quarta-feira, 15 de março de 2023

DÉ: O ARANHA

 


Nascido em Paraíba do Sul-RJ, em 16 de abril de 1948, Domingos Elias Alves Pedra foi um atacante rápido, oportunista e irreverente, mas acima de tudo, malandro. Fez sucesso no Vasco ao lado de Roberto Dinamite (campeão brasileiro em 1974). Vestiu a camisa do Vasco em 221 jogos e marcou 72 gols. Teve bons momentos no Botafogo, no final dos anos 70, na cia do meia Mendonça.


Iniciou sua carreira no Olaria e logo foi contratado pelo Bangu. Pelo time banguense marcou 35 gols em 131 jogos. Também jogou por Sporting (campeão português e da Copa de Portugal em 1975), América (RJ), Al Helal (campeão árabe em 1981), Bonsucesso, Rio Branco (campeão capixaba em 1983) e Desportiva Ferroviária – jogou por empréstimo na Taça de Ouro de 1984 (ambos do Espírito Santo), onde encerrou a carreira, em 1985, sendo campeão capixaba novamente pelo Rio Branco. Tornou-se técnico e dirigiu diversos times pelo Brasil. Atualmente trabalha no rádio como comentarista esportivo.


HISTÓRIAS DO FUTEBOL COM DÉ ARANHA...


Vasco x Bangu – O juiz Nivaldo dos Santos expulsa Renê. Dé, que já está no Vasco, não gosta. Parte pra cima do juiz e protesta. Quando vê o cartão amarelo surgir em suas mãos ensandece. “Tomei o cartão da mão dele e rasguei-o a dentadas. Nivaldo parou, de olhos esbugalhados. Joguei o cartão e saí. Expulso".

 

Bangu x América – Dé apanhando que nem boi ladrão do beque Tião. O técnico Flávio Costa percebe que ele está se irritando e tira-o de campo, para evitar sua expulsão. Dé sai e fica zanzando por ali. Enquanto o substituto não entra, Dé volta ao campo e soca Tião. Foi expulso. “É, mas fiquei com a alma lavada".

 

Bangu x Vasco – Escanteio no finzinho do jogo. Dé enche a mão de areia e fica junto de Andrada, esperando a cobrança de Aladim. Quando a bola sobe, joga areia na cara do goleiro e cabeceia para o gol vazio. Bangu, 1 a 0. “Os caras, em vez de reclamar do juiz, vieram para cima de mim. Até hoje estou correndo do pau".

 

Bangu x Flamengo – Dé está com um gelo na mão e Reyes tem a bola nos pés. Quando o gringo se apronta para chutar, Dé joga a pedra de gelo na bola, que desvia e fica à feição do atacante. Toda a defesa do Flamengo para, surpresa, e Dé avança tranquilo e marca o terceiro gol do Bangu.

 

terça-feira, 7 de março de 2023

LUIZ CARLOS: O "TATU"

 


Luiz Carlos Silva Lemos, mais conhecido como “Luiz Carlos Tatu”, nasceu em Três Irmãos, distrito de Cambuci-RJ, em 11 de agosto de 1947. Algumas fontes registram seu local de nascimento na capital carioca e até em Itaocara, cidade que faz divisa com Cambuci. Esclarecendo geograficamente o fato, através do Decreto-lei Estadual nº 1.056, de 31/12/1943, o município de Cambuci adquiriu o distrito de Três Irmãos do município de Itaocara.


Outro detalhe sobre o Luiz Carlos é a afirmação de algumas pessoas que ele é irmão de César Maluco, Caio e Lusinho Lemos. Acho que tal comentário baseia-se em cima do sobrenome “Lemos”. Não existe nenhum tipo de parentesco entre eles. Esse tema já foi motivo de muitas “discussões” nas redes sociais.  


Luiz Carlos foi revelado no Paduano, de Santo Antônio de Pádua-RJ, cidade próxima a Cambuci. Em fevereiro de 1967 foi para o juvenil do Flamengo e de cara conquistou o título carioca da categoria. Em 09 de julho do mesmo ano fez sua estreia no time profissional. Parecia ter um futuro brilhante na Gávea. Mas não foi isso que ocorreu e permaneceu no clube até 13 de fevereiro de 1969, quando fez seu último jogo pelo rubro-negro. Marcou 15 gols em 66 jogos. Ficou um bom tempo afastado após sofrer uma fratura no pé esquerdo.


Foi negociado com o Vasco e ficou em São Januário até 1976, marcando 43 gols em 404 jogos. No Gigante da Colina atravessou o seu melhor momento, sendo campeão carioca em 1970 e do brasileiro em 1974. Jogou por empréstimo no Cruzeiro na temporada de 1972 e conquistou o título mineiro daquele ano. No início de 1977 foi envolvido no famoso troca-troca promovido pelo presidente do Fluminense, Francisco Horta, chegando ao Tricolor trocado por Dirceu. A Máquina Tricolor passava por uma reformulação e os resultados esperados não vieram. Ficou até outubro de 1978 e marcou 9 gols em 88 jogos.


Jogou ainda no Campo Grande, uma rápida passagem pelo Bangu e no Olaria.

sábado, 25 de fevereiro de 2023

WALDO: O MAIOR ARTILHEIRO DA HISTÓRIA DO FLUMINENSE

 


WALDO Machado da Silva nasceu em Niterói-RJ, em 09 de setembro de 1934. Atacante rompedor, de muito vigor físico e disposição para disputar as jogadas. Tinha todos os requisitos de um grande centroavante. Waldo é o maior artilheiro da história do Fluminense, onde marcou 319 gols em 398 jogos. Desse total apenas três gols de pênalti, outros dois ele perdeu. Uma marca impressionante. Foi campeão do Rio-São Paulo em 1957 e 1960, e do carioca em 1959.


Veio das categorias de base do Madureira para o Tricolor das Laranjeiras, onde se profissionalizou em 1954, ficando até 1961, quando foi para a Espanha e também se destacou e virou ídolo no Valência – bicampeão da Copa UEFA em 1962/63, deixando sua marca de artilheiro com 182 gols em 296 jogos. Encerrou a carreira no Hércules/Espanha, em 1971. Pela Seleção foram 5 jogos e 2 gols, sendo 4 oficiais. 





O ex-jogador morava na Espanha e sofria do Mal de Alzheimer, vindo a falecer em 25 de fevereiro de 2019, aos 84 anos. Nos últimos anos, Waldo viveu numa residência em Burjassot sob a tutela da Associação de Futebolistas do Valência, onde foi acompanhado e participou ativamente em Seminários de Reminiscência para combater a doença de Alzheimer. Isso demonstra o quanto são tratados e reconhecidos os ex-jogadores de futebol na grande maioria dos clubes da Europa, independente de sua nacionalidade. RESPEITO E CARINHO EM PRIMEIRO LUGAR.




quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

VAVÁ: O PEITO DE AÇO

 


Edwaldo Izídio Netto nasceu na capital pernambucana em 12 de novembro de 1934. Atacante oportunista e valente, Vavá se consagrou como um dos mais perigosos e raçudos atacantes do futebol brasileiro – característica que lhe rendeu o apelido de “Peito de Aço”. Apesar de sua baixa estatura (1,74m), era muito bom cabeceador e chutava bem com os dois pés.


Por onde passou deixou sua marca de artilheiro. Quando veio do Sport Recife para o Vasco, em 1952, era um armador de boa técnica. Foi Gentil Cardoso, então treinador da equipe carioca, que o transformou em atacante. Faz parte da galeria dos grandes artilheiros e ídolos do Vasco.


Depois do Sport Recife defendeu o Vasco – 252 jogos e 148 gols (campeão carioca em 1952/56 e 58, e do Rio-São Paulo em 1958), Atlético de Madrid/Espanha (bicampeão da Copa da Espanha em 1960/61), Palmeiras – 142 jogos e 71 gols (campeão paulista em 1963), Toros/México, América (campeão mexicano em 1966), San Diego/Estados Unidos e Portuguesa (RJ), onde encerrou a carreira, em 1967, aos 35 anos.


Participou e conquistou as Copas do Mundo de 1958 e 62. Pela Seleção foram 23 jogos e 14 gols, sendo 20 oficiais e 14 gols. Por sua participação efetiva e gols importantes marcados no bicampeonato, Vavá recebeu o carinhoso apelido de “Leão da Copa”. Em 1982, foi auxiliar de Telê Santana na Copa do Mundo da Espanha.


Vítima de um infarto agudo do miocárdio faleceu na capital carioca, aos 67 anos, em 19 de janeiro de 2002. Em 2001 ele havia sofrido um AVC e, desde então, sua saúde declinou.

 

sábado, 4 de fevereiro de 2023

BAUER: O ESTILISTA

 


José Carlos Bauer nasceu na capital paulista em 21 de novembro de 1925. Volante de passadas lentas e elegantes, perfeito no domínio de bola, principalmente ao dominá-la no peito e no passe com o lado esquerdo do pé. Ele tinha uma correta noção estratégica do jogo.


Bauer foi capitão de todas as equipes pelas quais atuou. Desde o São Paulo, pelo qual começou, ao Botafogo, incluindo-se seleções paulista e Brasileira. Ao contrário de outros, impunha-se não só pelo espírito de luta, mas também pela técnica. Bauer foi um dos maiores estilistas do futebol brasileiro e um dos melhores jogadores da história do São Paulo. Defendeu o Tricolor em 398 jogos e marcou 18 gols. Foi campeão paulista em 1945/46/48/49 e 53.


Apesar de amador, Bauer já havia tomado parte de alguns jogos da equipe principal do São Paulo em 1944 e 1945. Mas só se firmou mesmo a partir de 1946, ano em que o clube foi bicampeão paulista. Com os companheiros Rui e Noronha, formou não somente a linha média do clube, mas também da Seleção Brasileira campeã sul-americana de 1949. Impossível falar da magnitude de Bauer, sem mencionar Rui. Da mesma forma, não dá para explanar a totalidade do futebol de ambos, sem Noronha. A linha que marcou época no São Paulo, nos anos 40. 


Bauer foi o único titular da Seleção Brasileira que depois de perder a final da Copa de 50 para o Uruguai sobreviveu para também disputar o Mundial seguinte, na Suíça, em 1954. Vestiu a camisa do Brasil em 29 jogos, sendo 26 oficiais.


Após sair do São Paulo defendeu o Botafogo (RJ), Portuguesa de Desportos e São Bento, de Sorocaba, pelo qual encerrou a carreira, em 1958.


Bauer sofria do Mal de Alzheimer e faleceu na capital paulista, em 04 de fevereiro de 2007, onde vivia com a família.

domingo, 29 de janeiro de 2023

OLDEMÁRIO TOUGUINHÓ: MAIS UM GRANDE NOME DO JORNALISMO ESPORTIVO QUE NOS DEIXOU DE FORMA PREMATURA

 


OLDEMÁRIO Vieira TOUGUINHÓ nasceu em Campos dos Goytacazes-RJ, em 08 de novembro de 1934. Aos cinco anos mudou-se com a família para o Rio de Janeiro. O jornalista trabalhou durante toda a sua carreira no Jornal do Brasil, sendo ainda colaborador da Agência Estado, escrevendo tanto para o Estadão quanto para o Jornal da Tarde. Ele ganhou uma série de prêmios durante sua brilhante carreira, entre eles, dois Essos de Informação Esportiva no início da década de 80. Também teve artigos publicados em conceituados veículos, como o “The New York Times” e “France Football”. Oldemário escreveu dois livros: “As Copas que eu vi” e “Maracanã”.


Touguinhó faz parte daquele grupo especial de jornalistas esportivos mais importantes da crônica brasileira. Entre seus grandes feitos foi ter participado da cobertura de dez edições da Copa do Mundo, no período de 1962 e 1998, além de estar presente em várias Olimpíadas. Sempre foi um obcecado pelo trabalho e nada o dispensava do dever de uma informação. Outro diferencial desse jornalista era a imparcialidade, o que fez dele admirado por todos os craques do seu tempo.


Outra paixão era o samba e a Mangueira sua escola favorita. Botafoguense confesso morreu na capital carioca, aos 68 anos, vítima de uma parada cardiorrespiratória, após ter enfrentado uma série de problemas de saúde desde 1999, quando foi submetido a uma cirurgia no coração.


Quis o destino que Oldemário morresse exatamente vinte anos depois de Garrincha, em janeiro de 2003, na capital carioca – no mesmo dia (20), e Mané, assim como Pelé, que era seu compadre – sempre foram amigos muito próximos.

 

Assim descreveu o Jornal do Brasil em sua edição de 21 de janeiro de 2003, sobre a morte de Oldemário:

 

Logo o coração!

“O coração levou Oldemário. Logo o coração! Quem conviveu com ele e recebe a notícia assim, custa a acreditar. Logo com ele, que parecia ter sete corações! Ninguém usou o coração com mais ardor que o Oldemário. Na vida profissional ou particular, era o coração que comandava o Oldemário. Era com o coração que ele corria atrás das notícias, dos furos – e como corria! Era com o coração que ele escrevia suas reportagens – e que reportagens! Seus companheiros e amigos sabem também como era grande aquele coração – que coração!

Oldemário respirava pelo coração. É difícil acreditar que logo o coração o tivesse tirado do convívio que ele mais amava depois da família – a redação. Era na redação que se realizava. Por isso, todas as redações mergulham num profundo silêncio para reverenciar sua ausência.”

 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

ORLANDO BAPTISTA: O MAIS LAUREADO LOCUTOR ESPORTIVO

 


ORLANDO BAPTISTA das Chagas nasceu no Rio de Janeiro, em 07 de junho de 1928. Conhecido como o “Mais laureado locutor esportivo do Brasil”, iniciou a carreira radiofônica em 1944, na Rádio Tupi, cantando e participando de um programa infantil. Em seguida ingressou na Rádio Mauá, onde teve sua formação como locutor. Orlando Baptista comandou durante muito tempo o programa "Turma do Bate-Papo", na rádio Mauá e posteriormente na rádio Nacional. Também esteve à frente de "Campo do 13", na TV Record. Quando havia um gol, bradava: bota no meio juiz! 


Orlando Baptista fez a cobertura de 14 edições da Copa do Mundo, sendo a última em 2002, quando o Brasil conquistou o penta. Nas décadas de 50, 60 e 70 dividia a preferência dos ouvintes com outros craques da transmissão esportiva, como Jorge Cury, Waldir Amaral, Doalcei Bueno de Camargo e Oduvaldo Cozzi. Orlando Baptista trabalhou em outras emissoras de rádio do Rio de Janeiro (Continental, Globo, Excelcior) e era um ícone do jornalismo esportivo.


No dia 26 de janeiro de 2012, calou-se a voz de um grande nome da comunicação brasileira, que, aos 83 anos, no Rio de Janeiro, vitimado por um infarto, deixou a crônica esportiva de luto.


Orlando deixou um filho, Luiz Orlando Baptista, que por muitos anos trabalhou na TV e no rádio esportivo.


Transcrevo a seguir um depoimento de Orlando Baptista ao repórter Eldio Macedo, publicado na revista Manchete Esportiva, edição nº 13, janeiro/1978.


O SOM DO GOL


"Luta-disciplina-confiança é meu trinômio profissional."

Orlando Baptista, hoje na Continental Carioca, lembra seu início (difícil) pela Mauá, em 1948. A independência profissional do conhecido radialista tem sua explicação. Ele mesmo diz: "Tracei uma linha de conduta e segui por ela. Passando pelos mais diversos adversários, marcando gols de inteligência e dedicação. Orlando Baptista das Chagas acabou recebendo os aplausos do sucesso. Na verdade, não faço concessões". É ele lembrando seus 30 anos de Rádio Mauá. O menino pobre que jamais esqueceu os conselhos do pai e as orientações dos irmãos do Colégio São Bento, abre um sorriso: "Formei-me em 54, em Direito. Foi um ano inesquecível, porque também fiz minha primeira transmissão internacional, relatando um jogo do Vasco no México, depois a Copa na Suíça, e foi quando nasceu meu filho Luiz Orlando, agora também profissional do rádio e televisão esportivos. Mas só foi em 68 que passei a ser comandante da equipe independente, no momento em que passei a ser também arrendatário de espaços, na extinta Mauá". Defendendo a tese de que nada cai na mão, portanto é preciso lutar pela oportunidade, Orlando conta que sua maior emoção profissional foi o tricampeonato, no México. 

João Dourado, Osvaldo Baptista (irmão), Geraldo Carlos, Ademir Menezes, Arnaldo Moreira, Roberto Mércio, Luiz Orlando (filho), Walter Salles, Carlos Borges, Edir Lemos, Luiz Lara, Anísio dos Santos e mais seis técnicos de som formam a equipe: "Que espera continuar merecendo a ternura dos ouvintes e o carinho dos anunciantes", finalizou Orlando Baptista.