terça-feira, 7 de junho de 2022

ZÉ MÁRIO: A MORTE PREMATURA DE UMA PROMESSA DO FUTEBOL BRASILEIRO

 


José Mário Donizetti Baroni, ou simplesmente Zé Mário, foi um dos maiores jogadores da história do Botafogo de Ribeirão Preto. Porém, os dribles que encantaram os botafoguenses e Cláudio Coutinho, treinador da seleção brasileira, duraram pouco tempo. Aos 21 anos, o ponta-direita morreu vítima de leucemia.

A história de Zé Mário com a camisa botafoguense começou em 1973, quando chegou ao clube para atuar nas categorias de base. Com menos de 20 anos, o jogador que se destacou com a camisa sete do Tricolor fazia parte do elenco principal.

Em 1977, foi um dos destaques da equipe na conquista do histórico título da Taça Cidade de São Paulo, referente ao primeiro turno do Campeonato Paulista. Ele dividia com Sócrates as atenções do time comandando por Jorge Vieira.

Ele fez parte do grupo que disputou o Mundialito de Cali, na Colômbia, em 1977, e defendeu a seleção contra um combinado carioca, Inglaterra, Alemanha Ocidental, combinado paulista e Polônia. O grupo se preparava para a disputa da Copa do Mundo da Argentina de 1978.

Zé Mário retornou da seleção brasileira após passar por exames e ser constatado um problema de saúde, que na oportunidade não foi revelado — existiam apenas rumores que o atleta estava com leucemia. Ele chegou a ser internado e recebeu alta poucos dias depois.

O ponta-direita ainda tentou retornar aos gramados para mostrar o seu talento que encantou o país, mas infelizmente faleceu em 7 de junho de 1978.

Fonte (Botafogo – Uma História de Amor e Glórias)

domingo, 5 de junho de 2022

O TITIO ORLANDO FANTONI

                                                                  ABEL, ORLANDO FANTONI E DIRCEU NO VASCO 
 

Orlando Fantoni foi ex-jogador e técnico de futebol. Mineiro de Belo Horizonte, onde nasceu em 13 de maio de 1917, faleceu em Salvador-BA, aos 85 anos, em 05 de junho de 2002, vítima de enfisema pulmonar. Filho de imigrantes italianos, Fantoni era o caçula da família. Irmão de Niginho, Ninão e Nininho, que também trilharam com sucesso no futebol. Foi jogador do Cruzeiro, Siderúrgica-MG, Palmeiras, Lázio/Itália e Vasco da Gama.

 

Como treinador, na década de 50, iniciou suas atividades na Venezuela, onde passou 14 anos trabalhando. Conquistou cinco campeonatos nacionais entre os anos de 1957 e 1966: Universidad Central (1957), Deportivo Português (1958) e Deportivo Itália (1961/63/66).

 

Retornando ao Brasil, comandou vários times e por onde passou deixou uma de suas marcas registradas: o jeito diferente de lidar com os seus comandados, por isso era carinhosamente chamado no meio esportivo como “TITIO”. Era um treinador muito querido por todos os jogadores. De uma educação única, simples em todos os sentidos, totalmente o oposto de alguns “professores” prepotentes que hoje em dia se acham o “rei” da cocada preta. Sempre teve um bom relacionamento com a imprensa.

 

Conquistou títulos estaduais importantes nos grandes centros, exceto em São Paulo, onde teve apenas uma breve passagem pelo Corinthians, em 1980. Encerrou sua carreira de técnico em 1989, dirigindo o Vitória. Depois, fixou residência na capital baiana, onde mantinha negócios.

 

Suas conquistas como técnico:

Cruzeiro - Campeonato Mineiro: 1968

Náutico - Campeonato Pernambucano: 1974

Bahia - Campeonato Baiano: 1976, 1986, 1987

Vasco da Gama - Campeonato Carioca: 1977

Grêmio - Campeonato Gaúcho: 1979

terça-feira, 31 de maio de 2022

JANUÁRIO DE OLIVEIRA: O CRUEL

 


Januário de Oliveira nasceu em Alegrete-RS, em 12 de fevereiro de 1940. Foi um locutor e narrador esportivo que ficou famoso por conta de vários bordões usados em suas narrações. Januário era torcedor do Internacional e exerceu a sua profissão até 1998, quando foi obrigado a se aposentar devido a uma cegueira causada por diabetes. 

O seu quadro de saúde foi se agravando ano após ano e ele veio a óbito em 31 de maio de 2021, aos 81 anos, em Natal-RN, vitimado por uma parada cardíaca. Já se encontrava internado há onze dias para tratar de uma pneumonia. Residiu por muitos anos em Goiânia e sempre recebeu muito carinho dos fãs. Os anos 90 foram de muito sucesso e reconhecimento por seu trabalho na  televisão. Seus bordões viraram marcas registradas na voz dos torcedores.

Começou na Rádio Farroupilha, de Porto Alegre, e também trabalhou na Rádio Cultura de Bagé, interior gaúcho. No Rio de Janeiro construiu a sua história na Rádio Mauá, Rádio Nacional, TVE (1982/1992) e TV Bandeirantes (1992/1997). Antes de se aposentar, narrou algumas partidas da Copa do Mundo de 1998, pela já extinta Rede Manchete.

Januário foi responsável também por dar apelidos a muitos jogadores, entre eles o atacante Ézio como "Super Ézio", o atacante Sávio como "Anjo Loiro da Gávea", o atacante Túlio como "Tá, Té, Tí, Tó, Túlio...", o atacante Valdir Bigode como "matador de São Januário", o atacante Valdeir (ex-Botafogo) como "The Flash", o atacante Charles (ex-Bahia e Flamengo) como "Príncipe Charles", o volante e lateral Charles (Flamengo) como "Charles Guerreiro".


Outros Bordões:

- "Eee o Gol…" - o momento mágico do futebol.

- "Taí o que você queria, bola rolando…" - quando o juiz apitava o início da partida ou do segundo tempo.

- "Tá lá um corpo estendido no chão" - para o jogador que caía machucado no gramado.

- "Lá vem Geraldo e Enéas para mais um carreto da tarde", quando os maqueiros do Maracanã, Geraldo e Enéas, entravam em campo para retirar um jogador machucado.

- "Vai sair o primeiro carreto da noite" - quando um jogador contundido era levado pela maca para fora do campo.

- "Sinistro, muito sinistro…" - para falha grave de jogador ou árbitro.

"Cruel, muito cruel…" - para elogiar o jogador após o gol ou um lance bonito.

- "É disso (Fulano), é disso que o povo gosta" - para o jogador (Fulano) que acabara de estufar as redes, marcando o gol.

- "Olhos nos olhos, se passar fica na boa…" - quando o jogador com a posse da bola ficava frente a frente com um defensor.

- "Pintou em cores vivas" - quando uma chance clara de gol era perdida.

- "Tá na área, é agora, bateu..." - quando o jogador tinha uma chance de finalizar em gol.

- "Tem cartão? Tem cartão? Não! Cartão de crédito para o jogador (Fulano)…" - quando um jogador cometia uma falta dura e o árbitro não lhe aplicava nenhuma punição.

- "O(a) primeiro(a) só serviu como ensaio!" - quando ocorria a repetição de um lance (chute, cruzamento ou cobrança de falta) em sequência. Exemplo: escanteios cobrados consecutivamente; uma bola alçada na área duas ou mais vezes seguidas.

- "Pega, não larga mais, não dá rebote pra ninguém!" - quando o goleiro fazia uma defesa firme, segura, sem rebote.

- "Escancarou, escancarou legal (Fulano)..." - quando o jogador tinha um feito um gol.

- "Eu vi, eu vi…" - para algum lance que ninguém viu, somente ele.

- "Acabou o milho, acabou a pipoca, fim de papo." - quando o juiz apitava o fim do jogo.

- "riririkakakaka, o Juiz despirocou…" - para um lance em que o juiz marcou algo de outro mundo.

Fonte: Wikipédia com acréscimos

 



RUBENS JOSUÉ DA COSTA: DOUTOR RÚBIS

 


RUBENS Josué da Costa é paulista da capital, onde nasceu em 04 de novembro de 1928. Doutor Rúbis, como era carinhosamente chamado pela torcida do Flamengo, foi um meia clássico, de dribles curtos, chute forte e colocado, ótimo cobrador de faltas. Apesar de magro e baixo, tinha um estilo refinado e atrevido dentro de campo. Sua passagem foi marcante pelos rivais Flamengo e Vasco. Depois de só jogar amistosos em 1956, foi emprestado ao Santa Cruz. Em 1957, fez uma única partida pelo Flamengo e não foi mais aproveitado.  Comprou seu próprio passe e aceitou o convite para defender o Vasco ainda no 2º semestre daquele ano.


Atuou no Ypiranga (time já extinto de São Paulo), Portuguesa de Desportos, Flamengo – 170 jogos e 82 gols (tricampeão carioca em 1953/54/55), Santa Cruz (PE), Vasco – 115 jogos e 37 gols (campeão do Rio-São Paulo e carioca em 1958) e Prudentina (campeão da Segunda Divisão paulista em 1961), onde encerrou a carreira. Pela Seleção foram 2 jogos, sendo 1 oficial. Fez parte do grupo que conquistou o campeonato Pan-Americano de 1952, no Chile, o primeiro título do Brasil obtido fora do país, sob o comando do técnico Zezé Moreira.


Morreu em 31 de maio de 1987, aos 58 anos, no Rio de Janeiro, vítima de câncer no pulmão. O cigarro foi um mal que o acompanhou ao longo de sua vida, desde quando ainda jogava. Inclusive, no Flamengo teve problemas com o técnico Fleitas Solich em decorrência do vício.


O historiador Ivan Soter assim o descreveu em seu livro “Quando a bola era redonda”: “Sim, a bola já foi protagonista. Quando ela ficava com Rubens, o doutor Rúbis, ficava feliz. Rubens tinha um elástico mágico que a prendia a seus pés. Os adversários, hipnotizados, olhavam a bola nos pés de Rubens. Parados. Rubens se mexia, todos se mexiam para o lado que Rubens tinha se mexido. Ele só esperava que alguém ousasse roubá-la. Até que um sujeito do outro time, mas desavisado, avançasse desequilibrando a natureza morta pintada no gramado. Era o momento do drible. Só então a bola saía do lugar. Para continuar nos pés de Rubens”.

quarta-feira, 25 de maio de 2022

WASHINGTON: O TRISTE FIM DE UM ÍDOLO DO TRICOLOR CARIOCA E DO RUBRO-NEGRO PARANAENSE

 

WASHINGTON César dos Santos nasceu em Valença-BA, em 03 de janeiro de 1960. Atacante grandalhão, de movimentos lentos, boa técnica e muito oportunista. Colocava-se bem dentro da área e a ótima impulsão era uma de suas “armas” para suplantar o sistema defensivo adversário. A sua melhor fase foi no Fluminense, formando uma dupla perfeita com Assis, chamada de “Casal 20”. No Atlético Paranaense eles também fizeram muito sucesso.




Começou nas categorias de base do Galícia-BA – lançado pelo técnico Aymoré Moreira, em 1980 –, e jogou por Corinthians – 17 jogos e 4 gols, Operário (MS), Internacional (campeão gaúcho em 1981), Atlético (campeão paranaense em 1982), Fluminense – 303 jogos e 120 gols (tricampeão carioca em 1983/84 e 85, e campeão brasileiro em 1984), Guarani (SP), Botafogo (campeão carioca em 1990), União São João (SP), Desportiva (campeão capixaba em 1992), Santa Cruz (campeão pernambucano em 1993), Filgueiras/Portugal, Fortaleza, Foz do Iguaçu (PR), Batel (PR) e Guarapuava (PR). Pela Seleção foram 5 jogos e 2 gols, sendo 4 oficiais e 1 gol.




Após encerrar a carreira, Washington fixou residência em Curitiba e foi na capital paranaense que, aos 54 anos, foi encontrado morto em sua casa na manhã de 25 de maio de 2014. O ex-atacante sofria de uma doença rara, a esclerose lateral amiotrófica, que vai degenerando o corpo gradativamente.

segunda-feira, 23 de maio de 2022

DINO SANI: UM VOLANTE DE EXCELÊNCIA

 


DINO SANI nasceu na capital paulista em 23 de maio de 1932. Com suas roubadas de bolas e seus passes milimétricos, foi um dos maiores volantes da história do São Paulo, Milan e Corinthians. No início da carreira jogava mais avançado, mas depois se tornou um volante que ajudava na organização das jogadas. Sobrava inteligência e classe no domínio da bola, sabia como poucos virar o jogo com lançamentos precisos. E ainda balançava as redes também.


Iniciou sua carreira no Palmeiras – 15 jogos e seis gols – onde se tornou profissional em 1950 e campeão paulista do mesmo ano. Jogou por empréstimo no XV de Novembro de Jaú e no Comercial, esse da capital paulista, antes de chegar ao São Paulo, em 1954, e brilhar com a camisa do Tricolor. Foi campeão paulista em 1957 e marcou 108 gols em 322 jogos. Foi um grande parceiro do artilheiro Gino nos anos 50.


Antes de chegar e brilhar no futebol italiano teve uma rápida passagem pelo Boca Juniors. No Milan foi campeão italiano na temporada 1961/62, e da Taça dos Campeões da Europa em 1962/63. Retornou ao Brasil, em 1965, e atuou no Corinthians até 1968, assinalando 32 gols em 116 jogos, e campeão do Torneio Rio-São Paulo em 1966. Quando chegou ao Parque São Jorge, surgiu um boato que já estava velho. Mas, com a camisa alvinegra, mostrou tarimba de veterano e vitalidade de juvenil. Confirmou sua fama de grande jogador com um futebol inteligente e facilidade em organizar jogadas. 


Após pendurar as chuteiras, iniciou no próprio time do Parque São Jorge a carreira de técnico. Até o início dos anos 90 comandou vários times do Brasil e alguns do exterior. Foi tricampeão gaúcho dirigindo o Internacional em 1971/72/73, e o craque Falcão surgiu no time campeão de 1973.


Participou da Copa do Mundo de 1958, sendo campeão da mesma. Defendeu o Brasil em 24 jogos e marcou 2 gols, sendo 15 oficiais e 1 gol.

terça-feira, 17 de maio de 2022

GÉRSON: A MORTE CERCADA DE MISTÉRIO DO ARTILHEIRO

 


GÉRSON Pereira da Silva iniciou sua carreira no Santos e foi um dos destaques e artilheiro da Copa São Paulo de Juniores de 1984. Nascido em Santos, em 23 de setembro de 1965, após uma breve passagem pelo time profissional, jogou também por Guarani, Paulista de Jundiaí, Atlético (campeão mineiro em 1989 e 1991) e Internacional (campeão gaúcho e da Copa do Brasil em 1992). Foi o artilheiro máximo da Copa do Brasil de 1989, 1991 e 1992. Pela Seleção foi campeão Mundial Sub-20, em 1985. 


O ex-centroavante morreu em 17 de maio de 1994, em Guarujá, no litoral paulista, aos 28 anos, depois de ficar internado por 52 dias ininterruptos. De acordo com a informação do hospital, à época, ele sofria de neurotoxoplasmose. Essa doença é uma paralisia provocada por um protozoário. Gérson deixou a viúva, grávida – com o parto marcado para o dia 17 de maio – e mais duas filhas.


O fato é que em abril de 1992, dois anos antes de sua morte, quando atuava no Internacional de Porto Alegre, um diretor do clube afirmou que Gérson era portador do vírus da AIDS, o que sempre foi negado pelo jogador e demais familiares.


Posteriormente médicos declararam que o centroavante provavelmente nunca teria recebido o devido tratamento na época por falta de avanços na área, e que estava aparentemente com o estado psicológico abalado, possivelmente por problemas pessoais ou pelo seu estado de saúde. Por estes fatores, a doença poderia ter avançado mais rapidamente. 


Em uma reportagem do ESPN.com.br, de setembro de 2014, para Andréa, a viúva que teve de se virar e até trabalhar como faxineira, Gérson não morreu no dia 17 de maio de 1994, quando fechou os olhos pela última vez. Morreu bem antes, ainda com vida: “A vida acabou para ele não foi quando ele morreu, mas quando ele foi abandonado pelo clube e amigos, ali acabou o Gerson da Silva, centroavante".


Nota: a terceira filha de Gérson nasceu três dias após sua morte.