domingo, 11 de março de 2018

COISAS SIMPLES - POR JOSÉ ERASMO TOSTES






Às vezes, no passar da vida, as coisas simples com que nos deparamos no dia-a-dia não chamam a atenção. E, com o passar do tempo, após muitos anos, é que vamos recordar fatos e pessoas que tivemos relacionamento e outras que não mantivemos laços estreitos ou mesmo mais próximos, mas que voltam a povoar nossas lembranças.
Quando menino via passar por nossa rua, sem calçamento, aqueles carros de bois com seus cantos e suas toadas que nos embevecia. A tropa de burros do Nino Machado, com 20 burros na cangalha a levar café para ser depositado no DNC. O Ocário Bastos, com suas 12 carroças de burro a transportar mercadorias da Estrada de Ferro Leopoldina para o comércio local.
O apito da Fábrica de Tecidos a chamar seus funcionários e, logo após, ouvíamos o matraquear dos tamancos dos mesmos a caminhar para o trabalho. A Usina Santa Rosa, com sua chaminé, a soltar fumaça pelas ventas ao fabricar o açúcar cristal. As festas de formatura do Colégio Miracemense, e as suas rainhas. Os professores Álvaro Lontra, Dr. Ribeiro, Manoel Soutinho, Dr. Leandro, Jabs dos Santos Leão, Dona Oraide, Paulo Costa, Antônio Siqueira, Manoel Ramos, Dr. Sílvio Freire, Carlos Lontra e muitos outros.
A apresentação das bandas 7 de Setembro e 15 de Novembro, no coreto da Praça de Matriz. O ipê amarelo que floria em todas as primaveras. Os bailes no Aero Club com as orquestras de Severino Araújo, Cassino de Sevilha e de Napoleão Tavares.
Os torneios de futebol entre as equipes do Miracema, do Tupã e Esportivo. Os times de basquete e de vôlei, tanto masculino como feminino, que faziam as apresentações no rinque da praça e em outras cidades.
O Banco Fluminense da Produção, que deixou muita gente no ora veja e a ver navios. As casas comerciais: Casa Azul, Loja do Demétrio, Casa de Ferragens do Nacib Gandour, Casa de Ferragens do Pintinho, o Bar Pracinha com o garçom Lúcio com aquele pano mal cheiroso limpando as mesas, o Bar do Pinheiro, o Bar do Vicente com seu pastel tradicional, o Bar do Espanhol, o Boteco do Santinho, o Boteco do Farid, a Casa Cacheado, Casa Chicrala...
Os políticos como Altivo Linhares, Ventura Lopes, Bruno de Martino, Melchíades Cardoso, Adumont Monteiro... e os oradores que faziam a festa: Rolando, Briguelo e Oscarina, mulher do Gamelão.
Os taxistas: Belo, Chevrolet 38, Teodoreto, Chevrolet 39, Tereco, Chevrolet 39, Zé Barros, Nilo Boca Larga, Zinho Saco Frio e Buka no Ford 46.
Os farmacêuticos Scilio, Azarias, Chico Queiroz, Paschoalino Granato e Geraldo da Emília.
O Café Moka, do Juca Peixoto, o doce quero mais, do Bar do Osvaldo. Os pãezinhos do Leco, o bife a cavalo feito pelo Geludo, os quibes do Ábido, a sopa do Faride com cinza de cigarro e o café requentado do Santinho. O livro de ouro do Polaca no Carnaval, a aguardente Saudade, do Saliba, a groselha do Lucas Damasceno, os faroestes no poleiro do Cinema Sete. Alcinda da Vida e a mulata quenga chamada Pedaço.
E, neste mundo de meu Deus, há muitas coisas simples, que é o sorriso das crianças, o sereno da madrugada, o perfume das flores, o vento a roçar as palmeiras, o cantar do galo, o viver feliz e fazer o outro feliz.






5 comentários:

  1. Realmente são fatos, momentos e personagens que jamais vamos esquecer. Foi emocionante.

    ResponderExcluir
  2. Belos tempos! Grandes recordações!

    ResponderExcluir
  3. É impressionante, como ao ler, as imagens das lembranças vão se formando na mente.

    ResponderExcluir
  4. Ai eu pergunto: é ou não é para sentir saudade. Vida simples,sem as novidades de hoje, mas cheia e intensa.

    ResponderExcluir
  5. Sebastião Soares da Costa13 de maio de 2022 às 11:54

    Quanta lembrança boa. Na Casa do Demétrio tive meu primeiro emprego. A morena Pedaço, conheci muito.

    ResponderExcluir