história manchada de muito sangue e horror. A sociedade, por sua vez, em alguns poucos momentos sensibiliza-se com outras tragédias da história mundial, mas desconhece o que ocorreu no seu quintal, às suas vistas. Enquanto micropoderes de normalização, quando sabem da sua história, usam o seu confortável tapa-olho fingindo não fazer parte disso ou pior, seus silêncios aplaudem e validam a eliminação dos indesejáveis sociais (até hoje), afinal, louco bom é louco morto, né?!.

E enquanto isso na sala de justiça… o vazio e a mudez dos inocentes gritam por liberdade e humanidade nas inúmeras masmorras psiquiátricas existentes pelo país afora.

Os 60 mil mortos estão enterrados no Cemitério da Paz, construído junto com o Hospital Colônia no início do século XX, cuja área pertence à Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais. Está desativado desde a década de 80 e a explicação do psiquiatra Jairo Toledo, que respondeu pela direção do centro Hospitalar Psiquiátrico Barbacena até março de 2013, é que o terreno está saturado.

Além do trem muitas pessoas chegavam ao hospital de ônibus ou em viaturas policiais. Várias requisições de internações eram assinadas por delegados, isso porque, antes do Hospital Colônia, muitas pessoas que se achava ter sofrimento psíquico em MG eram colocadas em cadeias publicas ou Santas Casas de Misericórdia.

Ou seja, no caso do Hospital Colônia não havia nenhum interesse em melhoramento da raça brasileira. O que se executava naquela instituição total ia para além da brutalidade humana, tratava-se de extermínio puro e simples, no contexto mais desumano e genocida possível. Inocuizava-se e matava-se pelos motivos mais abomináveis.

Sobre o manicômio de Barbacena, ver o documentário “Em nome da razão”, de Helvécio Ratton, filmado em 1979, que se tornou o símbolo da luta antimanicomial. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=07p3y- 

Outro documentário mais recente também trata da mesma questão, denominado “Dos loucos e das rosas”, disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=dQMIUqj6tPw

Texto: Thayara Castelo Branco

Thayara Castelo Branco é Advogada. Mestre e Doutoranda em Ciências Criminais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), com área de pesquisa em Violência, Crime e Segurança Pública. 

Leiam o livro " Holocausto Brasileiro " ( Saraiva )
Autora: Daniele Arbex
Prefácio: Eliane Brum

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

A VISITA DE JUSCELINO KUBITSCHEK A MIRACEMA – POR MAURÍCIO MONTEIRO



Sete anos e seis meses após a inauguração de Brasília, a cidade mais revolucionária do planeta, uma façanha sem precedente na história da humanidade, três anos e dois meses depois de ter perdido o seu mandato de Senador por Goiás, cassado seus direitos políticos e proibido de editar o seu livro de memórias e de visitar Brasília. Depois de passar dois anos e seis meses no exílio na Europa e na América do Norte, quando decide retornar ao país para responder a vários processos sobre seu período de governo. Depois de visitar sua terra natal, Diamantina, veio a Miracema para dançar num baile beneficente.

O Aeroclube de Miracema estava há vários anos interditado, e os bailes eram realizados no G. E. Dr. Ferreira da Luz, que não poderia ser cedido em virtude de JK estar com seus direitos políticos cassados por dez anos, o jeito então foi improvisar uma cobertura no Clube XV de Novembro.

A notícia da vinda do ex-presidente a Miracema era vista com total descrédito em virtude de não manter relações políticas ou pessoais com o político mineiro, mais do que isso, estava exilado na França, por mais de dois anos e, ao regressar, estava respondendo a vários inquéritos – os I.P.M.S.

Mas, ao anoitecer daquele sábado de 25 de novembro de 1967, em face de um desmentido formal de sua vinda e a saída do prefeito José de Carvalho rumo a Cantagalo era um sinal positivo de que viria e a cidade ficou sem nenhuma autoridade, a debanda foi geral. Outros preferiram se recolher em suas casas e não participariam da recepção.

O momento que dominou todo o dia resultou numa noite ameaçadora de muita chuva. À noite, em companhia de alguns amigos resolvi fazer uma visita a Pádua com um carro de propaganda. A viagem já foi em noite negra, fechada, com muitos relâmpagos e trovoadas. Fiz uma pequena parada no bar Tio Patinhas para um cafezinho enquanto o carro dava uma volta pela cidade anunciando a vinda do ex-presidente.  

Não demorou muito, fui informado de que o mesmo estava detido na Delegacia de Polícia e fui chamado para dar maiores explicações. Aí começou o aguaceiro, forte, torrencial. Meia hora depois o carro foi liberado e começamos a viagem de volta, devagar, vez por outra, tínhamos que parar porque o limpador de para-brisa não dava vasão.

Chegando a Miracema, rumamos para a sede do XV de Novembro, descemos e o carro subiu na calçada para melhor iluminar a quadra e o que restava do Barracão – não resistira à chuva e desabara – um monte de lonas e bambus gigantes amontoados na praça de esportes. Fiquei desolado. E a chuva intermitente por toda à noite até o amanhecer.

Só mais tarde é que fui informado que na mesma noite de sábado, depois que a TV informava a sua vinda a Miracema para dançar, uma tensa reunião no apartamento de JK se realizava para traçar os preparativos finais com os seus amigos, que viriam em sua companhia, quando entra em seu apartamento o ex-governador da Guanabara, Carlos Lacerda, com seu vozeirão, querendo um lugar em seu avião. Depois de muita discussão, finalmente foi aconselhado por JK, com receios fundados de sua fala que poderia gerar constrangimentos.

Pela manhã, bem cedo, procurei o presidente do Aero Club que, ponderou-me, descrente de sua vinda, o que seria uma temeridade realizar o baile pelo estado de abandono que se encontrava o Club. Mesmo assim, depois de uma visita, resolvi prepara-lo para uma eventualidade, já que a chuva tinha cessado.

Foi um tal de procurar eletricista, pedir enceradeiras emprestadas, cera, caminhão para buscar mesas e cadeiras, toalhas para cobris mesas, comandadas por um grupo de senhoras da Casa da Amizade através de Dona Mariza Mercante que, solicitou-me a renda do Baile para a Casa dos Pobres. Acreditava no evento e elevou o preço do ingresso.

Por volta de duas horas da tarde, finalmente foi dado com encerrado o trabalho de encerrar a pista e a colocação das mesas. Retorno e já encontro um grupo de desconhecidos em minha casa, aqueles que vieram de automóvel para dar apoio e mantinham uma conversa animada. Uma hora depois, começo a receber uma série de telefonemas, uns pedindo a confirmação ou não da vinda, até que recebo uma ligação do Rio, possivelmente de sua casa, sabendo se poderia iniciar a vinda. Volta a chover torrencialmente, e a conversa só girava em tornos de políticos, cassações, etc., e muito café para aliviar as tensões pelo tempo que continuava implacável.

Meu pai, muito nervoso, começou a se sentir mal, manifestou o desejo de telefonar para a casa do ex-presidente e ponderar que a visita deveria ser adiada, temia um desastre aéreo: o dia estava escuro, com nuvens muito baixas e seria um pouso de alto risco. “Ninguém o demoverá de vir a Miracema”, foi a advertência do chefe de sua segurança. A esta altura, já devia estar a caminho do aeroporto Santos Dumont para conseguir autorização para levantar voo. Uma última rodada de cafezinho foi servida e começou a movimentação rumo ao Campo de Aviação e o pequeno trecho a ser vencido estava difícil: muita lama, carros enguiçados, outros fora da pista, e o cortejo avançava até o hangar onde já havia muita gente. Fui um dos últimos a chegar e o burburinho era grande dentro do hangar, conversa vai, conversa vem, o tempo ia passando até que se ouviu um barulho surdo do avião que logo desapareceu, teria errado o alvo e seguiu direto para Itaperuna, depois voltou para Muriaé.

O Suísso, Nilson Moreira e outros pilotos discutiam sobre a rota: achavam que estavam à procura do Rio Pomba, em sua cabeceira, para chegar até Pádua e, finalmente, a Miracema. O tempo passava e o pessoal começava a desanimar, iniciando então a descida, já que era quase impossível descer numa pista molhada e com nuvens muito baixas e toda rodeada por montanhas. Muitos carros já estavam na estrada quando o barulho do bimotor se torna mais latente, voando em círculos, a procura de uma brecha para o mergulho final que, não acontecia. Mais era mais consistente o ruído do motor, sinal que estava sobrevoando a cidade.


A manobra arriscada é finalmente executada, eis que surge na cabeceira da pista, fazendo um pequeno giro, para tomada de posição final com a aterrissagem, que foi feito com extrema facilidade, fazendo um pouso tranquilo com a metade da pista. O Cesna, de seis lugares, tinha um motor na cauda que fazia a reversão, era apropriado para pequenas pistas. JK foi sacado do avião e seguidamente ovacionado dentro do hangar, ficando visivelmente emocionado.

JK passa na Casa dos Pobres para uma visita e a seguir se dirige para casa de Adumont Monteiro onde recebe abraços e palavras de conforto por mais de três horas. Às sete horas se dirige para fazenda da Cachoeira para um jantar e ao seu final discursa afirmando: “Devolvendo ao meu coração sofrido, não a esperança, mas a certeza dos meus acertos à frente da presidência da República.

O baile que foi aberto com uma valsa com a Miss Estado do Rio, Maria das Graças Khoury, foi um fracasso com pouca gente e em virtude dos geradores da Rua Matoso Maia não serem ligados, a cidade escureceu. As três horas JK se retirou depois de dançar com todas as moças e senhoras e ficamos a conversar até o dia amanhecer.

OBS: TRANSCRITO DO JORNAL DOIS ESTADOS, EDIÇÃO 03 DE MAIO/2002. AS FOTOS SÃO DO ARQUIVO PESSOAL DO DR. MAURICIO MONTEIRO.

OUTRAS CONSIDERAÇÕES:

Essa visita de Juscelino Kubitschek de Oliveira a Miracema, só foi possível porque Mauricio Monteiro, em término do curso de Direito na Universidade Federal Fluminense, com um grupo de estudantes que, ao invés de participarem das festas de fim de ano, decidiram gastar o dinheiro indo a Paris. Lá, sabendo que Juscelino estava na Capital das Luzes, após a cassação em 8 de julho de 1964, que lhe tirou os direitos políticos por 10 anos, o grupo decidiu fazer-lhe uma visita. Muito cortês Juscelino recebeu o grupo, mas com arguiu (perguntas) sobre o Brasil. Só Maurício fez um relato, inclusive dos acontecimentos políticos, e o ex-presidente disse-lhe que, ao retornar ao Brasil, faria uma visita a Miracema, "para tomar um café". Quando ele retornou do exílio, Maurício foi ao Rio, conversar. E, no trajeto de sua casa em Ipanema até uma clínica em Botafogo, o advogado e o ex-presidente tiveram uma conversa agradável, na qual ele convidou para dançar num baile na cidade.

Maurício Monteiro pediu ao presidente do Rotary local, advogado Roberto Ventura, que formulasse, em nome da entidade, um convite ao ex-presidente. "Peguei o convite e, com Maria das Graças Kouri, Miss Estado do Rio fomos convidar Juscelino”. E ele aceitou. Então, o Rotary assumiu a organização da visita, tendo Maurício sendo alvo até de ironias porque ninguém acreditava que a convite seu um homem daquela projeção visitasse Miracema. Todavia, temendo represálias por parte da ditadura militar e, demonstrando muito medo, o prefeito José Carvalho, os vereadores, o presidente da Câmara, Inácio Pires da Silveira, promotor, juiz e outras autoridades sumiram da cidade. Ao mesmo tempo os geradores que reforçavam a iluminação da cidade foram desligados.

A presença do ex-presidente em Miracema foi vigiada por policiais do SMI e do DPPS, que juntamente com as chuvas tiraram muito do brilhantismo das solenidades e das manifestações populares, sem, no entanto, se constituírem empecilho para a explosão de alegria que dominou os milhares de cidadãos que ali compareceram para homenagear o ilustre visitante.

No intervalo do baile o Deputado Nicanor Campanário, única autoridade do município que não se afastou da cidade, fez um discurso no qual agradeceu o Sr. Kubitschek a honra que concedia a Miracema lembrando que em outras circunstancias já haviam estados juntos e que aquela região e o Brasil eram agradecidos ao ex-presidente. A primeira quando autorizou a encampação da Companhia Força e Luz Norte Fluminense, beneficiando Miracema, a segunda pela desapropriação da Cachoeira do Inferno, um benefício ao estado e a terceira, quando concedeu a anistia aos revoltosos de Aragarças, após ter sofrido uma série de restrições em decorrência do Estado de Sitio em que o país se achava mergulhado, culminando seu Governo com a passagem da Faixa Presidencial, dando à democracia o mais exato sentido, que uma Nação sempre esperou dos homens públicos. O primeiro secretário da Assembleia Legislativa ressaltou que esta última atitude do ex-presidente foi um exemplo à Nação Brasileira. Os deputados José Kezen e Álvaro de Almeida também se encontravam na recepção ao ex-presidente.

Em 1988, Márcia Kubitschek – filha de JK – esteve em Miracema recebendo um título de cidadania Miracemense, em nome de seu pai, ocasião em que ficou na casa de Mauricio Monteiro. Em 1995, Mauricio vai a Brasília e visita o Memorial JK, tendo conversado com a Sra. Sarah Kubitschek e relembrado alguns fatos, que a emocionaram. 

OBS: COM INFORMAÇÃO DE JOÃO BAPTISTA FONSECA, PUBLICADO EM ECOS DO PASSADO Nº 46.  



domingo, 18 de agosto de 2019

JOSÉ MARIA DE AQUINO: UM MIRACEMENSE DE VERDADE


Nota: transcrito do jornal Dois Estados, de 27 de abril de 2006, com matéria assinada por Adilson Dutra.

Miracema é um berço do jornalismo brasileiro? Quem fala sobre este e outros assuntos é um dos mais brilhantes repórteres brasileiros, jornalista por opção, segundo ele a carreira de advogado tinha preferência, e cuja trajetória é conhecida no país inteiro. José Maria de Aquino, nascido na “Santa Terrinha”, como ele gosta de chamar a sua terra natal, está em São Paulo há exatos cinquenta e seis anos. Saiu daqui já rapaz e parou em terras paulistanas porque seu pai achou Paraná longe demais. “Meu pai queria que fôssemos para mais longe ainda, o Paraná, terra jovem 50 anos atrás e pronta para ser desbravada.  Paramos aqui. Eu sentia saudade, mas era longe demais para ir a todo instante. Na época nem ônibus direto havia".

COMEÇO DE TUDO

“Saí em janeiro de 50. Não pensava em ser jornalista. Nunca pensei, até dezembro de 1965. Eu pensava ser advogado criminalista ou promotor público. Fiz direito, trabalhei na promotoria, mas me decepcionei, porém essa é outra história”. Falando sobre a tradição da terra em ter grandes jornalistas, José Maria de Aquino cita alguns companheiros de imprensa, que segundo ele deixaram o umbigo na terra e eram sempre presentes. “Sempre me lembro de que muitos grandes jornalistas – o que não é meu caso – deixaram o umbigo aí. Lembro-me do José Maria Miguel fundando um centro, que batizou Cazuza (nada com o cantor/compositor). E a paixão do Ory por falar no serviço de alto falante com programa esportivo às 18h".

LAURO E POLACA

Sobre a bola, sua outra paixão, José Maria guarda com muito carinho algumas lembranças do Miracema FC, mas dois jogadores em especial, Jair Polaca e Lauro Carvalho, estão sempre em suas crônicas ou comentários. “O Lauro jogava muito. Vi, e vejo cada vez menos, profissionais regiamente pagos com bola igual à dele. Não gostava de correr, é verdade, ou não sentia necessidade, tal a diferença. Polaca não era craque, pelo menos não no meu tempo (ele já era veterano), mas tinha um ideal, manter vivo o futebol de Miracema, e isso me agradava. Pena que não souberam dar a ele o valor que tinha – pelo futebol e, depois, pelo carnaval".

PRÊMIO ESSO

Recebendo o Prêmio Esso
O Prêmio Esso de Jornalismo é um programa institucional da Esso Brasileira de Petróleo criado em 1955 e vem desde então promovendo o reconhecimento do mérito dos profissionais de imprensa através da indicação e escolha dos melhores trabalhos publicados nos jornais e revistas, segundo o julgamento de comissões independentes formadas exclusivamente por jornalistas e especialistas da área de Comunicação. Um desses premiados foi ele, José Maria de Aquino, em 1969, com o trabalho “O jogador é um escravo”, publicado no jornal Estado de São Paulo. O outro, ganho em 1966, foi com a equipe do Jornal da Tarde que cobriu, com um toque acima dos demais, o casamento do Rei Pelé. Ele fala sobre os prêmios. “Os dois prêmios ajudaram bastante. Antes eu já havia ganhado outros dois da Aceesp – Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo. Mas o jornal, revolucionário na época, ajudava bastante. A questão, e não problema, é que sempre fui retraído...”


MOMENTOS MÁGICOS E ETERNOS

Foram muitos, a começar pela Copa do México em 1970, quando cobriu pela Revista Placar. Os Jogos Olímpicos de Montreal, no Canadá em 76, também é indescritível segundo José Maria de Aquino. Moscou em 80, foi especial. “O assédio aos brasileiros era incrível, tínhamos sempre que ter em mãos algo sobre Pelé, e felizmente levei algumas revistas e pôsteres do Rei e pude abrir algumas portas”. Olimpíadas de Los Angeles, em 84, um grande evento promovido pelo mega país americano, foi outro grande momento vivido pelo jornalista miracemense.
“Mas gostoso mesmo, diz José Maria, é ser cercado em uma cachaçaria em São Paulo, por quase duas dúzias de jovens estudantes, todos sóbrios e ávidos por um autógrafo e um bate papo sobre futebol e a vida. Bom mesmo é saber que mesmo depois de deixar o Sportv, oito meses atrás, os jovens não se esqueceram de mim”, completa.

AMIGOS E COMPANHEIROS

Junto aos netos e de sua tia Antônia Aquino Lomba
“Amigos são poucos, infelizmente. Sou exigente para considerar alguém amigo. A menor mancada e, pronto... O Jobinha é do peito. Adilson Dutra, embora bem mais moço, que só fui conhecer anos depois – 1979 –, embora desconfiado no início está na pequena relação. Aqui mais perto? O Deco, o povo de Miracema não conhece. O Seco, meu cunhado. O Pedro Rocha – uruguaio e ex-craque do São Paulo – que é mais que um jogador. Na selva de pedras tem lugar para companheiros, mas não para muitos amigos. E, como já vim criado, com os “defeitos” de interiorano, não consegui fazer muitos, mas por aí deixei alguns. O Foguete, que me inventou no Miracemense Ausente. O Joãozinho Moreno, gente fina, o Ory, que não vejo há tempos. O zangado do Chapadão. Um especial: o Jofre Salim. Jofre foi, e ainda é, um tremendo incentivador. Acho que como ele, só meus filhos. E olhe que ele é bem mais velho que eu.”


COPA DA ESPANHA DE 1982

Miracema abriu o coração para homenagear seu filho famoso. As ruas da cidade, principalmente aquelas em que os parentes mais chegados residiam, estenderam faixas de aplausos a José Maria de Aquino e a Globo, por ter levado um miracemense para comentar os jogos da Copa do Mundo. José Maria, na sua simplicidade, fala sobre o assunto: “Só soube da faixa depois da Copa, quando recebi umas fotografias. Emocionei-me. Acho que chorei um pouco".

AMOR POR MIRACEMA...

“Gosto de Miracema. Vivemos, eu e meu irmão, lembrando os casos da nossa época, contando para as pessoas daqui, que não acreditam em muitos. Não passa uma semana sem que contemos os casos da Batuquinha, da Nestorina, do Zé Colado. E eu, estou sempre forçando um jeito de falar da terrinha. Meus filhos (Paulo e Cecília) conhecem as histórias e a filha as repete tão bem quanto eu. Nunca me afastei. Apenas vim para muito longe. Como não tinha deixado namorada... Por isso lembro-me, que terminei meu agradecimento pelo título de Miracemense Ausente (fui apanhado de surpresa, não sabia que havia uma solenidade), disse que era ausente de corpo, porque de espírito estava sempre brincando nos jambeiros do jardim.”

OS CRAQUES

“Além do Lauro? Achei que o Zé Souto faria carreira – era bom goleiro – mas fez bem em seguir primeiro os estudos. O Vadeco era bolão. Talvez se tivesse sido levado... Estou falando de gente que jogaria em time principal e de primeira linha – não hoje, mas naquele tempo. Vadeco era um Dequinha, aquele médio volante do Flamengo." 









sexta-feira, 16 de agosto de 2019

ZICO E ROBERTO: ÍDOLOS QUE SE RESPEITAVAM


Ainda como revelações formadas, respectivamente, na Gávea e em São Januário, Arthur Antunes Coimbra e Carlos Roberto de Oliveira se enfrentaram pela primeira vez como profissionais em 7 de maio de 1972, quando Flamengo e Vasco empataram em 2 a 2 em jogo do Carioca. O equilíbrio marcou a disputa particular. Tantos nos resultados como no comportamento dos atletas. Apesar da rivalidade entre os clubes, os dois ídolos sempre se respeitaram dentro e fora de campo. 

Em 41 partidas com Zico vestindo a camisa rubro-negra de um lado e com Roberto a Cruz de Malta no peito do outro, cada um saiu vitorioso em 12 oportunidades. E ocorreram 17 empates. Roberto fez mais gols que o maior artilheiro da história do Maracanã. Dinamite balançou a rede rubro-negra 21 vezes. O 10 da Gávea marcou 14 gols no Vasco. 

Mas no confronto geral com o maior rival de seus clubes, Zico teve mais motivos para comemorar do que Roberto. Em 54 partidas contra o Vasco, o rubro-negro registrou 20 vitórias, 19 empates e 15 derrotas, marcando 19 gols. Roberto, em 67 clássicos, ganhou 19, perdeu 22 e empatou 26, assinalando um total de 26 gols.

Na seleção, os dois tiveram a alegria de estar do mesmo lado. Como parceiros no time titular, o Brasil ganhou o Torneio Bicentenário dos Estados Unidos em 1976. Também estiveram juntos nas Copas de 78 e 82.


Acervo particular 
Cada um em sua função, eles fizeram por merecer todo o prestígio que conquistaram dentro de campo. Zico foi um jogador mais completo, mais versátil, e teve o privilégio de fazer parte de uma geração de ouro no Flamengo que ganhou todos os títulos possíveis, entre os anos de 1978 e 1983. Em 1993, Zico vestiu a camisa do Vasco no jogo de despedida do amigo Roberto, em um amistoso contra o La Coruña, da Espanha, onde jogava o Bebeto.

Roberto foi um artilheiro nato e o que ele fez dentro de campo, marcando centenas de gols e conquistando diversos títulos, sendo o maior artilheiro e ídolo da história do Vasco, não pode ser esquecido em razão de sua passagem como presidente do clube que o revelou. É nosso dever ter consciência para separar os fatos e julgá-los de uma maneira imparcial. 

terça-feira, 11 de junho de 2019

OBRIGADO, MICAELA! - POR JOSÉ GERALDO ANTÔNIO



OBRIGADO, MICAELA!

Junho de 1948, Marselhesa, Miracema.

Dia ainda nascendo, manhã fria e escura. Pulávamos da cama com a sensação do calor das cobertas, passávamos rapidamente no tanque para molhar os rostos, depois apanhávamos as canecas na cozinha e corríamos para o curral. Nele, já estava o JACINTO, negro forte e pronto para o trabalho da ordenha, início de uma jornada cotidiana árdua e penosa, que só terminava depois do pôr do sol. JACINTO era o retireiro, o carreiro (condutor do carro de boi), o lavrador no plantio do arroz (cultura principal da Fazenda da minha avó Lafite), além de ser uma espécie de líder dos colonos que ali viviam.

Após afastar o bezerro que mamava nas tetas da mãe e amarrá-lo nos pés da vaca, JACINTO iniciava a ordenha, prendendo o balde entre suas pernas musculosas, que mais pareciam dois troncos de uma frondosa árvore, vestidas com uma calça que as cobria até as canelas. Cheio o balde, JACINTO estendia seus grossos braços para alcançar os canecos que os lançavam suspensos em nossas mãos, prontos a receber o líquido branco, ansiosamente desejado pelos apetites insaciáveis daqueles garotos despreocupados com qualquer consequência alimentar.

Bebíamos sofregamente aquele alimento in natura, tal qual fazia o bezerro não desmamado.

Marselhesa é uma pequena propriedade rural. Faz divisa com o Moura e fica a quatro quilômetros do Hospital de Miracema, na Rua do Café.

Junho de 2008. Madrid, Espanha.

Brasil x Cuba. Disputa da última vaga do basquete feminino para a Olimpíada de Pequim. Minuto final do quarto tempo. Jogo empatado. Micaela com a bola e num jamp converte e marca dois pontos para o Brasil, que passa à frente do placar. Falta contra Cuba. Dois lances livres convertidos por Micaela. Brasil vence e está classificado para os Jogos Olímpicos de Pequim. Micaela é a cestinha do jogo.

Ao ver Micaela na quadra, com seus passos largos e velozes, tem-se a impressão de estar ela impulsionada por um vento soprado lá da África, como se fosse uma gazela galopando pelas savanas buscando alcançar o seu objetivo.

Entrelaço as épocas tão distantes e vejo naquela determinação da jogadora a obstinação do sentimento libertário do escravo que ultrapassa todos os obstáculos que se lhe antepõem. Lembro-me, então, no negro JACINTO, bisavô de MICAELA, com suas pernas frondosas e braços fortes, dobrando o barro no plantio de arroz. Recordo-me do Antônio e da Olga, avós de MICAELA, formando o belo casal que desfrutou o amor sereno da roça e gerou os filhos José Geraldo, Francisca e Antônio Carlos, o Carlinhos, pai de MICAELA.

Com certeza, JACINTO, ANTÔNIO E OLGA estão, lá no céu, alegres, sorrindo com as cestas de MICAELA, assim como ficavam alegres nas colheitas bem-sucedidas do arroz e do feijão plantavam e lhes permitiam sustentar suas famílias.

As cestas de Micaela também alegram o Brasil e enchem de orgulho os miracemenses.

A cada fundamento e a cada cesta de Micaela, assistindo-a pela televisão, vibrava e me sentia cúmplice das jogadas com o grito saído do fundo da alma.

OBRIGADO, MICAELA!

Rio de Janeiro, 16 de junho de 2008.
José Geraldo Antônio

Nota: transcrito do jornal Liberdade de Expressão, edição nº 104, de julho/2008.







MICAELA: A MIRACEMENSE QUE FOI DESTAQUE NO BASQUETE



Micaela Martins Jacintho nasceu em Miracema (RJ), em 12 de junho de 1979, e com 14 anos de idade o basquete entrou em sua vida para não mais sair. Com o professor Carlinhos Bessa - no colégio Ferreira da Luz - foi o início de tudo. No entanto, do Bola Laranja, equipe montada por dois amigos apaixonados pelo basquete, Milton Santana e Ronaldo Valim, que posteriormente encaminharam a atleta para o interior paulista, que é o berço do basquete feminino. Apesar de toda a dificuldade em deixar uma cidade pequena – ainda jovem – foi para Campinas (SP), agarrou a oportunidade e deu início a uma carreira vitoriosa na profissão que escolheu. Atuou em três países da Europa: Itália, Polônia e Letônia.   

O auge de sua carreira foi participar dos Jogos Olímpicos de Pequim, na China, em 2008, depois da frustração de ter ficado de fora das Olimpíadas de Atenas, na Grécia, em 2004. Uma grave lesão – rompimento do tendão de Aquiles do pé direito –, às vésperas da competição, disputando o campeonato italiano, impediu a ala de realizar o seu sonho. Ela operou e não se recuperou a tempo de fazer parte do grupo, que ficou para quatro anos depois.

Micaela defendeu a seleção adulta por dez anos, de 2001 a 2011. Além de ter disputado Mundial, Pan-Americano, Sul-Americano e Copa América pelo Brasil, Micaela tem uma longa história pela Seleção que começou em 1996, aos 17 anos, ainda na categoria juvenil. Ela foi destaque na conquista da Copa América do México.

Pela seleção adulta, Micaela faturou cinco títulos Sul-Americanos, sendo que na edição de 2005, na Colômbia, teve média de 14 pontos por jogo e foi um dos destaques.

Kae, como é chamada carinhosamente pelas companheiras, fez a sua carreira nos seguintes times:
1992 – Pegasus / Bola Laranja, vice-campeã carioca;
1993/94 – Ponte Preta, de Campinas;
1995 – Goodyear, de Campinas;
1996/98 – Microcamp, de Campinas, campeã paulista adulto de 1996;
1998/99 – BCN Osasco, campeã paulista de 1998;
1999/00 – Guarulhos, campeã da série A-2 (primeira convocação para a Seleção Brasileira adulta);
2000/02 – Vasco, campeã brasileira de 2000, campeã carioca de 2001 e campeã sul-americana de clubes em 2002;
2002/03 – Campo Grande (MS);
2003/04 – Unimed Americana, campeã paulista, campeã dos jogos abertos do interior paulista e campeã brasileira, todos em 2003. Foi eleita a melhor jogadora e cestinha do brasileiro de 2003;
2004 – Reggio Emília, da Itália;
2004/05 – Pool Comense Como, da Itália;
2005/06 – Unimed Ourinhos, campeã brasileira de 2006 e pela 2ª vez eleita a melhor jogadora;
2006/07 – Polfa Pabianice, da Polônia;
2007/08 – TTT Riga, da Letônia, campeã nacional;
2008 – Unimed Ourinhos, campeã brasileira e pela 3ª vez eleita a melhor jogadora;
2009 – Unimed Americana;
2010 – Catanduva;
2010/13 – Santo André, campeã brasileira de 2010 e campeã paulista de 2011;
2013/14 – Maranhão Basquete;
2014/15 – Basquete Vizi Brasília (DF).

Seu retrospecto pela Seleção:
Campeonato Sul-Americano –  campeã de 2001 a 2011;
Copa América – campeã em 2001, vice-campeã em 2005 e campeã em 2009;
Jogos Pan-Americanos – 3º lugar em 2003 e vice-campeã em 2007;
Mundial – 4º lugar em 2006.