quarta-feira, 2 de junho de 2021

LUISINHO LEMOS: UM NOME DE DESTAQUE NA HISTÓRIA DO AMÉRICA

 


Luís Alberto da Silva Lemos é de uma família de boleiros com destaque no futebol brasileiro. Irmão de César Maluco e Caio Cambalhota, Luisinho Lemos, nascido em Niterói-RJ, em 03 de outubro de 1951, também conhecido como Luisinho Tombo, foi um atacante rápido, oportunista, que possuía uma raça incomum. Por onde passou deixou a sua marca de um jogador dedicado e guerreiro.


Jogando pelo selecionado do exército, em 1970, um interesse do Vasco da Gama o pegou de surpresa. Ainda na condição de amador, Luisinho se firmou nos Aspirantes do Vasco e conquistou o terceiro lugar no campeonato da categoria. A esperada oportunidade no time principal aconteceria contra o Flamengo, em 04 de outubro de 1970, compromisso válido pela Taça de Prata. Com problemas para escalar o time, o técnico Tim ofereceu uma chance para o jovem garoto, que já se destacava no quadro inferior. No entanto, Luisinho estava escalado para o plantão no quartel no dia do jogo. Esse fato também foi determinante para que o atacante não ficasse em São Januário. Antes de chegar ao Vasco, Luisinho jogou no juvenil do Fluminense sob o comando de Telê Santana.


Quando terminou de servir o Exército, César Lemos – seu irmão – que já jogava no Palmeiras, o encaminhou para o Parque Antártica. Ficou treinando e fez alguns jogos pelo time misto. Em 1972, jogou por empréstimo na Ferroviária de Araraquara. Quando retornou ao Palmeiras seu nome fazia parte de uma lista de dispensa, o que deixou seu irmão muito chateado. César se acertou com os dirigentes e comprou o passe de Luisinho.


Foi aí que apareceu o América e o artilheiro deslanchou em sua carreira. Faz parte da galeria dos maiores jogadores da história do time carioca. Foi campeão da Taça Guanabara de 1974 e artilheiro do certame com 20 gols. Voltou a ser artilheiro do carioca em 1983, também pelo América, com 22 gols.  É o principal goleador da história do América, com 290 gols marcados.


Quando foi para o Flamengo, em 1975, apesar de ter feito 95 gols em 160 jogos, não se firmou como se esperava. Jogou por outros clubes e voltou a se destacar novamente no América, na disputa do Campeonato Brasileiro de 1986, quando chegou até a fase semifinal da competição. Outros clubes que atuou: Internacional (RS), Botafogo (RJ), Las Palmas/Espanha, Palmeiras – 27 jogos e 6 gols (foi emprestado pelo América e disputou o Campeonato Paulista de 1984), Al-Wakra e Al Sadd, ambos do Catar (campeão catariano em 1988 e 91 e da Copa do Rei em 1990) e Americano (RJ), entre outros.


Após sofrer um infarto no dia 25 de maio de 2019, quando comandava o América em um jogo da Segunda Divisão do Campeonato Carioca, Luisinho foi levado às pressas para o Hospital Geral de Nova Iguaçu, onde ficou internado, vindo a falecer uma semana depois em decorrência do mal sofrido, em 02 de junho. Luizinho já havia colocado dois stents, em 2010 e 2011.

sábado, 15 de maio de 2021

HENRIQUE FRADE: MAIS UM GRANDE ARTILHEIRO DA HISTÓRIA DO FLAMENGO

 


Henrique nasceu em Formiga-MG, em 3 de agosto de 1934. Atacante de estilo trombador, forte, oportunista e com ótima impulsão. Henrique não ligava para a violência dos zagueiros e chegava a rir dos que o paravam com faltas. O seu melhor momento foi defendendo o Flamengo e faz parte da galeria de ídolos do rubro-negro, no qual é o 3º maior artilheiro da história do clube, com 211 gols em 411 jogos.


Além do Flamengo (campeão carioca em 1954/55 e do Rio-São Paulo em 1961), também jogou no Nacional (campeão uruguaio em 1963), Portuguesa de Desportos, Atlético Mineiro e no Formiga de sua cidade natal, onde encerrou a carreira em 1967.


Henrique passou a ser chamado de Henrique Frade, em 1964, quando foi contratado pela Portuguesa de Desportos. É que naquela época a Lusa tinha um lateral-esquerdo chamado Henrique Pereira e Frade foi usado para fazer a diferenciação.


Mesmo tendo participado de algumas partidas pela seleção brasileira – 4 jogos e 2 gols, todos oficiais – Henrique não foi selecionado para a Copa do de Mundo de 1958. Um detalhe interessante é que foi o único atacante do Flamengo que não foi convocado. Seus colegas de ataque – Joel, Moacir, Dida e Zagallo – participaram do Mundial. O seu grande momento na seleção foi em 1959. Henrique fez o segundo gol do Brasil contra a Inglaterra, no Maracanã, no célebre jogo em que perto de 200 mil pessoas vaiaram Julinho Botelho, que entrou em campo com a camisa 7 de Mané Garrincha. Mas Julinho jogou tanto que transformou as vaias em um dos aplausos mais marcantes do estádio. E Henrique teve também uma atuação primorosa assinalando o segundo gol brasileiro.


Ele residia na capital carioca e desde o final dos anos 90 sofria de problemas de locomoção, causados por uma fratura mal calcificada em uma de suas pernas. Também sofria de artrose e gota. Veio a falecer aos 69 anos, em 15 de maio de 2004.

ADÍLIO: O NEGUINHO BOM DE BOLA

 


Meia de habilidade incomum, criativo com a bola nos pés, a quem conduzia com rara categoria, sempre de cabeça erguida e em velocidade. Adílio de Oliveira Gonçalves era capaz de driblar um defensor num espaço curto e sair com a bola dominada.


Carioca da gema, nascido em 15 de maio de 1956, desde que chegou ao Flamengo, levado pelo amigo Júlio César, Adílio usou, em todas as categorias de base, a camisa 10. Promovido ao time profissional, porém, o número já tinha dono: Zico. Então, ele ficou com a 8. Muitas foram as jogadas de Adílio aplaudidas até mesmo por torcedores de outros clubes.


Jogando com Zico, Júnior, Leandro, Andrade, entre outros, ganhou praticamente tudo que disputou nos anos 80. Atuou em 617 jogos e marcou 129 gols pelo time rubro-negro. Adílio recebeu o apelido de “Neguinho Bom de Bola” do radialista Waldir Amaral, por seu estilo de jogo. Pela Seleção Brasileira a concorrência era muito grande e jogou apenas duas partidas, sendo uma oficial contra a Alemanha, no Maracanã.


Atuou no Flamengo (campeão carioca em 1978/79/79-especial, 1981 e 1986, do brasileiro em 1980, 1982/83, e da Libertadores e do Mundial em 1981), Coritiba, Barcelona/Equador, Itumbiara (GO), Alianza/Peru, Santos (ES), América de Três Rios (RJ), Avaí (SC), Bahain Club/Bahrein, Bacabal (MA), Serrano (BA), Barreira (RJ), Borussia Fuld/Alemanha, Friburguense e Barra Mansa (RJ), onde encerrou a carreira em 1997. 


Adílio faleceu em 05 de agosto de 2024, aos 68 anos, na capital carioca, após travar uma luta contra um câncer no pâncreas. Ele estava em tratamento da doença, mas acabou não resistindo devido ao agravamento do quadro de saúde.


Nota: texto publicado originalmente em maio/2021 e editado em agosto/2024.   



segunda-feira, 10 de maio de 2021

BATATAIS: SÍMBOLO DE DISCIPLINA E EFICIÊNCIA

 






O apelido BATATAIS vem da cidade paulista onde nasceu em 20 de maio de 1910. Algisto Lorenzato foi um goleiro de destaque das décadas de 30 e 40, quando defendeu o Comercial de Ribeirão Preto, Portuguesa de Desportos, Palestra Itália – 10 jogos e 9 gols sofridos, Fluminense e América (RJ). Defendeu a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1938, na França, quando o Brasil ficou em terceiro lugar.


Teve a honra de ser um dos jogadores que ganhou o prêmio Belfort Duarte, pelo seu comportamento exemplar dentro dos gramados. Sua melhor fase foi quando jogou no Fluminense – 309 jogos e 458 gols sofridos, sendo que em 79 jogos, saiu de campo sem tomar nenhum gol. Sagrou-se campeão carioca em seis oportunidades (1936/37/38/40 e 41). Na decisão de 1941, contra o Flamengo, Batatais foi o grande herói da partida, pois mesmo contundido (teve seu braço pisoteado pelo atacante flamenguista Sylvio Pirillo), manteve-se firme e garantiu o empate de 2 a 2 que deu o bicampeonato carioca ao Fluminense. Faz parte da galeria dos grandes goleiros da história do Tricolor. Era um exímio pegador de pênaltis. Pode ser resumida sua carreira como um símbolo de  disciplina e eficiência.





A sua grande mágoa do Fluminense foi ter sido afastado pelo técnico Gentil Cardoso após um relatório que o julgava desnecessário ao plantel do clube, depois de 11 anos defendendo a meta Tricolor.  Esse golpe ele nunca conseguiu absorver.


Morreu pobre e esquecido, no Rio de Janeiro, aos 50 anos, vítima de um mal súbito quando se dirigia à sua residência, em 16 de julho de 1960.


Em algumas publicações a data de sua morte é informada como ocorrida em 16 de junho. No entanto, tomei como base essa reportagem da Revista do Esporte, de 1960, que consta a data de 16 de julho.

 


quinta-feira, 6 de maio de 2021

BLOG ALMANAQUE: TROFÉU RAMÓN DE CARRANZA E TERESA HERRERA


No verão europeu diversos torneios são realizados nos principais países da Europa, o que eles chamam de “Torneios de Verão”. Até os anos 80 grandes times brasileiros participavam anualmente de muitos deles. A partir da década de 90, por falta de datas, diminuiu a participação de nossos clubes. Geralmente coincidiam com o intervalo do estadual para o início do brasileiro.

Quem nos trazia as imagens através do som eram as emissoras de rádio, que deslocavam equipes para transmitir os jogos. Os times saiam de um torneio para o outro e muitos jogavam dois dias seguidos. Bons tempos!

Sem desmerecer nenhum dos torneios, os dois mais importantes e tradicionais são disputados na Espanha. Engana-se quem pensa em Barcelona ou Real Madrid como anfitriões. As cidades de Cádiz e A Coruña (como falam os galegos), sediam o Troféu Ramón de Carranza e o Troféu Teresa Herrera, respectivamente.

Troféu Ramón de Carranza

Torneio amistoso que acontece na cidade de Cádiz, desde 1955. Ramón de Carranza foi prefeito da cidade é dá o seu nome ao estádio do Cádiz.  É conhecido popularmente como a taça das taças. O torneio é normalmente disputado por quatro equipes, o anfitrião Cádiz CF e outros três convidados, que se enfrentam em duas semifinais, disputa do terceiro lugar e a grande final. Vasco e Palmeiras são os clubes Brasileiros que mais venceram a competição, cada um com 3 conquistas. O miracemense Célio Silva foi bicampeão desse torneio pelo Vasco, em 1988/89. 

Palmeiras 1974/75
Palmeiras (1969, 1974, 1975)
Vasco (1987, 1988, 1989)
Flamengo (1979, 1980)
Atlético MG (1990)
São Paulo (1992)
Corinthians (1996)
Os maiores vencedores são: Atlético de Madrid (10), Cádiz (8), Sevilha (7)

Troféu Teresa Herrera

Torneio amistoso que, desde 1946, é realizado na cidade de A Coruña. O nome completo da homenageada é Teresa Margarita Herrera y Posada. Teresa tornou-se um símbolo corunhês de dedicação aos menos favorecidos. É um dos torneios mais populares do mundo, devido à grandiosidade dos clubes que o disputam. Os jogos são disputados no Estádio Riazor durante dois dias, normalmente na primeira quinzena do mês de agosto. O Deportivo La Corunã é o clube mandante da disputa do troféu. Os times brasileiros têm apenas cinco conquistas nesse torneio.
Vasco 1957 

Vasco (1957)
Santos (1959)
Fluminense (1977)
São Paulo (1992)
Botafogo (1996)





Os maiores vencedores são: Deportivo La Coruña (21),  Real Madrid (8), Atlético de Madrid (6), Barcelona (5)

segunda-feira, 3 de maio de 2021

VALTENCIR E O LANCE FATAL

 


Valtencir Pereira Senra é mineiro de Juiz de Fora, onde nasceu em 11 de novembro de 1946. Esse ex-lateral-esquerdo de ótimos recursos técnicos, formado nas divisões de base do Botafogo e com uma marcante passagem pelo clube, faz parte do seleto grupo de jogadores que mais vestiu a camisa do Glorioso, num total de 453 jogos e 6 gols marcados, no período de 1967 a 1976. Foi titular absoluto na conquista do bicampeonato carioca de 1967/68.


Depois de uma rápida passagem pelo futebol da Venezuela – por empréstimo – retornou ao Brasil e foi jogar no Colorado, do Paraná.


No jogo entre sua equipe, o Colorado, e o Grêmio Maringá, numa jogada isolada e totalmente casual, o lateral-direito improvisado disputou no carrinho uma bola com o meia Nivaldo, quando sofreu uma ruptura na coluna cervical. O lance parecia normal e o jogo continuou. Valtencir, porém, havia caído de mau jeito, de costas, e não levantou mais. Aos 43 minutos do primeiro tempo, o estádio Willie Davis, em Maringá, emudeceu. Ao ver o jogador desacordado, o juiz e os companheiros imediatamente solicitaram a entrada do médico.


Valtencir foi levado aos vestiários e, de lá, sairia recebendo massagens no coração e respiração boca a boca, rumo ao Hospital de Maringá. A jogada casual, tantas vezes repetida em mais de uma década, acabara com sua carreira e com sua vida. Ao cair no gramado e romper a coluna cervical, Valtencir sofreu uma parada respiratória e uma hemorragia na medula. A sua morte, de forma tão trágica, abalou o esporte brasileiro naquele 17 de setembro de 1978. 




Valtencir ganhou maior notoriedade no futebol brasileiro nos tempos em que integrou o Botafogo em sua fase áurea. Nos anos de 1967 e 1968, sagrou-se bicampeão da Taça Guanabara e do Campeonato Carioca. Quem não se lembra desse time: Manga, Moreira, Zé Carlos, Leônidas e Valtencir; Carlos Roberto e Gérson; Rogério, Roberto, Jairzinho e Paulo César. Nesse esquadrão, o garoto Valtencir despontava com um futebol raçudo, forte e ágil na marcação. Ao longo de sua carreira foi um jogador extremamente profissional.


Quis o destino que nesse fatídico jogo ele fosse deslocado para o lado direito da defesa, saindo de sua posição original para substituir o titular Ari, vetado na manhã do confronto.


Valtencir era casado e deixou dois filhos e a esposa grávida do terceiro. Ele foi sepultado em Niterói, onde residia com sua família.

quinta-feira, 29 de abril de 2021

CARLYLE: O ARTILHEIRO DOS GOLS BONITOS

 


Carlyle Guimarães Cardoso é mineiro e Almenara, onde nasceu em 15 de junho de 1926. Carlyle era um típico artilheiro dos anos 50, rompedor e sem medo de cara feia dos beques. Ainda assim, ele encontrava um jeito de uma vez ou outra, enfeitar as jogadas e os gols que marcava. Sabe aquele atacante que sempre dá um toque a mais, quer entrar com bola e tudo e acaba se complicando? Carlyle era um pouco desse jeito, com uma diferença: raramente se complicava. Por isso também ficou famoso por marcar gols inesquecíveis. Se não fosse tão perfeccionista, poderia ter feito muitos mais gols ao longo de sua carreira.

 

Começou no Atlético e conquistou o bicampeonato mineiro em 1946/47. Tornou-se um dos grandes ídolos da massa atleticana e marcou 51 gols em 131 jogos. Em maio de 1949 fez sua estreia pelo Fluminense e ficou no time carioca até julho de 1952, marcando 64 gols em 102 jogos. Foi campeão carioca em 1951 e da Copa Rio de 1952. Também virou ídolo da torcida Tricolor, a quem alegrava com seu futebol, seus gols e a malícia que desesperava os adversários. Em 1953 foi para o Santos e logo em seguida para o Palmeiras, onde em apenas 9 jogos marcou 4 gols.

 

No entanto, sua paixão era o futebol carioca e ele voltou em 1954 para defender o Botafogo. Após se desentender com o técnico Zezé Moreira, em um restaurante da cidade sergipana de Aracaju, onde se encontrava a delegação do Botafogo, foi afastado do time e posteriormente se desligou definitivamente do clube. Ainda teve uma breve passagem na Portuguesa carioca e ali se encerrava a carreira de um dos grandes atacantes do futebol brasileiro.

 

Carlyle fez parte do grupo convocado por Flávio Costa para o período de treinamento que antecedeu a Copa do Mundo de 1950. No entanto, acabou cortado antes de divulgada a lista final para a disputa do mundial, após uma áspera discussão com o médico da Seleção. Fez apenas um jogo pelo Brasil, na derrota por 4 a 2 para o Uruguai, em 1948.

 

Sua carreira ficou marcada por belas jogadas e gols, mas também de inúmeros desentendimentos. Um detalhe que chamava a atenção é que ele não tinha um pedaço da orelha esquerda.

 

Ainda novo, aos 56 aos, uma tragédia acabou com a sua vida. Nas proximidades da Vila Olímpica do Atlético Mineiro, ele foi atropelado por um veículo desgovernado, enquanto aguardava, na calçada, o ônibus, em 23 de novembro de 1982. Foi socorrido, mas chegou morto ao hospital. Ele trabalhava na Rádio Inconfidência.