terça-feira, 25 de outubro de 2022

DON ELIAS FIGUEROA

 


Elias Ricardo FIGUEROA Brander nasceu em Valparaíso, no Chile, em 25 de outubro de 1946. Zagueiro elegante, de técnica refinada, errava muito pouco e que também sabia fazer dos cotovelos uma arma contra aqueles que invadiam sua área, que ele chamava de “minha casa”. Figueroa foi um zagueiro quase perfeito. A liderança e o estilo elegante de jogar logo lhe valeram o apelido "Don Elias". 


O craque chileno dividiu com Falcão, no início dos anos 70, a condição de maior ídolo do Internacional. Foi dele o gol que deu a vitória por 1 a 0 sobre o Cruzeiro, na final do Campeonato Brasileiro de 1975. Capitão da equipe desde o primeiro jogo, Figueroa se despediu do Inter em 1977, sob fortes protestos da torcida, inconformada com a sua saída. Deixou o seu nome gravado na história do clube gaúcho, com 26 gols marcados em 336 jogos.


Figueroa jogou no Santiago Wanderes/Chile, Unión La Calera/Chile, Peñarol (campeão uruguaio em 1967 e 68), Internacional (campeão gaúcho em 1971/72/73/74/75 e 76, e do brasileiro em 1975 e 76), Palestino (campeão chileno em 1978), Fort Lauderdale Strikers/Estados Unidos e Colo-Colo/Chile.


"Don Elias" foi o único jogador a ser eleito três vezes consecutivamente como o Melhor Jogador da América do Sul (1974/75/76). Na Copa do Mundo de 1974, apesar da péssima campanha do Chile, recebeu o título de melhor zagueiro da competição. Em 1999, ganhou um lugar na seleção sul-americana do século, em votação com jornalistas de todo o continente. 


Participou das Copas do Mundo de 1966, 1974 e 1982. Defendeu o Chile em 47 jogos e marcou 2 gols.   

 

 

domingo, 2 de outubro de 2022

EDER JOFRE: ETERNO CAMPEÃO




De uma família tradicional de pugilistas, por muito pouco o menino Éder Jofre não nasceu num ringue de boxe. Mas logo o pequeno Éder estava engatinhando ao redor do ringue e dando os primeiros passos em cima da lona na qual tios e irmãos treinavam. Apesar de mostrar rapidamente um talento natural, ninguém ainda poderia imaginar que ele se transformaria simplesmente no maior de todos, no mais representativo da família Jofre e até hoje considerado o maior pugilista brasileiro de todos os tempos. Nascido na capital paulista em 26 de março de 1936, Éder foi e continua sendo um exemplo para os desportistas do país. 

E a trajetória para chegar ao topo começou de forma meteórica.  Em 1943, com apenas 7 anos de idade, Éder Jofre já subiria num ringue. Foi no Estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, numa exibição entre mirins. No entanto, as lutas para valer logo viriam. A estreia no boxe amador se deu em 1953, como peso-mosca, e, três anos depois, representava o Brasil na Olimpíada de Melbourne, na Austrália, chegando até as quartas de final.

Embora não tenha conquistado qualquer medalha, Éder prosseguiu na carreira de forma vitoriosa. Em 1958, foi campeão brasileiro e um ano depois, sul-americano. Em 1960, precisamente no dia 18 de novembro, veio a glória maior. Ao vencer o mexicano campeão mundial Elói Sanchez, conquistou o cinturão da categoria peso-galo. Virou um verdadeiro herói nacional.

Em 1961, essa condição de ídolo foi reforçada. Nos Estados Unidos, conseguiu o título dos pesos-galos também pela National Boxing Association, unificando os títulos. Depois dessa unificação, o “Galo de Ouro” defendeu o título em sete oportunidades até 1965, ano em que perde por pontos para o Japonês Harada. Em 1966, amarga a perda da revanche para o mesmo Harada, responsável pelas suas duas únicas derrotas em sua brilhante e inesquecível carreira.

Abandona o boxe para voltar em 1969, agora como peso-pena. Venceu até 1976, todas as 25 lutas que disputou pela categoria. Como campeão mundial dos pesos-pena – título conquistado em 1973 – Éder encerra sua carreira  em 1976, aos 40 anos, com um invejável cartel: 81 lutas, 75 vitórias – 50 por nocautes, 4 empates e 2 derrotas (em dois contestados combates contra Harada). Os seus feitos no ringue são reconhecidos até hoje no mundo do boxe. 

Entre as diversas homenagens que recebeu ao longo de sua carreira, em 1992 ganhou o título de “Maior Peso-Galo” de todos os tempos, e passou a ocupar um lugar no “Hall of Fame”, de Nova Iorque.  Assim como o Rei Pelé, Éder Jofre deveria ser mais reverenciado em seu país, pois não se pode contar a história do boxe mundial sem ter um capítulo especial dedicado a esse ETERNO CAMPEÃO. 

Morreu aos 86 anos, em 02 de outubro de 2022, em decorrência de complicações de uma pneumonia. Ele estava internado desde março numa clínica em Embu das Artes, na Grande São Paulo.  




quinta-feira, 29 de setembro de 2022

SILVA: O BATUTA

 


Wálter Machado da SILVA é paulista de Ribeirão Preto, onde nasceu em 2 de janeiro de 1940. Atacante de ótima técnica e muito preciso nas conclusões. Inteligente, gostava de recuar até o meio para ajudar na armação das jogadas. Tinha como principal qualidade a rara habilidade com que lidava com a bola. Era chamado de “Batuta” por sua liderança em campo. Teve uma passagem de destaque pelo Flamengo.


Revelado nas divisões de base do São Paulo, profissionalizou-se aos 17 anos e participou de oito jogos da campanha do título paulista de 1957. Em uma equipe recheada de craques, o garoto teve que procurar novos ares para mostrar seu talento e faro de gol. Posteriormente jogou no Batatais (SP), Botafogo (SP), Corinthians – 140 jogos e 89 gols, Flamengo – 132 jogos e 70 gols (campeão carioca em 1965), Barcelona/Espanha (apenas partidas amistosas), Santos (campeão paulista em 1967), Racing/Argentina, Vasco – 135 jogos e 35 gols (campeão carioca em 1970), Rio Negro (AM), Junior Barranquilla/Colômbia e Tiquire Flores/Venezuela.


Jogando peço Racing, Silva Batuta é o único brasileiro que conseguiu a artilharia máxima de uma edição do campeonato argentino, em 1969, assinalando 14 gols.  


Participou da Copa do Mundo de 1966 e defendeu o Brasil em 8 jogos com 5 gols marcados, sendo 6 oficiais e 5 gols.


Silva faleceu em 29 de setembro de 2020, aos 80 anos, após ficar internado por mais de dez dias. Ele foi diagnosticado com covid-19 algumas semanas antes, mas não se tem confirmação se a doença teve relação com o falecimento.


Silva teve a felicidade de compartilhar a idolatria de torcidas diferentes. Walace e Waltinho, seus filhos, nos anos 80 foram revelados pelo Flamengo e seguiram profissionalmente com suas carreiras. 


quinta-feira, 22 de setembro de 2022

AMARO: UM BAIXINHO QUE FEZ HISTÓRIA NO AMÉRICA

 


Amaro Viana Barbosa nasceu em Campos dos Goytacazes-RJ, em 11 de abril de 1937. Após concluir o Curso Ginasial no Colégio Batista de Campos, Amaro veio para Santo Antônio de Pádua – cidade que faz divisa com Miracema – em meados dos anos 50, serviu o Tiro de Guerra, além de concluir o Curso Científico. Nesse período atuou como meia do Paduano, conseguindo se destacar e saiu da cidade com prestígio. Fez também alguns jogos pelo Miracema. Sabendo de seus planos de estudar Medicina, seus pais enviaram-no ao Rio.


Depois de jogar nas categorias de base do Bonsucesso, Amaro chegou ao América e assinou seu primeiro contrato em 1957. Conciliou os estudos com o futebol e conseguiu se formar em Medicina. Jogando como volante ele impressionava a todos com sua categoria e grande noção de marcação. Após ser peça importante na conquista do carioca de 1960 e ter o seu nome cogitado para fazer parte do selecionado brasileiro na Copa de 1962, foi negociado por uma quantia milionária para a Juventus, da Itália. Com o dinheiro da venda do atleta, o América comprou o terreno no Andaraí, onde construiu o Estádio Wolney Braune, que mais tarde foi transformado em um Shopping Center. 


Amaro não se adaptou ao futebol italiano e logo regressou ao Brasil no final de 1962, para defender o Corinthians. O time paulista apesar de possuir bons valores em seu quadro, já estava naquele período de jejum de títulos e muita pressão, que só terminou em 1977. Atuou em 106 jogos e marcou 6 gols. Ficou no Parque São Jorge até 1965, quando foi negociado com a Portuguesa de Desportos. Na Lusa ficou até 1967 e fez apenas 29 jogos e marcou 2 gols. Retornou para onde começou, no Bonsucesso, encerrando sua carreira em 1969. Iniciou a carreira de técnico no seu querido América e também trabalhou em outras equipes, até do interior de São Paulo.


Amaro morreu na capital carioca, em 22 de setembro de 2010, aos 73 anos, vítima de um infarto. Com frequência participava de peladas com os amigos. Deixou seu nome marcado na história do América.

 

 

domingo, 18 de setembro de 2022

MAURO RAMOS: UMA TRAJETÓRIA DE CONQUISTAS

 


Mauro Ramos de Oliveira é mineiro de Poços de Caldas, onde nasceu em 30 de agosto de 1930.  Um dos mais técnicos zagueiros do futebol brasileiro. Sempre desfilando seu estilo fino e eficiente na marcação, chegava sempre um segundo mais cedo do que o atacante. Era soberano na área pela colocação e impulsão privilegiadas, que o tornava senhor do pedaço. Nunca dava chutões. E não que se fizesse preciso. É que raramente esse recurso se fazia necessário quando pegava na bola. Poucos jogadores foram tão elegantes dentro e fora de campo quanto Mauro. 


É considerado o melhor zagueiro do Santos de todos os tempos. Escreveu seu nome na história do futebol mundial e nunca sairá da memória daqueles que o viram jogar.


Mauro deu seus primeiros passos no futebol na Esportiva Sanjoanense, de São João da Boa Vista, interior paulista, e profissionalizou-se no São Paulo. Também teve uma passagem de destaque no Tricolor paulista. Formou com De Sordi uma zaga estupenda que sempre será lembrada pela torcida. Eles atuaram juntos de 1952 a 1960. Em virtude da seriedade com que jogavam, Mauro, De Sordi e Poy foram apelidados de "A Muralha Tricolor" dos anos 50. Encerrou a carreira no México jogando pelo Toluca, conquistando o título nacional em 1968. Ainda no futebol mexicano treinou o Club Deportivo Oro, antes de retornar ao Brasil no final de 1969.


Jogando no São Paulo, Santos e Seleção Brasileira, conquistou todos os títulos possíveis em sua trajetória vitoriosa ao longo de vinte anos de carreira: São Paulo – 492 jogos e 2 gols (campeão paulista em 1948/49/53 e 57); Santos – 354 jogos e 1 gol (campeão paulista em 1960/61/62/64 e 65, pentacampeão da Taça Brasil em 1961/62/63/64 e 65, bicampeão da Taça Libertadores e do Mundial em 1962/63, e campeão do Rio-São Paulo em 1963/64 e 66); Seleção (bicampeão mundial em 1958/62). 


Representou o Brasil em três edições de Copa do Mundo: 1954/58 e 62. Atuou pelo Brasil em 30 jogos, sendo 28 oficiais. Reserva nas Copas do Mundo de 54 e 58, teve sua grande oportunidade no Mundial do Chile, em 62. O zagueiro, que desarmava os adversários com lisura, mas sabia jogar duro, ganhou a posição de titular, e ocupou o posto de capitão da equipe. Com isso, o zagueiro ergueu a taça Jules Rimet no final da competição. 


Poucos jogadores foram tão elegantes dentro e fora de campo quanto Mauro Ramos. Quantas e quantas vezes a mesma cena se repetia. Ele cercava o adversário, desarmava-o, limpava a jogada e saía jogando com extrema tranquilidade. Isso lhe rendeu o carinhoso apelido de “Marta Rocha”, uma referência à beleza e elegância da Miss Brasil que quase foi Miss Universo. 


Mauro voltou a residir em sua cidade natal e nos deixou em 18 de setembro de 2002, aos 72 anos, vítima de câncer no estômago. Dentro e fora de campo, sua classe, elegância e sobriedade lhe valeram um lugar de destaque na seleta galeria dos maiores jogadores de futebol do mundo. 

 

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

DIRCEU: O FORMIGUINHA

 


Dirceu José Guimarães é paranaense de Curitiba, onde nasceu em 15 de junho de 1952. Atacante muito técnico, com um preparo físico invejável, o que lhe permitia uma incansável movimentação, fechando os espaços e perseguindo os adversários. Dirceu simbolizou a modernidade nos anos 70. Tinha um fôlego privilegiado e se multiplicava  em campo, aparecendo para jogar atrás e na frente. Hábil condutor de bola tinha um chute preciso no pé esquerdo. Essas qualidades lhe renderam o apelido de “formiguinha”.


Dirceu iniciou a sua carreia no Coritiba (bicampeão paranaense em 1971/72, e o futebol carioca foi seu destino a seguir, antes de rodar o mundo da bola. Jogou no Botafogo, Fluminense – 68 jogos e 8 gols (campeão carioca em 1976), Vasco – 84 jogos e 11 gols (campeão carioca em 1977 e 1988 – na segunda passagem), América/México, Atlético de Madrid/Espanha, Verona/Itália, Napoli/Itália, Ascoli/Itália, Como/Itália, Avellino/Itália, Miami Sharks/Estados Unidos, Empoli/Itália, e Yucatán/México. Pode-se dizer que foi um andarilho do futebol. Após 25 anos encerrou a sua carreira sem receber nenhum cartão vermelho.


Participou das Copas do Mundo de 1974/78 e 82. Na Copa de 1978, na Argentina, foi eleito o terceiro melhor jogador da competição. Atuou em 38 jogos e marcou 4 gols, sendo 27 oficiais e 4 gols.


No mesmo ano que encerrou a carreira, em 1995, veio a morrer em um acidente de carro no Rio de Janeiro, em 15 de setembro de 1995, aos 43 anos, após bater o seu Puma em outro veículo, na Avenida das Américas. 



Em sua segunda passagem pelo Vasco, na temporada de 1988, quando fez parte do grupo campeão carioca daquele ano. 

terça-feira, 13 de setembro de 2022

VIVINHO: AUTOR DE UM GOL HISTÓRICO PELO VASCO E QUE NOS DEIXOU DE FORMA REPENTINA

 


O ex-atacante Welves Dias Marcelino, mais conhecido como Vivinho, morreu em 13 de setembro de 2015, aos 54 anos, no Rio de Janeiro. Ele sofreu um desmaio em casa, foi levado para o hospital, e acabou não resistindo. Duas semanas antes de sua morte ele sofreu um trauma na face, em um torneio no Pará. Na ocasião, ele se chocou com o goleiro adversário e teve afundamento da face e fratura no nariz.


Nascido em Uberlândia-MG, em 10 de março de 1961, Vivinho começou a carreira no time da cidade mineira onde nasceu, até um pouco tarde, em 1982, aos 21 anos, quando fez um teste, passou e logo foi contratado. Ficou até 1986. Em 1984, foi um dos destaques do Uberlândia na conquista da Taça de Prata. De lá, transferiu-se para o Vasco, ficando em São Januário até 1990. Atuou em 188 jogos e marcou 42 gols. Conquistou o bicampeonato carioca de 1987/88, e o brasileiro de 1989. Ainda defendeu o Botafogo, Atlético-PR, Goiás, Fortaleza e novamente o Uberlândia, em 1996, encerrando a carreira na Cabofriense, em 1997.


Convocado por Sebastião Lazaroni, Vivinho atuou em 4 jogos e marcou um gol pelo Brasil, sendo 3 oficiais, na temporada de 1989.


No dia 11 de setembro de 1988, Vivinho marcou um golaço pelo Vasco. Vamos aos detalhes:

Em São Januário, o Vasco enfrentava a Portuguesa de Desportos, pela terceira rodada da Copa União. Essa partida ficaria para sempre marcada na memória da torcida vascaína, não por ter sido uma goleada, nem pelo desempenho da equipe em campo. A partida seria eternizada pelo gol de Vivinho, logo no primeiro minuto do segundo tempo, um dos mais bonitos da história de São Januário e, porque não dizer, do futebol brasileiro. 





O Vasco venceu a Lusa por 4 a 2. Descrevendo o lance em questão:

Zé do Carmo lança Vivinho, que mata a bola na entrada da pequena área em frente ao volante Capitão. Na busca por um espaço para chutar, Vivinho dá um lençol em Capitão. Ainda não satisfeito com a posição para o chute, Vivinho dá o segundo. Capitão não desiste, parte pra cima de Vivinho e toma o terceiro lençol. Vivinho encontra, enfim, o espaço que buscava e bate de esquerda, sem chance para o goleiro Valdir Peres. A torcida vai ao delírio. O gol de “placa” ganhou uma “placa” em São Januário. No entanto, essa mesma placa foi retirada em 1991 por ordem do mandatário vascaíno, após o Vivinho ajudar o Botafogo a eliminar o Vasco da Copa Rio. Coisas do futebol brasileiro e do amadorismo de seus dirigentes.