segunda-feira, 5 de junho de 2023

SAPATÃO: UM ÍDOLO DO TRICOLOR BAIANO



Élcio Nogueira da Silva, mais conhecido como Sapatão, nasceu em Campos dos Goytacazes-RJ, em 15 de outubro de 1947. Começou sua trajetória nas categorias de base do Campos Atlético Associação, de sua cidade natal.

Seu desempenho na zaga do roxinho campista o levou aos quadros amadores do Flamengo, mesmo período em que o apelido de "Sapatão" ganhou força entre os companheiros de clube. Após um jogo amistoso contra o Fluminense de Feira de Santana, o clube baiano manifestou interesse pelo jovem zagueiro Rubro-Negro. Foram apenas três jogos pelo Flamengo, entre julho de 1967 e maio de 1968.

Campeão baiano de 1969 defendendo as cores do Fluminense, seu desempenho chamou a atenção do Bahia, que contratou o promissor zagueiro em 1970. Ficou no tricolor baiano até o início de 1972, quando os dirigentes do Santa Cruz, impressionados com seu futebol, compraram seu passe. Nesse mesmo ano conquistou o título pernambucano.

                                                               O 2º em pé, a partir da esquerda. Campeão baiano de 1969.

Não demorou muito para o Bahia trazer seu ex-zagueiro de volta e corrigir a falha de sua saída. Heptacampeão baiano entre 1973 e 1979, Sapatão foi um dos símbolos de um período marcante na história do clube. Vestiu a camisa do Bahia em 450 jogos e marcou 12 gols. É um dos grandes ídolos do tricolor baiano.

Permaneceu no Bahia até 1980 – quando se transferiu para a Catuense – equipe que encerrou a carreira em 1981. Apaixonado pela “boa terra” fixou residência em solo baiano.

Sapatão era hipertenso e sofria de problemas renais. Faleceu em 05 de junho de 2020, na capital baiana, aos 72 anos. 

terça-feira, 2 de maio de 2023

MARRECOS SOBEM À TONA: TIME DE CARDOSO MOREIRA CONSEGUE VAGA INÉDITA NA PRIMEIRA DIVISÃO DO RIO.

 


Nota: matéria assinada por Gian Amato, publicada no jornal O Globo em 09 de dezembro de 2007, com fotos de Jorge William.

 

Sentado diante da entrada do estádio Antonio Ferreira de Medeiros, o técnico Mário Marques dá uma entrevista, mas não tira os olhos de um campinho de terra, onde marrecos batem bola. Aos pés do Morro dos Cabritos, no meio da cidade, e da estátua do Cristo Redentor, que divide opiniões, contava como levou o Cardoso Moreira Futebol Clube à Primeira Divisão, fato inédito que pôs o município no mapa, quando chega um garoto magro dirigindo um velho Gol branco. Ele salta do carro e pega do banco traseiro um pesado pacote embalado em saco plástico:

- É a carne do time, posso deixar aqui? – perguntou ao presidente do clube, Alexandre Cozendey.

 

A contribuição de cada marreco, como os 12.595 habitantes de Cardoso Moreira são conhecidos, foi fundamental, tanto para o voo do time rumo ao topo do futebol carioca quanto para manter a cidade na superfície. Encravada em um vale a 350 km do Rio, à beira do Rio Muriaé, Cardoso só não afundou por um milagre. As constantes enchentes (daí o apelido) estão marcadas nas paredes, que não são pintadas há décadas para provar o nível que a água atingiu. Para não depender dos céus, moradores passaram a construir casas de dois andares.

- Nem imaginava que Cardoso Moreira existia. Vim conhecer a cidade quando a proposta surgiu e acabei ficando. Afinal, uma coisa me intrigava. Por que fazem tantos terraços? Descobri que era para fugir das águas – disse Mário Marques.

 

Marreco ilustre da cidade, o prefeito Renato Jacinto (PMDB) inspira corações e mentes cardosenses. Ninguém admite ser puxa-saco, mas dizem que ele era craque na década de 1980. Jogou o amistoso contra um combinado de ex-campeões mundiais pela seleção brasileira. Entre eles, um craque que também tinha nome de ave: Garrincha.

- O juiz apitou e ele correu para a ponta direita. Passei 90 minutos sem ir até lá. Só assim evitei de levar uma tremenda humilhação.

 

Menos, prefeito. Afinal, Garrincha estava em fim de carreira. E Renato parou pouco tempo depois para seguir o sonho político. Há 18 anos, ele participou do processo pela emancipação de Cardoso Moreira do município de Campos, cidade do rival Americano, principal força na Região Norte. Com a ajuda da fama que fez no futebol, ganhou a admiração e os votos da população, que o elegeu prefeito pela primeira vez em 1992.

 

CIDADE TEM O TERCEIRO PIOR IDH

 

Na elite do futebol, Cardoso Moreira seria rebaixada no Índice de Desenvolvimento Humano. A cidade é a antepenúltima colocada no ranking do Estado, na 89ª posição. Só perde para São Francisco de Itabapoana (90) e Varre-Sai (91). Na classificação nacional, é apenas o 2.895º. Talvez seja por isso que a maioria dos habitantes homens enxergou no Cardoso, em diferentes momentos da existência do clube, a chance para melhorar de vida.

- Comecei em 1955, mas tive que parar e cortar cana e café para sustentar a esposa – recordou Luiz Antônio da Silva, carteirinha de jogador da época nas mãos castigadas pelo trabalho na roça. – Salvei o casamento e a minha vida.

 

O tom de premonição no discurso do ex-lateral fica por conta da lembrança da maior tragédia do clube. No final da década de 50, um caminhão trazia os jogadores de uma partida em Itaperuna quando tombou na estrada que hoje é uma rodovia federal. Parte do time morreu, a outra ficou mutilada e o clube entrou em luto profundo.

 

Foi preciso passar muitos anos e muita água do Rio Muriaé por baixo da Ponte do Outeiro para purificar a equipe, que, em menos de dois anos, venceu a Terceira Divisão e vai chegar entre os quatro primeiros da Segundona, assegurando a classificação. Junta-se ao Mesquita, Macaé e Resende. Os dois últimos também chegam pela primeira vez. O Campeonato Estadual de 2008 será disputado por 16 clubes, sendo seis da capital: o menor percentual em 20 anos. O Olaria disputa, na repescagem, a quinta vaga.

 

A festa do interior, promovida pelo presidente da Federação de Futebol, Rubens Lopes, em troca de apoio, não garante a qualidade do espetáculo e obriga os pequenos a disputarem jogos com os grandes em estádios da capital.

 

Pelo menos, as equipes subiram com suas próprias forças. E uma ajudinha das prefeituras. O prefeito de Mesquita, Arthur Messias da Silveira, por exemplo, investiu R$ 80 mil. Renato Jacinto garante que só contribui com R$ 2 mil mensais para a folha salarial de R$ 22 mil. Além do dinheiro, abre as portas do Barracão, seu restaurante, para Mário Marques e a diretoria comerem. Em sua moto, Cozendey costuma carregar até lá o diretor Emerson Papa, que vai ao lado, de bicicleta. Os jogadores comem separados, nas duas casas alugadas que servem como concentração, ansiosos pela hora de fazerem parte do filé mignon do futebol carioca.

                                                                   Uma das casas alugadas pelo clube.

 

Minhas considerações...

 

Na Taça Guanabara de 2008, o Cardoso Moreira ficou em 7º entre os oito do Grupo A, com duas vitórias; um empate; quatro derrotas; nove gols pró; dezenove contra.

Na Taça Rio ficou em 8º (último), com dois empates; seis derrotas; seis gols pró; quatorze contra.

Sendo assim, na sua primeira e única experiência na série A, o time ficou na última colocação e acabou rebaixado à Série B juntamente com o América.

Em 2009, realizou campanha apenas regular, conseguindo se manter na Série B.

Em 2010, se licenciou das disputas profissionais.

Em 2011, o clube negou-se a disputar o Grupo X, também denominado torneio da morte, e acabou punido e rebaixado à terceira divisão pela Federação juntamente com Itaperuna e Aperibeense.  

Desde então, o Cardoso Moreira se licenciou das disputas profissionais.

No ano corrente o Cardoso Moreira disputa a Super Copa Noroeste, torneio amador no Noroeste Fluminense.

segunda-feira, 1 de maio de 2023

CLÁUDIO: O GERENTE

 

                                                                                       Revista Gazeta Esportiva

CLÁUDIO Cristhóvam de Pinho nasceu em Santos, no litoral paulista, em 18 de julho de 1922. Atacante com grande sentido de organização de jogo, excelente chutador e cobrador de faltas e pênaltis. Possuía forte espírito de liderança e não por acaso ganhou o apelido de “Gerente”. Foi um dos poucos jogadores que vestiram a camisa dos quatro grandes de São Paulo. No entanto, deixou o seu nome marcado no Corinthians, sendo o seu artilheiro máximo e um dos maiores jogadores da história do clube.


Foi revelado no Santos – 35 jogos e 10 gols, e teve uma passagem rápida e histórica pelo Verdão, ao marcar, de pênalti, o primeiro gol com o nome Palmeiras, no jogo decisivo do Paulista de 1942, contra o São Paulo – já que antes de 1942 o Palmeiras se chamava Palestra Itália. Atuou em 32 jogos e marcou 9 gols (campeão paulista em 1942). Brilhou mesmo no Corinthians – 549 jogos e 305 gols (campeão do Rio-São Paulo em 1950, 1953/54, e do paulista em 1951/52, e 1954), e encerrou a carreira no São Paulo, em 1960 – 35 jogos e 10 gols.


Para alguns torcedores da “velha guarda” do Corinthians, Marcelinho Carioca, outro ídolo corintiano, tinha um estilo de jogo muito parecido com o de Cláudio, que também jogava com a camisa 7.


Vestiu a camisa da Seleção em 12 jogos e marcou 5 gols, todos oficiais. Tinha totais condições de fazer parte do grupo que participou da Copa do Mundo de 1950. Estava voando e foi preterido até no corte do gaúcho Tesourinha, que machucado não disputou o Mundial. Flávio Costa preferiu convocar o meia Maneca ao invés de outro atacante.


Morreu aos 77 anos, em 1º de maio de 2000, vítima de um ataque cardíaco, em Santos.  

terça-feira, 18 de abril de 2023

ESCOLA MUNICIPAL GENUÍNO ANTUNES DE SIQUEIRA: 85 ANOS DE SERVIÇOS PRESTADOS À EDUCAÇÃO



O mês de maio é de comemoração e festa para a Escola Municipal Genuíno Antunes de Siqueira. 

A seguir um breve resumo da história de seu patrono e da instituição:

OS ANTUNES SIQUEIRA
A família Antunes Siqueira foi uma das pioneiras a habitar o distrito de Miracema depois que a fundadora, Ermelinda Conceição Rodrigues, aqui aportou nos idos de 1846. Naquela época Ermelinda deixou o distrito de Remédio, em Barbacena, em virtude da extinção ou quase extinção do ciclo do ouro, e quase não havia mais o que era extraído do rio Mutuca, que cortava o distrito mineiro. Ela veio em busca de outra cultura, o café, que era plantado depois das derrubadas das matas virgens, muito abundantes na região. O distrito de Miracema vivia da exportação do produto. Eles se instalaram em Venda das Flores.

Genuíno tinha um sítio chamado “Água Espalhada”. Homem sério, trabalhador, era amigo do interventor Altivo Linhares, que deu grande ênfase à sua administração na construção de escolas no distrito e na zona rural. Genuíno era casado com Mariana R. Padilha e da união teve 11 filhos, dos quais, uma moça chamada Edina, lecionava no sítio e depois na sede do distrito.

PATRONO GENUÍNO ANTUNES DE SIQUEIRA
Nascido no Estado do Rio de Janeiro, em 08/08/1869, filho de Theophilo Antunes de Siqueira e Maria Salomé de Siqueira, veio a falecer em 03/01/1947.

A ESCOLA
Teve início na fazenda Boa Vista como “Escola Sítio 28 de Agosto”, em 15/05/1938. Foi transferida para a Rua Melchíades Picanço, funcionando em prédio particular, a partir de 23/02/1972. Através da Lei nº 7.081, de 03/01/1973, publicada no Diário Oficial de 04/01/1973, passou a denominar-se Escola Genuíno Antunes de Siqueira. Recebeu este nome em homenagem a esse cidadão que foi exemplo de dignidade e amor ao trabalho – e um benfeitor de Miracema – que sempre se preocupou com o problema da educação. Em 29/11/2004, a escola foi municipalizada e continua gerida pelo município.



MINHAS CONSIDERAÇÕES 
Como residente do bairro Hospital desde quando nasci, tive o prazer de estudar por dois anos nessa escola (1972 e 1973), e fui alfabetizado pela professora Ana Maria Siqueira. Outras duas mestras ajudaram nessa empreitada: Marília Magalhães e Regina Freitas, que vem a ser mãe do Dr. Marcelo, ortopedista que atende na Santa Mônica, em Pádua. Em visita à escola, depois de muitos anos, comprovei e fiquei surpreso - positivamente - com sua atual conservação e as ótimas condições que são oferecidas às crianças. 

Os primeiros passos das crianças começam na escola. Lá, existe o primeiro contato com outros pequenos, é onde começa a aprendizagem, é na escola que coisas da maior importância em nossas vidas acontecem. Não é só um campo de troca de conhecimentos e adentra uma esfera emocional, onde existem outros tipos de trocas, principalmente as afetivas.

No ambiente escolar, deve-se existir um propósito maior do que ir só por ir. Deve-se gostar de estar lá, aproveitar as oportunidades que o espaço tem a oferecer. A escola existe com a finalidade de inserir as crianças em círculo social, onde ela irá conhecer estranhos, obedecer às regras e criar uma rotina. Além disso, um dos fatores mais importantes da escola é transferir o conhecimento às pessoas e passar os conceitos básicos da vida em sociedade.

Dentro da escola aprendemos o dever e a necessidade de cumprir as funções básicas da vida adulta: ter uma rotina, compreender o conteúdo, ser sociável com os colegas, executar as tarefas da melhor maneira possível, entre outros diversos fatores.

Não dá para falar de educação sem que haja comprometimento entre todas essas esferas: pais, crianças, escola e sociedade. Pode-se afirmar que a escola é o segundo ambiente mais importante na vida social de um ser humano. É com a ajuda dos educadores e pais, que o cidadão vai se constituindo como ser pensante e questionador. 

A escola é algo quase que “sagrado”, pois é nela que podemos edificar o conhecimento e novas perspectivas de vidas, buscando algo que nos falta.  É na escola que coisas da maior importância em nossas vidas acontecem.




sexta-feira, 14 de abril de 2023

MAURÍCIO MENEZES: AH, MAS QUE JOGUINHO GOSTOSO!

 


GENTE DE EXPRESSÃO: MAURÍCIO MENEZES – POR CARLOS FERREIRA

 

Mauri­cio Antonio Menezes, o "Danadinho", nasceu em Juiz de Fora-MG, em 06 de novembro e é filho de Mauricio Menezes (nome de rua no bairro Costa Carvalho) e Laura Freesz Menezes, ambos falecidos. É casado com a pedagoga Selda Sobral Santos Menezes. Seu avô, major Delfino (Delfino Costa Carvalho), fundou em Juiz de Fora o bairro Costa Carvalho, o qual o homenageia, com a rua Major Delfino.

 

Carreira

Mauricio iniciou a carreira de locutor esportivo na antiga PRB-3, rádio Sociedade, emissora do "Grupo Associados" em Juiz de Fora, em 1965. No mesmo ano, no dia 05 de setembro, Maurício Menezes transmitiu o jogo de inauguração do estádio Mineirão, em Belo Horizonte.

 

O jogo

Seleção Mineira - 1, gol de Buglê aos 02 minutos do segundo tempo,

River Plate (Argentina) - 0.

 

Copa Rocca

Em julho de 1971, pela rádio Industrial, Maurício Menezes fez a primeira transmissão internacional do rádio esportivo de Juiz de Fora, narrando Argentina e Brasil, pela Copa Rocca, direto do estádio Monumental de Nuñez, em Buenos Aires. O comentarista foi Gabriel Gonçalves da Silva (1910/1985), o Bié.

 

Rio de Janeiro

Quando Juiz de Fora se tornou pequena para seu talento, Maurício foi para o Rio de Janeiro, permanecendo lá por 26 anos. Trabalhou nas rádios Nacional, de 1977 a 1984, Globo, de 1985 a 2003, e na TV Educativa, hoje Rede Brasil, de 1993 a 1994. Na TV Educativa, foi Superintendente de Esportes e apresentador do programa "Debate Esportivo", que ia ao ar aos domingos à noite. Além de Mauricio, participavam do programa: Áureo Ameno, Ronaldo Castro, Fernando Calazans (hoje colunista do jornal O Globo), Jaime Luís e Achilles Chirol (in memoriam). Mauricio Menezes, na época, reativou o debate esportivo na TV Educativa, que estava paralisado há 11 anos e que hoje permanece no ar, com outro nome.

 

Transmissões esportivas

Nas funções de locutor esportivo e coordenador de esportes, o "Danadinho" transmitiu as Copas do Mundo de 1982 (Espanha), 1986 (México), 1994 (EUA) e 1998 (França), esteve presente em 05 edições da Copa América: 1989 no Brasil; 1993 no Equador; 1995 no Uruguai; 1997 na Bolívia e 1999 no Paraguai. Transmitiu jogos em mais de 20 países e, com exceção do Amapá, transmitiu jogos em todos os estados brasileiros.

 

Juiz de Fora

Em julho de 2003, Maurício retornou a Juiz de Fora, foi um dos pioneiros na fundação da rádio Panorama FM. De volta pra casa, retomou um projeto antigo, de se tornar advogado, e em 2011 concluiu o curso de Direito na Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO). Militando no direito, Maurício permanece atuante no meio esportivo, com suas informações e comentários nas mídias sociais.

 

Fonte: www.carlosferreirajf.blogspot.com

 

sábado, 8 de abril de 2023

JAGUARÉ: DE ESTIVADOR A ÍDOLO DO FUTEBOL FRANCÊS

 


Jaguaré Bezerra de Vasconcelos nasceu no Rio de Janeiro em 14 de junho de 1905. Antes de se tornar jogador profissional, Jaguaré era estivador no cais do porto. Cada vez que estufava o peito para segurar numa só mão sacos de cinqüenta quilos de farinha de trigo, havia sempre uma enorme assistência para bater palmas. Jaguaré jogava peladas no bairro da Saúde, onde era conhecido como “Dengoso”, quando foi descoberto pelo zagueiro Espanhol, que o levou para um teste em São Januário.

 

Entrou no clube de tamanco e camisa fora da calça e num tempo só acabou com o treino. O ataque titular não o venceu nenhuma vez. Foi imediatamente inscrito na Liga, não sem antes o Vasco empregar um professor particular para lhe ensinar a assinar o próprio nome nas súmulas. A partir daí, teve uma carreira fulminante. No mesmo ano em que estreou no Vasco, em 1928, tornou-se titular da seleção Brasileira. No ano seguinte foi campeão carioca pelo Vasco. Jaguaré gostava de rodar a bola na ponta do indicador após cada defesa, que muitas vezes fazia com uma só mão, inclusive nos pênaltis, segundo a lenda. Defendeu o cruzmaltino em 124 jogos. 

 

Em 1931, depois de uma vitoriosa excursão do Vasco a Portugal e Espanha, foi contratado pelo Barcelona, juntamente com Fausto, o “Maravilha Negra”. Retornou ao Brasil em 1934 para defender o Corinthians, onde fez 15 jogos e sofreu 13 gols. Nas temporadas de 1935/36, seu destino foi Portugal, para jogar no Sporting, e de lá para o Olympique Marseille, da França, onde foi campeão nacional em 1937 e da Copa da França em 1938. Deixou em solo francês um rastro luminoso de fama, com o apelido de “Le Jaguar”. Na final da Copa da França de 1938, o jogo estava empatado em 1 a 1, quando, no segundo tempo, foi marcado um pênalti para o Olympique. Jaguaré atravessou o campo e se ofereceu para cobrar o penal que podia valer o título. Bateu e fez o gol da vitória por 2 a 1. Por esse feito é tido como primeiro goleiro a marcar um gol em partida oficial. Em solo europeu aprontou algumas que fazia no Brasil e não eram aceitas por lá. Num jogo pela Copa da França, fez uma defesa de bicicleta. Quase que foi demitido. E outras mais...

 

Ainda jogou no Acadêmico Futebol Clube, de Portugal. Acossado pelo perigo da Segunda Guerra, retornou ao Brasil em definitivo e, em decadência, encerrou tristemente a carreira no São Cristóvão, em 1940. Chegou sem um tostão. Jaguaré gastou todo o dinheiro que ganhou na Europa, e não foi pouco, pelas esquinas da vida. Voltou a ser estivador e quando falava do seu passado, todos riam e não acreditavam no ex-goleiro.

 

É creditado a Jaguaré o pioneirismo, no Brasil, de ser o primeiro goleiro a usar luvas. Ele trouxe a inovação após sua passagem pelo futebol europeu durante os anos 30, conforme conta Paulo Guilherme, autor do livro “Heróis e Anti-Heróis da Camisa 1”: “Na sua estreia na Europa, Jaguaré usou luvas feitas de couro. Só que ele não estava preocupado com a melhora de seu rendimento, apenas não estava acostumado com o frio”. Numa de suas vindas da Europa ao Brasil, Jaguaré apareceu em São Januário e treinou usando luvas, o que foi uma novidade inusitada. Por isso alguns dizem que ele introduziu o uso de luvas para goleiros no Brasil.

 

Há várias versões para a morte de Jaguaré, sabendo-se apenas que sua morte foi precoce, em 27 de agosto de 1946, aos 41 anos. Algumas fontes afirmam que Jaguaré havia se envolvido em uma briga e que foi espancado até a morte por policiais. Em outra versão, diz que após ser preso, acabou batendo a cabeça na parede, sendo transferido para o Manicômio Judiciário de Franco da Rocha (mais conhecido como Juquery), sendo hospitalizado e falecendo pouco depois. Há ainda, uma terceira versão que diz que Jaguaré foi esfaqueado. Porém, nenhuma das fontes é dita como verdadeira.

 

Há divergências também em relação à data de seu nascimento: algumas fontes apontam para 14 de maio, outras para 14 de julho. Diz-se que o próprio jogador ignorava o dia em que nasceu.

 

Fonte: Wikipédia com acréscimos.

 

quarta-feira, 29 de março de 2023

FLA X FLU: 2º TEMPO DA DECISÃO FAVORÁVEL AO FLAMENGO


Um bate-boca na hora de escalar o time mudou o rumo do esporte no Rio de Janeiro. Quando os nove jogadores deixaram o Fluminense em 1911 para formar o departamento de futebol do Flamengo - um clube de regatas - não tinham ideia da força que estava surgindo. O Flamengo se tornou o time de maior torcida do Brasil.

Ao longo dos quase 112 anos de história do clássico mais charmoso do Brasil, o Flamengo foi campeão em cima do Fluminense em cinco finais, entre as treze disputadas até 2022. O número é inferior ao do rival, mas não a importância das conquistas, essenciais para dar a hegemonia rubro-negra no Campeonato Estadual.

Uma das decisões mais importantes do confronto, o título do Campeonato Carioca de 1963 foi parar na Gávea. A conquista teve significado especial por ter sido sob os olhos do maior público entre clubes no Brasil. Foram 177.020 e mais de 194 mil presentes no Maracanã para verem o empate em 0 a 0 que garantiu o título. Com a vantagem do empate, o Flamengo entrou para segurar o resultado e teve no goleiro Marçal o grande destaque.  A defesa mais importante foi no fim, aos 40 minutos do 2º tempo, quando Escurinho apareceu na área e tentou encobri-lo.  A torcida do Fluminense já tinha levantado para comemorar. Marcial com uma defesa incrível garantiu o grito de campeão.

Em 1972, o Flamengo voltou a ser campeão em cima do Fluminense ao vencer o último jogo do triangular (o Vasco estava eliminado) por 2 a 1, com gols de Doval e Caio Cambalhota no 1º tempo. Jair descontou para o Tricolor.

Passaram-se 19 anos para o Flamengo voltar a ser campeão em cima do Fluminense, em 1991, depois de amargar a perda de dois títulos para o rival nos anos 80.  Comandados pelo Maestro Júnior com seus 37 anos, os rubro-negros empataram em 1 a 1 o primeiro confronto decisivo e venceram o segundo com facilidade por 4 a 2, gols de Uidemar, Gaúcho, Zinho e Júnior. Ézio fez os dois do rival.

Após a perda do título de 1995, ano do centenário, os dois rivais voltaram a se enfrentar em uma final estadual em 2017, com o Flamengo vencendo por 2 a 1 (jogo de ida 1 a 0 Flamengo). Guerrero e Rodinei (Flamengo) e Henrique Dourado (Fluminense), os autores dos gols. Em 2020, mais um confronto decisivo com final feliz para o Flamengo, que venceu por 1 a 0 (jogo de ida 2 a 1 Flamengo), gol de Vitinho.

Em 2021, o Flamengo sagrou-se tricampeão carioca ao vencer novamente o Tricolor por 3 a 1 (jogo de ida empate em 1 a 1). Gabriel Barbosa (dois gols) e João Gomes marcaram para o Flamengo. Fred assinalou o único gol do adversário.  

Jarbas e o Mestre Júnior são os recordistas de jogos contra o Fluminense: 48. Ele, o Galinho Zico, o maior artilheiro, com 19 gols em 44 jogos.