quarta-feira, 7 de abril de 2021

CLÁUDIO ADÃO: UM NOME QUE É SINÔNIMO DE GOL

 


Cláudio Adalberto Adão não é paulista, como muitos pensam. Nasceu na cidade de Volta Redonda-RJ, em 02 de julho de 1955. Atacante de boa técnica, ótima impulsão, eficiente nas finalizações. Sempre marcou muitos gols por onde passou. É um sinônimo de artilharia no Rio de Janeiro, onde jogou em todos os quatro clubes grandes do Estado. No princípio da carreira chegou a atuar com o Rei Pelé, no Santos.


Teve uma trajetória longa, jogando por vários times. Faz parte da galeria dos grandes artilheiros do nosso futebol. Em alguns clubes ele esteve por mais de uma vez. No Botafogo entre idas e vindas foram quatro passagens. A sua média de gols atuando por Flamengo, Fluminense e Vasco é impressionante.


Começou no Santos (campeão paulista em 1973), e depois jogou no Flamengo – 154 jogos e 83 gols (campeão carioca em 1978/79 e 79-especial), Áustria Viena (campeão da Copa da Áustria em 1980), Fluminense – 67 jogos e 56 gols (campeão carioca em 1980), Botafogo, Vasco – 47 jogos e 28 gols, Al Ahli (campeão árabe em 1982), Benfica/Portugal, Bangu – 39 jogos e 15 gols, Bahia (campeão baiano em 1986), Cruzeiro, Portuguesa de Desportos, Corinthians – 32 jogos e 13 gols, Sport Boys/Peru, Alianza/Peru, Campo Grande (RJ), Ceará, Santa Cruz (PE), Pesquero Chimbote/Peru, Volta Redonda (RJ), Rio Branco (ES) e Desportiva (ES). Salvo engano algum time pode não ter sido citado, assim como uma conquista. 


Cláudio Adão não teve oportunidades na seleção principal, mas em 1975 foi Medalha de Ouro nos Jogos Pan-Americanos e também participou do Torneio Pré-Olímpico, em 1976. Foram 12 jogos e 14 gols marcados entre os anos de 1975 e 1976. Talvez a fratura na perna ocorrida em maio de 1976, no confronto do Santos com o América-SP, em São José do Rio Preto, próximo de completar 21 anos, que o deixou afastado dos gramados por um bom tempo, e pode ser uma das razões.  


O que ele disse:

Não sou cigano. Fui bom de bola, um jogador importante, porque os clubes se interessavam por mim. Naquela época, o futebol não era essa potência que é hoje. A gente se valorizava nas transferências. Por isso minha carreira foi assim, de passagens por vários clubes.  Eu nasci para fazer gol. Tinha muita sorte para fazer gol. Sou muito grato, principalmente a Deus, por toda a minha carreira, por ter essa força e essa energia para jogar em tantos clubes. Em todos eles, fui artilheiro, e na maioria campeão. Eu sou feliz.


Cláudio Adão foi considerado o 1º sucessor do Rei Pelé. Em seu último jogo no Pacaembu, pelo Santos, um clássico contra o Corinthians, derrota por 1 x 0, em 29 de setembro de 1974, Pelé formou dupla de área com o jovem Cláudio Adão. Ele foi o 1º de muitos jogadores a serem apontados como sucessor do rei no coração da torcida. Adão jogou quatro anos no clube e marcou 51 gols. Esse jogo em questão marcou a última partida do Pelé com a camisa do Santos no Pacaembu.


Sobre uma postagem que fiz do Cláudio Adão no dia de seu aniversário, 02 de julho de 2022, o jornalista José Maria de Aquino aproveitou o tema e fez um breve relato de um fato ocorrido quando ele trabalhava na revista Placar.

 

POR JOSÉ MARIA DE AQUINO

“Leio em Tadeu Miracema que Cláudio Adão, um dos grandes atacantes do futebol brasileiro, faz aniversário. E me lembrei de uma passagem que o mostra como pessoa inteligente não apenas no gramado, mas também fora dele. No caso, ali pertinho, no vestiário da Vila Belmiro, onde começou a pintar como craque, importado de Volta Redonda. Muito jovem, era a bola da vez nas manchetes esportivas. Uma das grandes revelações que o Santos acostumou apresentar todos os anos, às vezes menos, desde Pelé, nos idos de 1957. Íamos sentar em algum lugar da Vila para o papo combinado - naquele tempo era mais fácil - e, enquanto o esperava trocar o “fardamento branco sagrado de então" pelo social, o fotógrafo Lemyr Martins caprichava apertando o botão da Nikon. Levou Cláudio Adão para frente dos armário e, de forma sagaz, foi pedindo para que ele caminhasse mais um pouquinho para a esquerda. Depois, mais um pouquinho e depois mais... De repente Cláudio Adão deu um basta nos passinhos "mais para a esquerda" e..."Sei onde você quer chegar. Quer me enquadrar com o armário do Pelé para dizer que vou ser o novo Pelé. Substituto dele. Mas não vou. Não tenho essas ilusões nem tais pretensões. Parei por aqui..." E não mais arredou os pés. Seus pés não receberam de Deus a mesma fortuna recebida por Pelé - nem ele, nem ninguém, até agora. Mas sua cabeça era e é muito mais lúcida do que muitos que desde então se julgam gênios da bola e não passam de geniosos. Parabéns pela data, Cláudio Adão. Felicidades e vida longa." 


Nota: texto publicado originalmente em 07 de abril de 2021 e editado em 09 de julho de 2022. 




domingo, 4 de abril de 2021

LUIZ PENIDO: O GAROTÃO DA GALERA

 


Luiz Alberto Penido, mais conhecido como LUIZ PENIDO, é mineiro de Juiz de Fora, onde nasceu em 05 de abril de 1955. Sua carreira iniciou-se simultaneamente nas Rádios Mundial (atual CBN) e Eldorado, ambas do conglomerado Sistema Globo de Rádio, trabalhando como locutor, apresentador e entrevistador.

 

Penido foi para a Rádio Tupi em 1988 e ficou até 1993, quando saiu para uma rápida passagem pela Rádio Nacional (1994/95), e na Rádio Tropical (1996). Voltou à Rádio Tupi em 1997 e por lá brilhou até 2012, como sempre passando muitas emoções em suas narrações. Ainda em 2012, retornou para onde iniciou a sua trajetória: Rádio Globo. Desde julho de 2021 assumiu novamente o microfone da Rádio Tupi. 


Sem sombra de dúvidas, Luiz Penido faz parte do seleto grupo de grandes narradores esportivos do rádio brasileiro. Ele é conhecido pelo apelido de “O Garotão da Galera.”

 

Abaixo descrevo alguns de seus bordões conhecidos por todos os amantes do rádio esportivo:

 

* Nas ondas do rádio - frase que Penido diz sempre após a vinheta do seu nome. É retirada da música Rádio Pirata, do grupo RPM. Por alguns anos, a parte original da citada música que diz a citada frase (desse jeito: Está no ar... nas ondas do rádio), foi ouvida como vinheta durante as transmissões de Luiz Penido.

* Barato bom, barato bom é do Mengão/Fluzão/Fogão/Vascão/Brasilzão - bordão utilizado por Penido sempre após um gol, que é originário da música Barato bom é da barata - cantada por Erasmo Carlos e a Turma do Balão Mágico.

* É o Garotão da galera, é Luiz Penido. Ele é o fera, fera-neném - tema musical de Luiz Penido, baseado na música Fera Neném do grupo Trem da Alegria, cantada pelo ídolo infantil dos anos 80 Juninho Bill.

**... Bota o pé na forma, bicho! - frase dita por Penido durante as partidas e após alguma jogada boa, mas o chute vai pra longe do gol.

* "Alô Galera" - saudação inicial de Penido nas transmissões

*"Vai pro livro de ocorrência" - frase dita por Penido quando um jogador leva um cartão amarelo

* "ra-re-ri-ro-Rua" - frase dita por Penido quando um jogador é expulso do campo após levar o cartão vermelho

* "Passou o cerol" - frase dita após uma jogada violenta culminando numa falta dura

* "Rolou a bola galera" - referindo-se ao início de jogo no primeiro e no segundo tempo

* "É hora de se ligar no tempo e no placar" - frase dita por Penido antes giro do placar

* "Cravados"/"Cravadões" - informa o tempo do jogo no giro do placar

* "O placar diz" - usada no giro do placar e após os gols antecedida do bordão "O couro come"

* "Guardou" - quando um time marca um gol

* "Fortalece a massa" - referindo-se a explosão da alegria do torcedor

* "Uma obra prima que o Mengão/Vascão/Fogão/Fluzão/Brasilzão assina" - Dita ao descrever a jogada do gol

* "Me amarrei xará, me amarrei de montão com o primeiro/segundo/terceiro/quarto do Mengão/Vascão/Fogão/Fluzão/Brasilzão" - dita ao término da descrição do gol conforme a vantagem no placar

* "Rala, rala, rala" - referindo-se ao adversário que tomou o gol

* "Aí vem a fera" - frase dita para chamar o comentarista, plantonista,repórter ou âncora

* "Acabooou" - frase dita quando um time conquista o título

* "Babou" ou "Vazou" - referindo-se ao time eliminado do torneio ou quando um perde o jogo

* "Brota no campo de jogo" - frase dita quando os times entram no gramado

* "Cortada antiaérea " - frase dita quando uma jogada aérea é evitada

* "Flamengaço" ou "Mengão queridão" - referindo-se ao Flamengo

* "Gigantão da Colina" - referindo-se ao Vasco

* "Todo Glorioso" - referindo-se ao Botafogo

* "Nosso Tricolor" - referindo-se ao Fluminense

* "Brasilzão" ou "Brazuca" - referindo-se à Seleção Brasileira de futebol

 

GENTIL CARDOSO: UM FILÓSOFO DO FUTEBOL

 


Gentil Alves Cardoso nasceu na capital pernambucana, em 5 de setembro de 1908. Ficou mais conhecido pelas suas frases de efeito do que pelos títulos conquistados como técnico. Passou a maior parte da sua carreira dirigindo equipes do Rio (América, Bonsucesso, Bangu, Flamengo, Vasco, Botafogo e Fluminense). Mas treinou também o Corinthians, Ponte Preta, Sport Recife, Santa Cruz e Náutico.


Em 1946, assumiu o Fluminense e logo soltou uma das suas frases de impacto: "Deem-me Ademir (na época jogador do Vasco) e lhes darei o título". A diretoria apostou na promessa e contratou o atacante. O resultado é que o Fluminense foi o campeão carioca daquele ano. Assim ele descreveu esse fato em 1958:

- Sempre acreditei em Ademir como um jogador decisivo. Ele estava, então, na plenitude de suas condições físicas e técnicas. Quantas partidas ele decidiu num lance de estupenda clarividência? Ademir tem um lugar definitivo na história do futebol brasileiro.


No Vasco, Gentil Cardoso foi dispensado pela diretoria, após conquistar o título carioca de 1952, por "falar demais.”


Gentil Cardoso foi o primeiro técnico profissional a treinar o Mané Garrincha. A contratação do atleta rendeu uma história curiosa. No dia em que Mané realizou seu primeiro treino no clube, Gentil não compareceu a General Severiano. Quem comandou a prática foi o filho do treinador, Newton, que não tinha poder algum para oficializar a negociação. Mas, para sorte dos botafoguenses, o treinador apareceu no vestiário quando os jogadores já estavam trocados. Diante da insistência de Nilton Santos, que tomou um passeio de Garrincha no treino, voltaram para o campo para que Mané fosse avaliado novamente. Depois de entortar a todos, o ponta foi contratado imediatamente com o aval de Gentil.


Comandou a Seleção Brasileira no Campeonato Sul-Americano Extra, de 1959, em que o Brasil foi representado por uma seleção formada com jogadores que atuavam no futebol pernambucano. Morreu na capital carioca, aos 62 anos, em 8 de setembro de 1970.

 

São de sua autoria várias pérolas que já fazem parte do folclore do futebol brasileiro, como:


"Quem se desloca recebe, quem pede tem preferência"; 

"O craque trata a bola de você, não de excelência";

"Só me chamam para enterro, ninguém me convida para comer bolo de noiva" (em alusão ao fato de raras vezes ter sido chamado para treinar equipes bem formadas, quase sempre só era lembrado para assumir o comando de times em crise);

"Se a bola é feita de couro, se o couro vem da vaca e se a vaca come capim, então a bola gosta de rolar na grama e não ficar lá por cima; portanto, meus filhinhos, vamos jogar com ela no chão".

 

sábado, 3 de abril de 2021

AIRTON PAVILHÃO: UM NOME MARCADO NA HISTÓRIA DO GRÊMIO

 


Airton Ferreira da Silva nasceu na cidade de Porto Alegre-RS, em 31 de outubro de 1934. Zagueiro de classe exuberante, que jogava com a cabeça erguida, apresentando um futebol vistoso e seguro. Recusava-se a dar chutões e fazia lançamentos precisos. Foi um jogador excepcional.

 

Teve o seu passe adquirido em troca de um pavilhão de arquibancada de madeira e parte em dinheiro, por isso ficou conhecido como Airton Pavilhão. É um dos grandes nomes da história do Grêmio, sendo considerado o seu melhor zagueiro.

 

Em 1960, o jornalista carioca Geraldo Romualdo da Silva, do Jornal dos Sports, qualificou Airton como um zagueiro inferior apenas a Bellini. Isso nos dá uma noção do tamanho da qualidade desse jogador. Nesse mesmo ano recebeu propostas milionárias do Santos e Botafogo, mas optou por renovar com o Grêmio. Ficou no clube gaúcho até 1967.

 

Atuou no Força e Luz (RS), Grêmio (campeão gaúcho em 1956/57/58/59/60, 1962/63/64/65/66/ 67), Santos (apenas um jogo), Cruzeiro (RS), São José (RS) e o Nacional, de Cruz Alta-RS, onde encerrou a carreira em 1971. Pela Seleção disputou 6 jogos, todos oficiais, ao longo do ano de 1960. Esteve entre os 41 pré-convocados para a Copa do Mundo de 1962, o único jogador fora do eixo Rio-São Paulo, mas acabou não fazendo parte da relação final.

 

Faleceu na capital gaúcha, aos 77 anos, em 03 de abril de 2012, vítima de infecção generalizada dos órgãos.

 

Ainda em vida recebeu uma homenagem marcante do Grêmio, em 2007. Foi inaugurado no centro de treinamentos do clube o Pavilhão Airton Ferreira da Silva.

 

quarta-feira, 31 de março de 2021

FÉLIX: UM ÍDOLO DA LUSA E DO TRICOLOR CARIOCA

 


Félix Mielli Venerando nasceu na capital paulista no dia 24 de dezembro de 1937. Goleiro ágil, de boa colocação e muito calmo. Apesar de sua estatura abaixo dos padrões para a posição – 1,79m – também ficou conhecido por seus milagres, principalmente em partidas decisivas, algumas memoráveis, como os jogos contra Inglaterra, Uruguai e Itália pela Copa do Mundo de 1970.

 

Por razões distintas e sem querer fazer nenhuma comparação entre eles, Barbosa e Félix de vez em quando têm seus nomes menosprezados por alguns setores. Os goleiros renomados, sem exceção, ao longo de suas carreiras também cometem falhas e nem por isso são “perseguidos” por parte da imprensa e torcedores. Em alguns casos a implicância é nítida. Termino esse parágrafo afirmando: o Félix merece respeito!

 

Félix iniciou bem cedo a sua carreira nas categorias de base do Juventus, do bairro da Mooca, onde nasceu. Ainda garoto, chegou a ser reserva do grande Oberdan Cattani, no próprio Juventus. De lá partiu para Portuguesa de Desportos em 1955, mas só assumiu a vaga de titular em 1960, depois de um período de empréstimo ao Nacional, também da capital paulista. Até 1963 reinou absoluto no gol da Portuguesa e de 1964 até 1968 revezou na posição com Orlando. Vestiu a camisa Rubro-Verde em 305 jogos. A sua passagem foi marcante e virou ídolo.

 

Chegou ao Fluminense já experiente, aos 30 anos, e nas Laranjeiras viveu a melhor fase de sua carreira, ficando no clube até 1978, quando encerrou a carreira. No Tricolor foi campeão carioca em 1969/71/73/75 e 76, e do Roberto G. Pedrosa em 1970). Atuou em 319 jogos e sofreu 260 gols, com a impressionante marca de 316 partidas como titular. Foi apelidado de “Papel” por ser magro e por seus saltos espetaculares. Deixou o seu nome marcado na história do Fluminense.

 

Participou da Copa do Mundo de 1970, sendo campeão da mesma. Disputou 47 jogos e sofreu 47 gols, sendo 39 oficiais e 37 gols. Ainda defendia a Lusa quando foi convocado pela primeira vez para defender o Brasil.

 

Félix sofria de enfisema pulmonar e depois de ficar internado por alguns dias, faleceu depois de parada cardiorrespiratória, em São Paulo, aos 74 anos, em 24 de agosto de 2012.

 

segunda-feira, 29 de março de 2021

ARMANDO NOGUEIRA: UM POETA DA CRÔNICA ESPORTIVA

 


ARMANDO NOGUEIRA nasceu no dia 14 de janeiro de 1927, em Xapuri, no Acre. Chegou ao Rio de Janeiro em 1944, onde logo começou a trabalhar.

Iniciou a carreira de jornalista no “Diário Carioca”, em 1950, no qual trabalhou como repórter, redator e colunista. Em 1954, cobriu a sua primeira Copa do Mundo, na Suíça. Lá, flagrou aquela confusão entre os jogadores em que o técnico da Seleção, Zezé Moreira, arremessou uma chuteira que acertou o ministro de Esportes da Hungria. Desde então, participou da cobertura dos 13 Mundiais seguintes.

Após passagem pela revista “Manchete”, trabalhou como repórter fotográfico na revista “O Cruzeiro”. Por lá ficou dois anos, transferindo-se depois para o “Jornal do Brasil”, onde foi relator e colunista, no período de 1961 a 1973, responsável pela coluna “Na Grande Área.”

Foi para a Rede Globo em 1966, tendo papel fundamental no desenvolvimento do telejornalismo da emissora e do Brasil, atuando ativamente na criação do Jornal Nacional.  

Participou pela primeira vez da cobertura de uma Olimpíada em 1980, em Moscou. Acompanhou os Jogos Olímpicos em mais seis edições. Sua única ausência aconteceu em 2008, em Pequim, por problemas de saúde.

Em 1990 deixou a Rede Globo e passou a se dedicar exclusivamente ao esporte. Escreveu para diversos jornais, foi comentarista da TV Cultura e da TV Bandeirantes, onde participou do programa Apito Final. No SporTV, participou dos programas Papo com Armando NogueiraEsporte Real e Redação SportTV, entre 1995 e 2007. Foi comentarista também da Rádio CBN.

Em agosto de 2007, afastou-se da televisão após o diagnóstico de um câncer no cérebro, que o levou a óbito em 29 de março de 2010, aos 83 anos, na capital carioca.  

Ao longo da carreira, Armando Nogueira escreveu dez livros, todos eles sobre esporte. Ainda em vida recebeu duas homenagens: a Suderj (Superintendência de Desportos da Cidade do Rio de Janeiro) inaugurou o Espaço Armando Nogueira, em 30 de março de 2008, no acesso à tribuna de imprensa do Maracanã (não sei informar se após a “demolição” do velho Maracanã a homenagem continua de pé); o Botafogo homenageou Armando Nogueira, em 2009, nomeando a sala de imprensa do Centro de Treinamento de General Severiano com o nome dele.  

Ao ser homenageado na Suderj, e já apresentando lentidão para falar, ele assim descreveu o caminho que viveu as maiores emoções em 58 anos de vida no futebol: “Meu maior prazer no Maracanã não vem de nenhum jogo, mas de subir até a tribuna de imprensa e ver o estádio lotado”. Sobre essa homenagem de 2008, na reportagem do jornal Extra assim foi descrito o 1º parágrafo: "Com os pés que nunca foram os seus, como diz em sua poesia 'Maracanã', Armando Nogueira perdeu a conta dos gols que fez ali. Usando as mãos, devolveu, com a genialidade dos craques, a inspiração recebida para perpetuar a mística do estádio. Pelos seus incontáveis gols de letra, o cronista, poeta e testemunha das últimas 15 edições da Copa do Mundo ganhou lugar cativo e destacado no Mundial de 2014, no Brasil". 

Considerado um dos maiores jornalistas esportivos, o botafoguense apaixonado e com uma escrita de fácil leitura e poética, apresentou novos significados à crônica esportiva.

O QUE ELES DISSERAM...

"Imagine uma reportagem escrita pelo Machado de Assis. O Armando Nogueira era desse jeito. Sua principal herança é inspirar as pessoas a escrever bem." 

(Sérgio Cabral)

"Ele fez uma crônica linda no dia da minha despedida. Já acordei chorando. Ele disse que 'A bola é uma flor que nasce nos pés de Zico, com cheiro de gol'."

(Zico)

"Armando Nogueira era um homem extremamente inteligente, de uma cultura fora do comum. Espero que agora ele esteja lá em cima vendo os jogos."

(Zagallo)

"Seu texto era realmente maravilhoso. Ele era um poeta. Acho que, se os acadêmicos a ABL tivessem pensado bem, deveriam tê-lo eleito para uma cadeira."

(Luiz Mendes)






 

domingo, 28 de março de 2021

DELÉM : BRASILEIRO QUE VIROU ÍDOLO DO RIVER PLATE E REVELOU MUITOS CRAQUES ARGENTINOS


 

Vláden Quevedo Lazaro Ruiz, o DELÉM, nasceu na capital paulista em 15 de abril de 1935, mas foi criado no estado gaúcho. Atacante de futebol elegante e muito técnico, que iniciou sua carreira nas categorias de base do Grêmio e chegou ao time profissional antes de ser negociado com o Vasco. Foi bicampeão gaúcho em 1956/57 e carioca em 1958. Marcou 66 gols em 131 jogos pelo Vasco. Na Seleção foram 8 jogos e 5 gols, sendo 7 oficiais.


Após cumprir duas boas atuações pelo Brasil contra a Argentina, em jogos válidos pela tradicional Copa Roca, foi contratado pelo River Plate em 1961 e ficou até 1967. Poucos brasileiros conseguiram fazer sucesso no futebol argentino, um destes é o Delém, mesmo sem conquistar nenhum título nacional. Já no final de carreira foi jogar no futebol chileno, ficando uma temporada no Colo Colo e outra no Universidad Católica. Em 1969, retornou ao Brasil para jogar no América do Rio. Encerrou a carreira no ano seguinte. Fez curso de técnico e trabalhou como auxiliar de Didi no River Plate. Em 1973, assumiu o comando técnico do time argentino e ficou até 1975.


Trabalhou por outros clubes da Argentina e foi técnico do Diego Maradona na equipe principal do Argentino Juniors, em 1979. Muito querido e respeitado no River Plate, retornou ao clube em 1990 para assumir o cargo de diretor geral das categorias de base, revelando diversos jogadores, tais como: Aimar, Saviola, Crespo, Gallardo, Ortega, D’Allesandro, Cavenaghi, Mascherano, Maxi Lopes e Matias Almeyda.


Delém faleceu em 28 de março de 2007, aos 71 anos, depois de passar mal numa confeitaria em Buenos Aires, na Argentina, onde residia.