sexta-feira, 22 de junho de 2018

MIRACEMENSE É DESTAQUE EM MATÉRIA DO JORNAL O GLOBO

Orgulhosa, Lucília exibe a escultura do irmão mais velho, Zezé Moreira,
que fez história como técnico de futebol

Futebol: amor e tradição carregados no DNA. 

Irmã de bicampeão do mundo, aposentada é aficionada por Copa do Mundo. Lucília Moreira acompanhou o primeiro mundial pelo rádio e não perde um bolão.

A professora aposentada Lucília Moreira nasceu no mesmo ano em que o rádio chegou ao Brasil: 1922. Foi pelas ondas sonoras que, aos 8 anos, ela acompanhou a primeira Copa do Mundo, realizada no Uruguai, em 1930. Desde então — 20 Mundiais depois e aos 95 anos —, o encantamento e a vibração que pulsavam na menina ainda são os mesmos. Palpiteira, ela não passa uma edição sem participar de um bolão. E faz bonito, garante. A paixão pelo esporte está no DNA de Lucília. Ela é irmã de três técnicos que fizeram história no futebol nacional: Zezé Moreira, da seleção brasileira na Copa de 1954, na Suíça; Aymoré Moreira, bicampeão do mundo em 1962, no Chile; e Ayrton Moreira, que fez carreira em Minas Gerais.

Caçula e órfã de mãe aos 2 anos, Lucília foi criada pelo pai, Alfredo Moreira, com a ajuda dos irmãos (um quarto não se interessou por esporte e virou músico). O patriarca era um rígido farmacêutico que tinha horror a futebol. Culpa dos filhos, que trocavam os estudos pelas peladas nas ruas de Miracema, interior fluminense, onde a família morava. Para afastá-los da bola, Alfredo mandou os meninos morarem com um tio, no Rio. A punição teve efeito inverso. O tio adorava esporte, e os três seguiram carreira de jogador. Todos começaram no Botafogo, que na época se chamava Electro Club, mas foi como treinadores que eles se destacaram.
— Eles nasceram com a bola no pé e me influenciaram muito. Antes de eles irem morar com nosso tio, eu jogava com eles e com outros meninos, porque na época menina não jogava bola — conta Lucília.

Aos 17 anos, ela passou a dar aula de educação básica em Miracema, mas sua paixão por esportes era tamanha que logo decidiu que lecionaria educação física também. Ingressou, então, num curso que equivalia ao bacharelado de hoje, no Clube Caio Martins, em Icaraí.
— Por ser capital, Niterói era uma cidade muito mais avançada do que as outras, e estávamos sempre vindo para cá — pontua.

Formada, Lucília voltou a Miracema e, além de educação básica, passou a dar aulas de educação física e ginástica rítmica. Outra paixão de Lucília era o vôlei. Ela foi campeã estadual de vôlei em Niterói, no início da década de 1940.

A relação dela com a cidade não parou por aí. Ela casou-se aos 29 anos com Antônio Machado, um bancário que também adorava futebol e era apaixonado pelo Vasco. O casal teve quatro filhos, Carlos Augusto, de 64 anos; Deisy Maria, de 63, Antônio Augusto, de 60; e Lucília, de 58. Todos herdaram a paixão pelo futebol e pelo time cruzmaltino. Com a troca de emprego do marido, nos anos 60, Lucília e a família foram morar em Itaperuna, mas dez anos depois estavam de volta a Niterói para que os filhos ingressassem na faculdade.

Antônio, o caçula entre os meninos de dona Lucília, chegou a jogar profissionalmente, mas não seguiu carreira. O filho dele, Marcello Machado, também enveredou pelo futebol, mas migrou para o handebol de praia, sendo hoje atleta da seleção brasileira de handbeach. O sobrenome da família, porém, já havia sido escrito na história do futebol nacional. Em Miracema existe um museu e um estádio de futebol chamados Irmãos Moreira.

Por ter começado a vida profissional muito cedo, Lucília se aposentou aos 46 anos, mas continuou dando aulas de alfabetização para adultos e idosos. Encerrou a carreira no fim dos anos 1970.
— Até hoje os alunos me ligam para saber como estou. Alguns têm mais de 80 anos — conta.

Superativa, Lucília nunca deixou de se exercitar e hoje orgulha-se de sua disposição e sua flexibilidade. Moradora do Ingá, ela faz alongamento e fisioterapia. Tudo sozinha, em casa:
— Levanto num salto só. Faço meus alongamentos pela manhã e não tenho uma dor de cabeça. Meu médico fala que não tenho corpo de 95 anos, mas de menos de 80, fruto da atividade física. Além disso, no meu prato também não faltam verduras e legumes. Mentalmente, eu me sinto com 22, mas infelizmente já não posso fazer tudo que fazia aos 22.


EXPECTATIVA PELO HEXA

Dona Lucília gosta de se manter informada lendo jornais e ouvindo rádio e tem uma memória invejável, perfeita para quem gosta de recordar o passado e lembrar dos mínimos detalhes de histórias da família, quase todas ligadas ao futebol, claro.
— Eu me recordo de tudo o que vivi, e a cada vez que conto a minha história é uma forma de revivê-la — diz Lucília ao mostrar o álbum de família.

A filha caçula de dona Lucília, que herdou o nome da mãe, conta que em dias de jogo do Brasil a família toda se reúne e faz festa o dia inteiro. A matriarca acredita que desta vez o hexa vem. Na estreia da seleção contra a Suíça, ela acertou que teria gol de Philippe Coutinho:
— Só faltou o do Neymar. Mas não tem problema. Empatamos quando podíamos empatar. Daqui para frente, vamos jogar para vencer.

Reportagem de Priscilla Aguiar Litwak / Agência O Globo

7 comentários:

  1. QUE DELÍCIA TADEU, DELA NÃO SABIA NADA. VOU PASSAR PARA OS SOBRINHOS DELA.
    MUITO OBRIGADO ARQUIVO NACIONAL . ( KKKKKKKKK) GRANDE ABRAÇO.

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  2. Grande Juca !!!! sabiam que ela é chamada de Juca ?

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  3. Muito bom ter um blog que fala da cidade de Miracema, que eu tive prazer em conhecer!

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    1. Meu caro Ricardo, é muito prazeroso divulgar as coisas boas de nossa terra.

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  4. Tive o´privilégio de ter sido sua aluna no G .E.Dr.Ferreira da Luz entre 1950 /1955! Muita dedicação profissional . Revivo suas apresentações ao ouvir Jacob do Bandolim , que faziam parte de do fundo musical ! Oh ! saudade !

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